{"id":2796,"date":"2018-07-20T17:34:49","date_gmt":"2018-07-20T17:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=2796"},"modified":"2021-12-01T09:33:23","modified_gmt":"2021-12-01T12:33:23","slug":"voce-nao-quer-respirar-veneno-quer-respirar-outro-tipo-de-ar-mas-nao-tem-nenhum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/voce-nao-quer-respirar-veneno-quer-respirar-outro-tipo-de-ar-mas-nao-tem-nenhum\/","title":{"rendered":"\u201cVoc\u00ea n\u00e3o quer respirar veneno, quer respirar outro tipo de ar, mas n\u00e3o tem nenhum\u201d"},"content":{"rendered":"<h4>Relat\u00f3rio da Human Rights Watch mostra as hist\u00f3rias dram\u00e1ticas por tr\u00e1s de um modelo agr\u00edcola que envenena cada vez mais o Brasil.<\/h4>\n<p><em>\u201cEu ainda estava perto da minha casa quando o avi\u00e3o veio jogando por cima do eucalipto e o vento trouxe os agrot\u00f3xicos para mim. Eu fiquei molhada com o produto e tive que voltar para casa e tomar outro banho. Fui para a escola e comecei a sentir uma dor de cabe\u00e7a, nariz ardendo, coceira, formigando. O avi\u00e3o estava jogando do lado da escola e o vento trazia para a escola. (&#8230;) As crian\u00e7as, entre 4 e 7 anos, reclamavam que suas gengivas e olhos estavam ardendo. Eu os liberei por volta das 9 da manh\u00e3 e mandei um bilhete para os pais dizendo que n\u00e3o ter\u00edamos aulas enquanto eles estivessem pulverizando ainda.\u201d<\/em> (depoimento de Marelaine, 20 anos, professora, para o relat\u00f3rio da Human Rights Watch)<\/p>\n<div id=\"attachment_2859\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2859\" class=\"size-large wp-image-2859\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AldeiaLaranjeiraNhanderu_MCruppe_0678_4032-1024x683.jpg\" alt=\"Aratiri, 9 anos, vive exposto a veneno em comunidade ind\u00edgena no Mato Grosso do Sul \" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AldeiaLaranjeiraNhanderu_MCruppe_0678_4032-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AldeiaLaranjeiraNhanderu_MCruppe_0678_4032-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AldeiaLaranjeiraNhanderu_MCruppe_0678_4032-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AldeiaLaranjeiraNhanderu_MCruppe_0678_4032-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AldeiaLaranjeiraNhanderu_MCruppe_0678_4032.jpg 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-2859\" class=\"wp-caption-text\">Aratiri, 9 anos, vive exposto a veneno em comunidade ind\u00edgena no Mato Grosso do Sul<\/p><\/div>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos meses, temos vivido uma luta \u00e1rdua dentro do Congresso Nacional contra o desmonte da Lei de Agrot\u00f3xicos (Lei 7.802\/1989). Esse desmonte \u00e9 proposto pelo chamado Pacote do Veneno (PL 6.299\/2002), que se aprovado resultar\u00e1 invariavelmente em mais agrot\u00f3xicos no Brasil.<\/p>\n<p>Desde que lan\u00e7ou sua campanha de Agricultura &amp; Alimenta\u00e7\u00e3o, o Greenpeace Brasil vem lutando muito pela democratiza\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e sem veneno, junto a uma rede de organiza\u00e7\u00f5es comprometidas com essa causa. Viemos construindo e disponibilizando desde ent\u00e3o uma base s\u00f3lida de informa\u00e7\u00f5es para que todos possam formar suas opini\u00f5es e pressionar, junto \u00e0s suas comunidades, os governantes que t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o bem-estar e sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Afinal, alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel \u00e9 um direito de todos, n\u00e3o um privil\u00e9gio de poucos.<\/p>\n<p>Infelizmente, os impactos negativos dos agrot\u00f3xicos v\u00e3o muito al\u00e9m do nosso prato. Eles come\u00e7am no campo. <a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/sites\/default\/files\/report_pdf\/brazil0718port_web2.pdf\">Relat\u00f3rio<\/a> que a <strong>Human Rights Watch<\/strong> acaba de lan\u00e7ar mostra, de maneira assustadora, problemas decorrentes da exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos em sete diferentes regi\u00f5es do Brasil. A organiza\u00e7\u00e3o entrevistou mais de 100 pessoas, entre afetados por aplica\u00e7\u00f5es de veneno e especialistas da \u00e1rea.