{"id":1164,"date":"2016-04-19T00:00:00","date_gmt":"2016-04-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/brasil-nacao-indigena\/"},"modified":"2019-11-06T05:21:16","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:16","slug":"brasil-nacao-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/brasil-nacao-indigena\/","title":{"rendered":"Brasil: na\u00e7\u00e3o ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"leader\"><em>Em mais de 500 anos de hist\u00f3ria, o preconceito e a viol\u00eancia contra os povos tradicionais perduram no Brasil<\/em><\/h4>\n<div id=\"attachment_12105\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12105\" class=\"wp-image-12105 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/eb4fa382-gp0stpcfc-1024x683.jpg\" alt=\"Member of the Munduruku Tribe in the Amazon.\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/eb4fa382-gp0stpcfc-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/eb4fa382-gp0stpcfc-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/eb4fa382-gp0stpcfc-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/eb4fa382-gp0stpcfc-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/eb4fa382-gp0stpcfc.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-12105\" class=\"wp-caption-text\">\u00cdndio Munduruku observa o p\u00f4r do sol no Rio Tapaj\u00f3s.<\/p><\/div>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 assegurou aos povos ind\u00edgenas seu direito a terra, o respeito \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es. Mas, agora, esses \u2018territ\u00f3rios da diversidade\u2019 est\u00e3o sob intenso ataque de interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos &#8211; em especial, do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o e do hidroneg\u00f3cio, como \u00e9 o caso da hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, que amea\u00e7a diretamente o modo de vida do povo Munduruku.<\/p>\n<p>Existem atualmente mais de 200 projetos de lei em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso que visam enfraquecer a legisla\u00e7\u00e3o e retirar direitos garantidos aos povos ind\u00edgenas. N\u00e3o por acaso, em 2015 foram registrados cerca de 100 conflitos por territ\u00f3rio envolvendo mais de 16 mil fam\u00edlias ind\u00edgenas, segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, parece que esquecemos que a origem ind\u00edgena faz parte de nossa identidade como na\u00e7\u00e3o. Que sua diversidade tornou o Brasil um pa\u00eds plural e que seu modo de vida e rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente ajudou a manter uma das mais ricas biodiversidades do mundo.<\/p>\n<div id=\"attachment_7258\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7258\" class=\"wp-image-7258 size-full\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/01\/50bee576-gp0stpoea_web_size.jpg\" alt=\"Floresta pr\u00f3xima ao Rio Tapaj\u00f3s, na regi\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, no Par\u00e1\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/01\/50bee576-gp0stpoea_web_size.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/01\/50bee576-gp0stpoea_web_size-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/01\/50bee576-gp0stpoea_web_size-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/01\/50bee576-gp0stpoea_web_size-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-7258\" class=\"wp-caption-text\">Floresta pr\u00f3xima ao Rio Tapaj\u00f3s, na regi\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, no Par\u00e1<\/p><\/div>\n<p>Por isso, neste Dia do \u00cdndio, queremos celebrar os povos ind\u00edgenas do Brasil e sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica para a identidade do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m seu papel fundamental na prote\u00e7\u00e3o da floresta e do clima.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais ind\u00edgenas \u00e9 de interesse de todos os brasileiros. O primeiro passo para mudar essa hist\u00f3ria marcada por viol\u00eancia e viola\u00e7\u00f5es de direitos \u00e9 vencer o desinteresse e, aos poucos, perceber a diferen\u00e7a como riqueza e tra\u00e7o cultural do Brasil. Por isso, respondemos abaixo alguns dos principais mitos que chegam a n\u00f3s via redes sociais.