{"id":42408,"date":"2022-09-01T11:38:21","date_gmt":"2022-09-01T14:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=42408"},"modified":"2022-09-02T15:56:37","modified_gmt":"2022-09-02T18:56:37","slug":"quem-mais-sofre-as-consequencias-da-crise-do-clima-nas-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/quem-mais-sofre-as-consequencias-da-crise-do-clima-nas-cidades\/","title":{"rendered":"Quem mais sofre os impactos da crise do clima nas cidades?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Em entrevista ao Greenpeace Brasil, pesquisadora do Instituto P\u00f3lis repercute estudo sobre quem s\u00e3o as pessoas mais expostas a enchentes, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/09\/70ef9f91-gp1swuva_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42409\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/09\/70ef9f91-gp1swuva_.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/09\/70ef9f91-gp1swuva_-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/09\/70ef9f91-gp1swuva_-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/09\/70ef9f91-gp1swuva_-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption>Fam\u00edlias impactadas por enchentes em novembro de 2021 e in\u00edcio de 2022, quando as fortes chuvas atingiram os estados da Bahia e Minas Gerais. \u00a9 Isis Medeiros \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O medo vivido pelas popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas nas cidades, assim como todas que <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/negligenciar-crise-climatica-agrava-violacao-dos-direitos-humanos-e-injusticas-sociais\/\">historicamente t\u00eam seus direitos violados<\/a> como quilombolas, ind\u00edgenas, pesqueiras e rurais, aumenta quando o per\u00edodo de chuvas se aproxima. E esse temor vem sendo potencializado nos \u00faltimos anos por um cen\u00e1rio que tornou os eventos extremos mais intensos e frequentes, a<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-inmet-confirma-o-que-todos-sentem-o-clima-no-brasil-ja-esta-mais-quente-e-as-chuvas-mais-intensas-e-frequentes\/\"><strong> crise clim\u00e1tica<\/strong><\/a><strong>.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n<p>O estudo <a href=\"https:\/\/polis.org.br\/estudos\/racismo-ambiental\/\">\u201cRacismo ambiental e justi\u00e7a socioambiental nas cidades\u201d<\/a>, publicado em julho deste ano pelo Instituto P\u00f3lis, trouxe um retrato de quem s\u00e3o as pessoas mais expostas a enchentes, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos em S\u00e3o Paulo (SP), Bel\u00e9m (PA) e Recife (PE). <\/p>\n\n<p>De acordo com a publica\u00e7\u00e3o,<strong> as popula\u00e7\u00f5es mais amea\u00e7adas<\/strong> e que mais sofrem com as consequ\u00eancias do aumento de eventos extremos, como as chuvas fortes,<strong> s\u00e3o pessoas negras, de baixa renda e que habitam regi\u00f5es perif\u00e9ricas, em especial m\u00e3es chefes de fam\u00edlia<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Na cidade de S\u00e3o Paulo, 37% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra, j\u00e1 nas \u00e1reas com risco de deslizamento esse n\u00famero sobe para 55%. Em Bel\u00e9m, onde de acordo com os dados do Censo Demogr\u00e1fico (IBGE, 2010), 64% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra, nas \u00e1reas de risco este \u00edndice sobe para 75%. E em Recife, onde 55% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra, nas \u00e1reas com risco de deslizamento essa quantidade aumenta para 68%, e em \u00e1reas com risco de inunda\u00e7\u00e3o, 59%.<\/p>\n\n<p>\u201c<strong>O nosso modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 historicamente excludente e marginaliza determinadas popula\u00e7\u00f5es<\/strong>. A falta de pol\u00edtica habitacional e de acesso \u00e0 moradia digna \u00e9 o que leva parte da popula\u00e7\u00e3o para os lugares que restaram e que s\u00e3o vulner\u00e1veis ambientalmente. Nessas cidades que a gente analisou, existem muitos lugares ocupados pela popula\u00e7\u00e3o de maior renda que t\u00eam muita declividade, s\u00e3o pr\u00f3ximos a cursos d\u00b4\u00e1gua e n\u00e3o est\u00e3o suscet\u00edveis ao risco. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, a gente tem Perdizes. No Recife, o bairro de Santana. S\u00f3 que essa por\u00e7\u00e3o da cidade teve recurso t\u00e9cnico e recurso financeiro para que ela fosse constru\u00edda com uma infraestrutura adequada\u201d, afirma Lara Cavalcante<strong>, <\/strong>arquiteta, urbanista, pesquisadora do Instituto P\u00f3lis e uma das autoras do estudo.<\/p>\n\n<p><strong>Quer entender mais sobre como a estrutura de desigualdade tem impactado desproporcionalmente as popula\u00e7\u00f5es urbanas quando o assunto \u00e9 crise clim\u00e1tica?<\/strong> Aperte o play e ou\u00e7a esse papo que eu fiz com a Lara Cavalcante.<\/p>\n\n<p>Neste primeiro v\u00eddeo, entenda como as consequ\u00eancias das chuvas fortes cada vez mais intensas e frequentes podem prejudicar, inclusive, a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/5SZ0ZQHvIAw\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"5SZ0ZQHvIAw\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n\n<p>\u201cOs impactos ambientais nas cidades s\u00e3o socialmente produzidos: n\u00e3o s\u00e3o apenas fruto de eventualidades clim\u00e1ticas. No entanto, a distribui\u00e7\u00e3o de suas consequ\u00eancias se d\u00e1 de forma desigual no territ\u00f3rio urbano. Esse desequil\u00edbrio \u00e9, em parte, a express\u00e3o da <strong>injusti\u00e7a socioambiental<\/strong> e do <strong>racismo ambiental<\/strong> nas cidades\u201d, diz o estudo.