{"id":33217,"date":"2021-08-11T06:35:07","date_gmt":"2021-08-11T09:35:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=33217"},"modified":"2025-07-02T04:28:40","modified_gmt":"2025-07-02T07:28:40","slug":"mudancas-climaticas-se-somam-a-outras-crises-no-brasil-e-aumentam-muros-da-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mudancas-climaticas-se-somam-a-outras-crises-no-brasil-e-aumentam-muros-da-desigualdade\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se somam a outras crises no Brasil e aumentam muros da desigualdade"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ouvir o que sente, pensa e faz quem mora nas periferias para acessar direitos b\u00e1sicos que lhes s\u00e3o historicamente negados deveria ser regra para cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/_CGPMxbUCvU\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"_CGPMxbUCvU\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n\n<p>Em um momento em que no balaio da realidade brasileira se armazena, num curto per\u00edodo de tempo, uma s\u00e9rie de crises que acentuam as duras pegadas da <strong>desigualdade<\/strong>, a<strong> crise clim\u00e1tica<\/strong> tamb\u00e9m marca o tempo com seus graves impactos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O brasileiro vem sentindo na pele desde o come\u00e7o de 2021 as consequ\u00eancias diversas do <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/se-o-planeta-esta-esquentando-por-que-faz-tanto-frio-no-brasil\/\">desequil\u00edbrio do clima mundial<\/a>: <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cheias-em-manaus-subida-do-rio-negro-expoe-mais-de-8-mil-familias-aos-prejuizos-da-crise-climatica\/\">cheias intensas no norte<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/se-o-planeta-esta-esquentando-por-que-faz-tanto-frio-no-brasil\/\">frio extremo no Centro-Sul<\/a>, e seca hist\u00f3rica nos reservat\u00f3rios de hidrel\u00e9tricas que abastecem boa parte do pa\u00eds &#8211; provocando o <strong>aumento da conta de luz e<\/strong><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2021\/06\/27\/veja-como-a-crise-hidrica-esta-afetando-a-producao-de-alimentos.ghtml\"><strong> dos alimentos<\/strong><\/a>. E \u00e9 na vida de mulheres como Jaqueline, In\u00eas e dona Eva, que ter\u00e3o suas vozes ecoadas nesta reportagem, mas que representam muitas outras, que a conta de todas as crises cai primeiro e muito mais cara.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33218\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/029ee0f3-mg_2234-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Jaqueline Bispo da Silva, de 33 anos, moradora do bairro de Itajuibe, Itaim Paulista, zona leste de S\u00e3o Paulo, entrevistada pelo Greenpeace Brasil sobre como a crise clim\u00e1tica soma-se a outras crises acentuando os muros da desigualdade. (07\/21)<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Quando questionada sobre o que ficou mais dif\u00edcil com a chegada da pandemia, Jaqueline Bispo da Silva, de 33 anos, nos d\u00e1 um chacoalh\u00e3o de realidade e lembra que <strong>sobreviver j\u00e1 \u00e9 desafiador h\u00e1 tempos para muitos brasileiros que vivem ou trabalham nas periferias, favelas e assentamentos prec\u00e1rios, e que as crises mais recentes s\u00f3 acentuaram um modo de funcionar de uma sociedade historicamente cruel e desigual.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n<p>\u201cEu sou uma m\u00e3e da favela. A quest\u00e3o da pandemia no mundo, ela s\u00f3 agravou problemas que sempre existiram. Hoje, quem tinha um emprego n\u00e3o tem mais, e para quem n\u00e3o tinha, est\u00e1 mais dif\u00edcil ainda, assim como o acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e outros direitos b\u00e1sicos. A gente (ela e o marido) trabalha como aut\u00f4nomo, vai fazendo do jeito que d\u00e1, \u00e0s vezes faz uma faxina aqui, vai virar uma massa ali, carrega uns blocos, a gente \u00e9 diverso\u201d, diz. Precisa ser.<\/p>\n\n<p><strong>N\u00fameros n\u00e3o se descolam da realidade<\/strong><\/p>\n\n<p>Hoje, 19 milh\u00f5es de brasileiros vivem em situa\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/vivemos-uma-epidemia-de-fome-no-brasil-a-pesquisadora-adriana-salay-fala-sobre-inseguranca-alimentar-no-pais\/\">inseguran\u00e7a alimentar<\/a>, e o <a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,desigualdade-bate-recorde-no-1-trimestre-e-renda-media-cai-para-o-menor-patamar-desde-2012,70003746743\">agravamento da desigualdade<\/a> fez com que muitos passassem a ter uma renda que nem de perto \u00e9 suficiente para garantir uma refei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00f3 gostariam, como precisariam ter para garantir a sa\u00fade no enfrentamento da pandemia. N\u00fameros que n\u00e3o se descolam da realidade.