Música para a floresta amazônica

Notícia - 27 - nov - 2007
Oficina Escola de Lutheria do Amazonas lança primeira linha de instrumentos certificados pelo selo FSC.

As espécies empregadas na fabricação dos instrumentos certificados (marupá, tauari e louro-chumbo, entre outras) têm as mesmas propriedades daquelas mais utilizadas para produção de instrumentos, como cedro e pinho, que encontram-se em processo de extinção.

A Oficina Escola de Lutheria do Amazonas (Oela) lançou a primeira linha de produção certificada de instrumentos musicais feitos com madeira tropical. A certificação do selo FSC (Conselho para o Manejo Florestal, em português) garante a procedência manejada da matéria-prima, abrindo uma nova frente para o uso sustentável da madeira amazônica.

Desde 1998, a ONG promove a formação de jovens em Manaus (AM), educando e qualificando profissionais da Amazônia na arte da construção de instrumentos musicais de corda dedilhada. Foram nove anos de aprimoramento até que a oficina estivesse preparada para lançar os produtos no competitivo mercado de instrumentos musicais. 

As espécies empregadas pela Oela possuem as mesmas propriedades daquelas mais utilizadas para produção de instrumentos. A matéria-prima tradicional, como cedro e pinho, por ser explorada de forma predatória, se encontra em processo de extinção na natureza. Breu branco, marupá, coração de negro, pau-rainha, tauari e louro-chumbo são algumas das madeiras doadas à escola pela Mil Madeireira, empresa certificada, com sede em Itacoatiara (AM).

"Todos nós somos responsáveis pela preservação e pela manutenção das florestas tropicais ou não-tropicais, e temos que ter a responsabilidade de observar a origem da madeira que estamos usando", diz Rubens Gomes, o Rubão, diretor-geral e fundador da Oela. "Essa é uma preocupação que não cabe só ao ambientalista, mas a todos os cidadãos do planeta", complementa.

Segundo Rubão, as peças certificadas estão chegando ao mercado por cerca de 50% do custo de instrumentos da mesma qualidade. A oficina tem capacidade para produzir 35 peças por mês.

"Exemplos como o da Oela demonstram que o caminho da Amazônia é aliar a conservação da floresta ao uso ecologicamente correto e socialmente justo dos recursos florestais para gerar produtos de alto valor agregado e de baixo impacto ambiental. O Rubão, que criou a Oela com imenso sacrifício e dedicação, tem muito o que comemorar. Além da qualidade técnica e inovadora de seus produtos - que utilizam sobras de madeiras amazônicas até então não empregadas na manufatura de instrumentos musicais -, a Oela educa e transforma em luthiers jovens amazônicos, em geral vindos de famílias de baixa renda, que  encontraram um novo caminho e uma nova profissão",  comenta Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, organização que apóia e divulga o selo FSC no Brasil desde 2001.

A Oela entrega em todo o país e até mesmo fora das nossas fronteiras os instrumentos da família do violão, como a viola caipira, o violão de sete cordas, o bandolim, o cavaquinho e o banjo, incluindo linhas eletroacústicas e de aço para estúdio. De acordo com a ONG, os preços variam de R$ 800,00 a R$ 2.000,00. Interessados devem contatar Charlene: (92) 3644-5459 ou

Conheça o FSC

Atualmente, os melhores padrões e critérios de manejo florestal são os estabelecidos pelo FSC (Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal). O FSC é o único sistema de certificação independente que adota padrões ambientais internacionalmente aceitos, incorpora de maneira equilibrada os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos e tem um selo amplamente reconhecido no mundo todo. O sistema FSC assegura a integridade da cadeia de custódia da madeira desde o corte da árvore até o produto final chegar às mãos dos consumidores. O FSC oferece a melhor garantia disponível de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição de florestas primárias como a amazônica.

Visite www.fsc.org.br/

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