{"id":11802,"date":"2016-07-29T00:00:38","date_gmt":"2016-07-29T03:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=11802"},"modified":"2022-03-04T10:08:12","modified_gmt":"2022-03-04T13:08:12","slug":"um-erro-chamado-de-hidreletrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/um-erro-chamado-de-hidreletrica\/","title":{"rendered":"Um erro chamado de hidrel\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Apesar de in\u00fameros problemas sociais, ambientais e econ\u00f4micos, governo insiste na constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_11804\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11804\" class=\"wp-image-11804 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/a19b6fef-gp0stppd1-1024x683.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte. \u00a9 Carol Quintanilha \/ Greenpeace\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/a19b6fef-gp0stppd1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/a19b6fef-gp0stppd1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/a19b6fef-gp0stppd1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/a19b6fef-gp0stppd1-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/10\/a19b6fef-gp0stppd1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-11804\" class=\"wp-caption-text\">Constru\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Rio Xingu, S\u00edtio Belo Monte. Altamira, Par\u00e1. 17\/10\/2014. Foto: Carol Quintanilha\/Greenpeace.<\/p><\/div>\n<p>A hidrel\u00e9trica de Belo Monte resultou em uma pilha de problemas sociais, ambientais e econ\u00f4micos, estampados periodicamente nos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. A lista de fatos negativos vai desde o processo de licenciamento, passando pelo desrespeito aos direitos humanos, condicionantes ignoradas, fam\u00edlias desalojadas, den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e a promo\u00e7\u00e3o de um verdadeiro caos social na regi\u00e3o da obra, entre outros.<\/p>\n<p>Belo Monte tamb\u00e9m nunca foi muito boa com suas contas. Inicialmente, a obra era estimada em R$ 16 bilh\u00f5es, valor que pulou para R$ 19 bilh\u00f5es no momento do leil\u00e3o e que hoje j\u00e1 soma cerca de R$ 30 bilh\u00f5es. Tudo financiado com dinheiro p\u00fablico. Para piorar, estudos do pr\u00f3prio governo revelam que os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas podem levar a redu\u00e7\u00f5es nas vaz\u00f5es dos rios amaz\u00f4nicos da ordem de 20% a 30%, mostrando que s\u00e3o grandes as chances da usina n\u00e3o conseguir entregar a energia prometida. A conta n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo antes do fim das obras desta usina-desastre, o governo eleito em 2014 j\u00e1 acelerava os planos para insistir no erro e erguer mais uma grande barragem no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia: a hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s. Este novo projeto n\u00e3o apenas prev\u00ea a repeti\u00e7\u00e3o dos problemas de Belo Monte, como adiciona na conta um conjunto de impactos ambientais incalcul\u00e1veis, al\u00e9m de ferir a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a class=\"pdf\" href=\"http:\/\/greenpeace.org.br\/tapajos\/docs\/analise-eia-rima.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da nova usina apresenta graves problemas metodol\u00f3gicos e omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, falhando em medir adequadamente os impactos da obra. Se realizado de forma correta, o estudo mostraria a inviabilidade da hidrel\u00e9trica.<\/a> A obra tamb\u00e9m alagaria 376 km\u00b2 de floresta. Parte desta \u00e1rea encontra-se dentro dos limites da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, o que causaria a remo\u00e7\u00e3o de seus habitantes, fato que \u00e9 proibido pela Constitui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s tem potencial de induzir o desmatamento em uma \u00e1rea de pelo menos 2.000 km\u00b2 de floresta, num cen\u00e1rio repleto de terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E os problemas n\u00e3o param por a\u00ed. Como j\u00e1 visto nos exemplos recentes de hidrel\u00e9tricas constru\u00eddas na Amaz\u00f4nia, como Belo Monte, Santo Ant\u00f4nio e Jirau, os valores finais deste tipo de obra podem ser muito diferentes do inicialmente projetado. Em Belo Monte, a obra terminou custando quase o dobro do originalmente previsto. Em 2014, Tapaj\u00f3s foi estimada em R$ 28 bilh\u00f5es. Nada garante que este projeto n\u00e3o seguir\u00e1 o mau exemplo financeiro de Belo Monte. E, no caso de Tapaj\u00f3s, considerando todas as incertezas jur\u00eddicas e impactos n\u00e3o medidos, o resultado final pode ser ainda pior.