{"id":13270,"date":"2019-11-13T15:41:23","date_gmt":"2019-11-13T18:41:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=13270"},"modified":"2023-08-23T00:05:22","modified_gmt":"2023-08-23T03:05:22","slug":"apagao-em-alto-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/apagao-em-alto-mar\/","title":{"rendered":"Apag\u00e3o em alto mar?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O monitoramento prec\u00e1rio de petroleiros em nossa costa \u00e9 reflexo da falta de recursos, informa\u00e7\u00e3o, capacidade t\u00e9cnica e lideran\u00e7a do Estado brasileiro para enfrentar as consequ\u00eancias de um derramamento como o que tem afetado o Nordeste do pa\u00eds<em>\u00a0<\/em><\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"585\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/640517b4-image_2019_11_13t18_14_01_569z.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13287\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/640517b4-image_2019_11_13t18_14_01_569z.png 585w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/640517b4-image_2019_11_13t18_14_01_569z-300x215.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/640517b4-image_2019_11_13t18_14_01_569z-474x340.png 474w\" sizes=\"auto, (max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><figcaption>Fluxo de petroleiros na costa do Brasil no dia 12 de novembro &#8211; Fonte: Sentinel-1<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>At\u00e9 11 de novembro, 494 registros de \u00f3leo em praias, restingas e mangues j\u00e1 eram contabilizados em dez estados da costa brasileira, no que pode ser considerado o maior derramamento de \u00f3leo no planeta desde a explos\u00e3o da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do M\u00e9xico, em abril de 2010. As causas do vazamento ou sua origem ainda hoje permanecem desconhecidas, o que traz \u00e0 tona outros problemas:<strong> a incapacidade do governo de fazer um monitoramento adequado dos petroleiros que cruzam os mares brasileiros<\/strong> e de de coibir uma pr\u00e1tica criminosa que, ao que tudo indica, pode estar se tornando recorrente: <strong>a lavagem de tanques com&nbsp; descargas de \u00f3leo em alto mar<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O exemplo mais claro desta falta de monitoramento foi a necessidade da Pol\u00edcia Federal de receber ajuda de terceiros para chegar a uma lista de suspeitos. Por\u00e9m, o caso segue em aberto e sem defini\u00e7\u00e3o da origem do \u00f3leo e dos culpados do crime ambiental.<\/p>\n\n<p>Atualmente, o fluxo de navios carregados de combust\u00edveis f\u00f3sseis destinados ao consumo interno e \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras ou de pa\u00edses vizinhos \u00e9 enorme e sem controle. Para se ter uma ideia, nesta \u00faltima ter\u00e7a-feira, 12 de novembro, 70 petroleiros navegavam pela costa do Brasil, entre o Amap\u00e1 e o Esp\u00edrito Santo, segundo imagens dataset de radar do Sentinel-1 (<em>imagem acima<\/em>).<\/p>\n\n<p>Na \u00faltima semana foram identificados<strong> dois casos de descarga irregular de \u00f3leo ou \u00e1gua oleosa feitas por navios na costa do Nordeste<\/strong>. Uma dessas descargas aconteceu no litoral potiguar e a outra, no paraibano. &#8220;\u00c9 fato que estas duas descargas apenas n\u00e3o poderiam responder por todo o \u00f3leo que impacta as praias do litoral nordestino. Mas se torna necess\u00e1rio pesquisar mais em que frequ\u00eancia estas descargas tem acontecido. Isso pode ser feito gratuitamente utilizando as imagens de radar do sistema Sentinel e um dos sistemas de controle de tr\u00e1fego de navios existentes&#8221;, diz Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-1024x724.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13289\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-768x543.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-1536x1086.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-2048x1447.