{"id":28561,"date":"2020-11-25T14:53:17","date_gmt":"2020-11-25T17:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=28561"},"modified":"2025-07-02T04:31:00","modified_gmt":"2025-07-02T07:31:00","slug":"soja-de-desmatamento-produzida-no-cerrado-chega-ao-prato-de-britanicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/soja-de-desmatamento-produzida-no-cerrado-chega-ao-prato-de-britanicos\/","title":{"rendered":"Soja de desmatamento produzida no Cerrado chega ao prato de brit\u00e2nicos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Investiga\u00e7\u00e3o aponta que grandes redes de supermercados e fast food do Reino Unido alimentam seus frangos com soja originada do desmatamento do Cerrado<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/ee6a49e9-gp0sttekv-1024x576.jpg\" title=\"Soya Production in the Cerrado Region, Brazil. \u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace\" alt=\"Soya Production in the Cerrado Region, Brazil. \u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace\" class=\"wp-image-9540\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/ee6a49e9-gp0sttekv-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/ee6a49e9-gp0sttekv-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/ee6a49e9-gp0sttekv-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/ee6a49e9-gp0sttekv-510x287.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/ee6a49e9-gp0sttekv.jpg 1199w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Piv\u00f4s de irriga\u00e7\u00e3o central retiram \u00e1gua do subsolo para manter enormes planta\u00e7\u00f5es de soja no Matopiba, na Bahia. (\u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace)<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Grandes redes de supermercados e alimenta\u00e7\u00e3o do Reino Unido est\u00e3o vendendo frango contaminado com a destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado brasileiro. \u00c9 o que aponta uma investiga\u00e7\u00e3o realizada pela equipe do site <a href=\"https:\/\/unearthed.greenpeace.org\/2020\/11\/25\/brazil-fires-deforestation-tesco-nandos-mcdonalds\/\">Unearthed<\/a>, do Greenpeace UK, em parceria com os jornais <em>The Guardian, ITV News e The Groce<\/em>r, e publicada hoje (25).&nbsp;<\/p>\n\n<p>Segundo a investiga\u00e7\u00e3o, as redes Tesco, Asda, Lidl, Nando\u2019s e McDonald\u2019s utilizam soja brasileira fornecida pela Cargill &#8211;&nbsp; gigante norte-americana de negocia\u00e7\u00e3o da commodity &#8211; na alimenta\u00e7\u00e3o dos frangos que comercializam. Estima-se que a trader envia anualmente para o Reino Unido mais de 100 mil toneladas de soja, boa parte produzida \u00e0s custas do desmatamento do Cerrado.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em agosto, a equipe de investiga\u00e7\u00e3o rastreou a viagem de um navio graneleiro, o BBG Dream, desde o porto de Cotegipe (BA), carregando 66 mil toneladas de soja em uma viagem que incluiu uma parada nas docas de Liverpool (Inglaterra). A equipe conseguiu confirmar que a Cargill havia arrendado o navio e que os gr\u00e3os a bordo vinham do munic\u00edpio de Formosa do Rio Preto, onde o Cerrado vem sendo rapidamente desmatado.<\/p>\n\n<p>Em apenas uma fazenda da regi\u00e3o, a Fazenda Parceiro, mais de 50 km\u00b2 de vegeta\u00e7\u00e3o foram desmatados \u200b\u200bapenas nos tr\u00eas primeiros meses de 2020, segundo a analista de risco de sustentabilidade Chain Reaction Research. A Cargill confirmou que adquire soja desta fazenda, que pertence \u00e0 SLC Agr\u00edcola. A SLC administra 17 grandes fazendas no Brasil, 10 delas no Matopiba. Mais de 210 km\u00b2 de desmatamento foram registrados nas fazendas da SLC Agr\u00edcola desde 2015<\/p>\n\n<p>A Cargill afirma, como j\u00e1 fez antes, que n\u00e3o quebrou regras, nem suas pr\u00f3prias pol\u00edticas, ao comprar da fazenda em quest\u00e3o e que n\u00e3o compra de \u00e1reas desmatadas ilegalmente.<\/p>\n\n<p>As revela\u00e7\u00f5es surgem no momento em que o governo brit\u00e2nico debate uma nova legisla\u00e7\u00e3o para excluir o desmatamento das cadeias de abastecimento do Reino Unido, que tornar\u00e1 ilegal a importa\u00e7\u00e3o de alimentos relacionados a qualquer destrui\u00e7\u00e3o ambiental ilegal no pa\u00eds de origem.<\/p>\n\n<p><strong>Cerrado \u00e9 vital para a biodiversidade do Brasil<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/0ec75e1b-6.