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Foi um ano atípico marcado não só pela pandemia da Covid-19, mas de muita resiliência, luta e solidariedade. Veja a seguir os principais momentos do Greenpeace registrados pelas lentes dos nossos fotógrafos ativistas

Tudo o que aconteceu neste ano daria para escrever um livro com vários volumes, não é mesmo? A pandemia do coronavírus foi o recado mais claro possível de que nossa relação com o planeta está doente e precisa ser revista. Como disse o líder indígena Aylton Krenak, a Covid é uma lição da nossa mãe Natureza, que nos obrigou a parar. Seria o isolamento da quarentena o “cantinho da reflexão”? Outros fatos que acompanharam essa pandemia ainda mostram que estamos ouvindo e aprendendo muito pouco. As ambições dos líderes mundiais em enfrentar a emergência climática ainda é baixa; continuamos a destruir nossas florestas, com mais um ano de alta no desmatamento da Amazônia, desta vez acompanhada da destruição recorde do Pantanal pelas queimadas. 

Mas não assistimos a tudo isso calados ou parados. Também foi um ano de ações e reações e muita solidariedade, seja com comunidades nas periferias que receberam comida sem veneno para driblar a fome, seja povos indígenas que receberam remédios, equipamentos médicos e de higiene em áreas remotas da Amazônia. O trabalho dos nossos ativistas e voluntários foi registrado pelas lentes de fotógrafos amadores e profissionais, ativistas ou de imprensa, para que você também se tornasse parte dessas ações e dessas histórias. A gente reuniu algumas dessas imagens. Se 2020 foi um ano tão difícil, que ele não seja em vão, e possamos aprender a lição que a mãe natureza tenta nos ensinar.

Logo no início do ano, a Austrália se viu em chamas – algo que vinha ocorrendo desde setembro de 2019, sobretudo na região leste do país, onde a situação mais grave era no estado de Nova Gales do Sul. Ao todo foram consumidos aproximadamente cerca de 115 mil km² de matas e florestas, ocasionando 30 vítimas fatais e despejando milhares de famílias de suas casas. Estima-se que três bilhões de animais foram afetados, sendo 143 milhões de mamíferos, 2,46 bilhões de répteis, 180 milhões de pássaros e 51 milhões de batráquios (rãs e sapos).

O Greenpeace Australia lançou neste ano, o documentário Burnt Country (País queimado, em tradução livre), denunciando, principalmente, às empresas de combustíveis fósseis e a inércia do governo do país sobre as mudanças climáticas, que agravaram os incêndios no país.  Além de pressionar o governo a reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa na Austrália, que vem aumentando nos últimos quatro anos, nossos colegas organizaram uma arrecadação de fundos para o Corpo de Bombeiros Rural para colaborar com o combate aos incêndios.

Ainda em janeiro, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nossos ativistas se vestiram como banqueiros e carregaram um planeta em chamas para pressionar as lideranças mundiais econômicas a parar imediatamente de investir na indústria de combustíveis fósseis para frear o avanço da emergência climática.

Vinte e quatro bancos que participaram da reunião financiaram o setor de combustíveis fósseis com aportes de US$ 1,4 trilhão desde o Acordo de Paris até o ano de 2018. Essa quantia de dinheiro é equivalente ao que 3,8 bilhões de pessoas mais pobres do mundo tinham juntas em 2018.

“Os bancos, seguradoras e fundos de pensão aqui em Davos são culpados pela emergência climática. Apesar dos alertas ambientais e econômicos, eles estão fomentando outra crise financeira global, sustentando o setor de combustíveis fósseis. Esses endinheirados presentes em Davos não passam de hipócritas, pois dizem que querem salvar o planeta, mas o estão matando ao terem como meta o lucro a curto prazo”, afirmou Jennifer Morgan, diretora executiva do Greenpeace Internacional.

O Greenpeace trabalha fortemente para a criação de um Tratado Global dos Oceanos, que pretende proteger 30% das águas internacionais do planeta. Desde o ano passado, a campanha tem mobilizado milhões de pessoas e em 2020 não foi diferente. Porém, enquanto o tratado não é firmado, os animais continuam a pagar o preço pela ganância humana.

