{"id":10605,"date":"2019-08-15T17:48:32","date_gmt":"2019-08-15T20:48:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=10605"},"modified":"2019-11-06T05:19:26","modified_gmt":"2019-11-06T08:19:26","slug":"amor-e-o-que-move-as-mulheres-em-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/amor-e-o-que-move-as-mulheres-em-luta\/","title":{"rendered":"Amor \u00e9 o que move as mulheres em luta"},"content":{"rendered":"<h4>Em duas in\u00e9ditas marchas, ind\u00edgenas, camponesas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, sem-terra e mulheres de diversas outras comunidades tradicionais de todo o pa\u00eds pararam Bras\u00edlia em defesa da VIDA!<\/h4>\n<div id=\"attachment_10606\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10606\" class=\"size-large wp-image-10606\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/1ebd12a8-isis-m\u00eddia-ninja-maria-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/1ebd12a8-isis-m\u00eddia-ninja-maria-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/1ebd12a8-isis-m\u00eddia-ninja-maria-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/1ebd12a8-isis-m\u00eddia-ninja-maria-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/1ebd12a8-isis-m\u00eddia-ninja-maria-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/1ebd12a8-isis-m\u00eddia-ninja-maria.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-10606\" class=\"wp-caption-text\">Ao se reunirem, as mulheres se fortalecem espiritualmente e politicamente<\/p><\/div>\n<p>O pa\u00eds nunca havia vivido um momento como este. Na manh\u00e3 da \u00faltima sexta-feira (9 de agosto), Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, <strong>tr\u00eas mil mulheres<\/strong> deixaram suas casas e aldeias, despediram-se de seus filhos, netos, maridos e das &#8211; muitas vezes extensas &#8211; fam\u00edlias e seguiram para um mesmo destino: Bras\u00edlia, a capital do pa\u00eds. Com o prop\u00f3sito de realizarem a <strong>1a Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas<\/strong>, elas compartilhavam tamb\u00e9m uma necessidade essencial: a de lutar pela VIDA, pelos seus territ\u00f3rios e pelos direitos origin\u00e1rios e constitucionais que garantem a continuidade de suas exist\u00eancias, respeitando a pluralidade de seus povos e modos de vida.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dias em \u00f4nibus, barcos e carros para chegar ao ensolarado e seco Planalto Central, com suas pinturas faciais e corporais, seus trajes tradicionais e munidas de seus marac\u00e1s, essas mulheres ind\u00edgenas, representantes de cerca de <strong>110 povos<\/strong>, ocuparam os gramados da Funarte, onde estavam acampadas, e a Esplanada dos Minist\u00e9rios evocando diversos cantos e dan\u00e7as rituais. Produzia-se, assim, uma incr\u00edvel e singular viv\u00eancia em que as mulheres compartilhavam entre si a ancestralidade de suas diversas civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEste encontro nos fortalece tanto na espiritualidade como na pol\u00edtica\u201d, revelou Eunice Kerexu, do povo Guarani-Mby\u00e1, ex-cacica da Terra Ind\u00edgena Morro dos Cavalos, de Santa Catarina. Era disso mesmo que se tratava, um hist\u00f3rico e in\u00e9dito ato pol\u00edtico, independente de partidos, focado na defesa dos direitos dos povos origin\u00e1rios do Brasil.<\/p>\n<p>Com o lema \u201cTerrit\u00f3rio: nosso corpo, nosso esp\u00edrito\u201d, as mulheres exigiram que a grave ofensiva aos seus direitos em curso seja interrompida, que a demarca\u00e7\u00e3o e efetiva prote\u00e7\u00e3o aos seus territ\u00f3rios sejam garantidas e que cada um de seus modos de vida tradicionais sejam respeitados.\u00a0 <strong>\u201cN\u00e3o aceitaremos nenhuma pol\u00edtica genocida, etnocida ou ecocida. Em nome da nossa ancestralidade, da nossa M\u00e3e Terra e de toda a vida, seremos sempre mulheres de resist\u00eancia\u201d<\/strong>, bradou S\u00f4nia Guajajara do caminh\u00e3o de som, na frente do pr\u00e9dio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p><strong>Sementes de inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_10607\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10607\" class=\"size-large wp-image-10607\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/5d515e1e-eduardo-napoli-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/5d515e1e-eduardo-napoli-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/5d515e1e-eduardo-napoli-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/5d515e1e-eduardo-napoli-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/5d515e1e-eduardo-napoli-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/5d515e1e-eduardo-napoli.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-10607\" class=\"wp-caption-text\">As marchas das mulheres ind\u00edgenas e das Margaridas se pautaram no amor \u00e0 terra, motivo maior para lutarem pela vida, pelas florestas e \u00e1guas<\/p><\/div>\n<p>Ontem (14) cerca de <strong>100 mil mulheres, vindas de todos os estados do pa\u00eds, uniram suas vozes \u00e0s ind\u00edgenas<\/strong>. Em sua maioria camponesas, elas tamb\u00e9m eram pescadoras, quilombolas, ribeirinhas, sem-terra, quebradeiras de coco, vazanteiras e membros de dezenas de outras comunidades tradicionais &#8211; que a maioria dos brasileiros desconhece. Em sua <strong>6a edi\u00e7\u00e3o, a Marcha das Margaridas<\/strong> al\u00e9m de colorir a cinzenta &#8211; e, nesta \u00e9poca, empoeirada &#8211; Esplanada dos Minist\u00e9rios de diversos tons de lil\u00e1s, tamb\u00e9m marcou com urucum e jenipapo &#8211; tinturas naturais utilizadas pelas ind\u00edgenas para fazerem suas pinturas &#8211; as ruas de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Segundo diversas falas das participantes, as duas emocionantes marchas foram pautadas pelo AMOR.