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-28563\"\/><\/figure>\n\n<p>O Cerrado \u00e9 um dos grandes biomas brasileiros, conhecido como a \u201ccaixa d\u2019\u00e1gua\u201d pa\u00eds, devido a sua enorme capacidade de armazenar \u00e1gua, dando origem a algumas das principais bacias hidrogr\u00e1ficas que banham o territ\u00f3rio nacional. A regi\u00e3o \u00e9 o lar de cerca de 5% de todas as esp\u00e9cies de plantas e animais do mundo e uma regi\u00e3o extremamente vulner\u00e1vel aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e que vem sendo profundamente impactada pelo avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n<p>Ativistas e pol\u00edticos refor\u00e7am a import\u00e2ncia da nova legisla\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e1reas como o Cerrado brasileiro, por exemplo, possuem regras menos r\u00edgidas quanto ao desmatamento, o que permite que empresas como a Cargill explorem indefinidamente ambientes naturais importantes no Brasil e em outras partes do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n<p>De acordo com o C\u00f3digo Florestal brasileiro, propriet\u00e1rios de terra no Cerrado podem desmatar legalmente at\u00e9 80% de sua propriedade, enquanto que na Amaz\u00f4nia este percentual \u00e9 de 20%. E se a produ\u00e7\u00e3o de carne continua a impulsionar o desmatamento na Amaz\u00f4nia, a soja est\u00e1 fazendo o mesmo no Cerrado, onde estima-se que 90% do desmatamento \u00e9 impulsionado pela soja.<\/p>\n\n<p>\u201cS\u00e3o biomas irm\u00e3os e igualmente importantes para o clima, para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, para a biodiversidade e para a vida das pessoas. Mas com menos prote\u00e7\u00e3o, o Cerrado acabou entrando na mira do agroneg\u00f3cio, enquanto o modelo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos em escala industrial continua fazendo v\u00edtimas diariamente\u201d, afirma R\u00f4mulo Batista, do Greenpeace Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em 2019 o Greenpeace Brasil publicou um vasto estudo<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/publicacoes\/relatorio-segure-a-linha\/\"> (Segure a Linha &#8211; A expans\u00e3o do Agroneg\u00f3cio e a disputa pelo Cerrado) <\/a>que analisou os impactos sociais e econ\u00f4micos no Matopiba, regi\u00e3o de interesse econ\u00f4mico que inclui terras do Cerrado do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia. Como resultado, o estudo constatou que, embora o desmatamento e a produ\u00e7\u00e3o de soja tenham disparado nessa regi\u00e3o, isso n\u00e3o se refletiu em avan\u00e7o econ\u00f4mico e social para as popula\u00e7\u00f5es locais.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Meses mais tarde, outra<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cultivando-violencia-licenca-para-desmatar\/\"> investiga\u00e7\u00e3o encontrou conex\u00f5es entre algumas das maiores negociantes de soja, entre elas Cargill e Bunge<\/a>, com a fazenda Estrondo, que tem longo hist\u00f3rico de grilagem de terras, desmatamento e viol\u00eancia contra comunidades locais, os geraizeiros.&nbsp;<\/p>\n\n<p>H\u00e1 dez anos, a Cargill prometeu eliminar o desmatamento em suas cadeias de abastecimento de commodities, como a soja, at\u00e9 este ano (2020). Mas admitiu no ano passado que n\u00e3o cumpriria o prazo. Em vez disso, adiou a meta para 2030. S\u00e3o mais dez anos para a destrui\u00e7\u00e3o, onde poder\u00e1 ser tarde demais.<\/p>\n\n<p><strong>Assista a s\u00e9rie Segure a Linha<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/FNrX9Z2bsmA\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"FNrX9Z2bsmA\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00e3o aponta que grandes redes de supermercados e fast food do Reino Unido alimentam seus frangos com soja originada do desmatamento do Cerrado.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":9540,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[18,22,26],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-28561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-agroecologia","tag-florestas","tag-biodiversidade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28561"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58669,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28561\/revisions\/58669"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28561"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=28561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}