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33219\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/2b8f5525-img_2353-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>In\u00eas Pereira dos Santos em depoimento ao Greenpeace Brasil, em julho de 2021, quando a crise h\u00eddrica acentuada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas fizeram a conta de luz aumentar potencializando as dificuldades de grande parcela da popula\u00e7\u00e3o que vive em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>In\u00eas Pereira dos Santos vive em uma casa com mais sete pessoas, no munic\u00edpio de Ferraz de Vasconcelos, Grande S\u00e3o Paulo. Com a pandemia, todos perderam o emprego. O marido faz bicos para contribuir com os malabarismos necess\u00e1rios para colocar comida na mesa e ainda pagar todas as contas que chegam cada dia mais altas. \u201cAntes eu pagava R$50,00 (na conta de luz), mas agora foi pra cento e poucos reais\u201d, relata.<em> <\/em>\u00c0 falta de renda se acumula a incerteza do alimento no prato, da \u00e1gua que acaba todos os dias na torneira e o problema das d\u00edvidas.<\/p>\n\n<p>Em julho deste ano, a Aneel, Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica, <a href=\"https:\/\/www.aneel.gov.br\/sala-de-imprensa-exibicao\/-\/asset_publisher\/XGPXSqdMFHrE\/content\/aneel-define-que-bandeira-tarifaria-de-julho-custara-r-9-492-valor-sera-analisado-em-consulta-publica\/656877?inheritRedirect=false&amp;redirect=https:\/\/www.aneel.gov.br\/\">anunciou um novo aumento<\/a> na tarifa de energia que passou de R$6,24 para R$9,49 a cada 100 kWh (quilowatts-hora). Um reajuste de 52%. Ainda segundo a Ag\u00eancia, o acionamento al\u00e9m do previsto de usinas termel\u00e9tricas para garantir o fornecimento de energia em 2021 vai custar<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2021\/07\/11\/governo-eleva-de-r-9-bi-para-r-13-bi-previsao-de-gasto-com-termeletricas-consumidor-paga.ghtml\"> R$ 13 bilh\u00f5es \u00e0 popula\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n<p>Para In\u00eas, a <strong>conta de luz <\/strong>\u00e9 uma das que mais pesam. <em>E quais s\u00e3o os sacrif\u00edcios que voc\u00eas est\u00e3o precisando fazer?<\/em>, pergunto. &#8220;Banho. O banho tem que ser r\u00e1pido. Se for demorar 3 minutos, 5 minutos, n\u00e3o d\u00e1, ent\u00e3o \u00e9 poucos segundos. Eu tamb\u00e9m tiro a televis\u00e3o da tomada na hora de dormir. \u00c9 dif\u00edcil eu ficar com aparelho ligado dia e noite, n\u00e3o fico mais, s\u00f3 geladeira, porque<strong> \u00e0s vezes tem alguma coisa,<\/strong> agora mesmo ela t\u00e1 quase desligada porque n\u00e3o tem nada de mistura, quase nada l\u00e1 dentro\u201d, ela responde.<\/p>\n\n<p><strong>Os impactos da crise h\u00eddrica<\/strong><\/p>\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o do regimes de chuvas n\u00e3o aumentou apenas a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-que-mudancas-climaticas-tem-a-ver-com-a-crise-hidrica-e-o-aumento-na-conta-de-luz\/\">conta de luz<\/a>, mas tamb\u00e9m o pre\u00e7o dos alimentos. A seca provocou <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/2021\/06\/27\/veja-como-a-crise-hidrica-esta-afetando-a-producao-de-alimentos.ghtml\">preju\u00edzos na produ\u00e7\u00e3o<\/a> de itens como arroz, feij\u00e3o, leite, carne, entre outros. \u201cAumentou tudo, tudo, tudo, mo\u00e7a. Um pacote de arroz, a gente comprava pelo que? 14 reais, at\u00e9 16, agora t\u00e1 quase 30 reais um pacote de arroz de 5 quilos que aqui s\u00f3 dura tr\u00eas dias n\u00e9, porque \u00e9 muita gente. Mistura? Antes era dif\u00edcil faltar. Agora sempre falta\u201d, conta In\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em quase todas as casas que visitamos, a \u00e1gua \u00e9 recurso escasso todos os dias, geralmente \u00e9 interrompida&nbsp;\u00e0 noite e s\u00f3 volta na manh\u00e3 seguinte. Para algumas dessas fam\u00edlias, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 armazenar a \u00e1gua em garrafas pet. Outras nem t\u00eam espa\u00e7o para isso, contam com os vizinhos quando a escassez se prolonga.