{"id":2884,"date":"2018-06-11T19:10:19","date_gmt":"2018-06-11T22:10:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=2884"},"modified":"2019-11-06T05:20:35","modified_gmt":"2019-11-06T08:20:35","slug":"muito-alem-da-salada-menos-carne-mais-floresta-e-alimentacao-adequada-e-saudavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/muito-alem-da-salada-menos-carne-mais-floresta-e-alimentacao-adequada-e-saudavel\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m da salada: Menos carne, mais floresta e alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/macro-menos-carne.jpg\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"800\" class=\"alignnone size-full wp-image-2886\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/macro-menos-carne.jpg 688w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/macro-menos-carne-258x300.jpg 258w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/macro-menos-carne-292x340.jpg 292w\" sizes=\"auto, (max-width: 688px) 100vw, 688px\" \/><\/p>\n<p>Tinha uma amiga que adorava salada de tomate. Enquanto eu devorava um salgado de frango com queijo no intervalo da faculdade, ela saboreava uma salada simples de tomates vermelhos e cebola, e dizia &#8220;hum, que del\u00edcia&#8221;. Que absurdo. N\u00e3o tem nada de delicioso em umas rodelas cheias de \u00e1gua. Eu n\u00e3o via, naquele momento, nenhum objetivo em fazer aquilo.<\/p>\n<p>Mas algumas experi\u00eancias depois, por aqui e por al\u00ed, e a realidade se apresentou de maneira bem \u00f3bvia: comer mais vegetais e menos carne n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 necess\u00e1rio para minha sa\u00fade e delicioso, mas tamb\u00e9m uma responsabilidade que minha gera\u00e7\u00e3o tem que assumir &#8211; sob o risco de dificultarmos bastante as chances de uma exist\u00eancia digna para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o de carne emite o mesmo volume de Gases do Efeito Estufa (GEEs) de que todos os carros, caminh\u00f5es, avi\u00f5es e navios do planeta juntos. No Brasil, al\u00e9m das emiss\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria est\u00e1 constantemente associada \u00e0 retirada de direitos de trabalhadores, povos ind\u00edgenas e comunidades pressionadas pela expans\u00e3o da fronteira de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. De cara, voc\u00ea pode pensar que isso \u00e9 um absurdo, mas pense de novo. Leve em conta todas as florestas desmatadas na Amaz\u00f4nia para virar pasto, que j\u00e1 ocupa mais de 60% das \u00e1reas desmatadas na regi\u00e3o. Ou nas planta\u00e7\u00f5es de soja, que ocupam grandes desertos verdes por todo o centro-oeste e cerrado e que servem basicamente para alimentar animais na Europa e na China. N\u00e3o parece mais t\u00e3o absurdo assim, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o forem controladas, as emiss\u00f5es da ind\u00fastria de prote\u00edna animal podem comprometer a meta internacional de n\u00e3o exceder os 1,5\u00ba Celsius de aumento na temperatura m\u00e9dia global at\u00e9 o final do s\u00e9culo. Segundo os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), esse \u00e9 um limite determinante, que se ultrapassado, pode contribuir para o aumento de cen\u00e1rios de eventos clim\u00e1ticos extremos no planeta. Traduzindo: se passar desse ponto, meu amigo, \u00e9 a gente que cozinha!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o como fazer? Por onde come\u00e7ar? Pelo consumo! Ali\u00e1s, repensando nossa rela\u00e7\u00e3o com a comida que consumimos. \u00c9 fato, por\u00e9m, que exercer uma rela\u00e7\u00e3o mais respons\u00e1vel com nosso consumo cotidiano passa pelo aumento do apetite dos poderosos em parar de autorizar o uso de mais veneno na nossa comida, mais cr\u00e9dito ao pequeno produtor familiar de base ecol\u00f3gica e pelo respeito ao direito de saber do consumidor.<\/p>\n<p>Para aqueles que j\u00e1 podem fazer essas escolhas, h\u00e1 uma responsabilidade de exercer o comer como ato pol\u00edtico. Reduzir o consumo de carne e derivados pode contribuir, e muito, positivamente nesse sentido. O racioc\u00ednio de que \u2018menos \u00e9 mais\u2019 \u00e9 o tema central do <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/international\/publication\/15093\/less-is-more\/\">relat\u00f3rio lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2018 pelo Greenpeace<\/a> (em ingl\u00eas), que aponta que a produ\u00e7\u00e3o e o consumo mundial de carne e latic\u00ednios devem ser reduzidos pela metade at\u00e9 2050, para evitar a acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e acirramento de viola\u00e7\u00f5es de direitos associados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal.<\/p>\n<p>Uma boa oportunidade para come\u00e7ar a agir acontece agora, na Semana Mundial Sem Carne (de 11 a 17 de junho). Para chamar aten\u00e7\u00e3o para o tema, o Greenpeace envia um chamado \u00e0s prefeituras e governos estaduais de todo o mundo para que incentivem a redu\u00e7\u00e3o do consumo de prote\u00edna animal, a partir de programas e parcerias que proporcionem uma produ\u00e7\u00e3o mais justa e alimenta\u00e7\u00e3o mais diversificada e saud\u00e1vel, com menos carne e mais vegetais.<\/p>\n<p>O Brasil tem experi\u00eancias bem-sucedidas nesse sentido, como o projeto Escola Sustent\u00e1vel, lan\u00e7ado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia e liderado pela Humane Society International (HSI), que promove a redu\u00e7\u00e3o do consumo de carne e incentiva a aquisi\u00e7\u00e3o de produtos da agricultura familiar em escolas p\u00fablicas no interior da Bahia. Programas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) tamb\u00e9m demonstram que esta mudan\u00e7a de h\u00e1bito alimentar \u00e9 poss\u00edvel, e s\u00f3 em S\u00e3o Paulo, atende 1,7 milh\u00e3o de alunos da rede estadual de ensino.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o tem planeta B para vivermos. A atual forma de produ\u00e7\u00e3o de commodities no Brasil est\u00e1 longe de favorecer o Brasil a produzir e consumir alimentos de outra forma. Estimular uma alimenta\u00e7\u00e3o mais variada, com menos carne e veneno na merenda escolar, \u00e9 estimular nossos filhos a fazer essa mudan\u00e7a positiva se multiplicar. Seja na escola, na faculdade ou numa casinha de sap\u00ea.<\/p>\n<p>Queremos comida variada, adequada e saud\u00e1vel!<\/p>\n<p>Menos carne. Mais Floresta. Mais \u00e1gua. Mais sa\u00fade e mais respeito aos nossos direitos.<\/p>\n<p><em>* &#8211; Adriana Charoux \u00e9 especialista de Amaz\u00f4nia no Greenpeace Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar que comida vegetariana pode ajudar o planeta parece rid\u00edculo. Mas, se olhar de perto, at\u00e9 que faz bastante sentido<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":2886,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-2884","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2884"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2888,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2884\/revisions\/2888"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2884"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=2884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}