<\/p>\n<p>\u00cdndio, sim. Com muito orgulho.<\/p>\n<h4><strong>Muita terra para pouco \u00edndio.<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cH\u00e1 muita terra para pouco \u00edndio? N\u00e3o. Como costuma dizer o socioambientalista M\u00e1rcio Santilli, \u2018h\u00e1 muita terra para pouco fazendeiro\u2019. Segundo o Censo de 2010 do IBGE, h\u00e1 517 mil \u00edndios aldeados em menos de 107 \u00a0milh\u00f5es de hectares de terras ind\u00edgenas, o equivalente a 12,5% do territ\u00f3rio brasileiro. E onde est\u00e3o essas terras? Mais de 98% delas est\u00e3o na Amaz\u00f4nia Legal \u2013 e menos de 2% fora de l\u00e1. J\u00e1 os 46 mil maiores propriet\u00e1rios de terras, segundo o Censo Agropecu\u00e1rio do IBGE, exploram uma \u00e1rea maior do que essa: mais de 144 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>Sobre a realidade da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no pa\u00eds, que continua a crescer, o Cadastro de Im\u00f3veis Rurais do Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) mostra que as 130 mil grandes propriedades rurais particulares concentram quase 50% de toda a \u00e1rea privada cadastrada no Incra. J\u00e1 os quase quatro milh\u00f5es de minif\u00fandios equivalem, somados, a um quinto disso: 10% da \u00e1rea total registrada. <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/concentracao-de-terra-cresce-latifundios-equivalem-quase-tres-estados-de-sergipe-15004053\">Em entrevista ao jornal O Globo,<\/a> o pesquisador Ariovaldo Umbelino de Oliveira, coordenador do Atlas da Terra, afirmou que quase 176 milh\u00f5es de hectares s\u00e3o improdutivos no Brasil. Prestar aten\u00e7\u00e3o nos n\u00fameros j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o para pensar, em vez de simplesmente aderir.<strong>\u201d<\/strong> [Artigo \u2018Os \u00cdndios e o golpe na Constitui\u00e7\u00e3o\u2019, de Eliane Brum publicado no El Pa\u00eds (13.04.2015)]<\/p>\n<h4><strong>Por que a sobreviv\u00eancia de um pequeno grupo de \u00edndios \u00e9 mais importante que uma grande hidrel\u00e9trica para fornecer energia para milh\u00f5es de brasileiros?<\/strong><\/h4>\n<p>Hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia s\u00e3o como grandes elefante-brancos no meio da floresta. Trazem consigo efeitos desastrosos para a vida do rio, da floresta e dos povos que dependem deles para viver. Somos um pa\u00eds mega-diverso, gra\u00e7as tamb\u00e9m aos povos ind\u00edgenas. Guardi\u00f5es da floresta, eles protegem nossa biodiversidade. <a href=\"http:\/\/www.wri.org\/securingrights\">Estudos<\/a> mostram que as Terras Ind\u00edgenas s\u00e3o a forma mais eficiente para combater o desmatamento. As florestas dessas \u00e1reas s\u00e3o tamb\u00e9m mais resilientes e estocam mais carbono que qualquer outra \u00e1rea protegida.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o precisa de novas hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia. Investindo em fontes renov\u00e1veis como e\u00f3lica e solar, o Brasil assegura a sobreviv\u00eancia dos povos ind\u00edgenas, da biodiversidade, al\u00e9m de diversificar sua matriz, trazendo mais seguran\u00e7a energ\u00e9tica para todos os brasileiros.<\/p>\n<h4><strong>Mas os \u00edndios j\u00e1 s\u00e3o muito beneficiados pelo governo e n\u00e3o oferecem nenhum retorno \u00e0 na\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/h4>\n<p>Sabia que a demarca\u00e7\u00e3o de Terras ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o a maneira mais eficiente de proteger a floresta? Para se ter uma ideia, de acordo com o SAD, 80% dos alertas de desmatamentos identificados em janeiro deste ano estavam em \u00e1reas particulares, enquanto que nas TIs este n\u00famero n\u00e3o chegou a 1%. Outro estudo recente, do World Resources Institute (WRI), demonstrou que, no Brasil, os n\u00edveis de desmatamento s\u00e3o 11 vezes mais baixos nas \u00e1reas da floresta amaz\u00f4nica em que h\u00e1 terras ind\u00edgenas do que nas demais \u00e1reas de floresta. O estudo tamb\u00e9m revela que os estoques de carbono nessas \u00e1reas chegam a 17,65 bilh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Considerando que a crise clim\u00e1tica \u00e9 o maior desafio atual da humanidade, ainda temos muito a aprender com os povos ind\u00edgenas. O que pesquisas qualitativas t\u00eam mostrado \u00e9 que os povos ind\u00edgenas de todo mundo foram capazes de desenvolver estrat\u00e9gias pr\u00f3prias de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, coisa que os n\u00e3o-ind\u00edgenas ainda est\u00e3o longe de resolver.<\/p>\n<h4><strong>O certo n\u00e3o seria \u201cintegrar\u201d os \u00edndios \u00e0 cultura urbana? <\/strong><\/h4>\n<p>O caminho da integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada levou a exterminio de milhares de ind\u00edgenas e n\u00e3o foi capaz de respeitar a auto-determina\u00e7\u00e3o \u00a0dos povos. Esta n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o entre certo e errado, mas de respeitar o modo de vida dos povos id\u00edgenas e a vontade destes em estabelecer um maior ou menor grau de aproxima\u00e7\u00e3o com outras culturas.<\/p>\n<p>Ao afirmar o direito dos \u00edndios de serem diferentes, A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 reconheceu aos povos indigenas do Brasil o direito de permanecer \u00a0como tal, se assim o desejarem, cabendo ao Estado assegurar-lhes as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que isso ocorra &#8211; a come\u00e7ar pela demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<h4><strong>Os \u00edndios que usam roupas de gente branca e celular podem ser considerados \u201cind\u00edgenas de verdade\u201d?<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com a Funai, existem 243 etnias ind\u00edgenas no Brasil, que falam 150 l\u00ednguas , sendo que apenas uma pequena parcela deste total fala portugu\u00eas. N\u00e3o \u00e9 porque o \u00edndio usa roupa e tem um grupo no Whatsapp que ele deixa de ser \u00edndio. A identidade ind\u00edgena est\u00e1 mais ligada a sua cultura, cosmologia, modo de vida e a sua l\u00edngua original. Voc\u00ea se sente menos brasileiro quando fala no seu celular americano, fabricado na China?<\/p>\n<p>Voc\u00ea deixa de ser brasileiro se muda de pa\u00eds, se deixa de comer acaraj\u00e9 e de falar portugu\u00eas todos os dias? Todas as culturas &#8211; ind\u00edgenas ou n\u00e3o &#8211; s\u00e3o din\u00e2micas, n\u00e3o est\u00e3o paradas no tempo e, por isso, mesmo que deixem de praticar algum costume, de falar suas l\u00ednguas e at\u00e9 de viver em seus territ\u00f3rios tradicionais, muitas vezes obrigados, continuam sendo quem s\u00e3o. As l\u00ednguas ind\u00edgenas que eram estimadas em mais de 1.000 antes da invas\u00e3o portuguesa, foram reduzidas \u00e0 atuais 150 gra\u00e7as \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 catequese &#8211; que obrigaram, quase sempre \u00e0 for\u00e7a, os povos ind\u00edgenas a falar a l\u00edngua do colonizador. Foi tamb\u00e9m por causa desse processo que muitos povos tiveram que abandonar alguns de seus principais costumes, mas, ainda assim, n\u00e3o deixaram de se considerar &#8211; nem de serem considerados &#8211; ind\u00edgenas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mais de 500 anos de hist\u00f3ria, o preconceito e a viol\u00eancia contra os povos tradicionais perduram no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":12105,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[8],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-1164","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-resista","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1164"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12103,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1164\/revisions\/12103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1164"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=1164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}