{"id":43254,"date":"2022-10-10T15:00:43","date_gmt":"2022-10-10T18:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=43254"},"modified":"2025-07-02T04:24:11","modified_gmt":"2025-07-02T07:24:11","slug":"a-luta-de-quem-vive-de-perto-os-efeitos-da-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-luta-de-quem-vive-de-perto-os-efeitos-da-crise-climatica\/","title":{"rendered":"A luta de quem vive de perto os efeitos da crise clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p>Rui Gemaque sobrevoou \u00e1reas de queimada na Amaz\u00f4nia e conectou pautas como crise clim\u00e1tica, impacto desigual e justi\u00e7a social.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43255\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/194a4e35-bf6a2279-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O ativista Rui dos Santos Gemaque Junior durante sobrevoo na regiao da AMACRO. 15 de setembro de 2022.  Foto: Bruno Kelly \/ Greenpeace Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Em depoimento \u00e0 Camila Doretto.<\/p>\n\n<p>Rui Gemaque tem 23 anos, nasceu em Bel\u00e9m do Par\u00e1 e cresceu entre a capital e Ananindeua, o segundo munic\u00edpio mais populoso do estado, al\u00e9m de ter vivido parte da inf\u00e2ncia \u00e0 beira do Rio Acar\u00e1, no interior, na casa da av\u00f3. Hoje, Rui \u00e9 estudante de medicina veterin\u00e1ria e trabalha pela conserva\u00e7\u00e3o do peixe-boi-da-Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de ser ativista do grupo de volunt\u00e1rios do Greenpeace em Bel\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Como ativista, ele atua com educa\u00e7\u00e3o ambiental sensibilizando crian\u00e7as, jovens e adultos, \u201cmostrando para eles um mundo novo que, na verdade, sempre esteve ao redor de todos, mas que muitas vezes pode passar despercebido\u201d, como ele mesmo descreve. Em pra\u00e7as de Bel\u00e9m, no Museu de Zoologia da Universidade Federal Rural da Amaz\u00f4nia (UFRA) e em escolas da cidade, ele realiza um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre como as pessoas devem lidar com situa\u00e7\u00f5es de risco, como quando animais silvestres entram nas casas, cobras, por exemplo, ou outros que oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade humana &#8211; contato que ocorre principalmente no per\u00edodo de chuvas.\u00a0<\/p>\n\n<p>Com o objetivo de conectar todo um ciclo que passa pela crise clim\u00e1tica, as injusti\u00e7as sociais e a perda de floresta (a maior contribui\u00e7\u00e3o do Brasil para a crise clim\u00e1tica), Rui foi convidado pelo Greenpeace Brasil para <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/destruicao-da-floresta-da-amazonia-as-periferias-uma-questao-de-justica-climatica\/\">sobrevoar \u00e1reas de desmatamento<\/a> na regi\u00e3o de Porto Velho (RO).<\/p>\n\n<p>Leia o relato dele a seguir sobre essa experi\u00eancia.<\/p>\n\n<p>\u201cQuando a facilitadora do grupo de volunt\u00e1rios em Bel\u00e9m entrou em contato comigo para fazer o convite, eu achei a ideia incr\u00edvel. Porque uma coisa \u00e9 a gente falar de conserva\u00e7\u00e3o de um lugar um pouco distante, sem testemunhar mesmo a trag\u00e9dia de perto. Outra \u00e9 ver a queimada acontecendo. Me sinto uma testemunha a mais de toda essa destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>A gente que vive na Amaz\u00f4nia tem uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se separa da floresta, mesmo morando em uma metr\u00f3pole. Apesar da urbaniza\u00e7\u00e3o, a gente sempre tem as \u00e1rvores muito presentes, e toda a biodiversidade composta por fauna e flora.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Com certeza essa experi\u00eancia do sobrevoo n\u00e3o foi uma experi\u00eancia rasa. Eu nunca vou conseguir esquecer. E acredito que qualquer pessoa que visse o que a gente viu hoje, com certeza sairia impactado.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Apesar de a gente escutar sobre desmatamento da Amaz\u00f4nia e sobre as queimadas, \u00e9 muito diferente quando a gente v\u00ea a propor\u00e7\u00e3o com a qual esses eventos acontecem. \u00c9 algo muito chocante, triste, n\u00e3o tem outra palavra pra dizer. Triste e desesperador.