{"id":13579,"date":"2019-11-28T18:22:28","date_gmt":"2019-11-28T21:22:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=13579"},"modified":"2023-08-23T00:05:10","modified_gmt":"2023-08-23T03:05:10","slug":"as-encantadoras-de-aratus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/as-encantadoras-de-aratus\/","title":{"rendered":"As encantadoras de aratus"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como as mulheres marisqueiras est\u00e3o vivendo depois que o \u00f3leo invadiu as praias do Nordeste &#8211; e suas vidas<\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13580\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-2046x1366.jpg 2046w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/97336a73-for_5231-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>As marisqueiras t\u00eam uma t\u00e9cnica especial para pescar: elas assobiam para chamar os aratus. Foto: Christian Braga \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p> O assobio no mangue \u00e9 a \u00fanica coisa que se escuta com o vento que vem do mar. A pescadora Ros\u00e2ngela Maria de Lima e Silva, apelidada de R\u00f3, assobia para chamar um bicho. Ela est\u00e1 rodeada de outras pescadoras e de sua fam\u00edlia, todos seguidores da mesma profiss\u00e3o. Desde pequena, aprendeu a pescar, n\u00e3o apenas para terminar os estudos, mas por muitos anos, para sobreviver \u00e0 fome, heran\u00e7a das estruturas desiguais que ainda dominam Pernambuco. Com exce\u00e7\u00e3o de seu genro, s\u00e3o todas mulheres no grupo de pesca. Ela \u00e9 umas das \u00fanicas do vilarejo que sabe ler e escrever.&nbsp; <\/p>\n\n<p>O aratu segue o assobio doce daquelas mulheres. Ambos pertencem ao mangue. Quando n\u00e3o conseguem vender o pequeno caranguejo vermelho, alimentam-se dele. De pequena, R\u00f3 e sua m\u00e3e se cansaram de comer siri e agradecem por ter a comida \u00e0 mesa: \u201cQuando conseguia comprar farinha e mandioca, a\u00ed era um banquete\u2026 Em \u00e9poca de manga, para n\u00e3o comer siri porque n\u00e3o aguentava mais, a gente comia manga e tomava \u00e1gua at\u00e9 se fartar, depois dormia um bom sono de quem naquela noite n\u00e3o tinha dormido com fome. Mas a manga n\u00e3o tem sempre, e logo o siri voltava pra mesa\u201d, relembra.<\/p>\n\n<p>A pobreza em Serrambi, praia de Ipojuca, \u00e9 uma constante. Na beira da praia, ficam os mais ricos; nos mangues, a popula\u00e7\u00e3o toda da pequena cidade, empurrada para longe de suas antigas casas na areia. O vilarejo \u00e9 parte desse ecossistema, ber\u00e7\u00e1rio da vida do mar. Cuidam do que dependem para ganhar o pouco que a vida proporciona, o pouco que as faz sorrir e ter orgulho de sua profiss\u00e3o. Como mulheres, vivem a dificuldade do tratamento desigual de sa\u00edrem do lar para trabalhar. \u201cSabe como \u00e9 ser mulher, n\u00e9? A gente precisa se vestir de homem para ir pescar, a gente se sente mais segura\u201d, diz R\u00f3.<\/p>\n\n<p>O \u00f3leo que chegou n\u00e3o se sabe de onde, sem aviso e sem preparo do governo para receb\u00ea-lo, foi mais um fator de mudan\u00e7a para elas. De acordo com R\u00f3, no dia da chegada, todos fizeram vig\u00edlia na praia, andando de um lado para o outro. \u00c0s 4 horas da manh\u00e3, o telefone tocou: \u201cO \u00f3leo chegou\u201d.<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/diante-da-inacao-do-governo-populacao-limpa-praias-do-nordeste\/https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mulheres-limpam-sozinhas-os-mangues-do-qual-dependem-para-sobreviver\/\"> Limparam com as pr\u00f3prias m\u00e3os as manchas de \u00f3leo da praia e do corpo.<\/a><\/p>\n\n<p>A crise l\u00e1 sempre bate mais forte que em qualquer outro lugar, pois dependem da renda da pesca para comer e para o estudo dos filhos. O lado fraco \u00e9 apenas econ\u00f4mico, pois a for\u00e7a dessas mulheres \u00e9 capaz de mover mundos, de rir alto em meio \u00e0s adversidades, de limpar a sujeira dos outros.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13581\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-2046x1366.jpg 2046w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/fa34d695-for_5865-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>R\u00f3 e sua filha no mangue. \u00c9 do trabalho de marisqueiras como elas que depende a alimenta\u00e7\u00e3o de muitos turistas que vistam o Nordeste.  Foto: Christian Braga \/ Greenpeace <\/figcaption><\/figure>\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/vergonha-nao-e-vender-o-marisco-aqui-vergonha-e-o-que-aconteceu\/\">Hoje, elas n\u00e3o conseguem vender o aratu, o peixe ou os mariscos<\/a>. O turista n\u00e3o vem e tem medo de comprar a mercadoria. Quando as acompanhamos, a pescaria foi para que o governo fizesse an\u00e1lise de contamina\u00e7\u00e3o, e os dias que a antecederam foram para cadastrar todos os pescadores da vila em busca de um ressarcimento que ningu\u00e9m sabe de quanto ser\u00e1 e nem quando vir\u00e1. R\u00f3 foi quem coordenou o cadastramento de cada um. Para os tr\u00eas pescadores que n\u00e3o foram durante o dia na Z12 de Ipojuca (zona que demarca a col\u00f4nia dos pescadores) por estarem trabalhando, ela abriu a casa \u00e0 noite para fazer o cadastro.<\/p>\n\n<p>Elas s\u00e3o aquelas que pescam o alimento que chega \u00e0 mesa do turista, s\u00e3o as que precisam ser ouvidas, mas o assobio das encantadoras do mar \u00e9 barrado pelos altos muros das casas \u00e0 beira mar. O que se quer \u00e9 escond\u00ea-las no fundo do mangue, l\u00e1 onde a pobreza n\u00e3o tem por onde sair aos olhos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Esconde-se \u00f3leo aqui, pobreza ali, mulheres acol\u00e1, pessoas logo adiante. Escondem-se os problemas, sem a coragem de resolv\u00ea-los. Elas mostraram como driblar adversidades com as pr\u00f3prias m\u00e3os, pois nunca tiveram a assist\u00eancia adequada do governo para isso. Acostumaram-se a limpar todo tipo de sujeira que recai sobre elas, como pescadoras e como mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n<p>R\u00f3 fala forte: \u201c Aqui a gente vive um dia depois do outro, vendo at\u00e9 quando a gente vai sobreviver\u201d. O balaio se enche de aratu novamente. Enredam-se no mangue de volta para a casa.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13583\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-2046x1366.jpg 2046w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/11\/ab8224bd-for_6144-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Expedi\u00e7\u00e3o no Nordeste, em Recife com Greenpeace Brasil. Foto: Christian Braga<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como as mulheres marisqueiras est\u00e3o vivendo depois que o \u00f3leo invadiu as praias do Nordeste &#8211; e suas vidas <\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":13580,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[64,3],"tags":[26,27],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-13579","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oceanos","category-proteja-a-natureza","tag-biodiversidade","tag-oceanos","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13579"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13601,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13579\/revisions\/13601"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13580"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13579"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13579"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13579"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=13579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}