{"id":31882,"date":"2021-05-31T11:16:52","date_gmt":"2021-05-31T14:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=31882"},"modified":"2021-12-01T09:29:50","modified_gmt":"2021-12-01T12:29:50","slug":"violencia-no-campo-numero-de-conflitos-registrados-pela-cpt-em-2020-e-o-maior-dos-ultimos-35-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/violencia-no-campo-numero-de-conflitos-registrados-pela-cpt-em-2020-e-o-maior-dos-ultimos-35-anos\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia no campo: n\u00famero de conflitos registrados pela CPT em 2020 \u00e9 o maior dos \u00faltimos 35 anos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u00a0Fam\u00edlias ind\u00edgenas s\u00e3o 71% das v\u00edtimas de invas\u00f5es de terras<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/8bb2b2d3-ataque-garimpeiros-ti-munduruku-01-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31883\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/8bb2b2d3-ataque-garimpeiros-ti-munduruku-01-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/8bb2b2d3-ataque-garimpeiros-ti-munduruku-01-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/8bb2b2d3-ataque-garimpeiros-ti-munduruku-01-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/8bb2b2d3-ataque-garimpeiros-ti-munduruku-01-510x287.jpeg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/05\/8bb2b2d3-ataque-garimpeiros-ti-munduruku-01.jpeg 1050w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Na \u00faltima semana, uma lideran\u00e7a Munduruku teve sua casa incendiada no Par\u00e1. Os conflitos por terra aumentaram em 25% no \u00faltimo ano, segundo a CPT<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Povo Munduruku<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) divulgou hoje (31) os n\u00fameros do relat\u00f3rio <em><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/5664-conflitos-no-campo-brasil-2020\">Viol\u00eancia no Campo 2020<\/a><\/em>, um levantamento com os registros de todas as ocorr\u00eancias de conflitos registrados durante o ano passado nas zonas rurais do Brasil. Os n\u00fameros s\u00e3o assustadores: de acordo com a CPT, os epis\u00f3dios de viol\u00eancia nunca foram t\u00e3o altos e os n\u00fameros s\u00e3o os maiores dos \u00faltimos 35 anos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Foram registradas 2.054 ocorr\u00eancias em 2020, um aumento de 8% em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Esse \u00e9 o maior n\u00famero de ocorr\u00eancias de conflitos no campo j\u00e1 registrado pela organiza\u00e7\u00e3o desde 1985. Foram 914.144 pessoas envolvidas em conflitos ano passado, um aumento de 2% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<br><\/p>\n\n<p><strong>Disputa por terra<\/strong><\/p>\n\n<p>O n\u00famero de conflitos envolvendo especificamente disputa de terra foi de 1.576, tamb\u00e9m o maior registro verificado desde 1985. Este n\u00famero \u00e9 25% superior ao registrado em 2019 e 57,6% maior que o visto em 2018. As fam\u00edlias que sofrem com&nbsp; este tipo de ocorr\u00eancia somaram 171.625. Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o a maioria dessas fam\u00edlias (96.931, ou 56% do total).<\/p>\n\n<p>Ainda sobre os conflitos por terra, a CPT diz que, ao analisar a s\u00e9rie hist\u00f3rica dos dados (que vem desde 1985) \u00e9 poss\u00edvel perceber um aumento consider\u00e1vel deste tipo de conflito nos \u00faltimos dois anos. 2020 teve um aumento de 25% no n\u00famero de registros em rela\u00e7\u00e3o a 2019 e 2019 j\u00e1 havia tido um aumento de 26% em rela\u00e7\u00e3o a 2018. O n\u00famero de conflitos por dia, que era de 2,74 em 2018, passou para 3,45 em 2019 e 4,31 em 2020.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Outro n\u00famero recorde registrado nesta edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio mostra que 81.225 fam\u00edlias tiveram suas terras ou territ\u00f3rios invadidos em 2020 \u2013 o maior n\u00famero deste tipo de viol\u00eancia j\u00e1 registrado pela CPT. 71,8% dessas fam\u00edlias s\u00e3o ind\u00edgenas.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p><strong>Ataques recentes<\/strong><\/p>\n\n<p>Fatos recentes divulgados em jornais e televis\u00e3o ilustram bem essa realidade: semana passada a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/nota-de-repudio-a-violencia-contra-os-povos-indigenas-no-brasil\/\">lideran\u00e7a ind\u00edgena Maria Leusa Kaba, do povo Munduruku, teve sua casa incendiada na aldeia Fazenda Tapaj\u00f3s<\/a>, no interior do Par\u00e1. Nas \u00faltimas semanas, o povo Yanomami, em Roraima, tamb\u00e9m sofreu ataques, quando garimpeiros atiraram e posteriormente lan\u00e7aram bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo contra a aldeia Palimi\u00fa.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Segundo a Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) os ataques aos Yanomami resultaram na morte de duas crian\u00e7as. Nos dois casos, as lideran\u00e7as ind\u00edgenas se colocaram contra a invas\u00e3o que os garimpeiros vem promovendo em seus territ\u00f3rios em anos recentes.