{"id":1070,"date":"2017-11-21T00:00:00","date_gmt":"2017-11-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/madeira-manchada-de-sangue\/"},"modified":"2019-11-06T05:20:49","modified_gmt":"2019-11-06T08:20:49","slug":"madeira-manchada-de-sangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/publicacoes\/madeira-manchada-de-sangue\/","title":{"rendered":"Madeira manchada de sangue"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2905\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2905\" class=\"size-large wp-image-2905\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/GP0STRB62_PressMedia-1024x683.jpg\" alt=\"A\u00e7\u00e3o do Greenpeace com 251 cruzes em frente ao Congresso Nacional\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/GP0STRB62_PressMedia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/GP0STRB62_PressMedia-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/GP0STRB62_PressMedia-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/GP0STRB62_PressMedia-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/GP0STRB62_PressMedia-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-2905\" class=\"wp-caption-text\">Para homenagear as v\u00edtimas da viol\u00eancia no campo na Amaz\u00f4nia, o Greenpeace colocou 251 cruzes em frente ao Congresso Nacional \u2013 n\u00famero de pessoas assassinadas no bioma entre 2007 e 2016 \u2013 para sinalizar que a viol\u00eancia contra a floresta e seus povos come\u00e7a exatamente em Bras\u00edlia.<\/p><\/div>\n<p>No fim de semana do dia 19 de abril de 2017, quatro homens armados com facas, fac\u00f5es, rev\u00f3lveres e espingardas entraram em um ramal do Distrito de Taquaru\u00e7u do Norte, zona rural de Colniza, no Mato Grosso, com o objetivo de matar e aterrorizar a popula\u00e7\u00e3o local. O grupo de exterm\u00ednio, conhecido como \u201cOs Encapuzados\u201d, percorreu cerca de dez quil\u00f4metros promovendo execu\u00e7\u00f5es e tortura. Ao todo, nove pessoas foram mortas.<\/p>\n<p>Segundo den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Mato Grosso (MPE-MT), o ataque, que ficou conhecido como \u201cmassacre de Colniza\u201d, foi motivado pela cobi\u00e7a de madeireiros e grileiros pelos recursos existentes na regi\u00e3o de Taquaru\u00e7\u00fa do Norte, distrito do munic\u00edpio de Colniza.<\/p>\n<p>Apontado pelo MPE-MT como o mandante do crime, Valdelir Jo\u00e3o de Souza, conhecido como \u201cPolaco Marceneiro\u201d, \u00e9 propriet\u00e1rio das empresas Madeireira Cedroarana e G.A. Madeiras, respons\u00e1vel pelo Plano de Manejo Florestal localizado ao lado do local da chacina. A motiva\u00e7\u00e3o do crime estaria na exist\u00eancia de esp\u00e9cies valiosas, como o ip\u00ea, jatob\u00e1 e massaranduba, amplamente utilizados para constru\u00e7\u00e3o de decks e m\u00f3veis de alto valor comercial, na \u00e1rea de floresta em que viviam os agricultores assassinados.<\/p>\n<p>Souza est\u00e1 foragido, mas suas madeireiras continuam funcionando normalmente, processando madeira que depois \u00e9 vendida no mercado nacional e internacional. Uma investiga\u00e7\u00e3o do Greenpeace publicada no relat\u00f3rio \u201cMadeira manchada de sangue\u201d mostrou que, de maio a agosto de 2017, a madeireira Cedroarana enviou sete remessas de madeira para os Estados Unidos. No dia em que ocorreu a chacina em Colniza, essa mesma empresa embarcou cargas de madeira para os Estados Unidos e Europa. Em 2016 e 2017, exportou milhares de metros c\u00fabicos de madeira amaz\u00f4nica para pa\u00edses como os Estados Unidos, Alemanha, Fran\u00e7a, Holanda e Portugal.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<h4>&gt;&gt; <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/Relatorio_MadeiraManchadaDeSangue.pdf\">Clique aqui para baixar o relat\u00f3rio<\/a><\/h4>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Gra\u00e7as a facilidade de fraudar os sistemas de licenciamento e controle de madeira no Brasil, cenas como as do \u201cmassacre de Colniza\u201d est\u00e3o se tornando cada vez mais comuns, especialmente na Amaz\u00f4nia, onde os conflitos no campo s\u00e3o frequentemente ligados \u00e0 madeira ilegal. A press\u00e3o exercida pela ind\u00fastria madeireira e pela grilagem de terras vem amea\u00e7ando as florestas da regi\u00e3o e colocando popula\u00e7\u00f5es rurais e tradicionais sob amea\u00e7a. S\u00e3o in\u00fameros relatos de execu\u00e7\u00f5es com requintes de crueldade, tentativas de assassinato e intimida\u00e7\u00e3o, o que gera um clima de tens\u00e3o e medo na vida das pessoas que defendem a floresta.