{"id":32735,"date":"2021-07-07T16:46:25","date_gmt":"2021-07-07T19:46:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=32735"},"modified":"2025-07-02T04:28:59","modified_gmt":"2025-07-02T07:28:59","slug":"vivemos-uma-epidemia-de-fome-no-brasil-a-pesquisadora-adriana-salay-fala-sobre-inseguranca-alimentar-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/vivemos-uma-epidemia-de-fome-no-brasil-a-pesquisadora-adriana-salay-fala-sobre-inseguranca-alimentar-no-pais\/","title":{"rendered":"\u201cVivemos uma epidemia de fome no Brasil\u201d &#8211; a pesquisadora Adriana Salay fala sobre inseguran\u00e7a alimentar no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para entender um pouco sobre a fome que aperta em tempos de crise, mas tamb\u00e9m sobre inseguran\u00e7a alimentar como um fen\u00f4meno estrutural no Brasil, conversamos com uma especialista no assunto: a historiadora social Adriana Salay.<\/h4>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/07\/29a8d78e-whatsapp-image-2021-07-06-at-09.50.16-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32736\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/07\/29a8d78e-whatsapp-image-2021-07-06-at-09.50.16-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/07\/29a8d78e-whatsapp-image-2021-07-06-at-09.50.16-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/07\/29a8d78e-whatsapp-image-2021-07-06-at-09.50.16-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/07\/29a8d78e-whatsapp-image-2021-07-06-at-09.50.16-453x340.jpeg 453w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/07\/29a8d78e-whatsapp-image-2021-07-06-at-09.50.16.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto com Adriana Salay, especialista em fome no Brasil <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p>\u201cA fome n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade\u201d. Com essa constata\u00e7\u00e3o Adriana Salay indica que o buraco \u00e9 mais embaixo e que o que temos para hoje \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o indigesta de tristes escolhas que resulta em 19 milh\u00f5es de pessoas que hoje, no Brasil, v\u00e3o dormir com fome sem saber o que ter\u00e3o no dia seguinte para comer. Seja estrutural ou pontual \u2013 e no Brasil temos, infelizmente, a sobreposi\u00e7\u00e3o desses dois aspectos \u2013 a inseguran\u00e7a alimentar grave, conhecida como fome, \u00e9 consequ\u00eancia de descasos hist\u00f3ricos com a nossa organiza\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Leia tamb\u00e9m o relato de Sarah Marques: <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/e-de-doer-relato-de-sarah-marques-traduz-a-realidade-da-fome-no-brasil\/\">\u00c9 de doer: relato de Sarah Marques traduz a realidade da fome no Brasil<\/a><\/p>\n\n<p>\u00c9 a partir de <a href=\"https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/geografia\/josue-castro.htm\">\u201cGeografia da Fome\u201d<\/a>, estudo refer\u00eancia publicado em 1946 por Josu\u00e9 de Castro, que surge a classifica\u00e7\u00e3o de fome end\u00eamica e epid\u00eamica, adotada at\u00e9 os dias de hoje, norteando pesquisas, como a de doutorado de Adriana. \u201cA fome end\u00eamica \u00e9 a cotidiana, de n\u00e3o-crise, causada pela estrutura social, resultado da nossa desigualdade social. A fome epid\u00eamica, a epidemia de fome, em um contexto de crise, coloca numa situa\u00e7\u00e3o de fome uma parcela muito maior da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que estamos vivendo hoje no Brasil: uma epidemia de fome. Mas a nossa fome n\u00e3o \u00e9 causada pela pandemia, foi agravada por ela.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n<p>Para analisar o cen\u00e1rio atual, os dois conceitos se aplicam, conforme nos explica a historiadora: &#8220;a gente tem uma fome end\u00eamica no Brasil enorme, que diminuiu no come\u00e7o do s\u00e9culo XXI, mas que mesmo assim se manteve, e voltou a aumentar a partir de 2015. Provavelmente em 2018, em uma \u00e9poca pr\u00e9-pandemia, j\u00e1 tinha aumentado a fome end\u00eamica. S\u00f3 que, com a pandemia, a gente entra numa fome epid\u00eamica, que coloca numa situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade um grupo muito maior. A partir do momento que a crise volta, os \u00edndices de fome voltam junto com ela, porque est\u00e3o diretamente ligados ao acesso \u00e0 renda. E a alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 renda. A fome se intensifica no momento em que a economia come\u00e7ou a