{"id":33540,"date":"2021-09-02T16:16:19","date_gmt":"2021-09-02T19:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=33540"},"modified":"2025-07-02T04:28:21","modified_gmt":"2025-07-02T07:28:21","slug":"exterminador-do-futuro-condominio-estrondo-inicia-desmatamento-gigante-no-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/exterminador-do-futuro-condominio-estrondo-inicia-desmatamento-gigante-no-cerrado\/","title":{"rendered":"Exterminador do futuro: Estrondo inicia desmatamento gigante no Cerrado"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Grupo agr\u00edcola, que responde na justi\u00e7a por apropria\u00e7\u00e3o indevida de terras, recebeu uma permiss\u00e3o irregular para desmatar uma \u00e1rea de Cerrado nativo maior que a cidade do Recife<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/e6008405-gp0sttdon_web_size.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33541\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/e6008405-gp0sttdon_web_size.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/e6008405-gp0sttdon_web_size-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/e6008405-gp0sttdon_web_size-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/e6008405-gp0sttdon_web_size-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>\u00c1rea de cultivo de soja no Condom\u00ednio Cachoeira do Estrondo. A fazenda foi estabelecida em 1975, e j\u00e1 ocupa 315 mil hectares \u2013 tr\u00eas vezes o tamanho da cidade de Nova York. Soja, algod\u00e3o e milho s\u00e3o cultivados. A fazenda \u00e9 composta por 22 empresas que operam no setor agr\u00edcola, sendo um claro exemplo de desmatamento feito para plantio de commodity. (\u00a9 Victor Moriyama \/ Greenpeace)<br><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O Condom\u00ednio Estrondo, conglomerado agr\u00edcola com longo hist\u00f3rico de grilagem e viol\u00eancia, localizado no oeste baiano, iniciou o desmatamento de uma nova \u00e1rea no Cerrado brasileiro. Mesmo sendo alvo de diversos processos judiciais, o grupo obteve uma licen\u00e7a irregular para desmatar 24.732 hectares (ha) de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, uma \u00e1rea maior que a cidade de Recife (PE) ou equivalente a duas vezes a cidade de Paris, na Fran\u00e7a.\u00a0<\/p>\n\n<p>A Autoriza\u00e7\u00e3o de Supress\u00e3o de Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa (ASV) foi concedida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos da Bahia (Inema). Segundo informa\u00e7\u00f5es do servi\u00e7o MapBiomas e relatos das comunidades locais, o desmatamento j\u00e1 come\u00e7ou. Imagem do Greenpeace\/Planet\u00b0 mostra um desmatamento de cerca de 1.200 ha executado entre 10 de julho e 1 de agosto de 2021.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"355\" height=\"317\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/3ae6a6b6-whatsapp-image-2021-08-30-at-12.51.26.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33542\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/3ae6a6b6-whatsapp-image-2021-08-30-at-12.51.26.jpeg 355w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/3ae6a6b6-whatsapp-image-2021-08-30-at-12.51.26-300x268.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/><figcaption>Imagem do Greenpeace\/Planet\u00b0 mostra desmatamento de cerca de 1200 ha executado entre 10 de julho e 1 de agosto de 2021.<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p>A renova\u00e7\u00e3o desta licen\u00e7a de desmatamento, concedida em 2019, n\u00e3o poderia ter acontecido, j\u00e1 que o Condom\u00ednio n\u00e3o atende sequer \u00e0s condicionantes do pr\u00f3prio Inema, que exige que os empreendimentos comprovem \u201cter sob sua responsabilidade e dom\u00ednio as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente e reserva legal\u201d, o que a Estrondo n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de fazer, j\u00e1 que a posse de 43.339,33 ha, declarados como Reserva Legal do Condom\u00ednio, \u00e9 das comunidades tradicionais ao longo dos rios \u201cPreto\u201d e \u201cdos Santos\u201d, segundo decis\u00e3o judicial de maio de 2017, confirmada pelo Tribunal de Justi\u00e7a da Bahia (2018) e pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (2021).\u00a0<\/p>\n\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, o grupo responde ainda processos por grilagem de terras, onde o estado da Bahia pede a anula\u00e7\u00e3o de diversas matr\u00edculas. Em 1999, o INCRA notificou a fazenda como \u201cmega-\u00e1rea de grilagem\u201d de 444.306 hectares registrados nos cart\u00f3rios de Santa Rita de C\u00e1ssia e Formosa do Rio Preto.<\/p>\n\n<p>A \u00e1rea com a ASV faz parte da por\u00e7\u00e3o reivindicada pelo estado e, portanto, n\u00e3o poderia ser desmatada sem autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o estadual de terras (CDA), permiss\u00e3o que o Condom\u00ednio Estrondo n\u00e3o possui.&nbsp;<\/p>\n\n<p>As principais v\u00edtimas desta conduta criminosa reiterada do grupo t\u00eam sido as comunidades geraizeiras, que perderam os seus territ\u00f3rios tradicionais, e um n\u00famero inestim\u00e1vel das mais diversas esp\u00e9cies de fauna e flora do Cerrado que perderam o seu habitat natural. Como se n\u00e3o bastasse, com o agravamento da crise h\u00eddrica no Brasil e a crise clim\u00e1tica em todo o planeta, permitir o desmatamento de uma \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa dessa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 um crime inaceit\u00e1vel contra a humanidade.