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33220\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/d81bb7ae-mg_2071-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Para Eva de Jesus Santos, a conta de \u00e1gua \u00e9 mais uma que pesa na balan\u00e7a da sobreviv\u00eancia, mesmo faltando \u00e1gua na torneira todos os dias. Desde o come\u00e7o da pandemia, as doa\u00e7\u00f5es da CUFA Ferraz de Vasconcelos t\u00eam sido fundamentais para garantir comida na mesa.<br><div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Para Eva de Jesus Sousa Santos, a dona Eva, a conta de \u00e1gua \u00e9 mais uma que desequilibra a balan\u00e7a da sobreviv\u00eancia. De um lado, os boletos a pagar, do outro, a fome e a alta do pre\u00e7o dos alimentos. Apesar de faltar \u00e1gua todos os dias, ela recebe em casa a cobran\u00e7a pelo servi\u00e7o. \u201cAntes eu pagava 20 reais, 10 reais (na conta de \u00e1gua). Agora, no m\u00eas passado, acumulou o atraso e veio (no valor) de 70 e alguma coisinha. Ent\u00e3o j\u00e1 fica mais dif\u00edcil, n\u00e9?\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Antes da pandemia, dona Eva vendia vasilhas de pl\u00e1stico numa feira do bairro, o que lhe garantia \u201cuma rendinha\u201d, como ela mesma diz, mas como tem a sa\u00fade fr\u00e1gil n\u00e3o p\u00f4de ir mais. \u201c(Naquela \u00e9poca) Tava dando pra sobreviver\u201d. Hoje, sua \u00fanica renda \u00e9 o aux\u00edlio emergencial de R$150,00, que usa para garantir o que pode para ela e o neto, de 12 anos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201c\u00c0s vezes tem muita gente que se pergunta\u201d, conta, \u201ccomo \u00e9 que a Dona Eva sobrevive se ela n\u00e3o tem nenhum ganho, n\u00e3o tem ningu\u00e9m que ajuda? Eu tenho sim! Eu tenho eles que me ajudam, n\u00e9, e eu tenho Deus tamb\u00e9m que me ajuda muito\u201d.&nbsp; O \u201celes\u201d a quem ela se refere s\u00e3o Cibele Machado e Geraldo Mendes, mais conhecido como Servo GDS, ambos representantes da Central \u00danica das Favelas, a CUFA Ferraz de Vasconcelos (SP).<\/p>\n\n<p><strong>Sociedade civil em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>A CUFA \u00e9 parte de um dos importantes movimentos liderados pela sociedade civil nos lugares onde a a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria tem sido fundamental na assist\u00eancia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade &#8211; uma parcela da popula\u00e7\u00e3o que h\u00e1 tempos sofre o abandono do poder p\u00fablico no cumprimento do seu dever de garantir uma vida digna a todos. \u201cO que vale aqui dentro da nossa comunidade para que n\u00e3o falte o alimento das nossas crian\u00e7as s\u00e3o os projetos sociais\u201d, diz Jaqueline Bispo da Silva.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Antes da pandemia, GDS trabalhava exclusivamente com produ\u00e7\u00e3o cultural organizando shows musicais. Nesses eventos, ele tamb\u00e9m costumava arrecadar alimentos para distribuir para ONGs locais que os encaminhavam para moradores nas favelas. Mas, desde mar\u00e7o de 2020, ele tem dedicado a maior parte do tempo para atender cerca de 800 fam\u00edlias, aproximadamente 3500 pessoas em Ferraz de Vasconcelos, Po\u00e1, Guarulhos e outras regi\u00f5es da zona leste de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33221\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/baf299f4-mg_2010-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Servo GDS, da CUFA Ferraz de Vasconcelos (SP), em entrevista ao Greenpeace Brasil, em julho de 2021, sobre os impactos da crise h\u00eddrica nas popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. &#8220;A gente chega nessas fam\u00edlias para ajudar com o b\u00e1sico de sobreviv\u00eancia, que \u00e9 um alimento, uma estrutura para que possa sobrar um dinheiro pra ela pagar essas contas\u201d, relata.