{"id":31992,"date":"2021-06-04T12:25:12","date_gmt":"2021-06-04T15:25:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=31992"},"modified":"2025-07-02T04:29:25","modified_gmt":"2025-07-02T07:29:25","slug":"desmatamento-e-degradacao-florestal-colocam-nossa-biodiversidade-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/desmatamento-e-degradacao-florestal-colocam-nossa-biodiversidade-em-risco\/","title":{"rendered":"Desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o florestal colocam nossa biodiversidade em risco"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 mais de um m\u00eas na Amaz\u00f4nia,\u00a0 pesquisadores do Projeto Mantis presenciam a mudan\u00e7a da floresta com o fim das chuvas e os mitos que sustentam a destrui\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31996\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/37f8c803-cristalino-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cristalino &#8211; As estradas de vida da Amaz\u00f4nia, rios de c\u00e9u vibrante e florestas exuberantes que precisam ser vividos e provados por todos. Ao nos isolarmos para a Expedi\u00e7\u00e3o Austral, entendemos que este \u00e9 o \u00fanico caminho poss\u00edvel<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Quando cheguei \u00e0 Amaz\u00f4nia do Mato Grosso, em abril, era o fim das chuvas. Aqui na Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Cristalino, a tarde sempre reservava o frescor da \u00e1gua caindo sobre a floresta, e o ar se renovava. Passado quase um m\u00eas, as chuvas foram escasseando, at\u00e9 que acabaram. Come\u00e7ou a esta\u00e7\u00e3o seca.\u00a0<\/p>\n\n<p>O rio baixou o n\u00edvel, surgiram pequenas praias, e partes alagadas da floresta recuaram. O verde seguiu exuberante, um pouco mais amarelado por conta de musgos e pequenas plantinhas que murcham. O trecho chamado de Jardim Secreto perdeu as folhas, t\u00edpico de florestas de cerrado, que existem nesse mosaico que \u00e9 a Amaz\u00f4nia. Flores surgiram, outras se tornaram frutos, outras aguardam a chuva voltar. Tudo natural, e naturalmente adaptado a essa mudan\u00e7a brusca, motor de uma diversidade especial.&nbsp;<\/p>\n\n<p>As esp\u00e9cies de louva-a-deus que encontro aqui cada vez mais se mostram \u00fanicas, um meio termo entre a Amaz\u00f4nia sempre \u00famida ao Norte e os Cerrados mais secos ao Sul, com esp\u00e9cies de ambos os lados e outras exclusivas desse encontro t\u00e3o primoroso de biomas. Uma interse\u00e7\u00e3o ainda pouco compreendida, mas muito amea\u00e7ada.<\/p>\n\n<p>H\u00e1 duas semanas, com a expedi\u00e7\u00e3o Austral j\u00e1 na metade, aproveitamos uma carona de bate e volta \u00e0 cidade, distante duas horas, uma de barco, outra de carro. Em meus fones a voz de Ney Matogrosso cantava \u201cO Sol que veste o dia, o dia de vermelho, o homem de pregui\u00e7a, o verde de poeira, seca os rios, os sonhos.\u201d Olho pela janela do carro e entendo pela primeira vez a que se referia essa m\u00fasica que tanto gosto.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Na estrada de terra, assim que deixamos a \u00e1rea da reserva, as monoculturas se estendem no horizonte infinito. Toda e qualquer planta nas beiradas, incluindo as matinhas singelas que sobraram, s\u00e3o cor de laranja, o verde coberto pela poeira que o carro levanta. A cena se mostra desoladora, um tanto quanto dist\u00f3pica nesse contexto de pandemia. Ap\u00f3s estar um m\u00eas isolado \u00e0 beira de um rio cercado por milhares de tons, cantos e formas, olhar a monotonia do milho me p\u00f5e triste. A realidade da regi\u00e3o me atinge em cheio e lembro que aqui faz parte do Arco do Desmatamento, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa.<\/p>\n\n<p>Certamente Ney n\u00e3o cantava sobre este lugar, nem poderia. A cidade, Alta Floresta, foi fundada depois da m\u00fasica, e completou anivers\u00e1rio durante minha estadia. Meros 45 anos. Quando Secos e Molhados lan\u00e7aram \u201cO Doce e o Amargo\u201d, aqui ainda era um reino verde completamente vivo e vibrante. Com incentivo do governo militar, a floresta foi sendo derrubada, para virar pasto, planta\u00e7\u00e3o, garimpo. Esse modelo predat\u00f3rio foi replicado em todo o Arco. Pela primeira vez, e rapidamente, a poeira tingiu as plantas da floresta.<\/p>\n\n<p>Incr\u00edvel a capacidade de destrui\u00e7\u00e3o do ser humano, penso. Em menos de 50 anos conseguiram devastar tanto quanto o que se fez com a Mata Atl\u00e2ntica em 500 anos. Longe, nas esferas p\u00fablicas do poder em Bras\u00edlia, parecem achar pouco. Pegaram o jarg\u00e3o de Juscelino, o famoso \u201c50 anos em 5\u201d, e querem aplicar ao Brasil, chamando desmatamento de desenvolvimento. Se puderem, querem o fim da Amaz\u00f4nia que conhecemos antes de 2022.<\/p>\n<div data-render=\"planet4-blocks\/gallery\" data-attributes=\"{&quot;attributes&quot;:{&quot;multiple_image&quot;:&quot;31995,31994,31997,31998,31999&quot;,&quot;image_data&quot;:[{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-scaled.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:31995},{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-scaled.