Segundo nossa equipe de pesquisadores, o número de pinguins na Antártida caiu quase 60%. Algumas colônias perderam cerca de 77% de suas populações desde a última contagem, no início dos anos 1970. E não é só os pinguins que estão em risco. De acordo com o relatório “Tartarugas-marinhas sob ameaça: Por que as viajantes dos oceanos estão em risco” (em inglês), seis das sete espécies estão ameaçadas de extinção.
Para chamar a atenção desse problema ao grande público, o Greenpeace junto aos criadores de “Fuga das Galinhas”, lançou o curta-metragem “A Jornada das Tartarugas”, que conta a história de uma família desses animais surpreendida por uma ameaça terrível em seu caminho para casa.

O governo norte-americano criou o projeto “Defender 2020” como forma de demonstrar poder militar pela mobilização rápida de grandes tropas para o Leste Europeu. A operação incluía tanques e outros equipamentos, além dos 9.000 soldados americanos já em base na Europa e outros 20.000 que estariam vindo dos EUA para a Alemanha na missão de uma espécie de treinamento. Em fevereiro, seguindo nossos princípios pacifistas, os ativistas do Greenpeace Alemanha receberam o navio em botes de borracha, no porto de Bremerhaven, e exigiram em uma faixa: “Pare os Jogos de Guerra – Salve a Paz”.

O treinamento aconteceria nos países bálticos da Letônia, Lituânia, Estônia, Geórgia e Polônia. Entretanto, devido a pandemia da Covid-19, as Forças Armadas da Alemanha cancelaram os exercícios da manobra militar americana planejados em seu território.

“É para saudar que o Bundeswehr (Forças Armadas unificadas da Alemanha) cancelou os exercícios planejados. Além dos riscos à saúde causados ​​pelo vírus da Covid-19, jogos de guerra e manobras militares baseados nos cenários de ameaça da Guerra Fria não têm lugar na Alemanha e na Europa. É irresponsável que o “Defender 2020” continue na Europa Oriental, apesar da pandemia. As Forças Armadas dos EUA devem parar imediata e completamente o exercício”, disse Christoph von Lieven, do Greenpeace Alemanha.

Quando a pandemia da Covid-19 chegou à Amazônia, o Greenpeace Brasil e outras organizações parceiras mobilizaram-se o mais rápido possível para ajudar os povos indígenas em áreas remotas da floresta, onde muitas vezes leva-se 10 dias de barco para chegar. De abril a setembro, conseguimos transportar 63,3 toneladas de doações, entre alimentos, materiais de higiene e proteção, equipamentos médicos, testes de Covid, medicamentos e geradores de energia. Foram 25,8 toneladas entregues pelo nosso avião e 37,5 toneladas enviadas por barco. Este esforço coletivo alcançou mais de 70 povos, representando mais de 160 mil indígenas. 

“Atuar em um inesperado contexto de pandemia, oferecendo ajuda humanitária às comunidades indígenas foi um desafio novo para nós. Mas tornamos esta atuação uma prioridade para a organização, envolvendo uma ampla equipe e toda nossa capacidade logística e de articulação”, explica Carol Marçal, da campanha Amazônia do Greenpeace.

No mês de agosto, o Greenpeace Brasil e o projeto Favela Orgânica – iniciativa que leva comida orgânica e ensinamento do aproveitamento integral dos alimentos para a periferia da cidade – distribuíram 2.400 marmitas para famílias das comunidades do Complexo do Caju e Rio das Pedras, no Rio de Janeiro (RJ). O pacote incluía uma refeição, suco natural e cartilhas com receitas e dicas de como usar os alimentos integralmente, da casca ao talo.

“A distribuição das marmitas é uma ação que busca democratizar o acesso a uma alimentação saudável para famílias desfavorecidas economicamente e que, devido à pandemia, estão ainda mais vulneráveis. No contexto em que vivemos este ano, uma boa alimentação ganha ainda mais importância, pois fortalece o sistema imunológico e garante saúde e bem-estar”, diz Regina Tchelly, chef de cozinha e fundadora da Favela Orgânica.

A omissão do estado brasileiro em proteger seu patrimônio ambiental ficou evidente com a situação na qual Pantanal se encontrou. Foram mais de 20% de bioma consumido pelo fogo, cerca de 18,646 km² queimados do território do Pantanal, entre janeiro e setembro deste ano. Além disso, as 462 espécies de aves, 263 peixes de água doce, 104 mamíferos e 41 répteis, que vivem no bioma, ficaram à deriva da situação dos incêndios.