\u00a0 A repetida mensagem era: <strong>\u201c\u00e9 pelo amor a esta terra, \u00e0s suas \u00e1guas, florestas, animais e plantas que n\u00f3s resistimos a qualquer projeto que priorize a morte, em detrimento da vida. Foi o amor que nos trouxe aqui e \u00e9 pelo amor que seguiremos, todos os dias, na luta pela vida. N\u00e3o s\u00f3 pela nossa vida, mas a de todos os seres vivos\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Sintonizadas, essas mulheres do campo, da floresta e da cidade denunciaram o dr\u00e1stico aumento da viol\u00eancia no campo; o desmatamento da Amaz\u00f4nia e do Cerrado; a entrega dos bens naturais &#8211; como \u00e1gua, biodiversidade e min\u00e9rios &#8211; do pa\u00eds a corpora\u00e7\u00f5es brasileiras e estrangeiras; a paralisa\u00e7\u00e3o da demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas; a invas\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios tradicionais; a contamina\u00e7\u00e3o causada pelos agrot\u00f3xicos; a criminaliza\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as de seus movimentos; e diversas pol\u00edticas do atual governo que sequestram direitos e as levam a se preocupar com fantasmas como a fome e a mis\u00e9ria, que voltam a rondar as casas de milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>Fonte de muita inspira\u00e7\u00e3o, apesar dos tantos desafios que tiveram que enfrentar (como o intenso frio no acampamento, a dist\u00e2ncia da fam\u00edlia e algumas n\u00e3o falarem portugu\u00eas, dentre outros), essas mulheres ocuparam as ruas da Capital Federal por muitas horas para dizer que <strong>h\u00e1 muitas outras formas de se viver, com dignidade, respeito e abund\u00e2ncia, quando n\u00e3o se coloca o lucro acima da vida e quando n\u00e3o se transforma tudo-tudo-tudo em mercadoria<\/strong>. Cheias de empatia, elas sugerem priorizar a solidariedade, a agroecologia, o cuidado, o feminismo, a democracia, a soberania, a sustentabilidade.<\/p>\n<p><strong>De netas a bisav\u00f3s<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_10608\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10608\" class=\"size-large wp-image-10608\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/107a87c6-douglas-freitas-2-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/107a87c6-douglas-freitas-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/107a87c6-douglas-freitas-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/107a87c6-douglas-freitas-2-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/107a87c6-douglas-freitas-2-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/08\/107a87c6-douglas-freitas-2.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-10608\" class=\"wp-caption-text\">Diversas gera\u00e7\u00f5es estiveram presentes nas ruas de Bras\u00edlia: a luta come\u00e7a cedo<\/p><\/div>\n<p>Em ambas as marchas, v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es estavam presentes, netas, m\u00e3es, tias, filhas, av\u00f3s e at\u00e9 bisav\u00f3s, todas estavam ali. Algumas idosas apoiavam-se entre si durante a marcha. Outras tocavam tambor, intensamente, dando ainda mais brilho aos seus cabelos totalmente brancos. Em um momento em que os direitos dessas mulheres est\u00e3o sendo retirados, havia uma esp\u00e9cie de vibra\u00e7\u00e3o diferente, positiva, entusiasmada. Cada troca de olhar trazia for\u00e7a. Cada sorriso transmitia confian\u00e7a. <strong>Cada toque de atabaque, berimbau, marac\u00e1 empoderava ainda mais aquelas meninas, mulheres, anci\u00e3s. Foram momentos de alimentar a esperan\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que, especialmente, na Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, muitas m\u00e3es amamentavam seus beb\u00eas, que estavam, graciosamente, por todos os cantos. Uma percep\u00e7\u00e3o sutil, mas que explicita algo bastante real: <strong>para os povos ind\u00edgenas sobreviver significa lutar e, por isso, \u00e9 preciso que comecem cedo, muito cedo<\/strong>.<\/p>\n<p>Indiscutivelmente, <strong>temos muito o que aprender com a sabedoria e a sensibilidade das anci\u00e3s ind\u00edgenas, camponesas e de tantas comunidades tradicionais<\/strong> deste t\u00e3o sofrido\u00a0 &#8211; e, ao mesmo tempo, t\u00e3o pluralmente rico &#8211; Brasil.<\/p>\n<p>Leia aqui o <a href=\"http:\/\/apib.info\/2019\/08\/15\/documento-final-marcha-das-mulheres-indigenas-territorio-nosso-corpo-nosso-espirito\/\">Documento Final<\/a> da 1a Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas: &#8220;Nosso territ\u00f3rio: nosso corpo, nosso esp\u00edrito&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em duas in\u00e9ditas marchas, ind\u00edgenas, camponesas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, sem-terra e mulheres de diversas outras comunidades tradicionais de todo o pa\u00eds pararam Bras\u00edlia em defesa da VIDA!<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":10630,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[22,23],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-10605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-florestas","tag-mobilizacao","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10605"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10612,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10605\/revisions\/10612"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10605"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=10605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}