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p><strong>Aumento<\/strong><\/p>\n\n<p>Membro da coordena\u00e7\u00e3o nacional da CPT, a economista Isolete Wichinieski contou que o aumento de alguns \u00edndices podem ser atribu\u00eddos \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o de diversas pol\u00edticas agr\u00e1rias, que provocam inseguran\u00e7as e acirram conflitos por todo o Pa\u00eds.<\/p>\n\n<p>\u201cJ\u00e1 percebemos, desde 2016, uma paralisa\u00e7\u00e3o neste tipo de medida. A reforma agr\u00e1ria est\u00e1 parada e a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, assim como a titula\u00e7\u00e3o das terras quilombolas, n\u00e3o anda. Isso sem falar nas desregulamenta\u00e7\u00f5es e na falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o\u201d, disse a economista.<\/p>\n\n<p>Isolete chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, mais do que n\u00fameros, a CPT busca registrar hist\u00f3rias: \u201cEstamos falando de pessoas, de fam\u00edlias, que est\u00e3o sofrendo viol\u00eancia direta do capital. S\u00e3o pessoas removidas e atacadas em seus lugares de origem. Isso \u00e9 muito s\u00e9rio\u201d.<br><\/p>\n\n<p><strong>Viol\u00eancia recorde<\/strong><\/p>\n\n<p>Como se v\u00ea, tal aumento t\u00e3o expressivo nos dados de viol\u00eancia no campo do pa\u00eds n\u00e3o ocorre \u00e0 toa. Trata-se de um resultado direto da pol\u00edtica do Governo Bolsonaro. N\u00e3o satisfeito em atingir os maiores n\u00edveis de desmatamento e queimadas da d\u00e9cada, Bolsonaro promove tamb\u00e9m a viol\u00eancia em n\u00edveis recordes. E a situa\u00e7\u00e3o pode ficar ainda pior: com apoio do Congresso Nacional, o governo busca aprovar uma s\u00e9rie de projetos de lei que ir\u00e3o trazer ainda mais desmatamento, viol\u00eancia e injusti\u00e7a social.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ao querer aprovar projetos que favorecem grileiros de terras e incentivam novas invas\u00f5es de terras p\u00fablicas &#8211; projetos que reduzem direitos ind\u00edgenas e abrem seus territ\u00f3rios para explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de diferentes tipos; promovem a libera\u00e7\u00e3o massiva de agrot\u00f3xicos; favorecem a produ\u00e7\u00e3o de commodities em detrimento aos agricultores familiares e colocam a popula\u00e7\u00e3o em risco, entre outros &#8211; o governo faz um duplo trabalho: avan\u00e7a na desregulamenta\u00e7\u00e3o da nossa legisla\u00e7\u00e3o e desprotege popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e o meio ambiente, que ficam \u00e0 merc\u00ea de invasores e criminosos em seus territ\u00f3rios.&nbsp;&nbsp;<br><\/p>\n\n<p><strong>Desmatamento e viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n<p>Membro da campanha de Amaz\u00f4nia do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar contou que a maior parte dos conflitos no campo do pa\u00eds tem origem no modelo de desenvolvimento proposto para os nossos biomas, que \u00e9 baseado no latif\u00fandio.<\/p>\n\n<p>\u201cExiste uma enorme preocupa\u00e7\u00e3o hoje no mundo com os altos \u00edndices de desmatamento registrados na Amaz\u00f4nia e no Pantanal, por exemplo. Mas nem todo mundo lembra que se h\u00e1 aumento na viol\u00eancia contra a floresta, h\u00e1 aumento tamb\u00e9m na viol\u00eancia contra os povos que vivem dentro dela. Muita gente n\u00e3o v\u00ea essas viol\u00eancias &#8211; nem todos os casos s\u00e3o judicializados, nem todas as ocorr\u00eancias viram inqu\u00e9ritos\u201d, disse Danicley.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Semana passada, completou-se dez anos do assassinato de Z\u00e9 Claudio e Maria, os extrativistas que foram emboscados no interior do Par\u00e1 e viraram s\u00edmbolo de luta e defesa da floresta. O mandante do crime est\u00e1 foragido e nunca foi preso. Danicley lembrou que precisamos responsabilizar ocorr\u00eancias como essa: \u201cN\u00e3o podemos deixar que a morte das lideran\u00e7as ambientalistas tenha sido em v\u00e3o. Lembremos de Expedito Ribeiro, Dezinho, Dema, Dorothy, Chico Mendes e tantos outros\u2026 \u00e9 preciso fazer justi\u00e7a a esses mortos todos\u201d.&nbsp;<br><\/p>\n\n<p><strong><em>Outros dados trazidos pela CPT:<\/em><\/strong><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Foram registrados quatro assassinatos em conflitos por \u00e1gua em 2020, o maior \u00edndice registrado desde que a contagem passou a ser feita, em 2002;<\/li><\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Os conflitos por \u00e1gua v\u00eam crescendo na \u00faltima d\u00e9cada \u2013 passaram de 69 em 2011 para 502 em 2019. 2020 teve 350 registros do tipo, o segundo maior \u00edndice da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/li><\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Os conflitos trabalhistas no campo aumentaram em 7%, totalizando 96 ocorr\u00eancias em 2020, o maior n\u00famero dos \u00faltimos seis anos Foram 1.104 trabalhadores e trabalhadoras atingidos por este tipo de conflito ano passado.<\/li><\/ul>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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