{"id":32581,"date":"2021-06-28T14:12:18","date_gmt":"2021-06-28T17:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=32581"},"modified":"2021-12-01T09:29:44","modified_gmt":"2021-12-01T12:29:44","slug":"no-passado-a-cidade-avancou-sobre-o-rio-e-hoje-o-rio-avanca-sobre-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/no-passado-a-cidade-avancou-sobre-o-rio-e-hoje-o-rio-avanca-sobre-a-cidade\/","title":{"rendered":"\u201cNo passado, a cidade avan\u00e7ou sobre o rio e hoje o rio avan\u00e7a sobre a cidade\u201d"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Volunt\u00e1rio do Greenpeace em Manaus escreve relato sobre os impactos da maior cheia em Manaus desde 1902<\/h4>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/bb424a7e-gp1svcp3_medium_res_with_credit_line-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32582\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/bb424a7e-gp1svcp3_medium_res_with_credit_line-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/bb424a7e-gp1svcp3_medium_res_with_credit_line-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/bb424a7e-gp1svcp3_medium_res_with_credit_line-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/bb424a7e-gp1svcp3_medium_res_with_credit_line-510x287.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/06\/bb424a7e-gp1svcp3_medium_res_with_credit_line.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Cenas do bairro do Educandos, na Zona Sul de Manaus, um dos mais atingidos pela cheia hist\u00f3rica do rio Negro<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Rodrigo Duarte\/Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>Ap\u00f3s nove dias no n\u00edvel mais alto desde o inicio das medi\u00e7\u00f5es, 30 metros, o Rio Negro come\u00e7ou a baixar. Mas as marcas de quem viveu os impactos dessa cheia n\u00e3o desapareceram. <\/em><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>De Manaus, <strong>Mikael Santana Costa<\/strong>, do Grupo de volunt\u00e1rios e volunt\u00e1rias do Greenpeace Brasil, enviou este texto expondo seu olhar sobre os desafios enfrentados pela popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/em><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Na cidade de Manaus, cerca de 20 bairros t\u00eam sentido as <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cheias-em-manaus-subida-do-rio-negro-expoe-mais-de-8-mil-familias-aos-prejuizos-da-crise-climatica\/\" target=\"_blank\">consequ\u00eancias da grande cheia.<\/a> Segundo a Defesa Civil, cerca de 455 mil pessoas foram afetadas de alguma maneira. Donos de lojas amargam preju\u00edzos, pois a \u00e1gua polu\u00edda tomou conta de grande parte do centro hist\u00f3rico.<br><br>Se em terra firme a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complicada, para o morador da palafita o cen\u00e1rio \u00e9 desolador. Sem condi\u00e7\u00f5es de moradia digna, os habitantes dos \u201cbeirad\u00f5es\u201d de Manaus viveram dias de terror temendo que algum animal entrasse em suas casas (como cobras, jacar\u00e9s e ratos). <\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Um temor que se une ao medo de terem as casas arrastadas pelos banzeiros causados pelas grandes embarca\u00e7\u00f5es que trafegam pelo Rio Negro, j\u00e1 que a maior parte delas est\u00e1 submersa. Tal situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior nas cidades do interior do estado, onde as dist\u00e2ncias a serem vencidas levam dias, o que complica ainda mais a assist\u00eancia a essas pessoas.<br><br>Medidas como aux\u00edlio-aluguel tentam minimizar a situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar fam\u00edlias que se queixam do valor oferecido pela prefeitura alegando que n\u00e3o \u00e9 suficiente. Al\u00e9m disso, essas pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso ao m\u00ednimo de saneamento b\u00e1sico, como \u00e1gua pot\u00e1vel, convivendo com o lixo e dejetos que n\u00e3o passam por tratamento algum.<br><br>\u00c9 contradit\u00f3rio: como pode algu\u00e9m morar em um dos maiores rios do mundo e n\u00e3o ter acesso a \u00e1gua para beber? Vale ressaltar que essas pessoas que hoje residem nesses lugares s\u00e3o v\u00edtimas de uma pol\u00edtica urbana segregadora que teve in\u00edcio no final do s\u00e9culo XIX e ecoa ainda nos dias de hoje, fruto do interesse dos administradores daquela \u00e9poca que seguiram um projeto de modernidade que pretendia mudar a paisagem de Manaus, deixando-a mais atraente aos imigrantes que vinham em busca das riquezas do ciclo da borracha.<br><br>Essas mudan\u00e7as, consequentemente, <a href=\"https:\/\/periodicos.unir.br\/index.php\/LABIRINTO\/article\/viewFile\/1732\/1654\">ocorreram \u00e0s custas da segrega\u00e7\u00e3o social<\/a>, que exclu\u00eda os pobres da zona urbana da cidade, deixando para eles apenas a op\u00e7\u00e3o de residirem \u00e0s margens dos rios. <\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Al\u00e9m dessa l\u00f3gica comum de excluir as popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade das zonas valorizadas da cidade para dar lugar \u00e0s classes mais altas e privilegiadas, as quest\u00f5es ambientais tamb\u00e9m n\u00e3o foram consideradas, o pr\u00f3prio centro hist\u00f3rico (lugar muito afetado pela cheia), h\u00e1 s\u00e9culos foi constru\u00eddo sobre diversos cursos de \u00e1gua que tiveram seus leitos aterrados ou canalizados para dar lugar \u00e0s ruas. Ou seja: <strong>no passado, a cidade avan\u00e7ou sobre o rio e hoje o rio avan\u00e7a sobre a cidade.<\/strong><br><br>O retrocesso nas pol\u00edticas ambientais que o Brasil vem sofrendo \u00e9 um dos fatores que contribuem para o aumento do desmatamento na Amaz\u00f4nia nos \u00faltimos anos. <a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/desmatamento-encurrala-chuva-na-amazonia\/\">Recentes descobertas cient\u00edficas<\/a> indicam que a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia j\u00e1 causou mudan\u00e7as no clima regional, como a altera\u00e7\u00e3o no regime de chuvas, o que causa preocupa\u00e7\u00e3o, pois essas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00f3 contribuem para situa\u00e7\u00f5es de grandes enchentes como essa que estamos vivenciando.<br><br>O que se v\u00ea no pa\u00eds \u00e9 o <strong>desmonte das pol\u00edticas ambientais<\/strong>, ao inv\u00e9s de um tratamento e posicionamento respons\u00e1vel com as pautas relacionadas \u00e0s <strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>. <\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-left\">As solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o tomadas s\u00e3o imediatistas, n\u00e3o se busca entender os processos envolvidos e o grau de complexidade, ou a cria\u00e7\u00e3o de metas para mitigar os potenciais riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, principalmente para as mais vulner\u00e1veis. O que nos leva a refletir: como a maior cidade no meio da floresta amaz\u00f4nica lidar\u00e1 com o desenvolvimento urbano e a intera\u00e7\u00e3o com as din\u00e2micas da natureza futuramente?<\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. Check the block&#8217;s settings or remove it.<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volunt\u00e1rio do Greenpeace em Manaus escreve relato sobre os impactos da maior cheia em Manaus desde 1902<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":32582,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[6],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-32581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","category-transforme-a-sociedade","tag-clima","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32581"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35188,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32581\/revisions\/35188"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32581"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=32581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}