{"id":10197,"date":"2019-07-29T12:25:01","date_gmt":"2019-07-29T15:25:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=10197"},"modified":"2025-07-02T04:35:11","modified_gmt":"2025-07-02T07:35:11","slug":"povo-munduruku-expulsa-madeireiros-que-roubavam-a-floresta-dentro-de-seu-territorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/povo-munduruku-expulsa-madeireiros-que-roubavam-a-floresta-dentro-de-seu-territorio\/","title":{"rendered":"Povo Munduruku expulsa madeireiros que roubavam a floresta dentro de seu territ\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<h4>Durante expedi\u00e7\u00e3o de monitoramento nos limites da Terra Ind\u00edgena Sawre Muybu, ind\u00edgenas encontraram madeireiros ilegais na \u00e1rea que \u00e9 parte de seu territ\u00f3rio e exigiram a sa\u00edda dos invasores<\/h4>\n<div id=\"attachment_10200\" style=\"width: 638px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10200\" class=\"size-full wp-image-10200\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/07\/48d46e29-divulga\u00e7\u00e3omunduruku.jpg\" alt=\"Caminh\u00e3o madeireiro \u00e9 encontrado pelo povo Munduruku dentro de seu territ\u00f3rio\" width=\"628\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/07\/48d46e29-divulga\u00e7\u00e3omunduruku.jpg 628w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/07\/48d46e29-divulga\u00e7\u00e3omunduruku-300x239.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/07\/48d46e29-divulga\u00e7\u00e3omunduruku-427x340.jpg 427w\" sizes=\"auto, (max-width: 628px) 100vw, 628px\" \/><p id=\"caption-attachment-10200\" class=\"wp-caption-text\">Caminh\u00e3o madeireiro encontrado pelo povo Munduruku durante fiscaliza\u00e7\u00e3o dentro de seu territ\u00f3rio.<\/p><\/div>\n<p>\u201cOs invasores est\u00e3o matando a nossa vida e derramando sangue da nossa floresta. A nossa vida est\u00e1 em perigo. Mas por isso, n\u00f3s vamos continuar mostrando a nossa resist\u00eancia e a nossa autonomia. Somos capazes de cuidar e proteger o nosso territ\u00f3rio para nossos filhos e as futuras gera\u00e7\u00f5es\u201d, diz o comunicado do povo Mundururku divulgado ap\u00f3s a conclus\u00e3o da expedi\u00e7\u00e3o que percorreu a p\u00e9 cerca de 100 km dentro do territ\u00f3rio Daje Kapap Eipi, conhecido como Terra Ind\u00edgena Sawre Muybu.<\/p>\n<p>Lutando pela defesa da vida e da floresta, guerreiros e guerreiras do povo passaram os \u00faltimos 18 dias percorrendo o per\u00edmetro da terra ind\u00edgena com o objetivo de fiscalizar o local e garantir a sua prote\u00e7\u00e3o. No caminho, encontraram madeireiros destruindo a floresta, al\u00e9m de muitas estradas abertas.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da quinta etapa da <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-luta-dos-munduruku-contra-a-invisibilidade\/\">autodemarca\u00e7\u00e3o<\/a> realizada pelos Munduruku, que teve in\u00edcio em 2014 e consistiu na delimita\u00e7\u00e3o por conta pr\u00f3pria dos limites da Terra Ind\u00edgena (TI) Sawre Muybu, localizada no rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1. Em 2016, o direito origin\u00e1rio dos Munduruku a esse territ\u00f3rio foi <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/funai-reconhece-territorio-tradicional-do-povo-munduruku-no-rio-tapajos\/\">reconhecido pelo Estado brasileiro<\/a> a partir da publica\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o. No entanto, desde ent\u00e3o, a conclus\u00e3o do processo de demarca\u00e7\u00e3o est\u00e1 paralisada na burocracia estatal, especialmente em fun\u00e7\u00e3o dos planos de constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, que alagaria parte da TI e comprometeria a vida dos Munduruku no local.