{"id":31765,"date":"2021-05-24T16:15:44","date_gmt":"2021-05-24T19:15:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=31765"},"modified":"2025-07-02T04:29:31","modified_gmt":"2025-07-02T07:29:31","slug":"ze-claudio-e-maria-quando-a-violencia-da-lugar-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/ze-claudio-e-maria-quando-a-violencia-da-lugar-a-esperanca\/","title":{"rendered":"Z\u00e9 Cl\u00e1udio e Maria: quando a viol\u00eancia d\u00e1 lugar \u00e0 esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A luta dos extrativistas assassinados h\u00e1 10 anos deu origem a uma organiza\u00e7\u00e3o que defende hoje mais de 30 lideran\u00e7as ambientais<\/h4>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31766\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/a16a6c82-claudenice-dos-santos-instituto-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Claudelice tem usado sua voz para honrar o legado de seu irm\u00e3o e cunhada e defender a floresta. Foto: F\u00e1bio Nascimento\/Greenpeace<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p>Foi em 24 de maio de 2011 que os extrativistas Jos\u00e9 Cl\u00e1udio Ribeiro da Silva e Maria do Esp\u00edrito Santo foram assassinados na cidade de Nova Ipixuna, no Sudeste do Par\u00e1.<\/p>\n\n<p>Z\u00e9 Cl\u00e1udio e Maria, como ficaram internacionalmente conhecidos, eram castanheiros e reconhecidas lideran\u00e7as do Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira. Denunciavam invas\u00f5es e roubo de madeira e, por contrariar interesses de grileiros e madeireiros que queriam destruir a floresta, foram mortos.<\/p>\n\n<p>Determinada a manter o legado do irm\u00e3o assassinado e da cunhada, Claudelice dos Santos, 39, assumiu as suas lutas com o intuito de manter vivo o sonho de explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da floresta, de mobiliza\u00e7\u00e3o popular e de educa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e inclusiva.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Um dos frutos desta luta nasceu oficialmente semana passada: o Instituto Z\u00e9 Cl\u00e1udio e Maria, que atua na defesa de lideran\u00e7as amaz\u00f4nicas amea\u00e7adas de morte e na educa\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es tradicionais do sudeste do Par\u00e1. Claudelice \u00e9 coordenadora deste instituto, que hoje d\u00e1 assist\u00eancia a mais de 30 pessoas por toda a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n<p><strong>N\u00fameros&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n<p>\u201cA viol\u00eancia no campo piorou muito nesta \u00faltima d\u00e9cada. Os n\u00fameros dizem isso. O clima que a gente vive, as coisas que a gente ouve, s\u00f3 perdem pro que a gente viu na d\u00e9cada de 80, per\u00edodo que mais teve massacre de lideran\u00e7as\u201d, disse Claudelice.<\/p>\n\n<p>O relat\u00f3rio<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5167-conflitos-no-campo-brasil-2019\"> Viol\u00eancia no Campo 2019<\/a>, editado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), confirma o que ela diz. Foram 1.833 conflitos no campo naquele per\u00edodo; 23% a mais que no ano anterior e o maior \u00edndice registrado nos \u00faltimos 14 anos. S\u00f3 os conflitos causados por terra foram 1.206 ocorr\u00eancias \u2013 n\u00famero que n\u00e3o era verificado desde 1985 (!). Segundo a <em>Global Witness<\/em>, o Brasil \u00e9 o terceiro pa\u00eds mais letal do mundo para ativistas ambientais. Foram 28 assassinatos em 2019, quatro a mais que em 2018.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cTemos um protocolo de apoio para defensores que est\u00e3o se sentindo sozinhos e que n\u00e3o t\u00eam assist\u00eancia nenhuma. N\u00f3s movimentamos redes de suporte, damos apoio material, financeiro, m\u00e9dico e psicol\u00f3gico, instalamos c\u00e2meras nas casas, ajudamos com deslocamentos\u2026 O programa de prote\u00e7\u00e3o que existe no Brasil n\u00e3o funciona e isso \u00e9 muito grave\u201d, contou.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Claudelice disse que, dez anos ap\u00f3s a morte de seus familiares, a viol\u00eancia contra as lideran\u00e7as ambientais \u00e9 maior e mais sofisticada: \u201cAs viol\u00eancias hoje s\u00e3o muito mais cru\u00e9is. Elas passam pela desumaniza\u00e7\u00e3o dos defensores da terra, dos direitos humanos. Ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 xingado, rotulado de coisas como vagabundo. Somos criminalizados. Se n\u00e3o nos atingem, come\u00e7am a assediar nossos familiares. Sofremos um estigma e somos levados a um n\u00edvel de tens\u00e3o que beira o absurdo\u201d.