{"id":15451,"date":"2020-03-31T20:07:34","date_gmt":"2020-03-31T23:07:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=15451"},"modified":"2025-07-02T04:33:52","modified_gmt":"2025-07-02T07:33:52","slug":"mais-um-guajajara-tomba-ate-quando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mais-um-guajajara-tomba-ate-quando\/","title":{"rendered":"Mais um Guajajara tomba! At\u00e9 quando?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O Greenpeace se soma a outras organiza\u00e7\u00f5es em expressar profunda indigna\u00e7\u00e3o e tristeza diante da morte de mais uma lideran\u00e7a do povo Guajajara<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"520\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/03\/f8c18193-zezico-rodrigues-guajajara.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15452\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/03\/f8c18193-zezico-rodrigues-guajajara.jpeg 720w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/03\/f8c18193-zezico-rodrigues-guajajara-300x217.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/03\/f8c18193-zezico-rodrigues-guajajara-471x340.jpeg 471w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption>Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>\u00c9 com profunda tristeza e indigna\u00e7\u00e3o que noticiamos a morte de mais uma lideran\u00e7a ind\u00edgena que lutava contra invas\u00f5es e roubo de madeira em seu territ\u00f3rio. Zezico Rodrigues, do povo Guajajara, foi encontrado morto a tiros nesta ter\u00e7a-feira (31), na Terra Ind\u00edgena (TI) Arariboia, munic\u00edpio de Arame (MA).&nbsp;<\/p>\n\n<p>Professor e diretor do Centro de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena Azuru, na aldeia Zutiwa, Zezico tinha forte atua\u00e7\u00e3o em defesa do territ\u00f3rio tradicional do povo Guajajara. Como lideran\u00e7a, posicionava-se contra a derrubada da floresta e vinha denunciando a crescente presen\u00e7a de invasores e o roubo de madeira na TI Arariboia. No \u00faltimo dia 29, Zezico havia sido nomeado coordenador regional da Comiss\u00e3o de Caciques e Lideran\u00e7as da Terra Ind\u00edgena Arariboia (Cocalitia).<\/p>\n\n<p>Com o assassinato de Zezico Rodrigues, o n\u00famero de homic\u00eddios registrados contra ind\u00edgenas do povo Guajajara desde o ano 2000 chega a 49 \u2013 sendo 48 deles no Maranh\u00e3o e um no Par\u00e1, conforme dados do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi). Apenas nos dois \u00faltimos meses de 2019, quatro ind\u00edgenas Guajajara foram assassinados. Entre eles, Paulo Paulino Guajajara, que era integrante do grupo de Guardi\u00f5es da Floresta, formado pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas para monitorar e defender seus territ\u00f3rios tradicionais frente \u00e0 presen\u00e7a de invasores.<\/p>\n\n<p>Ap\u00f3s estes assassinatos, o ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica Sergio Moro autorizou o emprego da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica na Terra Ind\u00edgena Cana Brava Guajajara, no Maranh\u00e3o, por 90 dias. No entanto, n\u00e3o foram implementadas medidas para garantir a cont\u00ednua prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e de seus povos, e a viol\u00eancia persiste na regi\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Na sequ\u00eancia destes casos, em janeiro deste ano, Jair Bolsonaro declarou: &#8220;Mais de 15% do territ\u00f3rio nacional \u00e9 demarcado como terra ind\u00edgena e quilombols. Menos de um milh\u00e3o de pessoas vivem nestes lugares isolados do Brasil de verdade, exploradas e manipuladas por ONGs. Vamos juntos integrar estes cidad\u00e3os e valorizar a todos os brasileiros&#8221;.<\/p>\n\n<p>Este convite do presidente da Rep\u00fablica \u00e0 invas\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e9 respons\u00e1vel pela viol\u00eancia crescente em diversas terras ind\u00edgenas pelo pa\u00eds. Seus fan\u00e1ticos seguidores se sentem \u00e0 vontade para invadir os territ\u00f3rios, criar dissocia\u00e7\u00f5es, amea\u00e7ar e atacar lideran\u00e7as ind\u00edgenas. O que ocorre tamb\u00e9m nas cidades do entorno das terras, caso do recente assassinato de Demilson Ovelar Mendes Av\u00e1-Guarani, no oeste do Paran\u00e1.