Na Argentina não

Notícia - 7 - jun - 2009
Grupo de advogados ambientalistas quer moratória de 6 meses para venda e uso do glifosato, base do Roundup, o agrotóxico da Monsanto.

Soja transgênica foi menos rentável do que a convencional em 2007, confirmando nossos alertas de que a tecnologia não traria benefício algum aos agricultores brasileiros.

O agrotóxico mais vendido no mundo e muito usado em lavouras transgênicas poderá ser proibido na Argentina - pelo menos por seis meses. Essa é a intenção de um grupo de advogados ambientalistas que pediu à Suprema Corte do país que interrompa a venda do glifosato depois que pesquisas revelaram que o produto pode ser prejudicial à saúde humana.

O glifosato é a base, por exemplo, do agrotóxico Roundup, da Monsanto, para o qual foram criadas variedades de soja geneticamente modificada.  Essa soja transgênica, resistente ao glifosato, é muito plantada na Argentina e também no Brasil, principalmente na região sul.

Segundo investigação feita pelo instituto de pesquisas Conicet, o glifosato pode causar má-formação embrionária em rãs, por exemplo. E pode ter implicações sérias para seres humanos. Pesquisadores do instituto suspeitam que a classificação de toxicidade do glifosato esteja muito abaixo do que deveria ser.

Há registro de vários casos de residentes próximos das regiões produtoras de soja na Argentina que relataram problemas de saúde a partir de 2002, dois anos após as primeiras safras de soja transgênica.

Pesquisas conduzidas por cientistas argentinos e evidências levantadas por outros ativistas do país indicam elevada incidência de defeitos de nascença e câncer em pessoas que vivem perto das regiões de pulverização de glifosato em lavouras.

A Argentina hoje é o maior exportador mundial de óleo de soja e segundo maior na exportação de milho, terceiro em soja e sétimo, em trigo. O glifosato é o agrotóxico mais usado e os produtores gastam com ele cerca de US$ 450 milhões por ano, usando 150 milhões de litros anualmente nas lavouras.