{"id":29449,"date":"2021-01-27T16:51:49","date_gmt":"2021-01-27T19:51:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=29449"},"modified":"2021-03-09T14:31:29","modified_gmt":"2021-03-09T17:31:29","slug":"em-davos-mourao-e-tereza-cristina-desperdicam-chance-de-falar-sobre-o-brasil-que-queremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/em-davos-mourao-e-tereza-cristina-desperdicam-chance-de-falar-sobre-o-brasil-que-queremos\/","title":{"rendered":"Em Davos, Mour\u00e3o e Tereza Cristina desperdi\u00e7am chance de falar sobre o Brasil que queremos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Precisamos substituir a economia do desmatamento pela economia da biodiversidade, que valoriza a floresta em p\u00e9, o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e a produ\u00e7\u00e3o de comida de verdade<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/fb1bae33-gp0stpoe5_medium_res-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29460\"\/><figcaption>A riqueza da floresta amaz\u00f4nica nos possibilita iniciativas que aliem gera\u00e7\u00e3o de renda com a conserva\u00e7\u00e3o ambiental.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Valdemir Cunha \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O Brasil que queremos prioriza a conserva\u00e7\u00e3o e o uso racional de nossas florestas e toda a biodiversidade associada a elas, e uma agricultura diversa e sem veneno, ancorada nos agricultores familiares. Essas s\u00e3o duas bases importantes para a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica verde e justa que o pa\u00eds e o mundo precisam.<\/p>\n\n<p>Para substituirmos a economia do desmatamento pela economia da biodiversidade, as atividades econ\u00f4micas devem valorizar n\u00e3o apenas os produtos que a floresta tem a oferecer, como tamb\u00e9m as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas e tradicionais, que possuem valiosos conhecimentos sobre o assunto, acumulados por s\u00e9culos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Infelizmente, <strong>o Brasil que queremos n\u00e3o estava refletido nas falas do vice-presidente Mour\u00e3o e da ministra da Agricultura Tereza Cristina no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, em Davos, nesta quarta-feira (27\/01)<\/strong>. Ambos desperdi\u00e7aram a chance de mostrar ao mundo o potencial que o pa\u00eds tem de liderar iniciativas que aliem gera\u00e7\u00e3o de renda com a conserva\u00e7\u00e3o ambiental e uma produ\u00e7\u00e3o de alimentos de verdade, para todas as pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O discurso de Mour\u00e3o n\u00e3o refletiu o que de fato acontece no ch\u00e3o da floresta, e for\u00e7ou a barra ao dizer que o governo tem trabalhado incessantemente no combate \u00e0s queimadas e ao desmatamento. A destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do planeta n\u00e3o est\u00e1 sob controle. Dados do Prodes de 2020 mostram que ela tem batido recordes: o desmatamento na Amaz\u00f4nia <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/desmatamento-na-amazonia-e-o-maior-desde-2008-segundo-dados-do-prodes\/\">\u00e9 o maior desde 2008<\/a>.<\/p>\n\n<p>\u201cSem controlar os crimes na Amaz\u00f4nia, como o garimpo e a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e a invas\u00e3o de terras p\u00fablicas, ser\u00e1 imposs\u00edvel construir alternativas econ\u00f4micas que respeitem a preserva\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, afirma Thais Bannwart, porta-voz de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Greenpeace Brasil.\u00a0<\/p>\n\n<p>Para Thais, criar um modelo socioecon\u00f4mico sustent\u00e1vel no pa\u00eds depende de um planejamento estrat\u00e9gico, que olhe com cuidado para tudo o que j\u00e1 vem sendo experimentado pelas comunidades que tiram seu sustento da floresta viva. <\/p>\n\n<p>\u201cEsse planejamento precisa ser elaborado com base em um processo de escuta e consulta de todos os atores envolvidos, tanto da sociedade civil quanto dos demais grupos de interesse. S\u00f3 assim conseguiremos formular uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de desenvolvimento e fortalecimento da bioeconomia em curto, m\u00e9dio e longo prazos\u201d, ela diz.<\/p>\n\n<p>Mour\u00e3o tamb\u00e9m afirmou que o setor privado \u00e9 fundamental para o desenvolvimento da Amaz\u00f4nia. \u00c9 importante lembrar que de nada adiantam investimentos privados se o governo federal n\u00e3o est\u00e1 fazendo seu dever de casa b\u00e1sico, que \u00e9 controlar o desmatamento na regi\u00e3o.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/0c20182f-gp0stu1rg_medium_res-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29458\"\/><figcaption>A floresta em p\u00e9 vale mais, como mostra Alex dos Santos, extrativista de a\u00e7a\u00ed da comunidade de Arraiol, Bailique, no Amap\u00e1.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Diego Baravelli \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O futuro da nossa comida \u00e9 agroecol\u00f3gico<\/strong><\/h4>\n\n<p>J\u00e1 Tereza Cristina argumentou que a inova\u00e7\u00e3o na agropecu\u00e1ria \u00e9 fundamental para assegurar seguran\u00e7a alimentar e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. O problema \u00e9 que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e digital defendida pela ministra tem o intuito de perpetuar um modelo de produ\u00e7\u00e3o que devasta o meio ambiente, potencializa a crise clim\u00e1tica e gera concentra\u00e7\u00e3o de renda e mais desigualdade social.<\/p>\n\n<p>Diante de espectadores do mundo todo, Tereza Cristina perdeu a oportunidade de falar sobre quest\u00f5es bem mais importantes, que afetam o dia a dia de milh\u00f5es de brasileiros. Por exemplo, de que <strong>precisamos urgentemente de pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem a transi\u00e7\u00e3o da agricultura convencional para sistemas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos sem veneno, saud\u00e1veis e seguros para quem planta e para quem come, e que <a href=\"https:\/\/florestasemcortes.