Gás tóxico vaza no litoral paulista

Notícia - 15 - jan - 2016
Prefeitura do Guarujá orienta moradores a deixarem a região e Cetesb alerta turistas para não viajarem ao litoral; gás liberado é extremamente nocivo à saúde

A névoa química pode ser vista a quilômetros de distância (Divulgação/Corpo de Bombeiros de São Paulo)

Um incêndio seguido de vazamento de gás aconteceu nesta quinta-feira (14) à tarde no complexo do Porto de Santos, liberando uma nuvem tóxica que atinge as cidades de Guarujá, Santos, São Vicente e Cubatão, no litoral de São Paulo. O fogo e a fumaça contendo gás nocivo foram controlados apenas dois dias após o incidente.

Uma carga de sódio dicloro, ao entrar em contato com a água da chuva, liberou um gás extremamente tóxico e prejudicial à saúde, causando dificuldades respiratórias e irritação no nariz, garganta e pulmões. A orientação da prefeitura do Guarujá foi que moradores em um raio de 100 metros do vazamento abandonassem suas casas. Cerca de 70 pessoas já procuraram atendimento médico. O impacto sobre o meio ambiente – como a mortalidade de peixes e outros animais – ainda não é conhecido.

Para Ricardo Baitelo, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, “a frequência de desastres com grandes danos ambientais e econômicos, como os recentes casos de Mariana e o incêndio no complexo industrial de Santos, mostram o equívoco do governo e de nossos gestores ambientais em enfraquecer as ferramentas de licenciamento de grandes empreendimentos”.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) recomendou que aqueles que pretendiam viajar para o local se mantivessem fora da região. Ainda de acordo com a Cetesb, foi apontada falha no lacramento do contêiner que causou o acidente. O acontecimento transparece negligência na operação da empresa Localfrio e do Porto de Santos.

Atualização - 09h33 de 18/01/2016

O fogo que atingiu contêineres no Terminal 1 do Porto de Santos foi extinto às 4h deste sábado (16) – 37 horas após o vazamento de gás ter ocorrido. As chamas se extinguiram após o Corpo de Bombeiros ter começado a abrir os últimos contêineres para lançar água em seu interior.

Baitelo chama atenção para o fato de o vazamento não ter sido controlado após 24 horas de seu início, “o que aponta limitações no plano de contingência deste tipo de empreendimento”.