estagnar e a entrar em recess\u00e3o, o n\u00famero do desemprego come\u00e7ou a aumentar. Claro que depois de 2016, a gente tem um desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas que v\u00e3o intensificar esse processo enormemente, porque v\u00e3o tirar aquilo que tinha sido constru\u00eddo e que tinha gerado tantos resultados at\u00e9 ent\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u00c9 preciso ponderar que, mesmo com iniciativas do estado voltadas \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades, em 2014, \u201co Brasil saiu do mapa da fome, mas a fome n\u00e3o saiu do Brasil\u201d, problematiza Adriana, explicando que \u201csair do mapa da fome significa ter menos de 5% da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de fome \u2013 e isso ainda \u00e9 muita gente\u201d. Agora ent\u00e3o, n\u00e3o restam d\u00favidas: com o sistem\u00e1tico enfraquecimento das medidas de transfer\u00eancia de renda e inclus\u00e3o social como parte de um projeto pol\u00edtico, somados ao contexto pand\u00eamico, voltaremos a aparecer nesse triste mapa. Ele ainda s\u00f3 n\u00e3o foi divulgado, mas \u00e9 quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n\n<p>De qualquer forma, Adriana frisa que \u201ch\u00e1 narrativas em disputa: \u00e9 preciso observar o que as pessoas entendem como fome. Se o presidente diz que n\u00e3o tem fome no Brasil porque n\u00e3o temos pessoas esquel\u00e9ticas, ele nos traz uma narrativa, uma defini\u00e7\u00e3o de fome, e nos d\u00e1 ind\u00edcios de que n\u00e3o \u00e9 preciso tratar disso\u201d. E a pesquisadora se debru\u00e7a sobre isso, revelando que \u201cquando se falava em fome no s\u00e9culo XIX, compreendia-se como algo vinculado a crises. Pensava-se num retirante sertanejo, na 2\u00aa Guerra Mundial, na Guerra Civil Espanhola. Mas a partir do s\u00e9culo XX, houve uma mudan\u00e7a de narrativa sobre a fome. Ela passou a ser estudada como um fen\u00f4meno social e pol\u00edtico, como um problema de acesso n\u00e3o igualit\u00e1rio. H\u00e1 pessoas que t\u00eam acesso, e pessoas que n\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Para uma popula\u00e7\u00e3o que convive com uma desigualdade social maior que a da Botsuana, entre as dez piores do mundo, escancarada na primeira fase da pandemia em que quase 30% dos brasileiros precisou do aux\u00edlio emergencial, o acesso f\u00e1cil e de baixo custo a alimentos ultraprocessados aliado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da oferta e do consumo de produtos agr\u00edcolas (num pa\u00eds l\u00edder em exporta\u00e7\u00e3o de commodities) s\u00e3o a mistura t\u00f3xica que d\u00e1 uma nova cara para a fome. Paradoxalmente, ela convive com a obesidade, crescente no Brasil &#8211; <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/noticias\/saude-e-vigilancia-sanitaria\/2020\/10\/pesquisa-do-ibge-mostra-aumento-da-obesidade-entre-adultos\">entre 2003 e 2019 a propor\u00e7\u00e3o de obesos na popula\u00e7\u00e3o adulta mais que dobrou, passando de 12,2% a 26,8%<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n<p>S\u00f3 durante a pandemia, houve <a href=\"https:\/\/www.lai.fu-berlin.de\/pt\/forschung\/food-for-justice\/publications1\/Publikationsliste_Working-Paper-Series\/Working-Paper-4\/index.html\">queda de 85% no consumo de alimentos saud\u00e1veis<\/a>, acirrando uma tend\u00eancia hist\u00f3rica. Em pleno milagre econ\u00f4mico, per\u00edodo assim denominado pela ditadura militar, em que houve grande crescimento do PIB (\u00e0s custas de muito desmatamento, aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda e da desigualdade social), mais de 60% dos brasileiros j\u00e1 apresentavam defici\u00eancia cal\u00f3rica na alimenta\u00e7\u00e3o, conforme nos contou Adriana, com base em estudos realizados na \u00e9poca. Dos anos 70 para c\u00e1, segundo ela, o consumo de feij\u00e3o, grande estrela do card\u00e1pio nacional, diminuiu nada menos que 50%. E mesmo assim \u201cn\u00e3o somos mais autossuficientes em feij\u00e3o, porque perdemos espa\u00e7o. Plantamos soja. Compramos feij\u00e3o at\u00e9 da China\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n<p>S\u00e3o escolhas que continuam a confirmar a tese de Josu\u00e9 de Castro de meados do s\u00e9culo passado. Nossa fome n\u00e3o \u00e9 fruto da escassez de recursos naturais nem do excesso populacional. \u00c9 resultado de um modelo monocultor e de extrema concentra\u00e7\u00e3o de renda e, por isso mesmo, excludente. \u201cA gente