{"id":1764,"date":"2016-04-19T00:00:00","date_gmt":"2016-04-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/funai-reconhece-territorio-tradicional-do-povo-munduruku-no-rio-tapajos\/"},"modified":"2019-11-06T05:21:16","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:16","slug":"funai-reconhece-territorio-tradicional-do-povo-munduruku-no-rio-tapajos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/funai-reconhece-territorio-tradicional-do-povo-munduruku-no-rio-tapajos\/","title":{"rendered":"Funai reconhece territ\u00f3rio tradicional do povo Munduruku no rio Tapaj\u00f3s"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"leader\"><em>Na data em que se celebra o Dia do \u00cdndio, a Funai publicou, no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, o Relat\u00f3rio Circunstanciado de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, e de outras tr\u00eas terras ind\u00edgenas no Brasil, permitindo o prosseguimento da demarca\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios<\/em><\/h4>\n<div>\n<div class=\"events-box small-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 205px\" class=\"wp-caption alignright\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP0STPOC9_Low_res_with_credit_line.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_Property3_ctl00_ctl02_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP0STPOC9_Low_res_with_credit_line.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"292\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">(Foto: Valdemir Cunha\/Greenpeace)<\/p><\/div>\n<p>Hoje os Munduruku de Sawr\u00e9 Muybu vivem o que provavelmente ser\u00e1 o Dia do \u00cdndio mais importante de sua hist\u00f3ria: finalmente, mais de uma d\u00e9cada ap\u00f3s o in\u00edcio do processo de demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena (TI) Sawr\u00e9 Muybu &#8211; com 178 mil hectares, localizada nos munic\u00edpios de Itaituba e Trair\u00e3o, no Par\u00e1 -, a Funai deu continuidade \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o, com a publica\u00e7\u00e3o do \u201cRelat\u00f3rio Circunstanciado de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o\u201d, que reconhece o territ\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cEssa vit\u00f3ria \u00e9 fruto da uni\u00e3o de nosso povo, que se fortaleceu para buscar os parceiros que apoiam a nossa luta e que tiveram uma contribui\u00e7\u00e3o muito grande. Nessa data especial que \u00e9 o Dia do \u00cdndio, ele [o presidente da Funai] n\u00e3o assinou [o relat\u00f3rio] porque ele quis, mas sim por conta da press\u00e3o que h\u00e1 muitos anos a gente vem fazendo. Esse \u00e9 o primeiro passo de vit\u00f3ria, mas a gente vai continuar nossa luta. Sabemos que depois vem a contesta\u00e7\u00e3o, e sabemos dos outros projetos que v\u00e3o impactar nossa vida e nossa cultura, como a hidrel\u00e9trica que querem construir no Tapaj\u00f3s. Estamos lutando pelo territ\u00f3rio e por uma coisa boa para a humanidade. Queremos que as pessoas juntem-se a n\u00f3s porque estamos lutando por um futuro melhor que \u00e9 de todos\u201d, afirma Rozeninho Saw Munduruku.<\/p>\n<h4><strong>Hidrel\u00e9trica<\/strong><\/h4>\n<p>A demarca\u00e7\u00e3o da TI Sawr\u00e9 Muybu \u00e9 uma antiga reivindica\u00e7\u00e3o do povo Munduruku, que vive no rio Tapaj\u00f3s h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es. <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Noticias\/A-luta-dos-Mundurukus-contra-a-invisibilidade-\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">No entanto, o processo estava paralisado desde 2013, justamente porque a Funai n\u00e3o havia publicado o relat\u00f3rio circunstanciado que, na pr\u00e1tica, confirma a ocupa\u00e7\u00e3o tradicional dos \u00edndios neste territ\u00f3rio<\/a>. Na \u00e9poca, a ent\u00e3o presidente interina da Funai, Maria Augusta Assirati, chegou a declarar que o relat\u00f3rio estava aprovado, mas n\u00e3o tinha sido publicado por envolver outros interesses do governo.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, por press\u00e3o do setor energ\u00e9tico, uma hidrel\u00e9trica foi colocada no caminho da demarca\u00e7\u00e3o de Sawr\u00e9 Muybu. Desde maio de 2011, S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s passou a figurar como obra priorit\u00e1ria do governo. Se constru\u00edda, ela poder\u00e1 alagar parte do territ\u00f3rio ind\u00edgena, comprometendo a sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural do povo Munduruku, devido aos impactos sobre a flora, a fauna e sobre os locais sagrados do povo, e for\u00e7ando a remo\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que habita o territ\u00f3rio de Sawr\u00e9 Muybu.