O Greenpeace fez uma expedição durante o período crítico dessas queimadas, para documentar e denunciar a ineficiência do governo na proteção ambiental. Também foi feita uma doação pontual de cestas-básicas e recursos para combate a incêndios, aos povos quilombolas e indígenas nas regiões afetadas.

A Amazônia segue batendo recordes negativos de destruição, que nós não deixamos de denunciar em nenhum momento, seja em nossos canais seja na mídia. No atual governo, o desmatamento do bioma atingiu 11.088 km², entre agosto de 2019 e julho de 2020, segundo dados oficiais do PRODES. Os números indicam um aumento de 9,5% no desmatamento do bioma, o maior desde 2008.

Levando os dados em uma dimensão mais visível, a área derrubada ou queimada é equivalente a 1,58 milhão de campos de futebol, 4.340 campos de futebol por dia, ou 3 campos por minuto. Se você já foi em um estádio, sabe o quão grande ele é! Vale ressaltar que o desmonte que obtivemos em órgãos como Ibama e ICMBio, somadas às políticas anti ambientais do governo, é um reflexo desse aumento expressivo.

Em novembro, deixamos claro de quem foi a responsabilidade pelo Brasil ter vivido uma das piores crises ambientais da história do país. Nossos ativistas ergueram a estátua de “Bolsonero” (uma alusão entre o imperador romano e o presidente) em uma área devastada no Pantanal, próximo a mensagem “Pátria Queimada Brasil”.

“Queremos chamar atenção para a destruição sem precedentes do patrimônio ambiental dos brasileiros e apontar as causas e seus responsáveis. O Brasil está literalmente em chamas graças à política incendiária do atual governo que, em vez de apresentar ações coordenadas e efetivas de proteção ao meio ambiente e à vida das pessoas, segue tocando a melodia desvairada do seu projeto de destruição, ameaçando e queimando a biodiversidade brasileira e fragilizando a já combalida economia do país”, afirma, na época, Tica Minami, diretora de programas do Greenpeace Brasil.  

Outra manifestação já havia sido realizada em setembro, quando em parceria com nossos colegas dos Estados Unidos, representamos os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump em esculturas de gelo em tamanho real, que derreteram em frente ao prédio das Nações Unidas, em Nova Iorque, local onde acontecia a Cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Biodiversidade. Os dois, com suas políticas antiambientais, são responsáveis por alimentar o colapso da biodiversidade e a crise do clima.

A pandemia do coronavírus impôs quarentena e o distanciamento social, mas isso não significou isolamento, ao contrário. No Brasil, nossos ativistas e voluntários não pouparam a criatividade para continuar conectados e realizando atividades de engajamento, de forma online ou distanciada. Foram mais 700 atividades em mais de 300 horas, entre palestras, treinamentos e debates, que migraram para as salas de conferência virtual.

Na Rússia, nossos colegas organizaram essa manifestação para combater os resíduos de enriquecimento de urânio importados da Alemanha. Cada ativista abriu seu próprio banner, que juntos formam a frase, “não ao despejo de resíduo de urânio!”.

Na Bélgica, os ativistas fizeram um holograma pela primeira vez, em Bruxelas, em frente ao prédio do Conselho da União Europeia, com a mensagem: “mude o sistema: invista nas pessoas e no planeta, não nos poluidores”.

Na Alemanha, foi um sinal pela paz e desarmamento que chamou a atenção das pessoas, por meio de uma instalação de luz que exibiu pelas janelas exatamente a palavra “paz”, e que compõem o nosso nome. Foi um apelo para homenagear as vítimas da Segunda Guerra Mundial, que terminou há 75 anos, no dia 8 de maio.

Não para por aqui

Por mais desafiador que tenha sido 2020, fechamos o ano com a certeza de que saímos mais fortes, reflexo da necessidade de adaptação e cuidados que foram exigidos, mas também pela confiança que recebemos de pessoas como nossos doadores e voluntários, que continuaram a nos apoiar em nosso trabalho e a nos inspirar a agir com ainda mais determinação e criatividade na luta por um mundo mais verde e justo. 

Ainda temos muito a fazer e ter as pessoas ao nosso lado será fundamental para enfrentarmos os desafios em 2021. Continue com a gente, e nos ajude a construir um futuro melhor para nós e as futuras gerações. Clique aqui e faça sua doação.

Em nome de toda a equipe do Greenpeace Brasil, o nosso muito obrigado!