{"id":3893,"date":"2014-11-13T09:15:42","date_gmt":"2014-11-13T12:15:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=3893"},"modified":"2019-11-06T05:21:28","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:28","slug":"a-luta-dos-munduruku-contra-a-invisibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-luta-dos-munduruku-contra-a-invisibilidade\/","title":{"rendered":"A luta dos Munduruku contra a invisibilidade"},"content":{"rendered":"<h4>Enquanto o povo Munduruku realiza a autodemarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, amea\u00e7ada pela constru\u00e7\u00e3o do complexo do Tapaj\u00f3s, decis\u00e3o do TRF vem na contram\u00e3o e dificulta ainda mais o processo de demarca\u00e7\u00e3o do local<\/h4>\n<div id=\"attachment_3897\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3897\" class=\"size-large wp-image-3897\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/d4ec81cd-gp0stpms7_medium_res-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/d4ec81cd-gp0stpms7_medium_res-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/d4ec81cd-gp0stpms7_medium_res-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/d4ec81cd-gp0stpms7_medium_res-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/d4ec81cd-gp0stpms7_medium_res-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/d4ec81cd-gp0stpms7_medium_res.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-3897\" class=\"wp-caption-text\">Juarez Saw Munduruku, Cacique da aldeia Sawr\u00e9 Muybu.<\/p><\/div>\n<p>Empunhando foices, fac\u00f5es e aparelhos de GPS, guerreiros Mundurukus limpam uma estreita faixa de floresta, no extremo norte da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, demarcando por conta pr\u00f3pria o limite de suas terras.<\/p>\n<p>No ato de tornar aparente a linha imagin\u00e1ria que delimita o seu territ\u00f3rio de mais de 178 mil hectares, os Mundurukus tentam escapar da invisibilidade que lhes tem sido imposta pelo governo \u2013 uma forma de pedir n\u00e3o s\u00f3 o reconhecimento de sua exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m de seus direitos.<\/p>\n<p>A TI Sawr\u00e9 Muybu poder\u00e1 ser alagada caso a usina hidrel\u00e9trica S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, a primeira do Complexo, cujo leil\u00e3o est\u00e1 previsto para o ano que vem &#8211; com pot\u00eancia de 8.040 MW -, torne-se realidade. A demarca\u00e7\u00e3o, que se arrasta h\u00e1 mais de 13 anos e foi paralisada no ano passado, seria uma forma de garantir a sua prote\u00e7\u00e3o e impedir que isso aconte\u00e7a. De acordo com o Artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, \u00e9 vedada a remo\u00e7\u00e3o de grupos ind\u00edgenas de suas terras, salvo em caso de cat\u00e1strofe ou epidemia que ponha em risco sua popula\u00e7\u00e3o, e garantindo o retorno imediato logo que cesse o risco.<\/p>\n<h3>A luta entre a anta e o jabuti<\/h3>\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o vamos sair\u201d, diz o cacique Juarez Saw Munduruku, da aldeia Sawr\u00e9 Muybu, contando uma est\u00f3ria da cosmologia de seu povo em que um pequeno jabuti vence uma enorme anta, que simboliza o governo impondo a constru\u00e7\u00e3o da obra e desrespeitando os que moram ali. Assim Juarez pede apoio \u00e0 luta pela prote\u00e7\u00e3o do rio: \u201cA anta \u00e9 grande, mas, juntos, podemos derrot\u00e1-la\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>O complexo do Tapaj\u00f3s prev\u00ea cinco hidrel\u00e9tricas na regi\u00e3o, cuja soma da \u00e1rea dos reservat\u00f3rios ultrapassa o tamanho da cidade de S\u00e3o Paulo. Mas, no lugar de uma selva de pedras, a \u00e1rea a ser coberta pela \u00e1gua \u00e9 rica em biodiversidade e abriga uma das principais por\u00e7\u00f5es de floresta intacta do pa\u00eds, com unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras ind\u00edgenas e diversas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Isso sem falar nos povos ind\u00edgenas e ribeirinhos que vivem no local.