Tudo que a CNBS precisa saber sobre milho transgenico - e a CTNBio ignorou

Notícia - 10 - fev - 2008
Enviamos documentos aos ministros do Conselho de Biossegurança desmascarando variedades aprovadas no Brasil.

CTNBio aprovou o milho transgênico Liberty Link da Bayer mesmo sem uma regulamentação prévia dos processos e documentação necessários para garantir a biossegurança brasileira.

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ignorousolenemente as muitas evidências existentes contra os milhostransgênicos da Bayer (Liberty Link) e Monsanto (MON810) e aprovouambas as variedades, para desespero de ambientalistas e cientistaspreocupados com a biossegurança brasileira.

Agora, os 11 ministros do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) têma chance de consertar o grande equívoco cometido pela CTNBio, barrandoesses milhos que podem causar problemas à nossa biodiversidade - equiçá à nossa saúde. Eles se reúnem nesta terça-feira (dia 12) emBrasília para discutir essas aprovações e, para subsidiá-los nadiscussão, o Greenpeace enviou a cada um dos ministros uma carta e umasérie de documentos com fatos importantes sobre o processo de aprovaçãode variedades transgênicas de milho no país.

Foram incluídos estudos de contaminação genética provocada por lavouras de milho transgênico, evidências científicas sobre o risco à saúde e ao meio ambiente causado pelas variedades geneticamente modificadas aprovadas no Brasil, e relatórios de governos europeus justificando o motivo da proibição dessas variedades nos respectivos países.

"Espero que os ministros não sejam irresponsáveis como parte doscientistas da CTNBio, que não se deram o trabalho de conferir estudosque colocam em xeque a segurança desses milhos. Muitos países europeusestão revisando suas aprovações e proibindo as duas variedades, jáaprovadas no Brasil", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da campanhade Engenharia Genética do Greenpeace Brasil.

A carta do Greenpeace lembra aos ministros do CNBS que "as variedades aprovadas pela CTNBio foram proibidas em inúmeros países. No Reino Unido, por exemplo, a própria Bayer retirou seu pedido de liberação comercial, já que não podia garantir a segurança do milho Liberty Link. No caso do MON810, a lista de países europeus em que ele está proibido é extensa e relevante: Alemanha, Áustria, França (maior país agrícola da Europa), Grécia, Hungria, Polônia e Suíça."

Confira alguns dos documentos enviados aos ministros do CNBS:

Sumário Executivo do Relatório de Contaminação: revisão anual de casos de contaminação, plantios ilegais e efeitos colaterais negativos dos organismos geneticamente modificados.

Monitoramento de variedades geneticamente modificadas

: documento aponta erros e ilegalidades no processo de liberação do milho MON810 na Europa.

Ciência ruim, decisões ruins: documento com evidências contra o milho transgênico da Bayer.

O milho transgênico está acabando com os cultivos de milho ecológico: matéria do jornal espanhol "El País" sobre o grave problema de contaminação vivido pelos produtores de milho não-transgênico na Espanha.

Sumário Executivo do relatório do governo da Áustria sobre milho transgênico: relatório das evidências científicas com as últimas descobertas sobre as medidas de segurança na Áustria para as linhagens de milho geneticamente modificado MON810 e Liberty Link.

Documento do governo da Grécia proibindo o milho MON810: texto ressalta que dados científicos confirmam o risco imediato ao ambiente e talvez à saúde causado pela variedade transgênica.

Carta do governo da Hungria proibindo o milho MON810: texto do Ministro do Meio Ambiente da Hungria enviado para a Diretoria de Meio Ambiente da Comissão Européia.

Estudos científicos sobre os prováveis efeitos nocivos do milho MON810: lista e resumo dos principais estudos publicados sobre os potenciais impactos ambientais do milho da Monsanto.

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