{"id":15552,"date":"2020-04-07T11:51:30","date_gmt":"2020-04-07T14:51:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=15552"},"modified":"2024-03-07T16:52:57","modified_gmt":"2024-03-07T19:52:57","slug":"saude-que-vem-da-floresta-da-amazonia-para-sua-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/saude-que-vem-da-floresta-da-amazonia-para-sua-casa\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade que vem da floresta: da Amaz\u00f4nia para sua casa"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O estudo da biodiversidade da floresta pode favorecer a descoberta de novos medicamentos, alguns j\u00e1 velhos conhecidos da medicina popular<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"819\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/ad39c569-gp04m5k_medium_res_with_credit_line-1024x819.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15553\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/ad39c569-gp04m5k_medium_res_with_credit_line-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/ad39c569-gp04m5k_medium_res_with_credit_line-300x240.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/ad39c569-gp04m5k_medium_res_with_credit_line-768x614.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/ad39c569-gp04m5k_medium_res_with_credit_line-425x340.jpg 425w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/ad39c569-gp04m5k_medium_res_with_credit_line.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o mundial utiliza produtos inteiramente naturais para cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade (Grenpeace\/Piao Ri Quan) <\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O \u00f3leo de copa\u00edba \u00e9 uma resina retirada do interior de \u00e1rvores do g\u00eanero Copa\u00edfera, que existem na Amaz\u00f4nia e em algumas partes do Cerrado. Se voc\u00ea vive nas grandes metr\u00f3poles do sul e sudeste do Brasil, \u00e9 poss\u00edvel que nunca tenha ouvido falar dele. Mas no Norte do Brasil, n\u00e3o h\u00e1 uma casa que n\u00e3o possua um frasco deste \u00f3leo na caixinha de rem\u00e9dios.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Isso porque, de acordo com o conhecimento popular, esse \u00f3leo pode ser usado para o tratamento de machucados, doen\u00e7as inflamat\u00f3rias articulares, como artrite, problemas de pele, como dermatites e micoses, infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias e respirat\u00f3rias, dores musculares, espinhas e at\u00e9 caspa!&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>De fato, pesquisas j\u00e1 comprovaram muitas destas e outras propriedades. Um estudo, da pesquisadora In\u00eas Lunardi, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), mostrou que <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/dissertacoes-teses\/135560\/\">subst\u00e2ncias sintetizadas no laborat\u00f3rio a partir de componentes isolados do \u00f3leo de copa\u00edba<\/a> e do breu de pinheiro apresentaram resultados importantes contra nove linhagens de c\u00e2ncer e contra a tuberculose, inibindo ou matando c\u00e9lulas doentes.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Mas transformar o conhecimento popular em rem\u00e9dios, destes que s\u00e3o vendidos em caixinhas nas farm\u00e1cias e usados em hospitais, \u00e9 um longo caminho, que exige muita pesquisa.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p>Um levantamento realizado por pesquisadores da Universidade Anton de Kom, do Suriname, aponta que aproximadamente <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/237010210_From_forest_to_pharmacy_plant-based_traditional_medicines_as_sources_for_novel_therapeutic_compounds\">80% da popula\u00e7\u00e3o mundial ainda utiliza majoritariamente produtos inteiramente naturais para cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade<\/a>. Apenas 20% da popula\u00e7\u00e3o tem acesso total a medicamentos industrializados.&nbsp;<br><\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image caption-style-blue-overlay caption-alignment-center\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/fd080c6f-gp0stpoc7_medium_res_with_credit_line-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15557\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/fd080c6f-gp0stpoc7_medium_res_with_credit_line-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/fd080c6f-gp0stpoc7_medium_res_with_credit_line-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/fd080c6f-gp0stpoc7_medium_res_with_credit_line-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/fd080c6f-gp0stpoc7_medium_res_with_credit_line-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/04\/fd080c6f-gp0stpoc7_medium_res_with_credit_line.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure><figcaption>Urucum (Bixa orellana) ( Valdemir Cunha\/Greenpeace).<\/figcaption><\/figure>\nMas mesmo alguns destes rem\u00e9dios, produzidos por grandes fabricantes, tem como base princ\u00edpios ativos derivados diretamente de plantas, o n\u00famero chega a 25% do total. S\u00e3o medicamentos para doen\u00e7as cardiovasculares, diabetes, doen\u00e7as obstrutivas cr\u00f4nicas das vias respirat\u00f3rias, al\u00e9m de in\u00fameras infec\u00e7\u00f5es microbianas e parasit\u00e1rias, todos baseados em ativos naturais.\n<br><br>\nNo estado do Amazonas, um projeto do Grupo de Pesquisa em Metabol\u00f4mica e Espectrometria de Massas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Instituto Gon\u00e7alo Moniz da Bahia (Fiocruz \u2013 BA), estuda se \u00e9 poss\u00edve<a href=\"http:\/\/www.fapeam.am.gov.br\/fungos-encontrados-no-rio-amazonas-no-combate-ao-cance\/\">l produzir subst\u00e2ncias contra os c\u00e2nceres de f\u00edgado, mama, colo do \u00fatero e sangue (leucemia) a partir de fungos filamentosos<\/a> encontrados no fundo do rio Amazonas.