<\/p>\n\n<p>No trecho a seguir<strong>, entenda como a urbaniza\u00e7\u00e3o das cidades reproduz o racismo e agrava ainda mais as desigualdades tamb\u00e9m na esfera socioambiental.<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/RX6pc2mr4wk\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"RX6pc2mr4wk\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n\n<p>Para Lara Cavalcante,<strong> um dos primeiros passos para se construir uma outra l\u00f3gica para as cidades \u00e9 garantir espa\u00e7o \u00e0s pessoas mais expostas \u00e0s vulnerabilidades clim\u00e1ticas nos processos decis\u00f3rios da pol\u00edtica institucional.<\/strong> Por isso, um dos caminhos que ela indica \u00e9 construir um corpo pol\u00edtico diverso que garanta uma perspectiva de olhar para a realidade considerando a diversidade de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/c0-Slg9Uk24\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"c0-Slg9Uk24\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n\n<p>Cada territ\u00f3rio tem suas especificidades, e \u00e9 por esse motivo que o Instituto P\u00f3lis escolheu essas tr\u00eas localidades, S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m e Recife. \u201cAs problem\u00e1ticas ambientais e sociais que s\u00e3o mobilizadas nessas tr\u00eas cidades acabam sendo diferentes\u201d, explica Lara.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cEm S\u00e3o Paulo, h\u00e1 muitas quest\u00f5es relacionadas aos riscos por deslizamento, que inclusive \u00e9 um dos principais motivos que mobilizam remo\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis na cidade. O Recife \u00e9 uma cidade que recentemente foi muito fortemente atingida por<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/clima-e-desigualdade-quem-ja-esta-pagando-a-conta\/\"> chuvas e inunda\u00e7\u00f5es,<\/a> e \u00e9 uma cidade costeira, o que no atual cen\u00e1rio de emerg\u00eancia clim\u00e1tica e de aquecimento global tamb\u00e9m suscita a quest\u00e3o do aumento dos n\u00edveis dos mares. E Bel\u00e9m \u00e9 muito conectada com a \u00e1gua, com muitas \u00e1reas que s\u00e3o suscet\u00edveis \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o e tem problemas mais s\u00e9rios relacionados a doen\u00e7as vinculadas \u00e0 falta de saneamento\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Justi\u00e7a Clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n<p>Um outro estudo chamado \u201c<a href=\"https:\/\/generoeclima.oc.eco.br\/lancamento-quem-precisa-de-justica-climatica-no-brasil\/\">Quem precisa de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica no Brasil?<\/a>\u201d foi publicado recentemente pelo Observat\u00f3rio do Clima e tamb\u00e9m<strong> aponta para a necessidade de inserir perspectivas, problematiza\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es a partir do vi\u00e9s de quem sofre historicamente as injusti\u00e7as socioambientais. <\/strong>O relat\u00f3rio traz a sobreposi\u00e7\u00e3o de opress\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es como um ponto focal para a discuss\u00e3o da crise clim\u00e1tica no Brasil, e ressalta a import\u00e2ncia de diferentes \u00e1reas e setores como acesso \u00e0 energia el\u00e9trica, alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, entre outros, como fundamentais para a discuss\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia aos mais impactados.\u00a0<\/p>\n\n<p>O documento traz alguns depoimentos como o de Selma Dealdina, quilombola da comunidade Angelim III, no Esp\u00edrito Santo, que ao ser questionada sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica a partir das m\u00faltiplas viv\u00eancias quilombolas no Brasil, diz: \u201cFalar de justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 todo um processo. E a gente sempre esteve ali, preservando a \u00e1gua para que n\u00e3o seja polu\u00edda, para que n\u00e3o houvesse uma seca generalizada. <strong>Hoje o que mudou n\u00e3o foi o clima, foi o comportamento das pessoas, que est\u00e3o agressivas com a natureza<\/strong>. Justi\u00e7a e popula\u00e7\u00e3o negra, popula\u00e7\u00e3o quilombola, n\u00e3o andam do mesmo lado\u201d.<\/p>\n\n<p>Ela tamb\u00e9m relata que \u201ccomo mulher quilombola negra, n\u00e3o se v\u00ea nos discursos por justi\u00e7a clim\u00e1tica propagados principalmente por pessoas brancas descoladas da realidade social do seu territ\u00f3rio\u201d, descreve o documento. \u201cOuvir, reparar e p\u00f4r em pr\u00e1tica o que cada uma dessas mulheres t\u00eam a dizer sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica\u201d \u00e9 uma parte da resposta \u00e0 pergunta-chave do estudo e dos caminhos para as a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o e de garantia de resili\u00eancia para essas popula\u00e7\u00f5es. A\u00e7\u00f5es que precisam ser colocadas em pr\u00e1tica AGORA!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao Greenpeace Brasil, pesquisadora repercute estudo sobre quem s\u00e3o as pessoas mais expostas a enchentes, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos<\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":42409,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-42408","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42408"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42408\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42459,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42408\/revisions\/42459"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42408"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=42408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}