{"id":34383,"date":"2021-10-08T14:39:27","date_gmt":"2021-10-08T17:39:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=34383"},"modified":"2021-10-08T15:03:18","modified_gmt":"2021-10-08T18:03:18","slug":"a-luta-contra-a-fome-chega-ao-novo-coracao-da-producao-de-soja-correntina-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-luta-contra-a-fome-chega-ao-novo-coracao-da-producao-de-soja-correntina-na-bahia\/","title":{"rendered":"A luta contra a fome chega ao novo cora\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de soja, Correntina, na Bahia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Agroecologia Contra a Fome: O Greenpeace doou alimentos para 1300 fam\u00edlias do sert\u00e3o da Bahia, regi\u00e3o que enfrenta&nbsp; grave crise h\u00eddrica causada pelo roubo d&#8217;\u00e1gua pelo agroneg\u00f3cio<\/h4>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"648\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-1024x648.jpg\" title=\"Agroecologia Contra a fome: doa\u00e7\u00e3o de alimentos para popula\u00e7\u00e3o de Correntina, no interior da Bahia | Cr\u00e9dito: Marcos Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o dos Santos\" alt=\"Agroecologia Contra a fome: doa\u00e7\u00e3o de alimentos para popula\u00e7\u00e3o de Correntina,  no interior da Bahia | Cr\u00e9dito: Marcos Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o dos Santos\" class=\"wp-image-34405\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-1024x648.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-300x190.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-768x486.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-1536x972.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-2048x1296.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/10\/95f9a4b6-2-1-510x323.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Agroecologia Contra a Fome: doa\u00e7\u00e3o de alimentos para popula\u00e7\u00e3o de Correntina, no interior da Bahia | Cr\u00e9dito: Marcos Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o dos Santos<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o com maior alta na produtividade do agroneg\u00f3cio <a href=\"https:\/\/www.portaldoagronegocio.com.br\/agricultura\/soja\/noticias\/produtividade-da-soja-na-bahia-registra-crescimento\">no Brasil<\/a>, &nbsp; est\u00e1 passando fome. Diante de tamanha calamidade e da neglig\u00eancia do poder p\u00fablico, o Greenpeace resolveu se somar a outras organiza\u00e7\u00f5es para doar comida de verdade para a popula\u00e7\u00e3o de Correntina,&nbsp; no interior da Bahia, a 793 quil\u00f4metros de Salvador.<\/p>\n\n<p>Embora n\u00e3o faltem alimentos no Brasil, afinal o pa\u00eds \u00e9 o maior produtor de gr\u00e3os e carne do mundo, a realidade \u00e9 que a fome impera. Metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre atualmente com a restri\u00e7\u00e3o de alimentos. E as mulheres s\u00e3o as que mais convivem com o prato vazio.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Cleuza de Oliveira, uma das beneficiadas das cestas agroecol\u00f3gicas doadas pelo Greenpeace, com apoio na produ\u00e7\u00e3o e entrega pela Escola Fam\u00edlia Agr\u00edcola, conta como foi receber o apoio: \u201cFiquei muito feliz. Estava indo comprar comida quando voc\u00eas chegaram. Mas essa cesta vai ajudar, porque o dinheiro n\u00e3o deu pra muita coisa. Est\u00e1 dif\u00edcil esse ano. Mas, na cidade est\u00e1 pior ainda. Tudo \u00e9 comprado, n\u00e3o d\u00e1 para colher um caju e um lim\u00e3o. Aqui na ro\u00e7a, apesar de tudo, ainda temos um pouco mais\u201d, conta a moradora da comunidade do Cap\u00e3o do Modesto, em Mutum, a 800 quil\u00f4metros da capital baiana.<\/p>\n\n<p>A principal causa da fome em Correntina \u00e9 a falta de \u00e1gua para produzir.&nbsp; As comunidades est\u00e3o sem \u00e1gua por conta do direcionamento dos rios da regi\u00e3o para o<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/correntina-as-guerras-da-agua-chegam-ao-brasil\/\"> agroneg\u00f3cio.<\/a> Uma realidade que j\u00e1 provocou v\u00e1rios conflitos e mortes ao longo dos \u00faltimos anos, segundo o relat\u00f3rio<a href=\"http:\/\/mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br\/conflito\/ba-comunidades-tradicionais-de-correntina-lutam-por-direito-a-agua-e-sobrevivencia\/\"> Conflitos do Campo Brasil, publicado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terr<\/a>a (CPT).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cEstamos desde o in\u00edcio da Pandemia&nbsp; sem \u00e1gua. O ano de 2020 foi o pior. As constru\u00e7\u00f5es de cisternas foram inclusive paralisadas pelo governo&#8221;, diz Jandira Pereira Neves Lopes, da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria da Escola Fam\u00edlia Agr\u00edcola Rural de Correntina e Arredores &#8211; Acefarca,&nbsp; entidade que atua com a agricultura familiar e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para a merenda escolar.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Antes, com acesso aos rios, as fam\u00edlias conseguiam garantir sua soberania alimentar.&nbsp; \u201cQuando n\u00e3o faltava \u00e1gua, a gente plantava mais. Hoje a \u00e1gua est\u00e1 dif\u00edcil e a comida tamb\u00e9m. A gente s\u00f3 consegue plantar mandioca e produzir farinha, o resto falta. No passado t\u00ednhamos de tudo\u201d, conta Cleuza.<\/p>\n\n<p>Assim como em diversas outras localidades selecionadas para receber a doa\u00e7\u00e3o de cestas agroecol\u00f3gicas,&nbsp; o problema de Correntina n\u00e3o \u00e9 a escassez de alimentos, e, sim, a falta de acesso pelo conjunto da popula\u00e7\u00e3o, principalmente por membros de comunidades tradicionais que v\u00eam sofrendo constantemente ataques e intimida\u00e7\u00f5es por parte de grandes do agroneg\u00f3cio. Empreendimentos que invadem terras de uso comunal, fazem grilagem verde e acabam com os recursos h\u00eddricos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 conhecida pelo nome de \u201cAl\u00e9m S\u00e3o Francisco\u201d ou \u201cBer\u00e7o das \u00c1guas\u201d, um local de veredas e nascentes.