{"id":34785,"date":"2021-11-04T15:22:19","date_gmt":"2021-11-04T18:22:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=34785"},"modified":"2021-12-01T09:29:19","modified_gmt":"2021-12-01T12:29:19","slug":"genocidio-sim-assassinato-de-indigenas-aumenta-61","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/genocidio-sim-assassinato-de-indigenas-aumenta-61\/","title":{"rendered":"Genoc\u00eddio, sim: assassinato de ind\u00edgenas aumenta 61%"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Novo relat\u00f3rio mostra que nem mesmo a COVID-19 interrompeu a explora\u00e7\u00e3o criminosa dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas do Brasil<\/em><\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"971\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/11\/f528c15a-ari-uru-eu-wau-wau-1024x971.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34786\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/11\/f528c15a-ari-uru-eu-wau-wau-1024x971.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/11\/f528c15a-ari-uru-eu-wau-wau-300x285.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/11\/f528c15a-ari-uru-eu-wau-wau-768x729.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/11\/f528c15a-ari-uru-eu-wau-wau-358x340.jpg 358w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2021\/11\/f528c15a-ari-uru-eu-wau-wau.jpg 1050w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ari Uru-Eu-Wau-Wau foi morto em abril de 2020 em Rond\u00f4nia, por conta do trabalho que fazia como guardi\u00e3o de seu territ\u00f3rio<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Gabriel Uchida\/Kanind\u00e9<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>A mais recente edi\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2021\/10\/relatorioviolencia2020\/\">relat\u00f3rio \u201cViol\u00eancia contra os Povos Ind\u00edgenas no Brasil\u201d<\/a>, editado anualmente pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), mostrou que a escalada contra os povos origin\u00e1rios brasileiros nunca foi t\u00e3o s\u00e9ria e esteve t\u00e3o intensa. Em 2020, <strong>os dados registrados pela institui\u00e7\u00e3o foram, de maneira geral, os maiores dos \u00faltimos cinco anos<\/strong>, com aumentos expressivos registrados no n\u00famero de assassinatos de ind\u00edgenas e de invas\u00f5es aos territ\u00f3rios.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Os assassinatos tiveram um aumento de 61%, com 182 casos registrados em 2020<\/strong>. Roraima (66), Amazonas (41) e Mato Grosso do Sul (34) foram os estados que registraram os maiores n\u00fameros de ocorr\u00eancias. Os conflitos territoriais tamb\u00e9m aumentaram, com 96 casos do tipo em 2020 &#8211; 174% a mais do que no ano anterior.<\/p>\n\n<p>As invas\u00f5es a terras ind\u00edgenas, identificadas no documento como <strong>\u201cinvas\u00f5es possess\u00f3rias, explora\u00e7\u00e3o ilegal de recursos e danos ao patrim\u00f4nio\u201d aumentaram e foram a 263 casos registrados em 2020<\/strong>. Foi um n\u00famero maior que em 2019, quando foram registrados 256 casos e um aumento de 141% em rela\u00e7\u00e3o a 2018, que registrou apenas 109 casos. <strong>Este foi o quinto ano de aumento consecutivo deste tipo de crime<\/strong> &#8211; que, em 2020, atingiu 201 terras ind\u00edgenas, de 145 povos em 19 estados.<\/p>\n\n<p><strong>Pandemia<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n<p>De acordo com o CIMI, as invas\u00f5es e a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais seguem o mesmo padr\u00e3o verificado em anos anteriores. <strong>S\u00e3o grupos como madeireiros, garimpeiros, ca\u00e7adores e pescadores ilegais que invadem terras ind\u00edgenas<\/strong> e, al\u00e9m de desmatar e queimar, devastam rios, extraem madeira e garimpam em busca de ouro e outros min\u00e9rios. <strong>Eles apostam na coniv\u00eancia e ina\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico<\/strong>, que pouco faz para coibir essas atividades criminosas.<\/p>\n\n<p>A pandemia de COVID-19 foi lembrada no relat\u00f3rio. Segundo levantamento da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib), <strong>mais de 43 mil ind\u00edgenas foram contaminados e pelo menos 900 morreram por complica\u00e7\u00f5es causadas pelo coronav\u00edrus <\/strong>em 2020. Grande parte desses mortos foram anci\u00f5es e anci\u00e3s, que levaram consigo parte da cultura, hist\u00f3ria e saberes de seus povos. Dessa maneira, <strong>o coronav\u00edrus causou uma perda cultural inestim\u00e1vel para a humanidade<\/strong>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Porteira aberta<\/strong><\/p>\n\n<p>\u201cO que n\u00f3s vimos foi que <strong>a COVID-19 virou uma esp\u00e9cie de porteira aberta para que as invas\u00f5es aos territ\u00f3rios ind\u00edgenas se intensificassem<\/strong>\u201d, disse o mission\u00e1rio Roberto Liegbott, um dos coordenadores do estudo. \u201c<strong>O governo brasileiro adotou uma t\u00e1tica de guerra contra os povos ind\u00edgenas<\/strong>, estabelecendo a viol\u00eancia como o padr\u00e3o em sua rela\u00e7\u00e3o com os povos origin\u00e1rios\u201d, contou o pesquisador na live de lan\u00e7amento do relat\u00f3rio.