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s an\u00e1lise do Estudo de Componente ind\u00edgena que integra o Estudo de Impacto Ambiental da hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s, servidores p\u00fablicos da Funai conclu\u00edram pela inviabilidade do empreendimento, visto que a obra incidiria sobre terra ind\u00edgena em processo de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o, de sustar o parecer da Justi\u00e7a de Itaituba que obrigava a Funai a publicar o relat\u00f3rio que confirma a ocupa\u00e7\u00e3o tradicional pelos \u00edndios, vem mostrar que as dificuldades que os Mundurukus enfrentar\u00e3o est\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ando. O documento que est\u00e1 parado, pronto desde 2013, \u00e9 considerado fundamental ao processo da demarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Para garantir a constru\u00e7\u00e3o dessas hidrel\u00e9tricas, o governo vem ignorando sistematicamente a Constitui\u00e7\u00e3o e negando aos Mundurukus o direito de terem seu territ\u00f3rio demarcado. O Brasil pode deixar de construir grandes hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia diversificando a matriz de energia e investindo em fontes como energia e\u00f3lica, solar e biomassa\u201d afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amaz\u00f4nia do Greenpeace.<\/p>\n<p>A demora na demarca\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena s\u00f3 aprofunda os problemas causados pela invas\u00e3o da Sawr\u00e9 Muybu, como explica o cacique Munduruku: \u201cDecidimos fazer isso porque somos amea\u00e7ados, tanto por madeireiros, garimpeiros, como pela barragem que est\u00e1 se aproximando\u201d, diz ele. \u201cO relat\u00f3rio afirma que pertence a n\u00f3s e o governo sabe disso\u201d.<\/p>\n<h3>O governo sabe, mas passa por cima<\/h3>\n<p>Os 12 mil Mundurukus que vivem ao longo das margens do Tapaj\u00f3s s\u00e3o os povos origin\u00e1rios dessa regi\u00e3o, e, portanto, segundo a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, t\u00eam direito a ela. Para eles, Sawr\u00e9 Muybu \u00e9 muito mais que um simples peda\u00e7o de ch\u00e3o. \u00c9 l\u00e1 que eles t\u00eam a base de sua cultura e obt\u00e9m alimentos por meio da ca\u00e7a, da pesca e do ro\u00e7ado. O Rio Tapaj\u00f3s \u00e9 t\u00e3o importante que, na cosmologia, faz parte at\u00e9 da hist\u00f3ria da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o desse povo.<\/p>\n<p>Mas, para o governo federal, que ignora a diversidade dos \u201cBrasis\u201d que comp\u00f5em o mapa do pa\u00eds, os Mundurukus s\u00f3 se tornam vis\u00edveis quando protestam pelos seus direitos e o Tapaj\u00f3s \u00e9 apenas mais um lugar a ser transformado em um imenso canteiro de obras para a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo megaprojeto de grandes hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia ap\u00f3s Belo Monte.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2014\/11\/141108_entrevista_gilberto_jf_fd\">Em recente entrevista \u00e0 BBC Brasil<\/a>, o Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presid\u00eancia, Gilberto Carvalho, afirmou que o governo n\u00e3o abrir\u00e1 m\u00e3o do empreendimento.<\/p>\n<h3>Veja abaixo entrevista em que o cacique Juarez Munduruku fala sobre a autodemarca\u00e7\u00e3o:<\/h3>\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/BE7xy1sHrF8\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"BE7xy1sHrF8\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o povo Munduruku realiza a autodemarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, amea\u00e7ada pela constru\u00e7\u00e3o do complexo do Tapaj\u00f3s, decis\u00e3o do TRF vem na contram\u00e3o e dificulta ainda mais o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":3897,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-3893","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3893"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3893\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3906,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3893\/revisions\/3906"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3893"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=3893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}