<\/p>\n\n<p>Uma das mais graves e recentes amea\u00e7as que sua fam\u00edlia sofreu ocorreram no final de 2019, quando foi postada, na caixa postal da m\u00e3e dela, um bilhete escrito \u00e0 m\u00e3o \u201cN\u00f3s vamos matar o resto\u201d. No final do ano passado, seu carro foi perseguido e quase capotou para fugir de uma caminhonete suspeita. Na ocasi\u00e3o, quem estava no ve\u00edculo eram a filha e a sobrinha de Claudelice. Ela teve que trocar de carro ap\u00f3s o ocorrido.<\/p>\n\n<p><strong>Romaria<\/strong><\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/24d62726-instituto-ze-claudio-maria.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31771\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/24d62726-instituto-ze-claudio-maria.jpg 960w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/24d62726-instituto-ze-claudio-maria-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/24d62726-instituto-ze-claudio-maria-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/24d62726-instituto-ze-claudio-maria-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/24d62726-instituto-ze-claudio-maria-340x340.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption>A import\u00e2ncia do cooperativismo \u00e9 um dos grandes temas do trabalho de Claudelice no Par\u00e1. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/ Instituto Z\u00e9 Claudio e Maria<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p>Outro front de trabalho do Instituto Z\u00e9 Cl\u00e1udio \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o popular, que se d\u00e1 por meio de encontros que buscam disseminar temas como sistemas agroflorestais, educa\u00e7\u00e3o voltada para a ecologia, cooperativismo e associativismo. Este trabalho \u00e9 feito principalmente atrav\u00e9s de um grupo de mulheres, o Grupo de Trabalhadoras Artesanais e Extrativistas (GTAE) do Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira.<\/p>\n\n<p>A mem\u00f3ria de Z\u00e9 Cl\u00e1udio e Maria aparece tamb\u00e9m, com muita for\u00e7a, na edi\u00e7\u00e3o 2021 da Romaria dos M\u00e1rtires &#8211; uma prociss\u00e3o realizada anualmente em Marab\u00e1 (PA) que celebra aqueles que doaram suas vidas em defesa da vida de outras pessoas. Desde 2014, o casal de extrativistas \u00e9 lembrado na programa\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n\n<p>Este ano, contudo, marca uma d\u00e9cada do duplo homic\u00eddio, e os dois castanheiros viraram temas de webinars, rodas de conversa e podcasts. \u00c9 poss\u00edvel conhecer a programa\u00e7\u00e3o completa da Romaria <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/institutozeclaudioemaria\/\">aqui<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n<p>O fazendeiro Jos\u00e9 Rodrigues Moreira, o mandante do assassinato de Z\u00e9 Claudio e Maria, est\u00e1 foragido desde 2013. Em 2016, o Tribunal do J\u00fari do Par\u00e1 o condenou a 60 anos de pris\u00e3o ap\u00f3s a anula\u00e7\u00e3o de um julgamento em 2013 que o absolveu do crime. Os executores, Alberto Lopes do Nascimento e Lindonjohnson da Silva Rocha, est\u00e3o presos. Lindonjohnson chegou a fugir da Penitenci\u00e1ria Mariano Antunes, em Marab\u00e1 (PA) em novembro de 2015, mas foi recapturado em agosto do ano passado.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cNo nosso cotidiano, n\u00f3s lidamos muito com o medo. Mas se a gente temer a gente n\u00e3o vai ter a Justi\u00e7a que queremos. Queremos a pris\u00e3o de todos os envolvidos e uma Justi\u00e7a que se ocupe da repara\u00e7\u00e3o de danos &#8211; que n\u00e3o reproduza narrativas que criminalizem os defensores ambientais, que zele e respeite os tratados internacionais que o Brasil assinou e que devolva a dignidade que \u00e9 roubada das pessoas que s\u00e3o submetidas a este tipo de situa\u00e7\u00e3o\u201d, contou Claudelice.&nbsp;&nbsp;\u00c9 poss\u00edvel conhecer mais sobre o Instituto Z\u00e9 Cl\u00e1udio e Maria entrando em contato via <a href=\"mailto:institutozeclaudioemaria@gmail.com\">institutozeclaudioemaria@gmail.com<\/a> ou acompanhando a organiza\u00e7\u00e3o nas <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ZeClaudioEMariaFlorestaViva\/posts\/1988294151329453\">redes sociais<\/a>.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta dos extrativistas assassinados h\u00e1 10 anos deu origem a uma organiza\u00e7\u00e3o que defende hoje mais de 30 lideran\u00e7as ambientais<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":31766,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-31765","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ativismo","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31765"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58648,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31765\/revisions\/58648"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31765"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=31765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}