Foco de resistência ecológica em meio a plantações transgênicas

Notícia - 26 - jun - 2007
July Bergé, agricultor de Bellcaire de Urgel, cidade da região da Catalunha (Espanha), insiste em manter cultivo ecológico, apesar de contaminação. "Planto há 20 anos e não vou desistir."

Os casos de contaminação de plantações convencionais e orgânicas por variedades transgênicas estão se multiplicando ano após ano na Catalunha (Espanha), mas ainda assim há quem insista em continuar trabalhando com agricultura ecológica, nem que seja apenas para marcar uma posição. É o caso de July Bergé, agricultor da cidade de Bellcaire de Urgel. Há mais de 20 anos ele pratica um cultivo ecológico na região e, apesar das seguidas contaminações - e prejuízos -, não pretende desistir.

"Meu pai plantava milho orgânico há 50 anos, eu planto há 20. Ou seja, não somos nós, os agricultores orgânicos, que somos novos por aqui. Os novos são os transgênicos", diz ele, convicto de sua decisão.

Bergé vem reduzindo gradativamente a área de plantio devido às seguidas contaminações por transgênicos. Há cinco anos, plantava cerca de 40 hectares de milho ecológico. Hoje, não passa de 1,5 hectare. Segundo o agricultor, a quantidade de milho que consegue na colheita não chega a gerar lucro, mas nem por isso pensa em abandonar a lavoura ecológica.

"É uma plantação simbólica, para mostrar que ainda há agricultores de milho orgânico na Catalunha", explica.

Para evitar a contaminação de sua colheita, Bergé planta cerca de 1 mês depois de todos seus vizinhos. Com isso, acaba colhendo cerca de 30% a menos. Ainda assim, diz que vale à pena.

"O prêmio que recebemos por adotarmos uma agricultura ecológica acaba cobrindo os prejuízos dessa produtividade mais baixa", garante.

Bergé afirma que 85% das sementes de milho vendidas em sua região são transgênicas, o que revela uma contaminação generalizada.

"A contaminação não é uma loteria, pelo contrário. Se você planta milho transgênico do lado de milho orgânico ou convencional, pode ter certeza de que a contaminação vai acontecer", afirma o agricultor catalão.

Apesar da contaminação generalizada na região, nem as autoridades nem as empresas responsáveis pelas sementes transgênicas admitem a necessidade de uma distância mínima entre cultivos convencionais/orgânicos e geneticamente modificados. No entanto, diz Bergé, as empresas que vendem sementes transgênicas determinam que elas devem ficar a 800 metros de outros cultivos de milho, para se manterem puras.

"Ora, então porque não exigem essa mesma distância entre campos transgênicos e convencionais? Porque as empresas insistem em dizer que não existe contaminação e que o isolamento não é necessário?"

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