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>\u201cS\u00e3o muitas as necessidades que essas fam\u00edlias est\u00e3o passando hoje. Algumas n\u00e3o conseguem comprar um g\u00e1s (de cozinha), outras n\u00e3o t\u00eam um chuveiro para tomar banho, t\u00eam tomado banho de caneca, outras n\u00e3o est\u00e3o conseguindo pagar a conta de \u00e1gua, a conta de luz ou comer. Ent\u00e3o a gente chega nessas fam\u00edlias para ajudar com o b\u00e1sico de sobreviv\u00eancia, que \u00e9 um alimento, uma estrutura para que possa sobrar um dinheiro pra ela pagar essas contas\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Desde o ano passado, o Greenpeace tem unido for\u00e7as a outras organiza\u00e7\u00f5es, entre elas a CUFA, para levar ajuda no enfrentamento da pandemia, contribuindo com <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/familia-apoia-familia\/\">alimento para quem precisa<\/a>&nbsp;e <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/toneladas-de-solidariedade-campanha-combate-a-fome-com-agroecologia\/\">apoiando a agricultura familiar<\/a>, que tem atuado fortemente na <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/familia-apoia-familia\/\">alian\u00e7a entre campo e cidade<\/a> no combate \u00e0 fome nas periferias urbanas e no fortalecimento da sa\u00fade de muitos brasileiros.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33222\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b1a84d8b-copy-of-_mg_1843-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Thiago Vinicius, da Ag\u00eancia Solano Trindade, carregando cesta de org\u00e2nicos\u00a0na miss\u00e3o de levar comida de qualidade at\u00e9 quem mais precisa.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Diante de tantos desafios, em uma outra regi\u00e3o da cidade, a<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/as-arvores-somos-nozes-48-agroecologia-saude-individual-coletiva-e-ambiental\/\"><strong> agroecologia<\/strong><\/a><strong>, que nasce principalmente pelas m\u00e3os da agricultura familiar, surge como medida de resili\u00eancia fazendo a ponte entre quem tem fome e comida saud\u00e1vel<\/strong>. <\/p>\n\n<p>Saindo da zona leste e aterrissando na zona sul de S\u00e3o Paulo, quem nos conduz \u00e9 Thiago Vinicius, da Ag\u00eancia Solano Trindade, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/marmitas-saudaveis-para-combater-a-fome-durante-a-pandemia\/\">parceiro de longa data<\/a> do Greenpeace Brasil e uma voz forte quando o objetivo \u00e9 dar eco sobre o que sente e pensa quem vive nas periferias e \u00e0 luta pela derrubada dos muros da desigualdade.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Mais recentemente, em meio \u00e0 pandemia, Thiago e sua m\u00e3e, Tia Nice (como gosta de ser chamada), come\u00e7aram o cultivo agroecol\u00f3gico num s\u00edtio em Juquitiba, regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Eles veem a agroecologia como uma importante aliada na luta contra a fome, al\u00e9m de ser capaz de conectar a diversidade das periferias com a diversidade da natureza.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33224\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/b640630f-copy-of-_mg_1765-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Thiago e sua m\u00e3e, Tia Nice, em horta org\u00e2nica cultivada por eles em Juquitiba (SP). Dali saem verduras para as marmitas que s\u00e3o feitas diariamente no Organicamente Rango, o restaurante da Ag\u00eancia Solano Trindade, que distribuiu 35 mil marmitas desde o come\u00e7o da pandemia.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p><strong>Agroecologia como medida de resili\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n<p>Como o pr\u00f3prio Thiago descreve, h\u00e1 muito em comum entre a vida nas periferias e a forma de produ\u00e7\u00e3o. \u201cAs agroflorestas t\u00eam todos os tipos de esp\u00e9cies vivendo juntas, inclusive as pragas, que s\u00e3o naturais e fazem parte desse ecossistema. Ent\u00e3o eu vejo que <strong>a agrofloresta tem tudo a ver com a periferia. A periferia \u00e9 diversidade<\/strong>, a gente inclusive tamb\u00e9m pode falar que a periferia \u00e9 uma agrofloresta, uma agrofloresta de gente, de gente trabalhadora, de gente batalhadora, e foi por isso que a gente escolheu esse modo de produ\u00e7\u00e3o, porque tem tudo a ver com a nossa quebrada, com a nossa comunidade onde a gente nasceu, onde a gente viveu e onde a gente conquistou muitas coisas\u201d.