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/press\/para-garantir-a-demarcacao-povo-munduruku-lanca-o-mapa-da-vida\/\">Os Munduruku j\u00e1 realizaram diversos protestos pela demarca\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio.<\/a> \u201cEnquanto a demarca\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre, o caminho fica aberto para a entrada de invasores que destroem a floresta e contaminam os rios, vitais para a sobreviv\u00eancia do povo\u201d, explica Danicley de Aguiar, da campanha de florestas do Greenpeace Brasil. H\u00e1 anos as lideran\u00e7as Munduruku est\u00e3o denunciando a invas\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do local, por\u00e9m, apesar da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) j\u00e1 ter reconhecido a ocupa\u00e7\u00e3o tradicional da \u00e1rea pelo povo Munduruku, o Estado brasileiro continua de bra\u00e7os cruzados, permitindo que, especialmente garimpeiros e madeireiros, sigam pilhando o territ\u00f3rio, alterando o equil\u00edbrio ambiental e impedindo que os Munduruku circulem livremente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s expulsamos dois grupos de madeireiros que invadiram o nosso territ\u00f3rio. Ficamos muito revoltados por ver as nossas \u00e1rvores derrubadas e as nossas castanheiras como torra de madeira em cima de um caminh\u00e3o. E n\u00f3s sabemos que quando retiram madeira, v\u00e3o querer transformar nossa terra em um grande pasto para criar gado. Por isso, demos um prazo de 3 dias para os invasores retirarem todo o equipamento deles. N\u00f3s est\u00e1vamos armados com nossos c\u00e2nticos, nossa pintura, nossas flechas e a sabedoria dos nossos antepassados\u201d, diz o comunicado dos Munduruku.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de injusta e inconstitucional, a morosidade do processo de reconhecimento, que j\u00e1 dura mais de uma d\u00e9cada, \u00e9 irrespons\u00e1vel e coloca em risco a sobreviv\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o de quase 1.000 ind\u00edgenas, que faz uso direto das florestas e das \u00e1guas do territ\u00f3rio, hoje contaminadas pela explora\u00e7\u00e3o de ouro, diamantes e madeira\u201d, diz Danicley de Aguiar.<\/p>\n<p>A demarca\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito constitucional garantido aos povos ind\u00edgenas, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro j\u00e1 afirmou que n\u00e3o vai mais homologar nenhuma terra ind\u00edgena. Junto a isso, o presidente tem declarado sistematicamente a inten\u00e7\u00e3o de abrir esses territ\u00f3rios para a minera\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o por empresas estrangeiras, o que acaba estimulando a invas\u00e3o de terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Atualmente, milhares de ind\u00edgenas est\u00e3o em risco por defenderem a floresta frente \u00e0 invas\u00f5es de madeireiros, garimpeiros e grileiros. No \u00faltimo s\u00e1bado (27), a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/greenpeace-repudia-violencia-contra-indigenas-e-cobra-do-estado-a-protecao-do-territorio-wajapi-ap\/\">Funai confirmou a morte do cacique Emyra Waj\u00e3pi<\/a> pr\u00f3ximo \u00e0 aldeia Mariry, ap\u00f3s a invas\u00e3o de um grupo de garimpeiros na terra ind\u00edgena, no Amap\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 dever do Estado proteger os territ\u00f3rios ind\u00edgenas e seus povos, coibindo atividades ilegais de garimpo e minera\u00e7\u00e3o para evitar a escalada de conflitos. \u00c9 preciso reconhecer e apoiar o direito dos povos ind\u00edgenas \u00e0s suas florestas e especialmente o direito de viverem conforme seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como dizem os Munduruku em seu comunicado, \u201cSer\u00e1 que vai precisar morrer outros parentes, como aconteceu com a lideran\u00e7a Waj\u00e3pi, para que os \u00f3rg\u00e3os competentes atuem?