Governo japonês anuncia que vai barrar importação de madeira ilegal

Notícia - 15 - fev - 2001

O governo do Japão anunciou que vai adotar medidas concretas para impedir a entrada de madeira ilegal no mercado japonês. O Japão é um dos maiores importadores de madeira do mundo - em particular de madeira vinda do Sudeste da Ásia e da Amazônia.

A decisão do governo japonês foi anunciada em Tóquio pelo ministro da Agricultura, Florestas e Pesca, Sr. Matsuoka. "Como país consumidor, nós não deveríamos ajudar a destruição ambiental", disse o ministro Matsuoka ao jornal "Asahi Shinbun". Até agora, o Japão considerava que a responsabilidade de combater a madeira ilegal era dos países produtores.

"Essa decisão vai ter importantes reflexos no Brasil e em particular na Amazônia", disse, em Manaus, o coordenador da campanha do Greenpeace em defesa da Amazônia, Paulo Adário. "A Amazônia é um importante fornecedor de madeira para o Japão e o próprio governo brasileiro admite que 80% da madeira retirada na região é ilegal".

Segundo Adário, a nova postura do governo japonês vai ajudar os esforços do governo brasileiro de impedir a exploração ilegal de madeira na Amazônia. "Não custa lembrar que a maior empresa exportadora de madeira da Amazônia é a japonesa Eidai, que tem fábrica no município de Icoaraci, em Belém. A Eidai tem um conhecido histórico de multas por envolvimento com madeira ilegal", disse Adário. (1)

No ano passado, depois de forte campanha internacional do Greenpeace contra o comércio de madeira ilegal, os países-membros do G8 (grupos dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia), reunidos em Okinawa, no Japão, emitiram um comunicado oficial favorável ao combate da atividade madeireira ilegal em todo o mundo.

O governo da Inglaterra foi o primeiro a adotar medidas concretas e anunciou, no segundo semestre do ano passado, em comunicado ao Greenpeace, a revisão da política comercial do país de maneira a barrar a importação de madeira ilegal, privilegiando madeiras com certificado de origem.

(1) Em julho de 2000, o braço brasileiro da Eidai Inc. recebeu multa recorde de R$ 3,4 milhões por conta de 6,2 mil metros cúbicos de madeira processados sem cobertura legal entre setembro de 1999 e fevereiro de 2000. A empresa recorreu das multas. O consumo de madeira ilegal foi identificado em uma devassa nos documentos da empresa, realizada pelo Ibama a pedido do Greenpeace. A multa se refere a nove autos de infração aplicados pelo Ibama e está amparada pela Lei de Crimes Ambientais. Nos últimos onze anos, a empresa recebeu 108 autos de infração.

A história da investigação que resultou na multa começa em dezembro de 99, quando o Greenpeace utilizou tecnologia ultra-violeta para flagrar sete toras ilegais dentro do pátio da Eidai. Na ocasião, o Greenpeace pediu à Procuradoria Federal da República no Pará que determinasse às autoridades ambientais a realização de revisão detalhada nos livros da empresa.

Os resultados da investigação realizada pelo Ibama apontaram um total de 22 mil metros cúbicos de madeira processada pela Eidai sem cobertura legal entre janeiro de 1999 e fevereiro de 2000. Porém, a multa de R$ 3,4 milhões refere-se apenas à matéria- prima processada após setembro de 1999, ou seja, após a regulamentação da Lei de Crimes Ambientais.

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