<\/p>\n<p>A pesquisa da Human Rights Watch, intitulada \u201c<strong>Voc\u00ea n\u00e3o quer mais respirar veneno<\/strong>\u201d, deixa claro que, al\u00e9m das graves quest\u00f5es de sa\u00fade relacionadas \u00e0s intoxica\u00e7\u00f5es, os agrot\u00f3xicos violam gravemente os direitos humanos e s\u00e3o respons\u00e1veis por parte da viol\u00eancia no campo. Em 2017, por exemplo, um padre que tentava banir a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no munic\u00edpio de Boa Esperan\u00e7a, no Esp\u00edrito Santo, recebeu mensagens amea\u00e7adoras de produtores rurais, dizendo que ele \u201cn\u00e3o duraria at\u00e9 dezembro\u201d.<\/p>\n<h3>Sem sa\u00edda<\/h3>\n<p>Nesse contexto de opress\u00e3o no campo, parece imposs\u00edvel para as pessoas que vivem pr\u00f3ximas \u00e0s planta\u00e7\u00f5es, como comunidades rurais, ind\u00edgenas e quilombolas, encontrarem uma sa\u00edda. \u201cVoc\u00ea sente um amargor na garganta. Voc\u00ea n\u00e3o quer respirar mais veneno, voc\u00ea quer respirar outro tipo de ar, mas n\u00e3o tem nenhum\u201d, relata Jakaira, 40 anos, uma das v\u00edtimas de intoxica\u00e7\u00e3o por pulveriza\u00e7\u00e3o terrestre de agrot\u00f3xicos, em entrevista para a pesquisa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de mostrar casos de intoxica\u00e7\u00e3o aguda, o relat\u00f3rio da Human Rights Watch apresenta preocupa\u00e7\u00f5es com a exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica aos agrot\u00f3xicos \u2013 aquela que \u00e9 repetida a doses baixas por um per\u00edodo prolongado. Esse tipo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 comumente associado a problemas como infertilidade, malforma\u00e7\u00e3o fetal e c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O estudo rec\u00e9m-publicado traz recomenda\u00e7\u00f5es importantes, que devem ser levadas a s\u00e9rio pelos nossos governantes. A principal delas \u00e9 que <strong>o Brasil precisa urgentemente adotar medidas para limitar a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente dos consumidores, como tamb\u00e9m das pessoas que moram, estudam ou trabalham perto de \u00e1reas que recebem aplica\u00e7\u00e3o dessas subst\u00e2ncias<\/strong>.<\/p>\n<p>Apesar de os dados do pesquisa refor\u00e7arem a ideia de que a exposi\u00e7\u00e3o e intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos ainda \u00e9 um tema \u00e0 margem na agenda de formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas, lentamente essa situa\u00e7\u00e3o vai mudando! Nossa luta contra o Pacote do Veneno veio para mostrar que n\u00f3s queremos uma agricultura mais justa pra quem planta e para quem come, e comida saud\u00e1vel acess\u00edvel para brasileiras e brasileiros. A <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Noticias\/Um-campo-de-batalha-no-prato-dos-brasileiros\/\">Pol\u00edtica Nacional de Redu\u00e7\u00e3o de Agrot\u00f3xicos (PNaRA)<\/a> indica \u00e0s autoridades p\u00fablicas um caminho nessa dire\u00e7\u00e3o. Nossos governantes precisam trabalhar em favor da sociedade!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/sites\/default\/files\/report_pdf\/brazil0718port_web2.pdf\">Clique aqui<\/a> para acessar o relat\u00f3rio da Human Rights Watch.<\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. Check the block&#8217;s settings or remove it.<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio da Human Rights Watch mostra as hist\u00f3rias dram\u00e1ticas por tr\u00e1s de um modelo agr\u00edcola que envenena cada vez mais o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":2859,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[18],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-2796","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-agroecologia","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2796"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35500,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2796\/revisions\/35500"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2796"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=2796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}