Do coração da Amazônia ao centro do poder

Notícia - 12 - jul - 2016
Após conhecer povo Munduruku, Diretora Internacional do Greenpeace vai a Brasília discutir construção de hidrelétrica com MMA; “Tapajós não tem jeito”, diz ministro

Ao centro, o ministro Sarney Filho. Ao seu lado direito está Bunny McDiarmid e ao seu lado esquerdo, Asensio Rodriguez (© Alan Azevedo / Greenpeace)

Bunny McDiarmid, Diretora Executiva Internacional do Greenpeace, em seu último dia de viagem ao Brasil, se encontrou com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, em seu gabinete, em Brasília. A pauta principal da reunião abordou o projeto de construção do complexo de mais de 40 barragens no Rio Tapajós, em plena Floresta Amazônica – em especial a maior de todas, a Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós.

Na semana passada, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Sarney Filho afirmou ser contra a realização da obra e disse ainda que o Brasil não precisa de grandes hidrelétricas na Amazônia. Agora, reunido com o Greenpeace, o ministro voltou a se mostrar convencido que a obra não é a melhor escolha para o país não apenas por seus impactos socioambientais, mas também por ser uma tecnologia do passado.

“Estou convencido disso porque existem alternativas. Essas alternativas são melhores energeticamente e vão gerar mais desenvolvimento e emprego para o país”, defendeu o ministro. Segundo ele, “[A usina de] Belo Monte já foi quase impossível por causa das judicializações. Tapajós não tem jeito”.

A Diretora Executiva do Greenpeace, que acaba de voltar de viagem do Rio Tapajós e da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, trouxe ao ministro sua experiência com a visita e o que vivenciou por lá. "Vi a gigantesca ameaça que a Usina de Tapajós representa aos Munduruku e ao coração da Amazônia. Vim dizer ao senhor [ministro] que o Greenpeace está mundialmente mobilizado contra a barragem. Não vamos descansar. É uma prioridade global para toda a organização", disse Bunny.

Sarney Filho e Bunny McDiarmid com os estudos aternativos às hidrelétricas do Tapajós (© Alan Azevedo / Greenpeace)

Sarney Filho disse que vem se reunindo com outras áreas do governo para tratar do assunto. Outros temas também foram abordados, como as queimadas da Amazônia, a violência contra ativistas ambientais no país – o Brasil já é líder mundial e pode aumentar ainda mais suas ocorrências com grandes obras como as hidrelétricas na Amazônia –, taxas de desmatamento, Moratória da Soja e o acordo de Paris sobre clima.

Acompanhando Bunny McDiarmid, o Diretor Executivo do Greenpeace Brasil, Asensio Rodriguez, destacou a importância de falar em primeira mão ao ministro o que ele e Bunny experienciaram no Tapajós. “A resistência dos Munduruku não é só uma luta no Brasil, mas sim a nivel global. Já são mais de um milhão de pessoas apoiando a causa Munduruku. Foi muito importante deixar isso claro ao ministro, porque mostra que suas medidas em relação ao complexo de hidrelétricas no Rio Tapajós serão acompanhadas pelo mundo inteiro”, pontuou Asensio.

Adeus, Bunny

Receber uma de nossas duas novas Diretoras Executivas Internacionais foi extremamente inspirador e motivador. Por um lado, Bunny traz ao Greenpeace uma experiência de 30 anos dentro da organização – ela já passou, por exemplo, pelo deque de todos os navios do Greenpeace – e suas inúmeras histórias como ativista, nos mais diferentes lugares do mundo, apenas reforçam a identidade e a missão do nosso trabalho.

Por outro, foi durante sua passagem aqui que a campanha global pela proteção do Rio Tapajós alcançou o apoio de mais de um milhão de pessoas de todo o mundo, o que nos motiva em continuar mobilizando cada vez mais e mais defensores da natureza e dos direitos humanos.

Ann Mary McDiarmid, mais conhecida como Bunny, volta para Amsterdam, onde é a sede do Greenpeace Internacional. Mas seu espírito inspirador continuará presente, nos motivando cada dia mais no desafio de preservar a natureza e a vida. Obrigado, Bunny!

Bunny McDiarmid no Brasil