<\/p>\n<p>Como afirma a extrativista Giselda Pereira Ramos Pilker, moradora da Resex Massaranduba, que fica em Rond\u00f4nia, regi\u00e3o que sofre com a viol\u00eancia promovida pela madeira ilegal, as amea\u00e7as constantes acabam mudando a rotina de todos que dependem da floresta: \u201cEu tenho orgulho de cuidar disso tudo. Tenho certeza de que n\u00e3o \u00e9 meu, que pertence a um bem muito maior, de bilh\u00f5es de pessoas. E vou lutar com todas as minhas for\u00e7as at\u00e9 algu\u00e9m me escutar\u201d, diz.<\/p>\n<h4>Madeira ilegal e viol\u00eancia<\/h4>\n<p>Estados como Para\u0301, Mato Grosso e Rond\u00f4nia s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 85% da produ\u00e7\u00e3o de madeira serrada na Amaz\u00f4nia. Se existisse um plano nacional de apoio ao manejo comunit\u00e1rio, a explora\u00e7\u00e3o madeireira poderia servir como fonte de renda para as popula\u00e7\u00f5es da floresta e um meio de mant\u00ea-las na terra, em seguran\u00e7a, protegendo a floresta. Mas n\u00e3o \u00e9 o que acontece. Estudos apontam que parte da madeira que entra no mercado foi explorada de \u00e1reas onde a extra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 permitida, como Unidades de Conseva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral , Territ\u00f3rios ind\u00edgenas e \u00e1reas de manejo extrativista. Quando popula\u00e7\u00f5es tradicionais e ind\u00edgenas oferecem oposi\u00e7\u00e3o ao roubo de madeira, acabam colocando-se na mira da viol\u00eancia, entre a floresta e os criminosos.<\/p>\n<p>O mapa abaixo mostra a rela\u00e7\u00e3o entre assassinatos no campo nos \u00faltimos dez anos e o Arco do Desmatamento.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2917\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/mapa-assassinatos-desmatamento.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/mapa-assassinatos-desmatamento.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/mapa-assassinatos-desmatamento-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/mapa-assassinatos-desmatamento-768x542.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2017\/11\/mapa-assassinatos-desmatamento-481x340.jpg 481w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>\u201cA impunidade para este tipo de crime e a falta de seriedade do Estado em combater a a\u00e7\u00e3o de madeireiros ilegais criam um ambiente prop\u00edcio para que a ilegalidade prospere\u201d, afirma R\u00f4mulo Batista, da campanha Amaz\u00f4nia do Greenpeace. \u201cDiante desse cen\u00e1rio, fica imposs\u00edvel confiar na proced\u00eancia da madeira brasileira, pois a cadeia est\u00e1 toda contaminada\u201d, completa.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u201cMadeira Manchada de Sangue\u201d faz parte da campanha Chega de Madeira Ilegal do Greenpeace, que desde 2014 investiga, denuncia e exp\u00f5e casos de fraudes em nos sistemas de licenciamento e controle de madeira do Brasil. \u201cInfelizmente, o Brasil ainda n\u00e3o avan\u00e7ou. N\u00e3o temos sistemas integrados de licenciamento e controle da cadeia produtiva de madeira e planos de manejo com ind\u00edcios de irregularidades continuam ativos. At\u00e9 que consigamos como sociedade mudar isso, os povos que est\u00e3o na linha de frente pela prote\u00e7\u00e3o das florestas continuar\u00e3o a sofrer as consequ\u00eancias diretas e o restante do mundo as indiretas\u201d, diz Batista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/Relatorio_MadeiraManchadaDeSangue.pdf\">Baixe o relat\u00f3rio aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acusado de ser o mandante do massacre de Colniza, Valdelir Jo\u00e3o de Souza segue foragido da justi\u00e7a, o que n\u00e3o o impede de negociar madeira amaz\u00f4nica.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":2916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22],"p4-page-type":[15],"class_list":["post-1070","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","p4-page-type-publicacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1070"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2902,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070\/revisions\/2902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1070"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=1070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}