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-1933x1366.jpg 1933w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/667356ed-modelo-1-481x340.jpg 481w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Localiza\u00e7\u00e3o dos derramamentos de \u00f3leo na costa&nbsp; do nordeste em julho de 2019<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>A primeira descarga aconteceu no dia 19 de julho,&nbsp; pr\u00f3xima ao Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha, localizado em frente \u00e0 praia de Camboinha, no Munic\u00edpio de Cabedelo (PB). Com uma extens\u00e3o de 3 km, a&nbsp; \u00e1rea do parque protege um extenso cord\u00e3o recifal que margeia um banco de areia, o qual emerge somente durante a mar\u00e9 baixa e que d\u00e1 nome \u00e0 \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o. O parque foi criado pelo Governo do Estado da Para\u00edba com a finalidade de conservar a biodiversidade. <strong>Do total de esp\u00e9cies registradas na regi\u00e3o, tr\u00eas s\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/strong>: <em>Millepora alcicornis<\/em> (hidrocoral); <em>Echinaster<\/em> (Othilia) <em>echinophorus<\/em>; e <em>E. (O.) brasiliensis<\/em> (estrelas-do-mar). &#8220;Elas podem ter sido expostas \u00e0s descargas de \u00f3leo deste navio e sabem-se l\u00e1 quantas outras mais&#8221;, diz Baitelo.<br><\/p>\n\n<p>A segunda descarga aconteceu no dia 24 de julho. A mancha de \u00f3leo aparenta ter atingido 85 km de extens\u00e3o sobre o mar, na altura do munic\u00edpio de S\u00e3o Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte. <strong>Bem no meio do rastro de \u00f3leo est\u00e3o localizados bancos de corais<\/strong> como a Coroa das Lavadeiras, Urca da Cotia, S\u00e3o Miguel do Gostoso, Touros, Baixio da Cioba e Baixio do Ca\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ambientes oce\u00e2nicos ao redor dos recifes profundos da borda da plataforma continental, como os&nbsp; recifes Jo\u00e3o da Cunha e adjac\u00eancias, localizados em frente ao munic\u00edpio de Areia Branca (RN) at\u00e9 a divisa com o Cear\u00e1, podem ter sido expostos a esta descarga. A regi\u00e3o \u00e9 considerada como detentora de um dos maiores recifes do norte do Brasil.<\/p>\n\n<p>Em outubro, a SkyTruth, uma plataforma independente de sensoriamento e an\u00e1lise para monitorar amea\u00e7as ao meio ambiente por meio de imagens de sat\u00e9lite, j\u00e1 tinha identificado <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SkyTruth\/photos\/a.181263551914679\/3114701071904231\/?type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"outra mancha de \u00f3leo nas \u00e1guas brasileiras (abre numa nova aba)\">outra mancha de \u00f3leo nas \u00e1guas brasileiras<\/a>.<br><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"398\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/87af61dd-image_2019_11_13t18_07_18_844z.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13288\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/87af61dd-image_2019_11_13t18_07_18_844z.png 398w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/87af61dd-image_2019_11_13t18_07_18_844z-300x212.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><\/figure>\n\n<p>Apesar de o Estado brasileiro ter constru\u00eddo os instrumentos legais e ser provido de ferramentas dedicadas a prever e combater os impactos de um vazamento de petr\u00f3leo no territ\u00f3rio &#8211; como o Plano Nacional de Conting\u00eancia para Incidentes de Polui\u00e7\u00e3o por \u00d3leo (PNC) e as Cartas de Sensibilidade Ambiental a Derramamentos de \u00d3leo (Cartas SAO) &#8211; faltam recursos, equipamento, informa\u00e7\u00e3o, capacidade t\u00e9cnica e lideran\u00e7a para enfrentar as consequ\u00eancias de um derramamento como o que tem afetado atualmente a costa do Nordeste brasileiro, com impactos para o meio ambiente, as pessoas e seu meio de vida.<\/p>\n\n<p><strong>\u00c9 fundamental que o Estado realize um monitoramento amplo e coiba a pr\u00e1tica de despejo de \u00f3leo no mar<\/strong>, com mais comando e controle. Este tipo de pr\u00e1tica altamente poluidora \u00e9 mais uma faceta de como os combust\u00edveis f\u00f3sseis, que t\u00eam origem em animais extintos, est\u00e1 nos aproximando da extin\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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