{"id":13024,"date":"2019-11-06T15:30:15","date_gmt":"2019-11-06T18:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=13024"},"modified":"2023-01-12T15:34:13","modified_gmt":"2023-01-12T18:34:13","slug":"morte-e-vida-guajajara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/morte-e-vida-guajajara\/","title":{"rendered":"Morte e vida Guajajara"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A realidade ind\u00edgena no Maranh\u00e3o \u00e9 assustadora: 42 Guajajara&nbsp; assassinados entre 2000 e 2018; nos \u00faltimos dez anos ocorreram 12 assassinatos somente da TI Arariboia<\/h4>\n\n<p><br>Diante da omiss\u00e3o do Estado brasileiro em proteger os territ\u00f3rios ind\u00edgenas e do aumento das invas\u00f5es destas \u00e1reas e dos crimes a elas vinculados, ind\u00edgenas de v\u00e1rios povos do Maranh\u00e3o assumiram para si a responsabilidade de proteger suas terras tradicionais. Organizados em grupos chamados de Guardi\u00f5es da Floresta, eles vigiam, monitoram e colocam suas pr\u00f3prias vidas na linha de frente para tentar deter o aumento da destrui\u00e7\u00e3o de suas florestas e os impactos em seu modo de vida. Trata-se de uma luta assim\u00e9trica contra diferentes atores do crime organizado ambiental que atuam na Amaz\u00f4nia, como grileiros, madeireiros e narcotraficantes.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"630\" height=\"661\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/c32eff25-51ea7c64-ma_paulino.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13040\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/c32eff25-51ea7c64-ma_paulino.jpeg 630w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/c32eff25-51ea7c64-ma_paulino-286x300.jpeg 286w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/c32eff25-51ea7c64-ma_paulino-324x340.jpeg 324w\" sizes=\"auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><figcaption>Ap\u00f3s emboscada realizada por madeireiros, Paulino Guajajara &#8220;vira semente&#8221; para a luta de seu povo. Ele deixa um filho pequeno e esposa. \u00a9 Ueslei Marcelino \/ Reuters<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Um destes Guardi\u00f5es da Floresta, o jovem Paulo Paulino Guajajara, de 26 anos,&nbsp; teve sua vida violentamente ceifada &#8211; com um tiro no rosto &#8211; na tarde da \u00faltima sexta-feira (1\/11), justamente por se dedicar \u00e0 desafiadora miss\u00e3o de proteger o territ\u00f3rio de seus ancestrais da gan\u00e2ncia daqueles que s\u00f3 enxergam cifr\u00f5es quando olham para uma \u00e1rvore, mesmo que ela seja centen\u00e1ria, uma \u201cvov\u00f3 da floresta\u201d, como dizem por l\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Paulino \u201ctombou\u201d numa covarde emboscada feita por madeireiros dentro da Terra Ind\u00edgena Arariboia. Somente o fato destes cinco madeireiros, altamente armados, estarem dentro da \u00e1rea ind\u00edgena j\u00e1 configura uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos do povo Guajajara. Junto com ele, La\u00e9rcio Souza Silva Guajajara foi alvejado no bra\u00e7o e nas costas, mas sobreviveu.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O caso teve uma ampla repercuss\u00e3o na imprensa nacional e internacional. Mas muitas vezes n\u00e3o fica expl\u00edcito que Paulino \u00e9 a mais recente v\u00edtima fatal de um Estado que se recusa a cumprir o que determina a Constitui\u00e7\u00e3o Federal.&nbsp;<\/p>\n\n<p>E, infelizmente, ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho nesta condi\u00e7\u00e3o. Segundo a plataforma Cartografia de Ataques Contra Ind\u00edgenas (Caci), 42 ind\u00edgenas Guajajara foram assassinados entre 2000 e 2018, sendo que nos \u00faltimos dez anos ocorreram 12 assassinatos somente de ind\u00edgenas Guajajara da TI Arariboia &#8211; os Guajajara ocupam outras terras ind\u00edgenas, como a Caru e a Rio Pindar\u00e9, por exemplo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Cuidando da M\u00e3e Terra<\/strong><\/p>\n\n<p>Guardi\u00f5es da Floresta de sete terras ind\u00edgenas no Maranh\u00e3o e uma no Par\u00e1&nbsp; v\u00eam se organizando e se articulando  nos \u00faltimos anos entre si e com organiza\u00e7\u00f5es parceiras para qualificarem cada vez mais o trabalho que fazem e promoverem o monitoramento integrado de seus territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Durante o ano de 2019 estes Guardi\u00f5es participaram de diversas oficinas no \u00e2mbito do projeto <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/coloque-voce-tambem-os-olhos-na-amazonia\/\">Todos os Olhos na Amaz\u00f4nia<\/a>, com o prop\u00f3sito de que, atrav\u00e9s do uso da tecnologia, as evid\u00eancias de invas\u00f5es, desmatamento e roubo de madeira, por exemplo,&nbsp; passem a ter valor jur\u00eddico. Pressup\u00f5e-se que, munido de informa\u00e7\u00f5es qualificadas sobre os il\u00edcitos que acontecem dentro das terras ind\u00edgenas, o Estado ter\u00e1 que agir para combater o crime ambiental organizado que se instala nesses territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Na