<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m de representar as periferias, esse modo de produzir torna a regi\u00e3o muito mais forte para enfrentar momentos como a seca que estamos vivendo no pa\u00eds. Apesar da crise clim\u00e1tica influenciar todo um desequil\u00edbrio que tem provocado uma s\u00e9rie de eventos extremos, \u00e9 importante olharmos para o que acontece em menor escala nos territ\u00f3rios. A \u00e1gua que abastece o terreno e a horta de Thiago e de Tia Nice, por exemplo, vem de uma nascente muito pr\u00f3xima dali e que segue intacta gra\u00e7as aos esfor\u00e7os de toda a vizinhan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cEssa mina d &#8216;\u00e1gua permanece viva porque todo mundo aqui cuida dela. Todos os vizinhos se abastecem dela. A gente faz um mutir\u00e3o pra cuidar dela com muito carinho\u201d, diz Tia Nice. E Thiago completa: <strong>\u201cAo mesmo tempo que a gente est\u00e1 preservando a mata, \u00e9 como se a gente estivesse plantando \u00e1gua\u201d.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n<p>\u201cUm dos princ\u00edpios da agroecologia \u00e9 a diversidade e o outro \u00e9 o respeito ao ambiente local. Quando voc\u00ea usa uma diversidade de esp\u00e9cies no plantio, voc\u00ea tem chances muito maiores de que aquele sistema sobreviva. Por exemplo, se voc\u00ea tem uma seca intensa em um monocultivo, que \u00e9 quando se cultiva uma \u00fanica esp\u00e9cie, e essa seca acontece bem no per\u00edodo de flora\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o vai ser zero ou vai ser muito baixa. Por outro lado, se eu tenho dez, vinte esp\u00e9cies num mesmo local, aquela seca vai chegar e pode ser que afete da mesma forma \u00e0quela mesma esp\u00e9cie l\u00e1 do monocultivo, s\u00f3 que eu tenho muitas outras que poder\u00e3o sofrer impactos menores ou que ser\u00e3o afetadas de diferentes formas. <strong>A diversidade com certeza garante uma maior resili\u00eancia<\/strong>\u201d, explica Fl\u00e1vio Bertin, professor de Ecologia da Escola Superior de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d (Esalq), Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33226\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/08\/62934bfa-copy-of-_mg_1620-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>&#8220;Estou doando vida&#8221;, diz Tia Nice ao mostrar a cesta de org\u00e2nicos que ela mesma plantou e colheu. Dali, o alimento vai para as marmitas preparadas pelo Restaurante Organicamente Rango, da Ag\u00eancia Solano Trindade, onde uma iniciativa de solidariedade leva alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel para quem tem fome.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Desde mar\u00e7o de 2020, a Ag\u00eancia Solano Trindade j\u00e1 entregou mais de 20 mil cestas b\u00e1sicas e 35 mil marmitas, e at\u00e9 o final do ano pretende entregar o total de 50 mil marmitas. \u201c<strong>Em um momento como este, a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo.<\/strong> <strong>E a gente acredita que quando a gente coloca na mesa de uma fam\u00edlia um alimento org\u00e2nico \u00e9 menos uma pessoa na fila da UBS<\/strong>\u201d, afirma Thiago.<\/p>\n\n<p class=\"has-grey-20-background-color has-background\">J\u00e1 existem solu\u00e7\u00f5es para a crise clim\u00e1tica que podem contribuir com a resolu\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica e social brasileira. Precisamos apenas ligar os pontos, contar com quem j\u00e1 est\u00e1 atuando e promover a\u00e7\u00f5es que contribuam para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, inclusivo e em equil\u00edbrio com os recursos naturais do planeta.&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/crise-climatica\">Assine a nossa peti\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;<\/strong>para se juntar ao movimento de pessoas que reconhecem a urg\u00eancia da crise clim\u00e1tica e manter-se informade sobre mobiliza\u00e7\u00f5es e iniciativas para pressionar as autoridades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouvir o que sente, pensa e faz quem mora nas periferias para acessar direitos b\u00e1sicos que lhes s\u00e3o historicamente negados deveria ser regra para cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas<\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":33219,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-33217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33217"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58630,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33217\/revisions\/58630"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33217"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=33217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}