Frankenstein no campo

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Notícia - 4 - mai - 2010
Companheiro inseparável da round up-ready, semente de soja transgênica da Monsanto, o herbicida Roundup anda criando super-ervas daninhas nos Estados Unidos.

Ativistas do Greenpeace, criaram uma marca de interrogação para sinalizar as dúvidas sobre a cultura segura de transgênicos. © Greenpeace/Michael Desjardins


A agricultura transgênica, 30 anos após a sua introdução, finalmente criou seu monstro, cortesia do Roundup, um herbicida poderoso usado em plantações de soja transgênica que vem transformando as ervas daninhas que deveria eliminar em verdadeiras super-ervas, resistentes aos herbicidas disponíveis no mercado. Qual a consequência disso? Aumentar a dose de agrotóxicos em nossas lavouras.  Não dando certo, a saída é investir na criação de novo herbicida, ainda mais mortífero. E se ele não funcionar? Aí, o mundo maravilhoso da transgenia vai virar pesadelo.

“Estamos de volta há vinte anos”, relata fazendeiro americano em reportagem do jornal The New York Times. Obrigado a dobrar a quantidade de herbicidas altamente tóxicos e retornar para métodos antigos para conter as ervas cada dia mais fortes e predatórias, o produtor vê seus custos aumentarem. Para o consumidor sobram alimentos mais tóxicos a um preço mais alto.

O herbicida Roundup é anterior à introdução dos transgênicos, mas foi com o surgimento da semente de soja da Monsanto apelidada de Roundup Ready – aquela que já vem pronta para receber banhos do produto, que ele se tornou popular em lavouras. Propaganda maciça e bons preços atraíram o homem do campo em direção ao agrotóxico da Monsanto e hoje o Roundup, também chamado pelo seu nome científico glifosato, é um produtos altamente popular.

“Em toda espécie de erva daninha temos indivíduos geneticamente resistentes e outros suscetíveis ao efeito dos herbicidas. O uso intensivo de um produto mata todos os que forem suscetíveis e, a longo prazo, deixa apenas as plantas resistentes. Elas se disseminam e tornam-se cada dia mais fortes”, diz Dionízio Grazziero, engenheiro-agrônomo e pesquisador da Embrapa.

Grazziero explica que, graças a este tipo de desequilíbrio, torna-se necessário adicionar outros tipos de herbicida ao coquetel das sementes: “Quanto mais produto, mais caro fico para o produtor, e, claro, maior o impacto ambiental. A cultura transgênica trouxe o aumento do uso intensivo e muitas vezes inadequado de Roundup”, complementa.

Em recente palestra no Brasil, o pesquisador Michael Hansen, especialista em impactos da biotecnologia na agricultura e cientista sênior da Consumers Union, maior organização de consumidores dos Estados Unidos, trouxe alerta da comunidade científica para outros possíveis efeitos do Roundup. As suspeitas são de que o produto possa levar à reprodução indevida de células e o aumento nas taxas de abortos espontâneos e de má formação fetal.

Esta história tem cheiro de coisa antiga. Mais especificamente, de um problema que perdurou no Brasil por mais de 25 anos. Este foi o tempo que levamos para proibir o uso de outro grande vilão, o DDT, inseticida banido graças aos efeitos criminosos na saúde humana e ambiental. Há 50 anos, quando ele surgiu, espalhou-se a crença que o mundo iria se livrar dos insetos. Do mesmo modo que a transgenia, um dia, prometeu uma lavoura sem ervas daninhas. Promessas de vidro, que os insetos e a super erva que começou a crescer em solo americano se encarregaram de quebrar.

3 Comentários Adicionar comentário

Ester Maria says:

Porque não temos fotos dos monstrengos gerados? Eu já vi quando visitei uma lavoura de milho, escondi em minha sacola ele sumiu quem pegou n...

Enviado 18 - out - 2011 às 21:12 Denunciar abuso Reply

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lpss says:

o homem é ignorante mesmo, heim!!
na natureza existe milhares de soluções para problemas que assolam produtores e lavouras, solu...

Enviado 18 - mai - 2010 às 17:52 Denunciar abuso Reply

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Vanessa F. says:

Além do processo de seleção de ervas daninhas resistentes, o glifosato também é prejudicial à flora bacteriana do solo, ...

Enviado 6 - mai - 2010 às 2:10 Denunciar abuso Reply

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