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Se fosse para escolher algo que mais me impactou nesse sobrevoo, eu diria que talvez as imagens. As imagens de uma forma geral. Porque quando eu vi aquilo de cima, eu imaginei a quantidade de bichos desesperados querendo fugir do fogo, da fuma\u00e7a, os que perderam suas casas, seu alimento, os que morreram porque n\u00e3o conseguiram escapar, sabe? Eu fico imaginando o grande desespero que \u00e9 a perda da vida por conta das chamas, as chamas chegando e devastando tudo, e saber que toda aquela \u00e1rea n\u00e3o vai se recuperar t\u00e3o facilmente.<\/p>\n\n<p><strong>A perda da floresta se relaciona diretamente com a regi\u00e3o de onde eu venho. Os impactos da crise clim\u00e1tica me fazem pensar sobre <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/quem-mais-sofre-as-consequencias-da-crise-do-clima-nas-cidades\/\">as consequ\u00eancias para quem vive em algumas regi\u00f5es da cidade<\/a> e convivem com uma s\u00e9rie de vulnerabilidades. <\/strong>Primeiro, penso na urbaniza\u00e7\u00e3o, no crescimento desordenado da cidade. N\u00e3o existe planejamento e a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica acaba indo para as beiras da cidade, \u00e1reas para onde o poder p\u00fablico virou as costas para direitos fundamentais como o planejamento sanit\u00e1rio, por exemplo. As popula\u00e7\u00f5es de mais baixa renda, quando t\u00eam suas casas invadidas pelas chuvas, s\u00e3o tamb\u00e9m acometidas por doen\u00e7as que poderiam ser evitadas se houvesse um melhor controle arquitet\u00f4nico ou sobre a sa\u00fade, pois est\u00e3o muito mais suscet\u00edveis a dengue, Zika ou mal\u00e1ria.<\/p>\n\n<p>E eu n\u00e3o posso deixar de falar de <strong>sobreposi\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7as<\/strong> tamb\u00e9m quando penso que apesar da regi\u00e3o norte ser uma das maiores produtoras de energia do pa\u00eds \u00e9 a que paga mais caro por ela. Existe ent\u00e3o tanto essa quest\u00e3o grave de injusti\u00e7a como tamb\u00e9m da falta de responsabilidade do poder p\u00fablico quanto ao manejo e distribui\u00e7\u00e3o justa da \u00e1gua.<\/p>\n\n<p>E mais, para as constru\u00e7\u00f5es das hidrel\u00e9tricas que abastecem a regi\u00e3o e outras regi\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias que grande \u00e1reas de floresta sejam desmatadas, sejam inundadas, e boa parte da biodiversidade \u00e9 dizimada. E o problema \u00e9 que ainda existem muitos outros projetos que amea\u00e7am a ecologia dos rios, das florestas, amea\u00e7am tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o local, a popula\u00e7\u00e3o quilombola ou ribeirinha, que est\u00e3o ali nas margens dos rios e que correm o risco de ter que se deslocar para que sua identidade seja sobreposta por projetos econ\u00f4micos que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o essas realidades. <\/p>\n\n<p>Eu me tornei volunt\u00e1rio do Greenpeace porque queria fazer um pouco mais pelo meio ambiente, para somar for\u00e7as e combater os retrocessos contra a vida no planeta. A vontade que eu carrego comigo depois dessa experi\u00eancia \u00e9 de seguir nessa luta, falando cada vez mais sobre toda essa problem\u00e1tica. E farei isso ainda com mais vontade, principalmente para aquelas pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso a esse tipo de informa\u00e7\u00e3o. E quero falar pra elas tamb\u00e9m que existe solu\u00e7\u00e3o e que tudo isso tem rela\u00e7\u00e3o com as nossas vidas, onde quer que a gente esteja\u201d.<\/p>\n\n<p>Veja o v\u00eddeo resultado do sobrevoo:<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/kO388XfaN4Y\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"kO388XfaN4Y\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Gemaque sobrevoou \u00e1reas de queimada na Amaz\u00f4nia\u00a0 e conectou pautas como: crise clim\u00e1tica, impacto desigual e justi\u00e7a social.<\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":43255,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-43254","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43254"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58550,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43254\/revisions\/58550"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43254"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=43254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}