<\/p>\n\n<p>O impressionante n\u00famero de homic\u00eddios contra o povo Guajajara, muitos dos quais sem puni\u00e7\u00e3o ou mesmo investiga\u00e7\u00f5es conclusivas, soma-se a um contexto de constantes invas\u00f5es \u00e0s terras ind\u00edgenas, especialmente por madeireiros, garimpeiros e grileiros.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o vivenciada pelo povo Guajajara \u00e9 tr\u00e1gica e exemplar em rela\u00e7\u00e3o ao contexto de vulnerabilidade a que muitas comunidades ind\u00edgenas est\u00e3o expostas em todo o Brasil \u2013 mesmo as que vivem em terras j\u00e1 demarcadas e, em tese, contam com a prote\u00e7\u00e3o do Estado.<br><\/p>\n\n<p>Zezico tamb\u00e9m era um defensor dos direitos do grupo Aw\u00e1-Guaj\u00e1 que vive em situa\u00e7\u00e3o de isolamento volunt\u00e1rio na TI Arariboia. O ass\u00e9dio cotidiano de invasores numa terra com presen\u00e7a de ind\u00edgenas isolados, grave por si s\u00f3, torna-se ainda mais preocupante em meio \u00e0 pandemia global do coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O contexto de risco \u00e0 sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas acentua um cen\u00e1rio que j\u00e1 \u00e9 cr\u00edtico e torna ainda mais urgente que o governo federal tome provid\u00eancias para garantir a seguran\u00e7a dos povos ind\u00edgenas, suas vidas e seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n<p>Atualmente, contudo, a estrat\u00e9gia do governo Bolsonaro tem sido pautada pelo desmonte da pol\u00edtica indigenista, que se evidencia na n\u00e3o demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e no abandono, pela Funai, de a\u00e7\u00f5es judiciais que discutem a perman\u00eancia dos povos em terras sob lit\u00edgio. Na \u00faltima semana, de maneira irrespons\u00e1vel e em meio \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus, o presidente da Funai anulou a demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Guasu Guavira, no Oeste do Paran\u00e1. Soma-se ao cen\u00e1rio de desmonte a redu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e um discurso que incentiva a invas\u00e3o de terras demarcadas e consolidadas, citando como casos exemplares as terras ind\u00edgenas Arariboia, Karipuna, em Rond\u00f4nia, e Raposa Serra do Sol, em Roraima.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em solidariedade aos familiares de Zezico e ao povo Guajajara, exigimos que:<\/p>\n\n<p>1 &#8211; o Poder P\u00fablico realize a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o na Terra Ind\u00edgena Arariboia, assim como nas outras terras ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o, e que retire imediatamente os invasores, especialmente em meio \u00e0 pandemia da Covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n<p>2 &#8211; o Estado responsabilize os invasores e os respons\u00e1veis pelos assassinatos de lideran\u00e7as Guajajara e de outros povos ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>3 &#8211; o Estado garanta medidas emergenciais de prote\u00e7\u00e3o aos povos isolados e \u00e0 sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n<p>4 &#8211; que os Tr\u00eas Poderes, especialmente o Poder Executivo, cumpram com sua obriga\u00e7\u00e3o constitucional de demarcar, fiscalizar e proteger todas as terras ind\u00edgenas do Brasil.<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m disso, conclamamos o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) e a Organiza\u00e7\u00e3o dos Advogados do Brasil (OAB) a acionar a Justi\u00e7a para garantir os direitos ind\u00edgenas, sobretudo \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n\n<p>Zezico Guajajara presente!<br><\/p>\n\n<p><strong>Centro de Trabalho Indigenista (CTI)<\/strong>&nbsp; <br><strong>Conselho Indigenista MIssion\u00e1rio (Cimi)<br>Greenpeace<br>Instituto Socioambiental (ISA)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 com profunda tristeza e indigna\u00e7\u00e3o que noticiamos a morte de mais uma lideran\u00e7a ind\u00edgena que lutava contra invas\u00f5es e roubo de madeira em seu territ\u00f3rio. 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