{"id":31576,"date":"2021-05-13T09:37:41","date_gmt":"2021-05-13T12:37:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=31576"},"modified":"2021-05-13T11:17:05","modified_gmt":"2021-05-13T14:17:05","slug":"camara-aprova-lei-que-acaba-com-o-licenciamento-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/camara-aprova-lei-que-acaba-com-o-licenciamento-ambiental-no-brasil\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara aprova lei que acaba com o licenciamento ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Em show de horrores na C\u00e2mara nesta quarta-feira, maioria dos deputados aprova PL 3.729\/2004, proposta que vai aumentar a destrui\u00e7\u00e3o das florestas e amea\u00e7as aos povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/eb5f7b71-greenpeace_pl3729acamaraaprovou_twitter_02-1024x675.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-31586\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/eb5f7b71-greenpeace_pl3729acamaraaprovou_twitter_02-1024x675.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/eb5f7b71-greenpeace_pl3729acamaraaprovou_twitter_02-300x198.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/eb5f7b71-greenpeace_pl3729acamaraaprovou_twitter_02-768x506.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/eb5f7b71-greenpeace_pl3729acamaraaprovou_twitter_02-510x336.png 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/eb5f7b71-greenpeace_pl3729acamaraaprovou_twitter_02.png 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n<p>Ontem (quarta-feira, 12\/05) foi um daqueles dias em que sentimos vergonha do Brasil. Rezando pela cartilha do governo destruidor de Bolsonaro, deputados deram um show de horrores e votaram pelo FIM do licenciamento ambiental no pa\u00eds. O licenciamento \u00e9 um dos principais instrumentos de prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e das popula\u00e7\u00f5es afetadas por empreendimentos como a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, barragens e rodovias.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, <strong>Arthur Lira<\/strong>, fechou os ouvidos para a sociedade, que pediu que o PL 3.729\/2004 fosse retirado de pauta. O projeto foi colocado para vota\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio da C\u00e2mara, sem debate p\u00fablico e em meio a uma pandemia que est\u00e1 tirando milhares de vidas diariamente. Se ainda havia d\u00favidas, ontem, <strong>Lira e a maioria dos deputados deixaram claro que veem a pandemia como oportunidade para \u201cpassar a boiada\u201d.<\/strong> O Brasil segue a passos largos na contram\u00e3o do mundo e os resultados s\u00e3o e continuar\u00e3o sendo devastadores.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cA aprova\u00e7\u00e3o do texto-base do PL 3.729\/2004 ontem no plen\u00e1rio da C\u00e2mara \u00e9 um absurdo sem tamanho. \u00c9 a demonstra\u00e7\u00e3o clara de que a maior parte dos deputados trabalha para atender a interesses particulares e do agroneg\u00f3cio, em preju\u00edzo da coletividade\u201d, diz Thais Bannwart, porta-voz de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Greenpeace. \u201cOs parlamentares deveriam estar totalmente dedicados a pautar projetos que ajudem o pa\u00eds a sair das crises sanit\u00e1ria, econ\u00f4mica e ambiental em que se encontra\u201d.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized caption-alignment-left\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/e3184bbe-investigado_licenciamento4-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-31580\" width=\"410\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/e3184bbe-investigado_licenciamento4-819x1024.png 819w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/e3184bbe-investigado_licenciamento4-240x300.png 240w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/e3184bbe-investigado_licenciamento4-768x960.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/e3184bbe-investigado_licenciamento4-272x340.png 272w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/e3184bbe-investigado_licenciamento4.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/figure>\n\n<p>A vers\u00e3o do PL 3.729 aprovada ontem foi proposta pelo <strong>deputado Neri Geller<\/strong> (PP-MT) e \u00e9 a PIOR vers\u00e3o do projeto desde o in\u00edcio de sua tramita\u00e7\u00e3o, em 2004. O texto aprovado foi apresentado na semana passada, quando foi solicitada a tramita\u00e7\u00e3o em regime de urg\u00eancia, ou seja, sem transpar\u00eancia sobre seu conte\u00fado e sem debate p\u00fablico. A proposta de Geller transforma o licenciamento em mera burocracia, reduzindo a participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es impactadas e trazendo inseguran\u00e7a jur\u00eddica para os pr\u00f3prios empreendedores.<em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p>Desde ent\u00e3o, uma dezena de manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao texto surgiram, dentre elas, nove <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/Carta_ExMInistrosMMA_PL3729.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ex-ministros do Meio Ambiente<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/CartaAberta_SBPC_lLicenciamentoAmbiental.