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:31994},{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-scaled.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:31997},{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-scaled.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:31998},{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-scaled.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:31999}],&quot;gallery_block_style&quot;:0,&quot;gallery_block_title&quot;:&quot;&quot;,&quot;gallery_block_description&quot;:&quot;&quot;,&quot;gallery_block_focus_points&quot;:&quot;&quot;,&quot;images&quot;:[{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-scaled.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-scaled.jpg 2560w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-1536x1024.jpg 1536w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-2048x1366.jpg 2048w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/97b54813-jacamin-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Jacamin - Um raro e amea\\u00e7ado Jacamin-de-costas-marrons (Psophia dextralis) caminha em nossa dire\\u00e7\\u00e3o, em um momento sublime e emocionante. Habitante exclusivo do interior de florestas, aqui na RPPN Cristalino essa ave se sente segura o suficiente para passar pr\\u00f3xima a humanos.&quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot;&quot;},{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-scaled.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-scaled.jpg 2560w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-1536x1024.jpg 1536w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-2048x1366.jpg 2048w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/e48fc241-metilia-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Metilia - Um louva-a-deus amaz\\u00f4nico do g\\u00eanero Metilia, com suas asas enormes e id\\u00eanticas a uma folha. Assim como a maioria dos seres que aqui vemos, essa esp\\u00e9cie \\u00e9 incapaz de viver sem a floresta.&quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot;&quot;},{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-scaled.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-scaled.jpg 2560w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-1536x1024.jpg 1536w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-2048x1366.jpg 2048w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/2ce8e32e-estrada-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Estrada - De longe, a floresta lembra uma miragem. Ao deixarmos a RPPN Cristalino, quase imediatamente tudo se transforma e a realidade seca e mon\\u00f3tona nos abate. Vamos permitir esse futuro?&quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot;&quot;},{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-scaled.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-scaled.jpg 2560w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-1536x1024.jpg 1536w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-2048x1366.jpg 2048w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/c06d8867-poeira-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Poeira - A foto emba\\u00e7ada pelo vidro do carro reflete o olhar fosco de l\\u00e1grimas, ao observar no que se transforma a floresta e refletir sobre o futuro da regi\\u00e3o. Capins secos e cobertos de poeira, eucaliptos, pastos vazios de vida&quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot;&quot;},{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-scaled.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-scaled.jpg 2560w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-1536x1024.jpg 1536w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-2048x1366.jpg 2048w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2021\\\/06\\\/a16b5b11-milharal-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Milharal - Um anu sobrevoa o milharal. Uma \\u00e1rvore poupada pelas serras da destrui\\u00e7\\u00e3o se eleva solit\\u00e1ria. Quando se conhece a Amaz\\u00f4nia e sua vida pulsante, esta paisagem carrega apenas tristeza e melancolia&quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot;&quot;}]}}\"><\/div>\n<p>A\u00ed me lembro de uma conversa com uma pessoa local. \u201cSaudades do garimpo, naquele tempo tinha muito dinheiro e a gente ia ao cinema.\u201d O garimpo veio, passou, e nada desse dinheiro sobrou. Acredito at\u00e9 que o cinema fechou. O mesmo vai acontecer com as novas promessas de desenvolvimento. O \u201cprogresso\u201d que trazem \u00e0 Amaz\u00f4nia \u00e9 um trator que tudo destr\u00f3i e nada deixa, levando qualquer riqueza pra longe, bem longe, onde o povo n\u00e3o alcance, nem sequer sonhe com a exist\u00eancia. Se o garimpo trazia riqueza, para onde foi? A hist\u00f3ria se repete, ainda mais devastadora, com m\u00e1quinas de destrui\u00e7\u00e3o mais modernas e malignas.