{"id":1668,"date":"2016-08-12T00:00:00","date_gmt":"2016-08-12T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cancelamento-de-sao-luiz-do-tapajos-um-passo-para-o-futuro\/"},"modified":"2019-11-06T05:21:13","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:13","slug":"cancelamento-de-sao-luiz-do-tapajos-um-passo-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cancelamento-de-sao-luiz-do-tapajos-um-passo-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Cancelamento de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s: um passo para o futuro"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"leader\"><em>A n\u00e3o constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica no Tapaj\u00f3s aponta um caminho para o setor el\u00e9trico brasileiro, que vai em dire\u00e7\u00e3o ao futuro e passa muito longe da energia suja das termel\u00e9tricas<\/em><\/h4>\n<div>\n<div class=\"events-box small-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<p>Os entusiastas da energia hidrel\u00e9trica est\u00e3o tentando mostrar o cancelamento de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, como algo extremamente prejudicial ao pa\u00eds, que poder\u00e1 \u201csujar\u201d nossa matriz, levando ao aumento do uso das termel\u00e9tricas. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Pelo contr\u00e1rio, o cancelamento de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s representa a oportunidade para o Brasil colocar de vez um p\u00e9 no futuro e investir nas energias renov\u00e1veis verdadeiramente limpas, como a solar e a e\u00f3lica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Energia hidrel\u00e9trica que custa o desmatamento da floresta, a morte de milhares de animais que vivem nesses locais, o deslocamento for\u00e7ado de pessoas que dependem dos rios para sobreviver, roubando seu presente, seu futuro e desrespeitando a Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ser considerada energia limpa.<\/p>\n<div id=\"attachment_3329\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3329\" class=\"wp-image-3329 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/08\/GP0STPY3T_Medium_res-1024x683.jpg\" alt=\"Cacique Munduruku ao lado de placa de energia solar.\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/08\/GP0STPY3T_Medium_res-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/08\/GP0STPY3T_Medium_res-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/08\/GP0STPY3T_Medium_res-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/08\/GP0STPY3T_Medium_res-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/08\/GP0STPY3T_Medium_res.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-3329\" class=\"wp-caption-text\">Instala\u00e7\u00e3o de placas para gera\u00e7\u00e3o de energia solar, na aldeia Dace Watpu.<\/p><\/div>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, devido \u00e0 abund\u00e2ncia de nossos rios, o pa\u00eds optou por gerar eletricidade a partir de usinas hidrel\u00e9tricas, criando assim um modelo \u201chidro dependente\u201d. Por volta dos anos 2000, quando a energia das hidrel\u00e9tricas n\u00e3o foi suficiente e tivemos a crise do \u201capag\u00e3o\u201d, apostou-se na constru\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de usinas t\u00e9rmicas. Em 2014 e 2015, por conta da grave seca que comprometeu a gera\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas, as t\u00e9rmicas ficaram ligadas o tempo todo, o que encareceu \u2013 e muito \u2013 a conta de luz do consumidor, sem falar no custo ambiental.<\/p>\n<p>Construir novas hidrel\u00e9tricas, como S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, ou as outras previstas para a Amaz\u00f4nia, \u00e9 justamente perpetuar esse antigo modelo, que j\u00e1 se mostrou poluente e caro para o consumidor, e que sempre vai precisar de mais t\u00e9rmicas quando n\u00e3o conseguir atender a demanda.<\/p>\n<p>Por conta desse \u201cv\u00edcio\u201d nas hidrel\u00e9tricas, que custa a destrui\u00e7\u00e3o das nossas florestas e dos povos que vivem nelas, outras fontes de gera\u00e7\u00e3o foram desconsideradas por muito tempo e mesmo hoje s\u00e3o pouco aproveitadas. Para piorar, atualmente, dados revelam que os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas podem levar a redu\u00e7\u00f5es nas vaz\u00f5es dos rios amaz\u00f4nicos da ordem de 20% a 30%, indicando que s\u00e3o grandes as chances dessas usinas n\u00e3o conseguirem entregar a energia prometida.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o mundo caminha em outra dire\u00e7\u00e3o. Em 2015, a China alcan\u00e7ou dois novos recordes mundiais de energia limpa, instalando 30,8 gigawatts (GW) em usinas e\u00f3licas e 15,2 GW em usinas solares. Estados Unidos e Alemanha tamb\u00e9m n\u00e3o ficam muito atr\u00e1s. Aqui no Brasil, o pre\u00e7o m\u00e9dio da fonte e\u00f3lica j\u00e1 caiu cerca de 40% entre 2009 e 2012 e hoje ela j\u00e1 \u00e9 uma das mais baratas. N\u00e3o h\u00e1 mais justificativas para continuarmos protelando o uso dessas fontes.<\/p>\n<p>Dizer que sem S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s precisaremos usar as termel\u00e9tricas por mais tempo \u00e9 o equivalente a dizer que o planejamento energ\u00e9tico do pa\u00eds est\u00e1 paralisado. Ora, se um projeto foi cancelado, \u00e9 necess\u00e1rio contratar alternativas que j\u00e1 existem e s\u00e3o verdadeiramente limpas para substitu\u00ed-lo, e n\u00e3o usar as t\u00e9rmicas, que foram concebidas apenas para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Sabemos que n\u00e3o falta sol e nem vento no pa\u00eds, ent\u00e3o por que n\u00e3o contamos com essas fontes para suprir nossa demanda?<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel fazer a substitui\u00e7\u00e3o do projeto de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s com uma combina\u00e7\u00e3o de usinas e\u00f3licas, fotovoltaicas e a biomassa, que poderiam fornecer toda a energia que era prevista para S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s no mesmo per\u00edodo de tempo e com patamar similar de investimentos. Para isso basta aumentar em 50% o n\u00edvel m\u00e9dio de contrata\u00e7\u00e3o atual dessas fontes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de poss\u00edvel, apostar nessas novas fontes \u00e9 ainda mais vantajoso e torna o sistema mais seguro, pois usinas e\u00f3licas, fotovoltaicas e a biomassa podem trazer energia firme para o sistema e ainda s\u00e3o descentralizadas, ou seja, produzem energia em muitos lugares e mais perto dos centros de consumo, diminuindo o alto custo com novas linhas de transmiss\u00e3o. Como resultado, ter\u00edamos um suprimento diverso, deixando de depender apenas de hidrel\u00e9tricas ou de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Mas, claro, \u00e9 preciso vontade pol\u00edtica para investir nessas fontes, em vez de continuar olhando para o passado. O cancelamento de Tapaj\u00f3s nos deu a oportunidade de darmos um passo \u00e0 frente no setor energ\u00e9tico, impulsionando o uso de novas e modernas fontes de energia, e n\u00e3o um passo atr\u00e1s, como prop\u00f5e o discurso falso e ultrapassado das t\u00e9rmicas. Chegou o momento de mudar de vez essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A n\u00e3o constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica no Tapaj\u00f3s aponta um caminho para o setor el\u00e9trico brasileiro, que vai em dire\u00e7\u00e3o ao futuro e passa muito longe da energia suja das termel\u00e9tricas.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":3329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22,8],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-1668","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","tag-resista","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1668"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1668\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3330,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1668\/revisions\/3330"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1668"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=1668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}