&nbsp; Mas, na d\u00e9cada de 1970, com projetos financiados pelo Estado e pelo capital internacional foram instalados piscin\u00f5es e perfura\u00e7\u00f5es de grandes po\u00e7os, diminuindo o volume de \u00e1guas dos rios que abastecem a bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Corrente. Agricultores familiares e a popula\u00e7\u00e3o mais pobre que ficaram fora deste sistema acabaram sem \u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Outra raiz da escassez h\u00eddrica \u00e9 a devasta\u00e7\u00e3o do Cerrado. O bioma \u00e9 o guardi\u00e3o das nascentes dos rios no Brasil e \u00e9 conhecido como a caixa d&#8217;\u00e1gua do pa\u00eds.&nbsp; A ocupa\u00e7\u00e3o pela pecu\u00e1ria e as planta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os, fomentados por pol\u00edticas p\u00fablicas federais, desencadearam a perda acumulada de 50% de sua \u00e1rea original. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado foi intensificada em 2021, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (<a href=\"http:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/app\/dashboard\/alerts\/biomes\/cerrado\/daily\/\">Inpe<\/a>), e den\u00fancias do <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/exterminador-do-futuro-condominio-estrondo-inicia-desmatamento-gigante-no-cerrado\/\">Greenpeace Brasi<\/a>l.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em Correntina, agricultores familiares das Comunidades de Fecho, Fundo de Pasto, Comunidades urbanas e ribeirinhos s\u00e3o os que mais sofrem com a falta d\u2019\u00e1gua.&nbsp; Como resultado, as planta\u00e7\u00f5es de arroz, um dos alimentos mais<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1xgDxyo-N1x8Nkb8dW2dFtajRkycBhpXo-flCS-_A9J0\/edit?usp=sharing\"> impactados pela alta dos pre\u00e7os no Brasil,<\/a> desapareceram junto com a \u00e1gua. \u201cAntes, todos plantavam o arroz de v\u00e1rzea, nas margens do rio. Uma cultura de s\u00e9culos feita com sementes nativas, as sementes crioulas. Mas sem \u00e1gua n\u00e3o tem como plantar arroz o suficiente para colher, pois os p\u00e1ssaros atacam muito esse cultivo. As fam\u00edlias desistiram do arroz, ficaram com as sementes e sem comida no prato\u201d, explica Marcos Rog\u00e9rio Beltr\u00e3o dos Santos, agricultor familiar local.<\/p>\n\n<p><strong>S\u00f3 a agroecologia salva<\/strong><\/p>\n\n<p>Os alimentos que integraram as cestas agroecol\u00f3gicas doadas para a popula\u00e7\u00e3o mais carente de Correntina s\u00e3o frutos da Agroecologia. As 200 cestas distribu\u00eddas continham 13 produtos da agricultura familiar, como alho, rapadura, beterraba, cenoura, couve, farinha, feij\u00e3o, ab\u00f3bora entre outros.&nbsp; As doa\u00e7\u00f5es chegaram a quase 4 toneladas de alimentos. \u201cEssa ajuda vai ser muito boa para meus filhos e pra mim tamb\u00e9m. Agora, vamos poder dividir a comida\u201d, diz Simone Pereira de Souza, de Correntina.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ao todo, foram 1.300 pessoas atendidas pela campanha na regi\u00e3o de Correntina.&nbsp; Dez comunidades da zona rural e oito regi\u00f5es perif\u00e9ricas de Correntina, Mutum e&nbsp; Santa Maria da Vit\u00f3ria receberam alimentos&nbsp; ou contribu\u00edram&nbsp; com os seus cultivos agroecol\u00f3gicos,&nbsp; livre de agrot\u00f3xicos e produzidos diretamente das m\u00e3os de agricultoras e agricultores familiares em parceria com a natureza. &nbsp;Na outra ponta, cerca de 30 pequenos produtores foram beneficiados pela compra desses alimentos. A sociedade civil tem feito um esfor\u00e7o gigantesco para aplacar a sede e a fome. Mas, isso n\u00e3o dispensa uma a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica do Estado e suas diversas inst\u00e2ncias, de assegurar o direito constitucional de todas as pessoas do Brasil a uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e adequada.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Para al\u00e9m da aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos da agricultura familiar e da doa\u00e7\u00e3o para quem tem fome, denunciar o desigual sistema alimentar brasileiro, cobrar e desafiar os tomadores de decis\u00e3o para que zelem com a vida das pessoas continuar\u00e1 sendo uma das miss\u00f5es do Greenpeace Brasil.<\/p>\n\n<p>Quer continuar apoiando? <\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-secondary\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/doe.greenpeace.org.br\/comida-de-verdade\/p\"> Doe para Agroecologia Contra a Fome  <\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agroecologia Contra a Fome: O Greenpeace doou alimentos para 1300 fam\u00edlias do sert\u00e3o da Bahia, regi\u00e3o que enfrenta\u00a0 grave crise h\u00eddrica causada pelo roubo d&#8217;\u00e1gua pelo agroneg\u00f3cio<\/p>\n","protected":false},"author":100,"featured_media":34413,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[18],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-34383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-agroecologia","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34383"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34383\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34414,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34383\/revisions\/34414"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34383"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=34383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}