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00e3o arranquem ainda mais \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia <\/a>e de outros biomas<\/strong>. A transi\u00e7\u00e3o para sistemas mais sustent\u00e1veis \u00e9 um movimento global, que no Brasil envolve milhares de agricultores, especialmente os de base familiar.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/no-dia-mundial-de-luta-contra-os-agrotoxicos-conheca-a-agroecologia\/\">agroecologia est\u00e1 a\u00ed<\/a> para mostrar que um outro caminho \u00e9 poss\u00edvel. Ela \u00e9 sin\u00f4nimo de comida de verdade, de vida e de sa\u00fade. Por respeitar os processos da natureza e incentivar a biodiversidade, ela protege e pode restaurar os ambientes naturais. Por outro lado, voc\u00ea sabia que o chamado modelo alimentar convencional, voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial, \u00e9 altamente nocivo \u00e0 nossa sa\u00fade e ao meio ambiente? Ele se baseia em monoculturas (diversidade zero!) e prioriza o lucro acima de tudo. Nunca se produziu tanto, mas de forma t\u00e3o destrutiva, seja pelo uso massivo de agrot\u00f3xicos que contaminam a \u00e1gua e o solo, como pelo desmatamento.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em 2020, o governo Bolsonaro <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/01\/bolsonaro-bate-o-proprio-recorde-2020-e-o-ano-com-maior-aprovacao-de-agrotoxicos-da-historia\/\" target=\"_blank\">bateu o pr\u00f3prio recorde<\/a> de aprova\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos: foram aprovadas 493 subst\u00e2ncias, que, somadas \u00e0quelas aprovadas em 2019, chegam a quase 1.000 agrot\u00f3xicos liberados em apenas dois anos. No entanto, a pr\u00f3pria<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ciclovivo.com.br\/planeta\/meio-ambiente\/onu-denuncia-mito-de-que-pesticidas-necessarios-para-alimentar-mundo\/\" target=\"_blank\"> Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/a> aponta que o uso de agrot\u00f3xicos n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para garantirmos alimentos em escala global. Al\u00e9m do mais, pode justamente levar a um cen\u00e1rio de inseguran\u00e7a alimentar, porque, no longo prazo, o solo, a \u00e1gua e a rica biodiversidade que temos tendem a se esgotar, tornando a produ\u00e7\u00e3o de alimentos cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large  caption-style-medium caption-alignment-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/390090cc-gp0stugyb_medium_res-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29456\"\/><figcaption>F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em 2020: ativistas do Greenpeace protestam pelo fim do financiamento de combust\u00edveis f\u00f3sseis e por medidas para conter a crise clim\u00e1tica.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Greenpeace \/ Ex-Press \/ Flurin Bertschinger<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"has-background has-spray-background-color\"><strong>Sobre o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/strong><br><br>O F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial acontece todos os anos, em Davos, Su\u00ed\u00e7a, reunindo as principais lideran\u00e7as pol\u00edticas e empresariais do mundo (em 2021, devido \u00e0 pandemia da Covid-19, as sess\u00f5es est\u00e3o sendo feitas de forma on-line). As discuss\u00f5es giram em torno de quest\u00f5es urgentes que precisam de coopera\u00e7\u00e3o global, como sa\u00fade e meio ambiente.&nbsp;<br><br>No entanto, o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial traz em sua ess\u00eancia um problema que o torna quase inapto a endere\u00e7ar as crises da atualidade: muitos de seus participantes n\u00e3o questionam o sistema econ\u00f4mico atual, em que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/justica-social-e-economica\/forum-economico-de-davos\/recompensem-o-trabalho-nao-a-riqueza\/\" target=\"_blank\">Segundo a Oxfam<\/a>, s\u00f3 no Brasil, cinco bilion\u00e1rios t\u00eam o patrim\u00f4nio igual aos 50% mais pobres.&nbsp;<br><br>Diante de uma pandemia que j\u00e1 matou <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.worldometers.info\/coronavirus\/\" target=\"_blank\">mais de dois milh\u00f5es de pessoas<\/a> ao redor do mundo e tirou emprego e direitos de outras tantas, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/reportagens-especiais\/pandemia-escancara-desigualdade-no-brasil-e-no-mundo-e-a-urgencia-de-reduzir-gap\/#page1\" target=\"_blank\">pesquisas recentes<\/a> apontam que a desigualdade social aumentou ainda mais. <br><br><strong>Esse sistema injusto tem que ser substitu\u00eddo urgentemente. Precisamos de mudan\u00e7as radicais e \u00e9 isso que deve ser discutido em Davos.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Precisamos substituir a economia do desmatamento pela economia da biodiversidade, que valoriza a floresta em p\u00e9, o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e a produ\u00e7\u00e3o de comida de verdade<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":29458,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"Covid-19 Response","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[18,22,26],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-29449","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-agroecologia","tag-florestas","tag-biodiversidade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29449"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29449\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30066,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29449\/revisions\/30066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29449"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=29449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}