<br><br>\n\u201cA produ\u00e7\u00e3o de medicamentos ser\u00e1 poss\u00edvel se ao longo do processo de estudos as subst\u00e2ncias forem aprovadas nos testes pr\u00e9-cl\u00ednicos. Mas n\u00e3o basta que a mol\u00e9cula seja ativa, ela necessita n\u00e3o ser prejudicial ao restante do organismo. Isso ser\u00e1 avaliado neste projeto de modo a fomentar o interesse de alguma ind\u00fastria farmac\u00eautica para as s\u00ednteses e estudos cl\u00ednicos\u201d, explica o coordenador do projeto, p\u00f3s-doutor em Qu\u00edmica Org\u00e2nica e professor da UEA, H\u00e9ctor Koolen.\n<br><br>\nO pesquisador lembra que ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer at\u00e9 que o ativo esteja dispon\u00edvel para uso, mas que a pesquisa \u00e9 fundamental para descobrir as potencialidades da biodiversidade amaz\u00f4nica, assim como a necessidade da conserva\u00e7\u00e3o do ecossistema. \u201cVale ressaltar que o processo para que um candidato vire f\u00e1rmaco \u00e9 custoso, e leva em m\u00e9dia 15 anos para a aprova\u00e7\u00e3o final\u201d, disse Koolen, em entrevista concedida \u00e0 Fapeam.<\/div>\n\n<p><strong>Pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o a chave para conhecer o potencial da floresta<\/strong><br><\/p>\n\n<p>\u201cPesquisas sobre a biodiversidade s\u00e3o cruciais, porque \u00e9 a diversidade de esp\u00e9cies biol\u00f3gicas que permite a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio clim\u00e1tico e biol\u00f3gico na terra, e assim a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia humana. Todos os alimentos, quase todos os medicamentos e at\u00e9 o ar que respiramos s\u00e3o produtos da biodiversidade e \u00e9 atrav\u00e9s do conhecimento sobre como essas esp\u00e9cies evolu\u00edram e como se distribuem que podemos proporcionar a sua conserva\u00e7\u00e3o e ent\u00e3o o uso apropriado\u201d, afirma Ulisses Galatti, coordenador do departamento de zoologia do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi.<br><\/p>\n\n<p>Em 2019 o desmatamento da Amaz\u00f4nia atingiu o maior n\u00edvel dos \u00faltimos dez anos, uma p\u00e9ssima not\u00edcia para a floresta, seus povos e sua biodiversidade, para o clima e para todos n\u00f3s, j\u00e1 que podemos estar perdendo ativos naturais que jamais iremos conhecer completamente.<br><\/p>\n\n<p>Em 2017, por exemplo, foi identificada no sul do Amazonas, em L\u00e1brea, uma nova esp\u00e9cie de miconia (a Miconia rondoniensis), ela pertence \u00e0 mesma fam\u00edlia da planta popularmente conhecida como Canela-de-Velho (Miconia albicans), que tem conhecido potencial anti-inflamat\u00f3rio. Ainda n\u00e3o se sabe os potenciais medicinais desta nova esp\u00e9cie, mas s\u00f3 em 2019 foram desmatados 9.312 hectares de floresta na regi\u00e3o em que ela foi observada, o que coloca sua exist\u00eancia sob amea\u00e7a.&nbsp;<br><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter is-resized  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/HDP3mr7bN3nyCpuBzw8l6nZpV0gqvv_GSYkUW5lv5xNLKBNkCx74QvopOnxPqCfpG7_oGxoeO9siNet9HZ-EX8FwK2czceSu0NH-pxSYFVE-c5_jhHdxnUu7zBiC0549LjLIl0du\" alt=\"\" style=\"width:374px;height:374px\"\/><\/figure>\n\n<p>&#8220;Ao nomear a esp\u00e9cie n\u00f3s homenageamos o estado de Rond\u00f4nia para chamar aten\u00e7\u00e3o para o desmatamento que o estado vem sofrendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas.\u00a0A <em>M. rondoniensis\u00a0<\/em>ocorre na regi\u00e3o\u00a0sul da Amaz\u00f4nia, bem no chamado arco do desmatamento.\u00a0 Devido a sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia e os impactos que seus habitats vem sofrendo \u00e9 enquadrada como amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, segundo os crit\u00e9rios da IUCN&#8221;, explica Julia Meirelles, pesquisadora no Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica (INMA), e uma das respons\u00e1veis pela identifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n<p>A\u00e7\u00f5es humanas est\u00e3o levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies a um ritmo alarmante. O <a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/344\/6187\/1246752\">desaparecimento da biodiversidade global \u00e9 mil vezes mais r\u00e1pido do que se acontecesse naturalmente<\/a>, e na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 diferente.<br><\/p>\n\n<p>Desmatamento, degrada\u00e7\u00e3o florestal (causada pela extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e ilegal de madeira), queimadas, estradas, dentre outros, s\u00e3o considerados vetores de perda de biodiversidade, pois amea\u00e7am o equil\u00edbrio do ambiente natural das esp\u00e9cies. Segundo o <a href=\"https:\/\/ipbes.net\/sites\/default\/files\/2020-02\/ipbes_global_assessment_report_summary_for_policymakers_en.pdf\">IPBES, 25% das esp\u00e9cies animais e vegetais conhecidas pela ci\u00eancia est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/a>.<br><\/p>\n\n<p>A falta de investimento do Brasil na prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e em pesquisa em biodiversidade e seus usos coloca em risco nosso futuro e a soberania nacional. Saiba mais sobre o <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/protegendo-o-desconhecido\/\">projeto Protegendo o Desconhecido<\/a>, lan\u00e7ado pelo Greenpeace Brasil, para alertar sobre os riscos \u00e0 nossa biodiversidade e apoiar a pesquisa de institui\u00e7\u00f5es brasileiras.&nbsp;<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo da biodiversidade da floresta pode favorecer a descoberta de novos medicamentos, alguns j\u00e1 velhos conhecidos da medicina popular <\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":15553,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-15552","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15552"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":51708,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15552\/revisions\/51708"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15552"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=15552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}