\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos permitir que a viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas continue! <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/sem-floresta-sem-vida\/povos-indigenas?utm_source=referral&#038;utm_medium=p4&#038;utm_campaign=sem-floresta-sem-vida&#038;utm_content=p4_btn_primary\" class=\"btn btn-primary btn-medium page-header-btn\">Apoie a luta dos povos ind\u00edgenas<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia a \u00edntegra do comunicado dos Munduruku: <\/strong><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Comunicado dos Munduruku <\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">A nossa autodemarca\u00e7\u00e3o e defesa do nosso territ\u00f3rio continua.N\u00f3s o povo Munduruku do M\u00e9dio e Alto Tapaj\u00f3s continuamos a autodemarca\u00e7\u00e3o do nosso territ\u00f3rio Daje Kapap Eipi, conhecido como Terra Ind\u00edgena Sawre Muybu. N\u00f3s andamos mais que 100 km no nosso territ\u00f3rio, na terra que j\u00e1 possui o Relat\u00f3rio Circunstancial de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o publicado no di\u00e1rio oficial desde abril de 2016. Organizados em 5 grupos\u2013 os guerreiros Pusuru Kao, Pukorao Pik Pik, Waremucu Pak Pak, Surup Surup e a guerreira Wakoborun\u2013 continuamos defendendo o nosso territ\u00f3rio sagrado. Assim sempre foi a nossa resist\u00eancia. Como nossos antepassados sempre venciam as batalhas e nunca foram atingidos pelas flechas dos inimigos, n\u00f3s tamb\u00e9m continuamos limpando os nosso picos, fiscalizando, formando grupos de vigil\u00e2ncia e abrindo novas aldeais, como Karoebak no Rio Jamanxim.Durante essa quinta etapa da autodemarca\u00e7\u00e3o e nossa retomada, n\u00f3s encontramos novas aberturas e v\u00e1rios ramais de madeireiros e palmiteiros dentro da nossa terra. N\u00f3s expulsamos dois grupos de madeireiros que invadiram o nosso territ\u00f3rio. Ficamos muito revoltados por ver as nossas \u00e1rvores derrubadas e as nossas castanheiras como torra de madeira em cima de um caminh\u00e3o. E n\u00f3s sabemos que quando retiram madeira, v\u00e3o querer transformar nossa terra em um grande pasto para criar gado. Por isso, demos um prazo de 3 dias para os invasores retirarem todo o equipamento deles. N\u00f3s est\u00e1vamos armados com nossos c\u00e2nticos, nossa pintura, nossas flechas e a sabedoria dos nossos antepassados. E com muita press\u00e3o, eles passaram a madrugada toda retirando 11 m\u00e1quinas pesadas, 2 caminh\u00f5es, 1 quadriciclo, 1 balsa e 8 motos. Todos sem placa. Na retomada, andamos 26 km vigiando os ramais que os madeireiros fizeram no nosso territ\u00f3rio e bebendo \u00e1gua suja do rio Jamanxim que est\u00e1 polu\u00edda pelo garimpo. Sozinhos conseguimos expulsar madeireiros que nem o ICMBIO, IBAMA e FUNAI conseguiram. E sabemos que dentro da Flona de Itaituba II, tem pista de pouso.Os invasores est\u00e3o matando a nossa vida e derramando a sangue da nossa floresta. A nossa vida est\u00e1 em perigo. Mas por isso, n\u00f3s vamos continuar mostrando a nossa resist\u00eancia e a nossa autonomia. Somos capazes de cuidar e proteger o nosso territ\u00f3rio para nossos filhos e as futuras gera\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m vai fazer medo e ningu\u00e9m vai impedir porque n\u00f3s mandamos na nossa casa que \u00e9 nosso territ\u00f3rio. Estamos aqui defendendo o que \u00e9 nosso e n\u00e3o dos pariwat. Por isso sempre vamos continuar lutando pelas demarca\u00e7\u00f5es dos nossos territ\u00f3rios. Nunca v\u00e3o nos derrubar. Nunca vamos negociar o que \u00e9 sagrado.Ser\u00e1 que vai precisar morrer outros parentes, como aconteceu com a lideran\u00e7a Waj\u00e3pi, para que os \u00f3rg\u00e3os competentes atuem?<\/span><\/em><\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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