Milho transgênico questionado na Europa é liberado no Brasil

Notícia - 11 - fev - 2008
Autorização dada pelo CNBS coloca em risco a biossegurança brasileira. Ministros ignoraram farta documentação contra variedades da Bayer e Monsanto. Greenpeace fará campanha para obrigar correta identificação de produtos geneticamente modificados vendidos ao consumidor.

Apesar das muitas dúvidas - e algumas certezas - contra o milho transgênico, a maioria dos ministros do Conselho Nacional de Biossegurança autorizou o plantio e comercialização no país de variedades geneticamente modificadas da Monsanto e Bayer.

A exemplo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), setedos 11 ministros do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) ignoraramfarta documentação com evidências contra os milhos transgênicos daBayer (Liberty Link) e Monsanto (MON810) e autorizaram nestaterça-feira em Brasília o plantio e comercialização no país dessas duasvariedades geneticamente modificadas.

O Greenpeace repudia a decisão do Conselho e vai iniciar campanha paraalertar a população brasileira sobre os riscos desses produtos, além decobrar autoridades e empresas o respeito à lei de rotulagem, que exigea identificação de todos os produtos fabricados no país com 1% ou maisde matéria-prima transgênica. A lei, em vigor desde 2004, só começou aser cumprida este ano, e mesmo assim por apenas duas empresas - Cargille Bunge - para um produto apenas: óleo de soja.

"Infelizmente os ministros do Conselho cometeram o mesmo erro decientistas da CTNBio ao ignorarem tantos documentos importantes quecolocam em dúvida a segurança desses milhos. Alguns países europeusproibiram nos últimos meses a comercialização desses produtosjustamente por conta dos problemas apontados por essa documentação",aponta Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genéticado Greenpeace Brasil.

"A biossegurança brasileira está desde já ameaçada e nos resta agoracobrar com firmeza o governo e as empresas para que identifiquem todosos produtos fabricados a partir de matéria-prima transgênica. Apopulação tem o direito de saber exatamente o que está consumindo", dizVuolo.

Votaram a favor da liberação do plantio e comercialização dos milhostransgênicos no Brasil os ministros da Agricultura, Ciência eTecnologia, Relações Exteriores, Desenvolvimento, Defesa, Justiça eCasa Civil. Votaram contra os representantes das pastas de Saúde, MeioAmbiente, Desenvolvimento Agrário, e Aqüicultura e Pesca.

"O resultado da votação deixa claro que no Brasil, infelizmente, asaúde e o meio ambiente estão a reboque da ciência, tecnologia e doagronegócio", avalia Gabriela Vuolo.

O Greenpeace enviou no último dia 8 de janeiro uma carta aos 11ministros do CNBS com vários documentos que apontam sérios problemaspara o meio ambiente e saúde causados pelos milhos da Bayer e daMonsanto - estudos de contaminação genética provocada por lavouras demilho transgênico, evidências científicas sobre o risco à saúde e aomeio ambiente causado pelas variedades geneticamente modificadasaprovadas no Brasil, e relatórios de governos europeus justificando omotivo da proibição dessas variedades nos respectivos países.

As variedades autorizadas no Brasil pelo CNBS foram proibidas eminúmeros países. No Reino Unido, por exemplo, a própria Bayer retirouseu pedido de liberação comercial, já que não podia garantir asegurança do milho Liberty Link. No caso do MON810, a lista de paíseseuropeus em que ele está proibido é extensa e relevante: Alemanha,Áustria, França (maior país agrícola da Europa), Grécia, Hungria,Polônia e Suíça.

Confira alguns dos documentos enviados aos ministros do CNBS:

Sumário Executivo do Relatório de Contaminação:revisão anual de casos de contaminação, plantios ilegais e efeitoscolaterais negativos dos organismos geneticamente modificados.

Monitoramento de variedades geneticamente modificadas: documento aponta erros e ilegalidades no processo de liberação do milho MON810 na Europa.

Ciência ruim, decisões ruins: documento com evidências contra o milho transgênico da Bayer.

O milho transgênico está acabando com os cultivos de milho ecológico:matéria do jornal espanhol "El País" sobre o grave problema decontaminação vivido pelos produtores de milho não-transgênico naEspanha.

Sumário Executivo do relatório do governo da Áustria sobre milho transgênico:relatório das evidências científicas com as últimas descobertas sobreas medidas de segurança na Áustria para as linhagens de milhogeneticamente modificado MON810 e Liberty Link.

Documento do governo da Grécia proibindo o milho MON810:texto ressalta que dados científicos confirmam o risco imediato aoambiente e talvez à saúde causado pela variedade transgênica.

Carta do governo da Hungria proibindo o milho MON810: texto do Ministro do Meio Ambiente da Hungria enviado para a Diretoria de Meio Ambiente da Comissão Européia.

Estudos científicos sobre os prováveis efeitos nocivos do milho MON810: lista e resumo dos principais estudos publicados sobre os potenciais impactos ambientais do milho da Monsanto.

Leia também:

Cargill se rende a lei e rotula os óleos de soja Liza e Veleiro.