<\/p>\n<p>De acordo com o Artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, \u00e9 vedada a remo\u00e7\u00e3o de grupos ind\u00edgenas de suas terras, salvo em caso de cat\u00e1strofe ou epidemia que ponha em risco sua popula\u00e7\u00e3o, e garantindo o retorno imediato logo que cesse o risco.<\/p>\n<p>\u201cA publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio \u00e9 realmente um passo importante para que a demarca\u00e7\u00e3o prossiga rumo aos momentos finais, sendo considerada uma importante vit\u00f3ria que honra a tradi\u00e7\u00e3o de luta do povo Munduruku e premia o esfor\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o realizado pelo povo no sentido garantir seus direitos constitucionais e contra a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas no rio Tapaj\u00f3s\u201d, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amaz\u00f4nia do Greenpeace.<\/p>\n<h4><strong>Autodemarca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Em 2014 e 2015, os Munduruku realizaram a autodemarca\u00e7\u00e3o da TI Sawr\u00e9 Muybu, confirmando os limites da terra de acordo com o que consta no pr\u00f3prio relat\u00f3rio que agora foi publicado. Nesse processo, eles exigiam n\u00e3o s\u00f3 o reconhecimento de sua exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m de seus direitos: \u201cA publica\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio ocorre depois de muita luta e press\u00e3o do povo Munduruku, que nunca desistiu de lutar por seus direitos. A demarca\u00e7\u00e3o da TI Sawr\u00e9 Muybu \u00e9 important\u00edssima n\u00e3o s\u00f3 por garantir a prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e da floresta, mas por assegurar a preval\u00eancia dos direitos ind\u00edgenas em rela\u00e7\u00e3o aos projetos hidrel\u00e9tricos nos rios da Amaz\u00f4nia\u201d, completa Aguiar.<\/p>\n<p>Para os Munduruku, Sawr\u00e9 Muybu \u00e9 muito mais do que um simples peda\u00e7o de terra. \u00c9 l\u00e1 que eles t\u00eam a base de sua cultura e alimenta\u00e7\u00e3o, e \u00e9 o rio Tapaj\u00f3s que abriga diversos locais sagrados que poder\u00e3o ser destru\u00eddos caso a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica ocorra. A publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio foi um importante passo no sentido de garantir a prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, mas ainda \u00e9 preciso lutar para que a demarca\u00e7\u00e3o seja finalizada e para que o governo desista dos planos de construir as dezenas de hidrel\u00e9tricas previstas para a bacia do Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>\u201cA gente conserva a floresta andando nela, por terra, debaixo dela, e n\u00e3o s\u00f3 de cima, onde muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 para ver nada. A autodemarca\u00e7\u00e3o para n\u00f3s \u00e9 isso, \u00e9 cuidar da floresta, impedir que tirem madeira e conservar os frutos e a ca\u00e7a\u201d, afirmou o cacique Juarez Saw Munduruku, em entrevista ao Greenpeace em 2015, explicando que o direito \u00e0 terra \u00e9 fundamental para a sobreviv\u00eancia de seu povo.<\/p>\n<h4><strong>Mais terras ind\u00edgenas rumo \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Outras tr\u00eas terras ind\u00edgenas tamb\u00e9m tiveram seus Relat\u00f3rios Circunstanciados publicados no Di\u00e1rio Oficial hoje: a TI Ypoi\/Triunfo, do povo Guarani \u00d1and\u00e9va, no Mato Grosso do Sul; a TI Sambaqui, do povo Guarani Mby\u00e1, no Paran\u00e1; e a TI Jurubaxi-T\u00e9a, dos povos Bar\u00e9, Tukano, Baniwa, Nad\u00f6b, Pira-Tapuya, Arapaso, Tariana, Tikuna, Coripaco e Desana, no Amazonas. No total, nesse pacote foram declarados 1.4 milh\u00f5es de hectares. Ainda assim, o governo de Dilma Rousseff \u00e9 um dos que menos demarcou terras ind\u00edgenas na hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na data em que se celebra o Dia do \u00cdndio, a Funai publicou, no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, o Relat\u00f3rio da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, do povo Munduruku, e de outras tr\u00eas terras ind\u00edgenas no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":1766,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22,8],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-1764","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","tag-resista","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1764"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12973,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1764\/revisions\/12973"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1764"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=1764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}