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SBPC<\/a>, membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico (via <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/Nota_ABRAMPA_PL_LicenciamentoAmbiental.pdf\">ABRAMPA<\/a>), <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/Minuta_Nota_MovimentosCampo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">movimentos sociais, povos ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades tradicionais e extrativistas<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ascemanacional.org.br\/o-tiro-de-misericordia-no-licenciamento-ambiental-proposta-de-lei-geral-destroi-o-principal-instrumento-de-politica-ambiental-do-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">entidades ambientalistas<\/a>, entre <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/hubfs\/ParecerTecnicoCientifico_ComiteABA_PL3729-2004.pdf\">outros<\/a>. Mas Arthur Lira continuou a ignorar a sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Para Thais, a aprova\u00e7\u00e3o do PL 3.729 mostra uma vis\u00e3o totalmente atrasada de desenvolvimento econ\u00f4mico, baseado na explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais e na total isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade em favor do lucro de poucos. \u201cO Brasil anda a passos largos na contram\u00e3o do mundo em rela\u00e7\u00e3o ao aprimoramento de instrumentos que garantam a seguran\u00e7a e manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de vida e do meio ambiente.\u201d<\/p>\n\n<p><strong>O que acontece agora?<\/strong><\/p>\n\n<p>Nesta quinta-feira (13), ainda ser\u00e3o votados os chamados destaques (mudan\u00e7as espec\u00edficas propostas pelas bancadas partid\u00e1rias) do PL 3.729\/2004, que na sequ\u00eancia segue para o Senado. Esperamos dos senadores a sensatez que n\u00e3o coube aos deputados e que barrem a proposta de extin\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Mais do que nunca, precisamos ficar alertas \u00e0s propostas dos parlamentares no Congresso Nacional, porque a aprova\u00e7\u00e3o desse projeto pode dar f\u00f4lego para que outras sugest\u00f5es nocivas para as florestas e seus povos sejam colocadas em vota\u00e7\u00e3o da mesma forma, em regime de urg\u00eancia e sem conhecimento da sociedade.<\/p>\n\n<p class=\"has-yellow-background-color has-background\"><strong>Entenda os principais problemas do PL 3.729\/2004:<\/strong> <br><br>1. Pretende <strong>dispensar de licenciamento nada menos que 13 tipos de atividades<\/strong> que comprovadamente geram impacto ao meio ambiente, dentre elas: obras para distribui\u00e7\u00e3o de energia; outorga sobre uso da \u00e1gua e sistemas e esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua e de esgoto sanit\u00e1rio; amplia\u00e7\u00e3o ou obras de manuten\u00e7\u00e3o em estradas e hidrel\u00e9tricas; cultivo de esp\u00e9cies agrossilvipastoris, de silvicultura e pecu\u00e1ria extensiva (mesmo que a propriedade tenha pend\u00eancias ambientais!);<br><br>2. Brecha para uma disputa desleal entre estados e munic\u00edpios: governadores e prefeitos, com o objetivo de atrair empreendimentos para suas localidades, poder\u00e3o estabelecer regras de licenciamento <strong>menos r\u00edgidas<\/strong> do que outras unidades da federa\u00e7\u00e3o (pior para o meio ambiente e prato cheio para a corrup\u00e7\u00e3o);<br><br>3. A licen\u00e7a autodeclarat\u00f3ria (chamada de Licen\u00e7a por Ades\u00e3o e Compromisso), emitida automaticamente sem qualquer an\u00e1lise pr\u00e9via pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental, <strong>passa a ser a regra do licenciamento<\/strong> no pa\u00eds. Na pr\u00e1tica, isso tornar\u00e1 o licenciamento <strong>exce\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de regra e se aplicar\u00e1 a empreendimentos como barragens de rejeitos, como Brumadinho e Mariana<\/strong>;<br><br>4. Passa a restringir gravemente a <strong>participa\u00e7\u00e3o popular <\/strong>no processo de licenciamento, inclusive das pessoas impactadas por empreendimentos, o que implica em viola\u00e7\u00e3o de direitos dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, como as quilombolas;<br><br>5. Amea\u00e7a \u00e0s Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas n\u00e3o demarcadas (\u00bc do total) e terras quilombolas n\u00e3o tituladas (87% do total), porque a an\u00e1lise dos impactos dos empreendimentos sobre tais \u00e1reas <strong>n\u00e3o ser\u00e1 mais obrigat\u00f3ria<\/strong>. Isso deixar\u00e1 as popula\u00e7\u00f5es e esses territ\u00f3rios, ricos em biodiversidade, ainda mais ref\u00e9ns da destrui\u00e7\u00e3o;<br><br>6. Restri\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os fundamentais, como ICMBio, Funai, Iphan, Minist\u00e9rio da Agricultura e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o que \u00e9<strong> inconstitucional<\/strong> e coloca em risco direitos dos povos ind\u00edgenas, tradicionais e das popula\u00e7\u00f5es locais afetadas pelas obras;<br><br>7. Bancos e outras institui\u00e7\u00f5es que financiam os empreendimentos n\u00e3o ter\u00e3o mais <strong>nenhuma responsabilidade socioambiental <\/strong>(prevista na Lei n\u00ba 6.938\/1981), ou seja, caso haja danos ao meio ambiente ou trag\u00e9dias como a de Brumadinho, elas poder\u00e3o dizer que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com o problema;<br><br>8. O PL n\u00e3o trata de qualquer quest\u00e3o ligada \u00e0s <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>, uma agenda importante e urgente que \u00e9 chave para qualquer discuss\u00e3o na atualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em show de horrores na C\u00e2mara nesta quarta-feira, maioria dos deputados aprova PL 3.729\/2004, proposta que vai aumentar a destrui\u00e7\u00e3o das florestas e amea\u00e7as aos povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":31586,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22,23],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-31576","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","tag-mobilizacao","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31576"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31593,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31576\/revisions\/31593"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31576"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=31576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}