{"id":13696,"date":"2019-12-03T06:00:00","date_gmt":"2019-12-03T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=13696"},"modified":"2021-12-01T09:31:22","modified_gmt":"2021-12-01T12:31:22","slug":"cultivando-violencia-licenca-para-desmatar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cultivando-violencia-licenca-para-desmatar\/","title":{"rendered":"Cultivando viol\u00eancia: licen\u00e7a para desmatar"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Fazenda Estrondo, que produz soja no Cerrado \u00e0 base de desmatamento e desrespeito aos direitos de comunidades, tem portas abertas para seus produtos no mercado internacional <\/h4>\n\n<p><a name=\"video\"><\/a><\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/0gbkq34nVb8\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"0gbkq34nVb8\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n\n<p>Grandes empresas do mundo se comprometeram a n\u00e3o comprar de fornecedores envolvidos com o desmatamento e viola\u00e7\u00f5es aos direitos de popula\u00e7\u00f5es tradicionais. Mas n\u00e3o \u00e9 o que vem acontecendo na pr\u00e1tica com os produtos vindos do Cerrado brasileiro, onde empresas como a Agroneg\u00f3cio Condom\u00ednio Cachoeira do Estrondo, no munic\u00edpio de Formosa do Rio Preto na Bahia, continuam encontrando as portas do mercado abertas para seus produtos, mesmo com um longo hist\u00f3rico de irregularidades. \u00c9 o que denuncia o relat\u00f3rio \u201cCultivando Viol\u00eancia\u201d, lan\u00e7ado hoje (3) pelo Greenpeace.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Os problemas relacionados ao desmatamento e direitos humanos dessa propriedade s\u00e3o bem conhecidos, j\u00e1 tendo sido abordados muitas vezes pela m\u00eddia brasileira, movimentos sociais e pelo pr\u00f3prio Greenpeace &#8211; falamos sobre ela no relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/contagem-regressiva-para-a-extincao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\"><em>Contagem Regressiva para a Extin\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>. Mas h\u00e1 alguns meses pudemos vivenciar \u201cna pele\u201d a viol\u00eancia a que comunidades tradicionais s\u00e3o submetidas diariamente.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p><a style=\"float:right; padding:0 0 1rem 1rem; font-size:0.8rem; color:#666;\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/0e135bff-relatorio_cultivando_violencia.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-724x1024.jpg\" alt=\"Confira aqui o Relat\u00f3rio Cultivando Viol\u00eancia\" class=\"wp-image-13702\" width=\"211\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-724x1024.jpg 724w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-768x1086.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-1448x2048.jpg 1448w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-966x1366.jpg 966w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-240x340.jpg 240w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/db1717b9-cultivando-viol\u00eancia_relatorio-scaled.jpg 1810w\" sizes=\"auto, (max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><br>Confira aqui  o Relat\u00f3rio <br> Cultivando Viol\u00eancia<\/a>Parte das terras ocupadas pela Estrondo foram reconhecidas pela Justi\u00e7a como pertencente \u00e0s comunidades tradicionais de geraizeiros, que habitam a regi\u00e3o h\u00e1 cerca de 200 anos. Por conta desta disputa, os moradores locais t\u00eam sofrido frequentemente intimida\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as. Em maio, o Greenpeace presenciou uma destas situa\u00e7\u00f5es, quando homens fortemente armados chegaram \u00e0 uma das comunidades e mantiveram os moradores, al\u00e9m de uma equipe de reportagem alem\u00e3, sob a mira de fuzis por cerca de duas horas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Os homens exigiram entrar nas resid\u00eancias sem apresentar qualquer tipo de mandado judicial ou identifica\u00e7\u00e3o. Mas este n\u00e3o foi um caso isolado. Dois moradores das comunidades j\u00e1 foram baleados por seguran\u00e7as da fazenda e os epis\u00f3dios de intimida\u00e7\u00f5es est\u00e3o cada vez mais frequentes. \u201cAs rea\u00e7\u00f5es violentas da Estrondo s\u00e3o, normalmente, ligadas ao calend\u00e1rio da Justi\u00e7a. Se eles perdem uma a\u00e7\u00e3o legal, eles tendem a agir mais violentamente contra os moradores\u201d, observa<em> <\/em>Maur\u00edcio Corr\u00eaa, membro da Associa\u00e7\u00e3o de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR) que presta apoio aos geraizeiros.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>A Estrondo tem um hist\u00f3rico not\u00f3rio, que inclui desde acusa\u00e7\u00f5es por apropria\u00e7\u00e3o de terras &#8211; registradas no Livro Branco da Grilagem de Terras no Brasil, do Incra -, uso de m\u00e3o de obra escrava \u00e0 fraudes em licen\u00e7as para desmatamento. Al\u00e9m das tens\u00f5es existentes sobre os direitos e controle do uso da terra, a fazenda acaba de ter renovada uma licen\u00e7a de desmatamento que concede \u00e0 Delfin Rio S\/A &#8211; Cr\u00e9dito Imobili\u00e1rio, principal holding da Estrondo &#8211; quatro anos para desmatar quase 25.000 hectares de Cerrado, uma \u00e1rea em grande parte coberta por vegeta\u00e7\u00e3o natural, equivalente \u00e0 35.700 campos de futebol.<br><\/p>\n\n<p class=\"has-background has-yellow-background-color\"><strong>Quem s\u00e3o os Geraizeiros?<\/strong>  Geraizeiros s\u00e3o homens e mulheres que ocupam os <em>campos gerais<\/em> do norte de Minas Gerais at\u00e9 o oeste da Bahia, na transi\u00e7\u00e3o entre o Cerrado e a Caatinga. S\u00e3o reconhecidos como agricultores dos planaltos, encostas e vales do Cerrado e ao longo dos s\u00e9culos se adaptaram \u00e0s caracter\u00edsticas do bioma, mantendo uma forte rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente.  (Fonte: <a href=\"http:\/\/www.cerratinga.org.br\/populacoes\/geraizeiros\/\">Cerracatinga<\/a>)<\/p>\n\n<p><strong>Compradores abrem espa\u00e7o para soja \u201ccontaminada\u201d<\/strong><br><\/p>\n\n<p>Enquanto alguns produtores v\u00eam realmente trabalhando para tirar o desmatamento e problemas sociais de suas cadeias de produ\u00e7\u00e3o, fazendas como a Estrondo insistem em manter sua forma de produzir \u201ca qualquer custo\u201d, desmatando ainda mais o Cerrado e avan\u00e7ando de forma violenta sobre o territ\u00f3rio das comunidades. Empreendimentos como este deveriam encontrar as portas do mercado fechadas para sua soja.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Apesar de possu\u00edrem pol\u00edticas corporativas para evitar desmatamento em suas cadeias, Cargill e Bunge, duas gigantes do mercado de importa\u00e7\u00e3o\/exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, possuem silos dentro da mega-fazenda e s\u00e3o respons\u00e1veis por colocar no mercado internacional toneladas de soja produzida \u00e0 base de desmatamento e viol\u00eancia pela Estrondo.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/4496936e-gp0sttdom-1024x683.jpg\" title=\"Soja em \u00c1rea Embargada em Formosa do Rio Preto, Bahia. \u00a9 Victor Moriyama \/ Greenpeace\" alt=\"Soja em \u00c1rea Embargada em Formosa do Rio Preto, Bahia. \u00a9 Victor Moriyama \/ Greenpeace\" class=\"wp-image-13729\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/4496936e-gp0sttdom-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/4496936e-gp0sttdom-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/4496936e-gp0sttdom-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/4496936e-gp0sttdom-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/12\/4496936e-gp0sttdom.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Greenpeace registrou a colheita de soja plantada em \u00e1rea embargada, onde n\u00e3o deveria haver produ\u00e7\u00e3o, dentro do Condom\u00ednio Cachoeira do Estrondo.  \u00a9 Victor Moriyama \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p><strong>\u00c9 preciso agir agora para evitar uma trag\u00e9dia<\/strong><br><\/p>\n\n<p>Bunge e Cargill devem interromper imediatamente qualquer rela\u00e7\u00e3o comercial com o Condom\u00ednio Estrondo, at\u00e9 que os direitos das comunidades sejam reconhecidos e qualquer plano de novos desmatamentos seja abandonado.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Empresas, governos e a Justi\u00e7a devem promover o reconhecimento oficial das terras das comunidades geraizeiras, garantindo sua seguran\u00e7a, o fim da viol\u00eancia e realizar a remo\u00e7\u00e3o da infraestrutura constru\u00edda pela Estrondo, para que os moradores possam exercer livremente seu direito ao uso da terra tradicionalmente ocupada por seus ancestrais.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Divulgado em setembro de 2017 por diversas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, incluindo o Greenpeace, o<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/ambientalistas-exigem-que-mercado-pare-o-desmatamento-do-cerrado\/\"> Manifesto em defesa do Cerrado<\/a> j\u00e1 clamava para que empresas e investidores ligados \u00e0 soja ou gado no bioma tomassem medidas para tirar o desmatamento do Cerrado de suas cadeias produtivas. Mas de l\u00e1 para c\u00e1 nenhuma a\u00e7\u00e3o concreta foi implementada, apesar do Manifesto ter sido apoiado por mais de 125 empresas internacionais e investidores.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Observando o contexto atual, de redu\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a no Brasil, onde a destrui\u00e7\u00e3o ambiental e viol\u00eancia contra comunidades tradicionais v\u00eam aumentando, \u00e9 ainda mais importante que o setor privado e as traders que atuam no Cerrado tomem uma posi\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n<p>\u201cMesmo perante a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, amea\u00e7as \u00e0s comunidades e escalada de viol\u00eancia, as empresas n\u00e3o t\u00eam a\u00e7\u00f5es concretas para endere\u00e7ar os impactos socioambientais da soja no Cerrado\u201d, afirma Cristiane Mazzetti, da campanha Amaz\u00f4nia do Greenpeace. \u201cNeste contexto de falta de governan\u00e7a que se instalou no Brasil, \u00e9 fundamental que o setor privado se posicione e pare imediatamente de negociar com desmatadores e \u00e1reas sob conflito, protegendo assim o Cerrado e as pessoas que nele vivem\u201d, completa.<br><\/p>\n\n<p>Ou seja, as empresas que usam commodities com risco de desmatamento devem limitar-se a comercializar apenas o que podem demonstrar publicamente como n\u00e3o proveniente de destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas ou viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Diante da emerg\u00eancia clim\u00e1tica e escalada da viol\u00eancia contra as pessoas, o sil\u00eancio das empresas \u00e9 inaceit\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-button aligncenter\"><a class=\"wp-block-button__link has-text-color has-dark-shade-black-color has-background has-yellow-background-color\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/sem-floresta-sem-vida\/segure-a-linha\">assine &#8211; segure a linha<\/a><\/div>\n\n<p><\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. Check the block&#8217;s settings or remove it.<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazenda Estrondo, que produz soja no Cerrado \u00e0 base de desmatamento e desrespeito aos direitos de comunidades, tem portas abertas para seus produtos no mercado internacional Grandes empresas do mundo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":13729,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[8,22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-13696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-resista","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13696"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13696\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35324,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13696\/revisions\/35324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13696"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=13696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}