\u00a0Vale lembrar ainda que os mesmos estudos indicando a redu\u00e7\u00e3o na capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia para Belo Monte tamb\u00e9m valem para Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>Com tantas incertezas, a usina torna-se um investimento de alt\u00edssimo risco econ\u00f4mico. J\u00e1 do ponto de vista social, ambiental e estrat\u00e9gico, ela \u00a0simplesmente n\u00e3o faz sentido. O\u00a0Brasil tem plenas condi\u00e7\u00f5es de gerar o mesmo montante de energia de forma mais limpa e com o uso de novas tecnologias, evitando surpresas de custo e entrega, gerando empregos e sem os riscos da inseguran\u00e7a jur\u00eddica e impactos negativos que uma barragem no cora\u00e7\u00e3o da floresta Amaz\u00f4nica oferece.<\/p>\n<p>Tapaj\u00f3s prev\u00ea uma pot\u00eancia instalada de 8.040 MW e a entrega de 4.012 MW m\u00e9dios de energia ao sistema. <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/archive-brasil\/pt\/Noticias\/Hidreletricas-na-Amazonia-um-mau-negocio-para-o-Brasil-e-para-o-mundo\/\">Com os incentivos corretos, fontes de energia como e\u00f3lica, solar e biomassa poderiam, de forma combinada, suprir a energia projetada pela hidrel\u00e9trica, no mesmo per\u00edodo de tempo e em patamar similar de investimento<\/a>. Adicionalmente, estas novas fontes de energia encontram-se em pleno desenvolvimento tecnol\u00f3gico e de mercado, o que barateia seus custos a cada ano. Entre 2009 e 2012, o pre\u00e7o m\u00e9dio da fonte e\u00f3lica caiu cerca de 40%. Atualmente h\u00e1 no pa\u00eds quase 3 GW em usinas e\u00f3licas em constru\u00e7\u00e3o nos estados da Bahia, Cear\u00e1, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul, al\u00e9m de outros 6 GW cuja constru\u00e7\u00e3o deve ser iniciada em breve. Somado ao que j\u00e1 existe em usinas e\u00f3licas em funcionamento hoje, isso \u00e9 mais do que duas vezes a usina de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>Recentemente, a empresa franco-belga Engie, uma das gigantes mundiais do setor de energia, anunciou sua disposi\u00e7\u00e3o de investir R$ 8 bilh\u00f5es no Brasil nos pr\u00f3ximos cinco anos. O foco \u00e9 a energia solar distribu\u00edda. Hidrel\u00e9tricas est\u00e3o fora dos planos. Em 2015 a China alcan\u00e7ou dois novos recordes mundiais de energia limpa, por instalar 30,5 gigawatts (GW) de energia e\u00f3lica e 16,5GW de energia solar.<\/p>\n<p>Diante de todos os problemas que apresenta, e frente ao avan\u00e7o de novas tecnologias na \u00e1rea de energia, a hidrel\u00e9trica de Tapaj\u00f3s soa, no m\u00ednimo, \u00a0irracional. Estamos agora no momento certo para corrigirmos o curso dessa hist\u00f3ria. A retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e da demanda de eletricidade \u2013 que caiu 8% em 2014 e 2% em 2015 \u2013 retira o senso de urg\u00eancia do projeto de Tapaj\u00f3s, representando uma oportunidade para planejar a energia que o pa\u00eds realmente necessita e quer gerar. \u00c9 hora de se preparar para a retomada futura da economia e, consequentemente, da demanda energ\u00e9tica, investindo em fontes verdadeiramente limpas, e que fa\u00e7am sentido do ponto de vista social, econ\u00f4mico e ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de in\u00fameros problemas sociais, ambientais e econ\u00f4micos, governo insiste na constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":11804,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-11802","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11802"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11807,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11802\/revisions\/11807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11802"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=11802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}