sabe que tem alimento para todo mundo. A gente sabe que a quest\u00e3o do fornecimento do alimento n\u00e3o \u00e9 a causa da fome. Claro que a gente precisa debater que alimento \u00e9 esse, se tem veneno, qual a qualidade dele, v\u00e1rias outras quest\u00f5es. Mas se a gente for pensar em acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o da parcela da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 passando fome, ela \u00e9 causada, na minha opini\u00e3o, pela desigualdade social, que precisa ser combatida para que a fome deixe de existir. A agroecologia, por exemplo, entra em um novo modelo de mundo, mas que precisa necessariamente passar tamb\u00e9m por um outro modelo econ\u00f4mico e social, n\u00e3o o que est\u00e1 instalado a\u00ed.\u201d<\/p>\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que obviamente a corda arrebenta no lado mais fraco: em lares chefiados por mulheres negras das regi\u00f5es Norte e Nordeste. \u201cQuando a pessoa de refer\u00eancia \u00e9 negra, a fome est\u00e1 presente em 10,7% dos lares, enquanto se \u00e9 branca, 7,5%; e em 11,1% dos lares chefiados por mulheres, a inseguran\u00e7a alimentar grave esteve presente, enquanto se \u00e9 homem, cai para 7,7%\u201d, conta Adriana, citando <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-04\/pesquisa-revela-que-19-milhoes-passaram-fome-no-brasil-no-fim-de-2020.\">pesquisa da Rede Penssan<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Enquanto isso, a sociedade civil segue se organizando em movimentos solid\u00e1rios para tapar os buracos da fome que o estado se recusa a ver. Assim \u00e9 que Adriana Salay, ao lado do marido Rodrigo Oliveira, chef do restaurante Mocot\u00f3, com a ajuda de parceiros como a chef <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/chegadeagrotoxicos-completa-dois-anos\/\">Paola Carosella<\/a> e o restaurante Fasano, criou o Quebrada Alimentada, projeto que distribui 100 marmitas por dia e 370 cestas b\u00e1sicas por m\u00eas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Vila Medeiros, bairro na Zona Norte de S\u00e3o Paulo. Desde mar\u00e7o de 2020 j\u00e1 serviram mais de 80 mil marmitas. Ao lado do Greenpeace e diversas outras institui\u00e7\u00f5es, o Quebrada Alimentada se juntou \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/gente-e-pra-brilhar-nao-pra-morrer-de-fome\/\">Campanha Gente \u00e9 pra Brilhar, N\u00e3o pra Morrer de Fome<\/a>. Junto a parceiros, Adriana est\u00e1 preparando um relat\u00f3rio para mapear iniciativas da sociedade civil voltadas \u00e0 assist\u00eancia alimentar no contexto da pandemia. Estamos mesmo precisando mesmo de uni\u00e3o e de boas not\u00edcias!\u00a0\u00a0<\/p>\n\n<p>Nessa esteira, continuamos a todo vapor com a Campanha <a href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/greenpeace?utm_source=site&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=food&amp;utm_content=aq_202107007_blog_quanto_custa_crowdfunding_agroecologia_contra_fome\">Agroecologia Contra a Fome<\/a>. At\u00e9 aqui, gra\u00e7as aos nossos apoiadores, j\u00e1 doamos mais de 14 mil quilos de comida de verdade, cultivada por fam\u00edlias de agricultores, para fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode participar!<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-cta\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/greenpeace?utm_source=site&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=food&amp;utm_content=aq_202107007_blog_quanto_custa_crowdfunding_agroecologia_contra_fome\">Doe para Agroecologia Contra a Fome! <\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para entender um pouco sobre a fome que aperta em tempos de crise, mas tamb\u00e9m sobre inseguran\u00e7a alimentar como um fen\u00f4meno estrutural no Brasil, conversamos com uma especialista no assunto: a historiadora social Adriana Salay.<\/p>\n","protected":false},"author":100,"featured_media":32736,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[18],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-32735","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-greenpeace","tag-agroecologia","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32735"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58636,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32735\/revisions\/58636"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32735"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=32735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}