<\/p>\n\n<p>Precisamos entender, e fazer entender, que a maior riqueza da regi\u00e3o \u00e9 a Amaz\u00f4nia viva, suas milhares de esp\u00e9cies de animais, fungos, plantas, onde est\u00e1 o futuro da medicina, da engenharia, da energia renov\u00e1vel. Nosso futuro \u00e9 a pesquisa e aplica\u00e7\u00e3o de todo conhecimento que podemos absorver da biodiversidade mais exuberante do planeta. Como meu companheiro de equipe Lvcas sempre diz, toda vez que mergulhamos assim na floresta, era para estarmos vivendo uma utopia amaz\u00f4nica, mas o que vemos \u00e9 o oposto.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O desenvolvimento sombrio que nos apresentam \u00e9 um fantasma que devia ter sido enterrado com a ditadura, mas pasmem, foi reanimado com o bolsonarismo. L\u00e1 vem a boiada passando, levantando o p\u00f3 na estrada, sufocando a floresta e o povo de poeira, at\u00e9 morrerem asfixiados e sem voz. L\u00e1 vem a hist\u00f3ria da selva indom\u00e1vel, maculando a floresta viva e benevolente. Como modificar uma mentalidade t\u00e3o arraigada? Nesse infame Arco do Desmatamento, que vai minando a Amaz\u00f4nia pelas bordas e se alastrando feito c\u00e2ncer maligno, ainda perdura a ideia da floresta como perigosa, ainda h\u00e1 mais medo de on\u00e7a que de ca\u00e7ador, n\u00e3o importa que a realidade mostre o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n<p>A m\u00fasica que ouvia no carro nos sugere uma sa\u00edda. \u201cBeber o suco de muitas frutas, o doce e o amargo, indistintamente. Beber o poss\u00edvel, sugar o seio da impossibilidade, at\u00e9 que brote o sangue, at\u00e9 que surja a alma dessa terra morta, desse povo triste.\u201d \u00c9 preciso provar Amaz\u00f4nia, o deslumbre de suas belezas, o medo e respeito por seus mist\u00e9rios, reavivar a alma desta terra. E \u00e9 preciso mostrar o sabor dessa Amaz\u00f4nia a quem vive nela. Poucos, al\u00e9m dos povos origin\u00e1rios e popula\u00e7\u00f5es tradicionais, conhecem esse gosto encantador e t\u00e3o rico.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A floresta segue ocupada por forasteiros gananciosos e poderosos, que n\u00e3o a conhecem e dela querem extrair destruindo tudo. Junto deles v\u00eam pessoas que s\u00f3 buscam sobreviver. Quando os grandes se v\u00e3o, elas restam, com saudades da ilus\u00e3o de tempos passados. Essas pessoas, que se tornam locais, tamb\u00e9m precisam ser inclu\u00eddas nos di\u00e1logos e mergulhar na Amaz\u00f4nia ancestral.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ao assistir a uma palestra para os funcion\u00e1rios da reserva, a querida cozinheira daqui se apaixonou pelos louva-a-deus. Quando chegamos h\u00e1 um m\u00eas, ela achava que eles picavam, e os matava, como a maioria faz. Agora, j\u00e1 fez foto com um no bra\u00e7o, quer estampar a foto em uma caneca e sonha em ter alguns nos seus jardins de orqu\u00eddeas. Isso me anima. H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de combater o obscurantismo que vivemos, e o meu caminho \u00e9 compartilhar de forma sincera a jornada de um cientista apaixonado pela Amaz\u00f4nia, plantando conhecimento e hist\u00f3rias. Mostrar porque choro ao ver o verde coberto de poeira, e porque imerso nesta floresta, quase me esque\u00e7o de tudo, levado pelas belezas ocultas em suas noites. Eliane Brum diz, com raz\u00e3o, que a Amaz\u00f4nia \u00e9 o centro do mundo. Eu gosto de dizer que tamb\u00e9m \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o. Aqui somos realmente vivos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil ter esperan\u00e7a, at\u00e9 mesmo lembrar o que \u00e9 isso, ap\u00f3s tr\u00eas anos de um governo t\u00e3o vil. Mas quando ele passar, e vai passar, acredito que pequenas mudan\u00e7as, geradas por milhares, junto aos grandes movimentos e press\u00f5es, ser\u00e3o capazes de pensar um caminho que verdadeiramente d\u00ea valor \u00e0 Amaz\u00f4nia. Quem sabe o Arco do Desmatamento n\u00e3o possa ser convertido no Arco do Reflorestamento?&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ainda h\u00e1 tempo, mesmo que pouco. Reservas como a RPPN Cristalino protegem as sementes dessa retomada. Por aqui ainda vivem louva-a-deus raros, animais extraordin\u00e1rios e \u00e1rvores centen\u00e1rias. Que todos tenham o privil\u00e9gio e gosto de conhec\u00ea-los de perto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um m\u00eas na Amaz\u00f4nia,  pesquisadores do Projeto Mantis presenciam a mudan\u00e7a da floresta com o fim das chuvas e os mitos que sustentam a destrui\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":100,"featured_media":31996,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[22,26],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-31992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-greenpeace","tag-florestas","tag-biodiversidade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31992"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31992\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58646,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31992\/revisions\/58646"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31992"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=31992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}