<\/p>\n\n<p><strong>Liegbott disse que o que acontece no Brasil hoje \u00e9 sim, um genoc\u00eddio<\/strong>. \u201cNunca se invadiu tantas Terras Ind\u00edgenas quanto agora. Temos um governo que prima pela estrutura\u00e7\u00e3o de uma antipol\u00edtica com diversos pequenos gestos, que v\u00e3o se acumulando para resultar num produto final, que \u00e9 o genoc\u00eddio dos ind\u00edgenas brasileiros. <strong>O governo federal trabalha ativamente para exaurir, esgotar e esvaziar os direitos ind\u00edgenas<\/strong>. Quando o CIMI denuncia genoc\u00eddio, \u00e9 disso que estamos falando\u201d, alertou o pesquisador.<\/p>\n\n<p>Assessora do CIMI, a pesquisadora L\u00facia Helena Rangel, tamb\u00e9m esteve envolvida na feitura do relat\u00f3rio. \u201c<strong>O que percebemos, olhando os dados, \u00e9 que a curva da viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas vem aumentando muito desde 2018.<\/strong> Desde a \u00e9poca de campanha do ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro. As falas dele incentivaram uma invas\u00e3o sem precedentes dentro das terras ind\u00edgenas. Em 2019 as viol\u00eancias explodiram. Em 2020, aumentaram barbaramente. Tudo leva a crer que, em 2021, esse fen\u00f4meno continua\u201d, afirmou.<\/p>\n\n<p><strong>\u201cSofremos h\u00e1 muito tempo\u201d<\/strong><\/p>\n\n<p>Vice-presidente da Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami (HAY), D\u00e1rio Kopenawa fez um depoimento forte no lan\u00e7amento do relat\u00f3rio, contando que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica para o povo Yanomami: \u201cVivemos uma situa\u00e7\u00e3o muito grave. Nossos rios est\u00e3o todos sujos de merc\u00fario. <strong>Nossas crian\u00e7as tomam \u00e1gua contaminada e apresentam dor de barriga, coceiras e diarreia. N\u00e3o temos mais como pescar ou tomar banho<\/strong>. Somos mais de 29 mil Yanomami sofrendo muito. Sofremos h\u00e1 muito tempo e j\u00e1 fizemos muitas den\u00fancias. Nossa m\u00e3e terra est\u00e1 sendo destru\u00edda e precisamos tirar os garimpeiros daqui\u201d.<\/p>\n\n<p>Porta voz da Campanha Amaz\u00f4nia do Greenpeace Brasil, Carolina Mar\u00e7al lembrou que <strong>vivemos hoje sob um governo que busca abrir as Terras Ind\u00edgenas para explora\u00e7\u00e3o comercial<\/strong>. \u201cO que as autoridades federais querem, e existem outras pessoas e institui\u00e7\u00f5es com esse mesmo objetivo, <strong>\u00e9 liberar os territ\u00f3rios ind\u00edgenas para o capital privado, privilegiando os interesses das grandes empresas<\/strong> do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o e aquelas ligadas a grandes grupos econ\u00f4micos. As atuais pol\u00edticas n\u00e3o&nbsp; respeitam a integridade do meio ambiente e os direitos das&nbsp; popula\u00e7\u00f5es tradicionais\u201d, disse Carolina.<\/p>\n\n<p>A especialista lembrou que esta ofensiva conta com forte apoio do poder Legislativo, como atestam a tramita\u00e7\u00e3o de Projetos de Lei danosos aos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, como o <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-trator-ruralista-que-destroi-a-amazonia-precisa-ser-freado\/\">PL 191\/2020<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/bolsonaristas-e-ruralistas-aprovam-projeto-que-abre-caminho-a-novo-genocidio-indigena\/\">o PL 490\/2007<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/marco-temporal-o-nome-elegante-do-genocidio\/\">a discuss\u00e3o sobre o Marco Temporal<\/a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Outros dados trazidos pelo relat\u00f3rio:<\/strong><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>H\u00e1 seis anos nenhuma Terra Ind\u00edgena \u00e9 demarcada no Brasil;<\/li><li>Existem 1.299 Terras Ind\u00edgenas identificadas no Brasil. Dessas, 470 s\u00e3o homologadas, demarcadas ou est\u00e3o oficializadas. As outras aguardam provid\u00eancias do poder p\u00fablico;<\/li><li>Praticamente metade dos assassinatos ocorridos em 2020 (182) aconteceram em dois estados: Roraima (66) e Amazonas (41);<\/li><\/ul>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-cta\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/basta-violencia-contra-indigenas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exija o fim da viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas. Assine a nossa peti\u00e7\u00e3o!<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n<p><\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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