{"id":28223,"date":"2020-11-10T11:57:45","date_gmt":"2020-11-10T14:57:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=28223"},"modified":"2020-11-10T11:58:16","modified_gmt":"2020-11-10T14:58:16","slug":"amapa-onde-foi-parar-toda-a-energia-produzida-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/amapa-onde-foi-parar-toda-a-energia-produzida-aqui\/","title":{"rendered":"Amap\u00e1: &#8220;onde foi parar toda a energia produzida aqui?&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Volunt\u00e1ria do Greenpeace no Amap\u00e1 escreve relato sobre o apag\u00e3o vivido no estado e a falta de acesso a direitos b\u00e1sicos<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"478\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/11\/f17d74e2-moradores-macapa-jorge-junior-rede-amazonica.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28221\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/11\/f17d74e2-moradores-macapa-jorge-junior-rede-amazonica.jpg 984w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/11\/f17d74e2-moradores-macapa-jorge-junior-rede-amazonica-300x146.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/11\/f17d74e2-moradores-macapa-jorge-junior-rede-amazonica-768x373.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2020\/11\/f17d74e2-moradores-macapa-jorge-junior-rede-amazonica-510x248.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><figcaption><div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Jorge J\u00fanior \/ Rede Amaz\u00f4nica<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>No dia 3 de Novembro de 2020, iniciou-se no Amap\u00e1 a crise pela falta. Falta de \u00e1gua, falta de energia. A tempestade com raios que durou cerca de 12 horas ininterruptas foi o motivo do terror da popula\u00e7\u00e3o. Dois moradores da capital, Macap\u00e1, foram atingidos e tr\u00eas transformadores dispon\u00edveis para cobertura energ\u00e9tica de 13 dos 16 munic\u00edpios do Estado, foram incendiados.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A crise desencadeada revelou o despreparo e a irresponsabilidade da companhia Linhas de Macap\u00e1 Transmissora de Energia S.A, encarregada da subesta\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o dispunha de plano de conting\u00eancia ou unidades de transformadores dispon\u00edveis para poss\u00edveis e esperadas emerg\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O atual modelo de gera\u00e7\u00e3o de energia vende n\u00e3o somente a biodiversidade amaz\u00f4nica, mas tamb\u00e9m a dignidade do amapaense, que n\u00e3o est\u00e1 podendo utilizar servi\u00e7os essenciais como a \u00e1gua e a eletricidade em meio a uma crise sanit\u00e1ria. Existe um discurso motivacional de acesso a bens e produtos refinados que perpassa a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, a calamidade p\u00fablica e o com\u00e9rcio externo. Mas se tudo isso j\u00e1 chegou aqui, quanto falta para acessar esse direito b\u00e1sico?<\/p>\n\n<p>Respondo que: \u00e1gua e energia n\u00e3o s\u00e3o mercadoria, como h\u00e1 anos vem afirmando o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), vanguarda na luta em defesa do Rio Araguari e das sociedades pesqueiras de Ferreira Gomes, munic\u00edpio do Estado do Amap\u00e1. O movimento vem denunciando h\u00e1 longos anos a imposta e n\u00e3o consultada implementa\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas na regi\u00e3o, causando n\u00e3o somente um n\u00famero expressivo de mortes de peixes, mas mudando a vida de muita gente.<\/p>\n\n<p>S\u00e3o quatro as hidrel\u00e9tricas que atualmente utilizam a for\u00e7a do Rio Araguari e do Rio Jari, bra\u00e7os do leito amaz\u00f4nico, como for\u00e7a motriz de gera\u00e7\u00e3o de energia. E apesar disso, o Amap\u00e1 continua apresentando uma das tarifas de energia el\u00e9trica mais caras do Brasil, com pre\u00e7os variantes entre R$300,00 e R$700,00 para usos de servi\u00e7os b\u00e1sicos. Aposto que justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 a primeira palavra que nos vem \u00e0 mente lendo esse tipo de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>A hidrel\u00e9trica Santo Ant\u00f4nio do Jari, por exemplo, tem capacidade de gerar 373,4 MW, quantidade suficiente para fornecer energia para uma cidade de at\u00e9 3 milh\u00f5es de habitantes.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O Amap\u00e1, estado localizado ao extremo norte do pa\u00eds, com cerca de 800 mil habitantes, j\u00e1 atingiu o 8\u00ba dia de desabastecimento energ\u00e9tico e de \u00e1gua. Como isso pode acontecer a um dos maiores produtores de energia do pa\u00eds? O mesmo estado que abastece o linh\u00e3o de Tucuru\u00ed, e que abastece tamb\u00e9m grande parte do territ\u00f3rio brasileiro. Onde ser\u00e1 que foi parar toda essa energia? Pode estar nas suas m\u00e3os, se voc\u00ea est\u00e1 me lendo agora.<\/p>\n\n<p>Mesmo gerando preju\u00edzos imensos \u00e0 cultura local e destrui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural coletivo, os amapaenses ficaram privados de dignidade e cuidado nos \u00faltimos dias. O acesso aos servi\u00e7os refinados fica a cargo das metr\u00f3poles sulistas e sudestinas, col\u00f4nias de povoamento pela hist\u00f3ria e de explora\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia.<\/p>\n\n<p>E como observado, personalidades pol\u00edticas n\u00e3o est\u00e3o sendo eficientes na resolu\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica. \u00c0 deriva, a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 se organizando para compartilhar \u00e1gua e gelo para quem precisa manter medicamentos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se diz nacionalmente, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou. H\u00e1 tr\u00eas dias estamos em regime de racionamento de energia, o que limita o acesso \u00e0 eletricidade e \u00e0 internet em dois turnos de seis horas, por bairro. Vaquinhas, doa\u00e7\u00f5es e muita solidariedade t\u00eam sido as alternativas encontradas para lidar com a situa\u00e7\u00e3o. As filas quilom\u00e9tricas que d\u00e3o acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos s\u00e3o nossa atual forma de comunica\u00e7\u00e3o. Um reconhecimento \u00fanico nas viol\u00eancias compartilhadas, uma sensa\u00e7\u00e3o de abandono t\u00e3o desesperadora que nos unificou. Nos \u00faltimos oito dias, mais de 20 manifesta\u00e7\u00f5es em car\u00e1ter de protesto foram contabilizadas, todas elas movidas pela indigna\u00e7\u00e3o com a crise dentro da crise.<\/p>\n\n<p>Agrava-se que a capital Macap\u00e1 registra altas nos casos de Covid-19 e est\u00e1 desprovida de \u00e1gua, elemento essencial de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus. A maior preocupa\u00e7\u00e3o se tornou o acesso a este elemento, que apesar de ser abundante no estado, n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel de forma tratada para consumo. N\u00e3o \u00e9 estarrecedor que a popula\u00e7\u00e3o filha da Foz do Rio Amazonas n\u00e3o tenha acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel devido \u00e0 hist\u00f3rica neglig\u00eancia gerencial?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volunt\u00e1ria do Greenpeace no Amap\u00e1 escreve relato sobre o apag\u00e3o vivido no estado e a falta de acesso a direitos b\u00e1sicos<\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":28221,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-28223","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28223"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28226,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28223\/revisions\/28226"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28223"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=28223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}