{"id":30507,"date":"2021-03-26T11:04:03","date_gmt":"2021-03-26T14:04:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=30507"},"modified":"2023-01-12T15:29:18","modified_gmt":"2023-01-12T18:29:18","slug":"ciencia-em-meio-a-pandemia-como-pesquisadores-seguiram-seus-trabalhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/ciencia-em-meio-a-pandemia-como-pesquisadores-seguiram-seus-trabalhos\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia em meio \u00e0 pandemia: como pesquisadores seguiram seus trabalhos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Em meio a tanta trag\u00e9dia, muitos sonhos foram interrompidos. Mas contribuir para o avan\u00e7o da ci\u00eancia pode ser um passo na dire\u00e7\u00e3o de um mundo melhor e mais justo para todos.<\/h4>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-30511\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/03\/43696b7b-mg_2823-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Esse \u00e9 um jovem louva-a-deus do g\u00eanero Macromusonia | <div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Leo Lanna <\/div><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p>Trabalhar com biodiversidade na Amaz\u00f4nia apresenta v\u00e1rios desafios, como relatei aqui no <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/qual-seria-seu-maior-medo-se-tivesse-que-andar-pela-floresta-a-noite\/\">blog semana passada<\/a>. Minha pesquisa junto ao Projeto Mantis tem foco na busca por novas e raras esp\u00e9cies de louva-a-deus, mas a pandemia de Covid-19 e o atual contexto pol\u00edtico tornaram o trabalho mais \u00e1rduo e perigoso. Ainda assim, temos uma nova expedi\u00e7\u00e3o prevista para o Mato Grosso. Como conseguimos promover uma expedi\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, quando me encontro isolado na Mata Atl\u00e2ntica do Rio de Janeiro, sem qualquer perspectiva de mudan\u00e7a? De que forma seguimos produzindo nossa ci\u00eancia se o principal componente, o trabalho de campo, est\u00e1 limitado? A resposta vem por etapas, que precisam ser revisitadas para nos lembrar que \u00e9 preciso continuar.\u00a0<\/p>\n\n<p>Era Mar\u00e7o de 2020 quando recebi a not\u00edcia de que passei para o mestrado em Zoologia, com <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/biodiversidade-amazonia\">bolsa do Greenpeace Brasil<\/a>. Pura felicidade de saber que a ci\u00eancia contempor\u00e2nea que promovo daria um grande passo no \u00e2mbito acad\u00eamico, em um mestrado por duas institui\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas, a Universidade Federal do Par\u00e1 e o Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi.\u00a0<\/p>\n\n<p>Ainda em Mar\u00e7o de 2020, j\u00e1 pronto para me mudar para Bel\u00e9m, olhando aluguel e passagens, a pandemia atinge o Brasil. Tudo fecha, saio do Rio de Janeiro com pressa para o interior do estado, onde meus pais vivem, com algumas mudas de roupa e o computador. Deixo tudo para tr\u00e1s. Mal sabia que s\u00f3 voltaria em casa seis meses depois, apenas para buscar o resto do que ficou, e mudar-me em definitivo. Aulas online, mestrado \u00e0 dist\u00e2ncia, uma nova realidade.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Foram meses de trabalho \u00e1rduo e psicol\u00f3gico intenso. Qualquer boa not\u00edcia era soterrada pelas atrocidades cometidas pelo governo brasileiro, contra a sa\u00fade p\u00fablica, contra o meio ambiente, contra o povo. Muitos dias come\u00e7avam bem e terminavam na pura amargura do cen\u00e1rio atual. Isso porque tenho muitos privil\u00e9gios, vivendo quase uma realidade paralela, de ter trabalho e estar em um interior onde, at\u00e9 hoje, as pessoas continuam se cuidando em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia. Nunca passamos de 18 casos na cidade, na \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es (quando a aglomera\u00e7\u00e3o, para variar, foi incentivada pela pol\u00edtica).<\/p>\n\n<p>Ainda assim, por vezes duvidei se deveria compartilhar o avan\u00e7o de nossa pesquisa no Projeto Mantis, as fotografias bel\u00edssimas, exaltar nossas florestas, enquanto nos notici\u00e1rios elas queimavam, enquanto o povo morre diariamente. Ent\u00e3o li o necess\u00e1rio livro de Eliane Brum. Em \u201cBrasil, Construtor de Ru\u00ednas\u201d (2019) ela come\u00e7a com um trecho escrito em 2015, sobre a conjuntura pol\u00edtica, que se encaixa com precis\u00e3o no caos que hoje observamos, at\u00f4nitos.