busca de ferramentas para fortalecer a luta de seu povo, Paulino participou de todas as oficinas. Al\u00e9m da coragem e do profundo amor e respeito \u00e0 natureza, a resili\u00eancia secular \u00e9 outra caracter\u00edstica dos Guardi\u00f5es da Floresta. Nesse sentido, as graves crises econ\u00f4micas, clim\u00e1ticas e sociais que enfrentamos nas sociedades ocidentais explicitam que temos muito o que aprender com os povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n<p><strong>Escalada da viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n<p>Desde a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, em 1988, em todos os governos, os povos ind\u00edgenas do Brasil enfrentam problemas no que diz respeito ao cumprimento de seus direitos origin\u00e1rios e constitucionais. No entanto, nenhum governo anterior ao do atual presidente Bolsonaro havia declarado publicamente que n\u00e3o iria cumprir o seu dever constitucional. Foi isso que ele fez, por exemplo, ao afirmar:\u201c<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2019\/09\/08\/entenda-o-processo-de-demarcacao-de-terras-indigenas-criticado-por-bolsonaro.ghtml\">n\u00e3o vou demarcar nenhum cent\u00edmetro a mais de terra ind\u00edgena<\/a>\u201d. Desde o primeiro dia no poder, sua gest\u00e3o focou no desmonte da pol\u00edtica indigenista, constru\u00edda ao longo dos \u00faltimos 30 anos. \u00c9 fato que as medidas e declara\u00e7\u00f5es deste governo causam um efeito devastador na vida dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n<p>Dados preliminares publicados, em setembro de 2019, pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), apontam que as invas\u00f5es aos territ\u00f3rios ind\u00edgenas explodiram neste ano.&nbsp; Nos primeiros nove meses de 2019 ocorreram 160 casos de invas\u00e3o em 153 terras ind\u00edgenas, em 19 estados. Em todo o ano passado ocorreram 111 casos em 76 terras ind\u00edgenas, em 13 estados.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Assim como a viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas, a destrui\u00e7\u00e3o da floresta tamb\u00e9m s\u00f3 tem aumentado: de janeiro a setembro deste ano, os alertas de desmatamento registrados pelo Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tiveram um aumento de 178% nas terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Legal, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2018.&nbsp;<\/p>\n\n<p>No Maranh\u00e3o, onde 75% da sua \u00e1rea de floresta amaz\u00f4nica j\u00e1 se encontrava desmatada em 2017, 70% do que resta de floresta em p\u00e9 est\u00e1 dentro de \u00e1reas protegidas (terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o). As terras ind\u00edgenas funcionam como uma barreira ao desmatamento. O que, por si, significa a garantia da continuidade da pr\u00f3pria humanidade no planeta Terra.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"481\" height=\"623\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/2ae1ddd1-mapa-ma-com-areas-floresta.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13032\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/2ae1ddd1-mapa-ma-com-areas-floresta.png 481w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/2ae1ddd1-mapa-ma-com-areas-floresta-232x300.png 232w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/2ae1ddd1-mapa-ma-com-areas-floresta-263x340.png 263w\" sizes=\"auto, (max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><\/figure>\n\n<p>&nbsp;Desse modo, \u00e9 fundamental que as den\u00fancias feitas pelos Guardi\u00f5es da Floresta e pela sociedade civil, de modo geral, sejam investigadas com seriedade e que sejam tomadas imediatas e efetivas a\u00e7\u00f5es para evitar a ocorr\u00eancia de quaisquer outros crimes, conflitos e mortes na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro, talvez inspirado por seu longo contato com diversos povos ind\u00edgenas, uma vez afirmou que \u201cS\u00f3 h\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu n\u00e3o vou me resignar nunca\u201d . Esta, certamente, \u00e9 tamb\u00e9m a expl\u00edcita escolha dos povos ind\u00edgenas do Brasil. <br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A realidade ind\u00edgena no Maranh\u00e3o \u00e9 assustadora: 42 Guajajara  assassinados entre 2000 e 2018; nos \u00faltimos dez anos ocorreram 12 assassinatos somente da TI Arariboia<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":13040,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22,23],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-13024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","tag-mobilizacao","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13024"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13024\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13050,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13024\/revisions\/13050"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13024"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=13024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}