\u00a0<\/p>\n\n<p>Ainda assim, at\u00e9 o momento, o Inema tem se furtado de reconhecer seu erro e mant\u00e9m a autoriza\u00e7\u00e3o, que pode trazer impactos ainda maiores \u00e0 regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ontem (1), 56 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil encaminharam carta, direcionada ao governador da Bahia, Rui Costa, \u00e0 secretaria estadual de Meio Ambiente e diretora geral do Inema, M\u00e1rcia Cristina de Ara\u00fajo Lima, e \u00e0 coordenadora executiva da Coordena\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Agr\u00e1rio, Camilla Batista, exigindo a revoga\u00e7\u00e3o desta descabida autoriza\u00e7\u00e3o de desmatamento concedida pelo Inema, \u00f3rg\u00e3o que vem se comportando de forma flagrantemente contr\u00e1ria \u00e0s suas prerrogativas de zelar pelo patrim\u00f4nio ambiental do estado da Bahia.\u00a0<\/p>\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/09\/be97fb18-carta-asv-estrondo.pdf\">Veja a carta na \u00edntegra. <\/a><\/p>\n\n<p><strong>Hist\u00f3rico de viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>Os problemas relacionados ao desmatamento e direitos humanos dessa propriedade s\u00e3o bem conhecidos, j\u00e1 tendo sido abordados muitas vezes pela m\u00eddia brasileira, movimentos sociais e pelo pr\u00f3prio Greenpeace \u2013 falamos sobre ela no relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/contagem-regressiva-para-a-extincao\/\"><em>Contagem Regressiva para a Extin\u00e7\u00e3o<\/em><\/a> e na Investiga\u00e7\u00e3o<em> <\/em><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/cultivando-violencia-licenca-para-desmatar\/\"><em>Cultivando Viol\u00eancia<\/em><\/a><em>. <\/em>O hist\u00f3rico inclui desde acusa\u00e7\u00f5es por apropria\u00e7\u00e3o de terras \u2013 registradas no Livro Branco da Grilagem de Terras no Brasil, do Incra -, uso de m\u00e3o de obra escrava, fraudes em licen\u00e7as para desmatamento e intimida\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es locais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em 2019, o Greenpeace presenciou uma destas situa\u00e7\u00f5es, quando homens fortemente armados chegaram \u00e0 uma das comunidades e mantiveram os moradores, al\u00e9m de uma equipe de reportagem alem\u00e3, sob a mira de fuzis por cerca de duas horas.\u00a0<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/-33T-zQojZA\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"-33T-zQojZA\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n\n<p>Mas o impacto de sua atua\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m do regional. A soja produzida a partir de todos esses crimes acaba <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/soja-de-desmatamento-produzida-no-cerrado-chega-ao-prato-de-britanicos\/\">contaminando o mercado mundial e chegando a consumidores de grandes marcas em todo o mundo, como j\u00e1 mostramos<\/a>. Al\u00e9m disso, o Cerrado \u00e9 fundamental para o fluxo das \u00e1guas no Brasil, mas mais da metade do bioma j\u00e1 foi destru\u00eddo pelo agroneg\u00f3cio. Permitir sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 atentar contra o patrim\u00f4nio de todos os brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Os dados s\u00e3o estarrecedores: desde 2010, a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de commodities agr\u00edcolas ligadas ao desmatamento, como gado, soja, \u00f3leo de palma, borracha e cacau, vem aumentando vertiginosamente. Oitenta por cento do desmatamento global \u00e9 resultado direto da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. No Brasil, entre 2010 e 2017, as fazendas de soja e gado eliminaram quase cinco milh\u00f5es de hectares do Cerrado.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) deu mais um duro recado h\u00e1 alguns dias: As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e3o impactando severamente a popula\u00e7\u00e3o e a janela para reverter o colapso \u00e9 cada vez menor. N\u00e3o podemos permitir o desmatamento de mais uma \u00e1rea gigantesca de Cerrado em nome do agroneg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo agr\u00edcola, que responde na justi\u00e7a por apropria\u00e7\u00e3o indevida de terras, recebeu uma permiss\u00e3o irregular para desmatar uma \u00e1rea de Cerrado nativo maior que a cidade do Recife<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":33541,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[18,22,26],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-33540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-agroecologia","tag-florestas","tag-biodiversidade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33540"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58624,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33540\/revisions\/58624"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33540"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=33540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}