<\/p>\n\n<p>\u201cTalvez tenha chegado o momento de compreender que, diante de tal conjuntura, \u00e9 preciso fazer o muito mais dif\u00edcil: criar\/lutar mesmo sem esperan\u00e7a. Teremos que enfrentar os conflitos mesmo quando sabemos que vamos perder. Ou lutar mesmo quando j\u00e1 est\u00e1 perdido. Fazer sem acreditar. Fazer como imperativo \u00e9tico.\u201d, diz Eliane. E diz tamb\u00e9m que esperan\u00e7a \u00e9 luxo para poucos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Percebi que me sentia culpado por sonhar com novas expedi\u00e7\u00f5es, por seguir produzindo ci\u00eancia, em vez de estar na floresta apagando o fogo. E que a real culpa, de quem provocou o fogo, nunca chegaria. Ela recai sobre n\u00f3s. Inverter o papel da culpa \u00e9 especialidade da necropol\u00edtica que vivemos. Perceber isso foi uma grande mudan\u00e7a. Mais do que acreditar, continuar o que fa\u00e7o e promovo junto ao <a href=\"https:\/\/www.projetomantis.com\/\">Projeto Mantis<\/a> se tornou imperativo.<\/p>\n\n<p>Voltei a criar. Elaborei junto ao Lvcas Fiat, da minha equipe, um novo modelo de expedi\u00e7\u00e3o, imersivo, adequado e respeitoso ao cen\u00e1rio atual, poss\u00edvel diante de tamanho colapso. Decidimos trocar o isolamento no interior do Rio de Janeiro pelo isolamento na Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Assim, em Novembro de 2020, come\u00e7amos a planejar \u201cAustral: Mantis da Amaz\u00f4nia\u201d, uma expedi\u00e7\u00e3o-viv\u00eancia de dois meses na floresta que vai revelar as esp\u00e9cies de louva-a-deus da regi\u00e3o e os detalhes do complexo e magn\u00edfico universo em que vivem.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Nesse caminho de prepara\u00e7\u00e3o conheci o incr\u00edvel Instituto Juru\u00e1, que trabalha na Amaz\u00f4nia o conceito de \u201cotimismo conservacionista\u201d, vi Jane Goodall lan\u00e7ar seu \u201cHopecast\u201d, o podcast da esperan\u00e7a, e assisti a David Attenborough contar sua hist\u00f3ria neste planeta, enfatizando o quanto precisamos pensar em nossa biodiversidade. Reafirmei o quanto \u00e9 poss\u00edvel, e necess\u00e1rio, trazer boas not\u00edcias, compartilhar belas hist\u00f3rias, celebrar a vida selvagem da Amaz\u00f4nia, seus povos, sua verdadeira riqueza.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Escolhemos como destino a RPPN Cristalino. Apresentamos a proposta da expedi\u00e7\u00e3o, que ainda dependia de apoio financeiro, t\u00e3o escasso em nossa ci\u00eancia, e encontramos quem acreditasse. Dona Vit\u00f3ria, fundadora da reserva, uma mulher com hist\u00f3ria de vida fort\u00edssima, enfrentando desafios para manter uma floresta viva em meio ao voraz desmatamento no Mato Grosso. Com apoio da Funda\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica Cristalino, presidida por ela, conseguimos viabilizar a viagem<\/p>\n\n<p>Austral significa \u201cao Sul\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o da reserva, no Sul da Amaz\u00f4nia, bem no Arco do Desmatamento. A reserva \u00e9 um o\u00e1sis de resist\u00eancia que, junto a unidades de conserva\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, privadas e terras ind\u00edgenas, ainda mant\u00e9m viva a fauna e flora exuberantes desse peda\u00e7o de floresta amaz\u00f4nica. N\u00e3o \u00e9 incomum encontrar por l\u00e1 esp\u00e9cies novas e raras, e s\u00e3o elas que iremos buscar.<\/p>\n\n<p>Essa jornada ser\u00e1 compartilhada aqui no blog e nas redes do Greenpeace, na busca por nos lembrar a import\u00e2ncia da pesquisa brasileira e revelar nossa incr\u00edvel biodiversidade. Caminharemos pelas noites da Amaz\u00f4nia, quando a floresta \u00e9 mais vibrante. Viveremos sua hist\u00f3ria natural de perto, tratando com respeito e carinho os seres que vamos encontrar. Cercados por uma rede de colaboradores fant\u00e1stica, queremos mostrar que \u00e9 preciso (e poss\u00edvel) continuar. Atentos e fortes, seguiremos.<\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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