Greenpeace entrega água radioativa para ministros em Brasília

Notícia - 14 - dez - 2008
Material foi coletado em poços com altos índices de urânio no entorno de área de mineração na Bahia

Água entregue foi coletada em Caetité, na Bahia, onde a INB opera uma mina de urânio.

Os ministros Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Carlos Minc (MeioAmbiente) receberam hoje garrafas contendo 'água radioativa' que eraconsumida por parte da população de Caetité, no sudoeste da Bahia. Aágua, coletada em poços que apresentaram altos índices de urânio, foientregue por um ativista vestido de "garçom-caveira" para cobrarmedidas do governo federal em relação à denúncia feita pelo Greenpeaceem outubro.

A investigação da organização ambientalista mostrou que a águaconsumida por famílias que vivem na área de influência direta da minade urânio operada pela estatal Indústrias Nucleares Brasileiras (INB)apresentava concentrações do mineral radioativo até sete vezes acimados limites da Organização Mundial de Saúde (OMS). Na ocasião, foidivulgado o relatório "Ciclo do Perigo: Impactos da produção decombustível nuclear no Brasil", que detalhou as análises da qualidadeda água bem como os acidentes, infrações e problemas de licenciamentoque marcam a operação da INB em Caetité.

Após a denúncia, o Instituto de Gestão das Águas (Inga) da Bahia feznovas coletas de água e confirmou a contaminação ambiental por urânioem um poço na mesma região das análises do Greenpeace, localizadodentro do raio de 20 quilômetros no entorno da mina, definido pelalicença ambiental do Ibama como área de influência direta doempreendimento da INB. Em novembro, após audiência públicapara tratar do caso, o Ministério Público Federal determinou que umaauditoria independente fosse realizada para esclarecer a origem e aextensão da contaminação e os outros problemas relacionados à INB.

Assista ao vídeo da audiência pública:

 "Viemos cobrar medidas do governo federal, que ainda não se pronuncioua respeito da contaminação da água por urânio em Caetité", afirmouRebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia nuclear doGreenpeace. "Até agora, a INB, que é uma empresa estatal controladapela Comissão Nacional de Energia Nuclear e vinculada ao MCT,limitou-se a negar qualquer responsabilidade sobre o caso e não estácolaborando com a investigação independente decidida pelos procuradoresfederais".

Um estudo preliminar do MPF, porém, está em curso graças a convênio como Inga. O órgão estadual está custeando o trabalho de uma equipe deespecialistas independentes que está analisando os problemas damineração de urânio na Bahia. Segundo o MPF, serão adotadas medidasjudiciais para garantir a realização de uma ampla auditoria ao longo de2009 sobre a atuação da INB. Após mais de 40 dias de problemas noabastecimento da água, as comunidades de Caetité se mobilizaram e jácontrataram um escritório de advocacia de Salvador para defender seusdireitos à informação e à água de qualidade.

"Antes de investir bilhões de reais de recursos públicos na retomada deum perigoso Programa Nuclear Brasileiro, o governo federal tem queconsiderar a saúde e o direito à informação das pessoas que vivem àsombra das operações da INB e que já sofrem na pele as conseqüências douso da energia nuclear. É obrigação moral do governo tomar todas asprovidências para que a situação seja esclarecida de vez e o maisrápido possível", conclui Rebeca.

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