Ativistas fazem protesto em defesa de Abrolhos na ANP em Salvador

Notícia - 10 - mar - 2009
Manifesto pede o fim da exploração de gás e óleo na região dos Abrolhos como estratégia de combate a crise climática.

Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos do Greenpeace, explica ao representante da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em Salvador, o risco que a exploração de petróleo representa ao Parque Marinho dos Abrolhos. O Greenpeace promoveu um protesto no escritório regional da ANP na capital baiana.

Ativistas do Greenpeace amarraram nesta quarta-feira à escritório regional da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a placa flutuante que foi utilizada no protesto em alto-mar realizado na semana passada, na região de Abrolhos, onde se localiza um dos blocos de exploração de gás e óleo ofertados pela ANP em 2003. Durante a atividade, os ativistas também entregaram um manifesto pela proteção de Abrolhos e pelo clima do planeta, assinado pela Coalizão SOS Abrolhos*

Clique aqui para baixar o manifesto (arquivo .pdf)

A placa simboliza a ameaça representada pela exploração das reservas de gás e óleo, o principal vetor do aquecimento global no mundo. Em 2003 a ANP chegou a ofertar 243 blocos para exploração que se localizavam no entorno do parque. Na ocasião, um grupo de entidades ambientais se organizaram e impediram que a maioria dos blocos fosse explorada, e conseguiram a criação da zona de amortecimento (ZA), que visa diminuir os impactos na Unidade de Conservação. Por não ter sido criada via decreto federal, a ZA, foi derrubada mas, quando criada, oferecerá proteção permanente à região de maior biodiversidade do Atlântico Sul.

Veja as fotos:

Com a mensagem "Lula: ABRa os OLHOS. Salve o Clima", o Greenpeace exigiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação, via decreto, da ZA com 95 mil quilômetros quadrados para proteger o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e ajudar a manter a capacidade dos oceanos de atuarem como reguladores climáticos.

A atividade faz parte da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora que está em Salvador com o navio Arctic Sunrise desde a semana passada. Percorrendo sete cidades brasileiras para alertar a população sobre a urgência de medidas de combate ao aquecimento global, o tema de Abrolhos não poderia ficar de fora da expedição.

"Os oceanos são o maior sumidouro de carbono do planeta e a região possui espécies como as algas calcáreas, que funcionam como depósitos de carbono", disse Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.

"A criação de camarão e a exploração de gás e óleo no entorno do Parque Marinho são os grandes vilões da preservação desta região, prejudicando assim a sua função como regulador do clima do planeta."

Assista ao vídeo:

A intenção de expandir a exploração destes combustíveis fósseis também é preocupante do ponto de vista de emissão de gases do efeito estufa. Em dezembro de 2008, o governo brasileiro lançou o Plano Decenal de Energia Elétrica (PDEE), atualmente em consulta pública. Na contramão dos esforços globais de combate às mudanças climáticas, o plano prevê a instalação de 68 novas usinas termelétricas fósseis no país, das quais 41 utilizarão óleo combustível, um derivado do petróleo. A conseqüência será um crescimento de 172% das emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico. As emissões do setor, que hoje somam 14,4 milhões de toneladas, saltarão para 39,3 milhões de toneladas em 2017.

"O país não prioriza a utilização de energias renováveis, muito importantes na redução de emissões de gases do efeito estufa. É como se o país estivesse indo na contra mão dos esforços globais de combate à crise climatica", alertou Leandra.

Abrolhos - Por sua biodiversidade ímpar, a região de Abrolhos recebeu, em 1983, o primeiro parque nacional marinho da América do Sul. São mais de 56 mil quilômetros quadrados na costa sul da Bahia compostos pelas ilhas: Siriba, Redonda, Guarita, Sueste e Santa Bárbara, que pertence à Marinha. Além do arquipélago, o Parque inclui dois grandes blocos de recifes de corais: o Parcel dos Abrolhos e o Recife das Timbebas.

* A Coalizão SOS Abrolhos é uma rede de organizações do Terceiro Setor mobilizadas para proteger a região com a maior biodiversidade marinha registrada no Atlântico Sul. A Coalizão SOS Abrolhos surgiu em 2003, ano em que conquistou uma vitória inédita para a conservação, ao impedir a exploração de petróleo e gás natural naquela área. Atualmente a Coalizão está à frente da Campanha "SOS Abrolhos: Pescadores e Manguezais Ameaçados". A Coalizão é formada pela Rede de ONGs da Mata Atlântica; Fundação SOS Mata Atlântica; Conservação Internacional (CI-Brasil); Instituto Terramar; Grupo Ambientalista da Bahia - Gambá; Instituto Baleia Jubarte; Environmental Justice Foundation - EJF; Patrulha Ecológica; Associação de Estudos Costeiros e Marinhos de Abrolhos - ECOMAR; Núcleo de Estudos em Manguezais da UERJ; Movimento Cultural Arte Manha; Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Teixeira de Freitas; Mangrove Action Project - MAP; Coalizão Internacional da Vida Silvestre - IWC/BRASIL; Aquasis - Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos; Agência Brasileira de Gerenciamento Costeiro; Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia - CEPEDES; PANGEA - Centro de Estudos Sócio Ambientais, Instituto BiomaBrasil, Associação Flora Brasil e Greenpeace.

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