{"id":1363,"date":"2016-07-25T00:00:00","date_gmt":"2016-07-25T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/moratoria-da-soja-completa-dez-anos\/"},"modified":"2024-05-24T15:05:15","modified_gmt":"2024-05-24T18:05:15","slug":"moratoria-da-soja-completa-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/moratoria-da-soja-completa-dez-anos\/","title":{"rendered":"Morat\u00f3ria da Soja completa dez anos"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"leader\"><em>Na d\u00e9cada passada a expans\u00e3o da soja representava um enorme risco para a Amaz\u00f4nia. Hoje, mostra na pr\u00e1tica que Desmatamento Zero \u00e9 poss\u00edvel<\/em><\/h4>\n<div>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP01AM1_Low_res_with_credit_line.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_Property3_ctl00_ctl02_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP01AM1_Low_res_with_credit_line.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Antes da Morat\u00f3ria, a soja vinha se consolidando como um grande vetor de desmatamento na Amaz\u00f4nia. Na imagem, ativistas do Greenpeace protestam em \u00e1rea desmatada, em Santar\u00e9m, e s\u00e3o recebidos com viol\u00eancia. (\u00a9 Greenpeace \/ Daniel Beltr\u00e1)<\/p><\/div>\n<p>Quando a sociedade civil, a iniciativa privada e governos se unem para buscar solu\u00e7\u00f5es ambientais, os resultados podem ser surpreendentes e a prova pr\u00e1tica disso \u00e9 a Morat\u00f3ria da Soja, que acaba de completar dez anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este acordo de mercado \u00e9 resultado de uma das mais bem sucedidas campanhas do Greenpeace no Brasil e foi um divisor de \u00e1guas na prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, mostrando que o fim do desmatamento n\u00e3o \u00e9 apenas poss\u00edvel, como tamb\u00e9m extremamente vantajoso para o mercado.<\/p>\n<p>H\u00e1 dez anos a r\u00e1pida expans\u00e3o da cultura de soja \u00a0na Amaz\u00f4nia representava uma s\u00e9ria amea\u00e7a para a maior floresta tropical do planeta e seus habitantes. <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/archive-international\/Global\/international\/code\/2014\/amazon\/index_pt.html\/\">Veja em detalhes a hist\u00f3ria e funcionamento da Morat\u00f3ria da Soja<\/a><a id=\"_anchor_1\" href=\"#_msocom_1\" name=\"_msoanchor_1\"><\/a>.<\/p>\n<p>Apesar de ser um gr\u00e3o conhecido na \u00c1sia h\u00e1 mais de 2 mil anos, a soja s\u00f3 passou a ser cultivada em escala comercial no Ocidente \u2013 a come\u00e7ar pelos Estados Unidos \u2013 em fins do S\u00e9culo 19 e in\u00edcio do S\u00e9culo 20. O primeiro plantio comercial de soja no Brasil, no Rio Grande do Sul, data de 1914.\u00a0 Adaptada aos solos \u00e1cidos do Cerrado, a soja avan\u00e7a rumo norte nos anos 80, invadindo a Amaz\u00f4nia por Mato Grosso no in\u00edcio dos 90. E segue em frente, empurrando a fronteira agr\u00edcola, rumo ao cora\u00e7\u00e3o da floresta Amaz\u00f4nica e deixando um rastro de desmatamento por onde passa. \u00a0Entre 70% e 90% da produ\u00e7\u00e3o mundial de soja destina-se \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de animais; a crescente demanda global pela soja, que provocou um crescimento enorme no setor agr\u00edcola brasileiro, virou algoz da floresta, de seus povos e da estabilidade clim\u00e1tica global.<\/p>\n<div class=\"events-box small-box left\">\n<div class=\"frame\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP032CI_Low_res_with_credit_line(1).jpg\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_Property3_ctl00_ctl04_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP032CI_Low_res_with_credit_line(1).jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"events-content no-title\"><strong>LEGENDA DE FOTO: Porto da Cargill, em Santar\u00e9m (PA), em 2006. (\u00a9 Markus Mauthe\/Greenpeace)<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>Com a implanta\u00e7\u00e3o do terminal de soja da multinacional Cargill em Santar\u00e9m, na conflu\u00eancia dos rios Tapaj\u00f3s e Amazonas (PA), no in\u00edcio dos anos 2000, agricultores do sul do pa\u00eds e de Mato Grosso promoveram uma corrida \u00e0 regi\u00e3o, comprando terras baratas de pequenos agricultores. Comunidades inteiras foram deslocadas gra\u00e7as a &#8220;febre&#8221; de compra de terrenos e, em alguns casos, corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia foram usadas para remover aqueles que n\u00e3o quiseram vender suas terras. Os rec\u00e9m-chegados trouxeram na bagagem novos desmatamentos.<\/p>\n<p>Em 2004\/2005, a situa\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia brasileira era alarmante, com a segunda taxa mais alta de desmatamento anual j\u00e1 registrada. Embora a principal inimiga da floresta fosse a pecu\u00e1ria (que hoje ocupa 65% das \u00e1reas desmatadas), a soja, destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e\u00a0 muito mais rent\u00e1vel que o boi, se tornou a vanguarda da destrui\u00e7\u00e3o. Precisava ser contida antes que fosse tarde demais. Para isso, era importante identificar quem era respons\u00e1vel, quem se beneficiava e quem tinha poder para parar a destrui\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>Em abril de 2006, o Greenpeace lan\u00e7ou o relat\u00f3rio &#8220;Eating up the Amazon&#8221; (Comendo a Amaz\u00f4nia), que mostrava o quanto a cadeia da soja amaz\u00f4nica estava contaminada pelo desmatamento. Empresas consumidoras como o McDonald&#8217;s foram expostas: a carne de frango que eles e outras empresas de fast-food serviam era alimentada com a soja cultivada a partir da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. A proposta do Greenpeace era simples como tra\u00e7ar uma linha no solo: uma morat\u00f3ria na compra de soja, que fechasse o mercado para o gr\u00e3o vindo de desmatamentos ocorridos a partir da data de assinatura do compromisso, que estivessem envolvidos com trabalho escravo e invas\u00e3o de terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<div class=\"events-box small-box right\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignright\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP01OBH_Low_res_with_credit_line.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_Property3_ctl00_ctl06_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP01OBH_Low_res_with_credit_line.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"359\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativistas do Greenpeace UK protestam em frente \u00e0 loja do McDonald&#8217;s em Londres, em 2006. (\u00a9 Jiri Rezac \/ Greenpeace)<\/p><\/div>\n<p>Com protestos de ativistas mundo afora, focados no McDonald&#8217;s &#8211; maior comprador de soja da Cargill no Brasil naquela \u00e9poca, a campanha ganhou for\u00e7a. Depois de analisar as evid\u00eancias e demandas apresentadas pelo Greenpeace, a McDonald\u2019s preferiu deixar de ser alvo para ser parte da solu\u00e7\u00e3o. Lideradas por ela, grandes empresas europeias que importavam soja do Brasil criaram o Grupo Europeu de Consumidores de Soja, passaram a pressionar seus fornecedores no Brasil: n\u00e3o queriam mais comprar soja contaminada com desmatamento, invas\u00e3o de terras ind\u00edgenas e escravid\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Poucos meses depois, em 24 de julho de 2006, a Morat\u00f3ria da Soja foi assinada por membros da ABIOVE (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira Ind\u00fastrias \u00d3leos Vegetais) e ANEC (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Exportadores de Cereais), que controlavam 92% da produ\u00e7\u00e3o de soja no Brasil. Na mesma \u00e9poca, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil se juntaram \u00e0 iniciativa e formou-se o Grupo de Trabalho da Soja \u2013 GTS.\u00a0 A morat\u00f3ria foi inicialmente proposta por dois anos, esse acordo volunt\u00e1rio garantiu que comerciantes n\u00e3o comprassem soja cultivada na Amaz\u00f4nia em terras desmatadas depois de 2006* . O compromisso foi mantido em 2008, j\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o do governo brasileiro e desde ent\u00e3o vinha sendo renovado anualmente. Em maio deste ano, o acordo foi renovado por tempo indeterminado ou \u201cat\u00e9 que ela n\u00e3o seja mais necess\u00e1ria\u201d, como diz o termo de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que era visto como uma \u201cafronta\u201d para o mercado acabou convertido em um grande trunfo comercial. Afinal, produzir soja livre de desmatamento abriu as portas de mais mercados para o produto brasileiro. Desde de sua cria\u00e7\u00e3o, em 2006, at\u00e9 hoje o desmatamento caiu 86% nos 76 munic\u00edpios alcan\u00e7ados pela Morat\u00f3ria , que produzem 98% da soja no Bioma Amaz\u00f4nia, enquanto a \u00e1rea plantada aumentou em 170% no mesmo per\u00edodo. Em 2004, at\u00e9 30% da soja plantada na Amaz\u00f4nia vinha de desmatamento recentes. Hoje, esse n\u00famero n\u00e3o passa de 1,25%.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Morat\u00f3ria da Soja - Forest Solutions - BR\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hprPfvmOEQ4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2015 na revista Science pela professora Holly Gibbs, do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Wisconsin (USA), mostra que a Morat\u00f3ria da Soja foi cinco vezes mais eficiente em reduzir o desmatamento em compara\u00e7\u00e3o com o C\u00f3digo Florestal brasileiro. O sucesso da Morat\u00f3ria virou um \u201cbusiness-case\u201d de repercuss\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Acabar com o desmatamento est\u00e1 entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU, assinado por diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil, e \u00e9 o desejo de mais de 1,4 milh\u00e3o de brasileiros que assinaram pelo projeto de lei do <a href=\"http:\/\/desmatamentozero.org\/\">Desmatamento Zero<\/a>, entregue no Congresso no ano passado. A Morat\u00f3ria da Soja \u00e9 um dos melhores exemplos de como o Desmatamento Zero pode ser colocado em pr\u00e1tica e a prova de que acabar com a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 vantajoso para todos, inclusive para os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o precisa de mais desmatamento, pelo contr\u00e1rio, para a seguran\u00e7a de produtores e popula\u00e7\u00f5es, precisamos proteger nossas florestas e rios, h\u00e1 um longo caminho adiante. Experi\u00eancias como a Morat\u00f3ria da Soja deveriam ser replicadas em outras culturas e regi\u00f5es, como o Cerrado. Precisamos aprender com nossos acertos.<\/p>\n<p><em>* Em 2013 a linha de corte foi alterada para 2008, em alinhamento ao Novo C\u00f3digo Florestal brasileiro. <\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na d\u00e9cada passada a expans\u00e3o da soja representava um enorme risco para a Amaz\u00f4nia. 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