{"id":43453,"date":"2022-10-20T11:05:11","date_gmt":"2022-10-20T14:05:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=43453"},"modified":"2025-07-02T04:24:07","modified_gmt":"2025-07-02T07:24:07","slug":"se-a-gente-trabalhar-com-varias-populacoes-locais-daqui-a-pouco-a-gente-muda-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/se-a-gente-trabalhar-com-varias-populacoes-locais-daqui-a-pouco-a-gente-muda-o-mundo\/","title":{"rendered":"&#8220;Se a gente trabalhar com v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es locais, daqui a pouco a gente muda o mundo&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A frase \u00e9 da ativista e volunt\u00e1ria do Greenpeace, que sobrevoou \u00e1reas de desmatamento na Amaz\u00f4nia, uma experi\u00eancia que fortaleceu sua luta por justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43454\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2022\/10\/bf860468-bf6a2663-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Atividade Clima e Justica em Porto Velho. Na foto, a ativista Ana Clis da Silva Ferreira durante  sobrevoo na regiao da AMACRO. 15 de setembro de 2022.  Foto: Bruno Kelly.<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Ana Clis tem 23 anos, nasceu em Itapecerica da Serra, munic\u00edpio da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, e atualmente mora na Zona Sul. \u00c9 estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o de projetos e h\u00e1 5 anos atua como volunt\u00e1ria do Greenpeace Brasil onde, junto com outras ativistas, fundou o Projeto Ra\u00edzes, que leva o debate da pauta socioambiental para regi\u00f5es perif\u00e9ricas da cidade de S\u00e3o Paulo. Regi\u00f5es essas onde vivem pessoas que est\u00e3o entre as mais impactadas pelas consequ\u00eancias da crise clim\u00e1tica e que s\u00e3o expostas a uma sobreposi\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7as.<\/p>\n\n<p>Com o objetivo de conectar todo um ciclo que passa pela crise clim\u00e1tica, as injusti\u00e7as sociais e a perda de floresta (a maior contribui\u00e7\u00e3o do Brasil para a crise clim\u00e1tica), Ana foi convidada pelo Greenpeace Brasil para <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/destruicao-da-floresta-da-amazonia-as-periferias-uma-questao-de-justica-climatica\/\">sobrevoar \u00e1reas de desmatamento<\/a> na regi\u00e3o de Porto Velho (RO).&nbsp;<\/p>\n\n<p>Leia a seguir o relato da Ana Clis sobre essa experi\u00eancia, em depoimento \u00e0 Camila Doretto.<\/p>\n\n<p>&#8220;Quando recebi o convite para sobrevoar a Amaz\u00f4nia, ver de perto a destrui\u00e7\u00e3o da floresta e entender a conex\u00e3o com a crise clim\u00e1tica e a minha vida em uma regi\u00e3o perif\u00e9rica da cidade de S\u00e3o Paulo, uma das primeiras coisas que eu pensei foi: ser\u00e1 que eu devo ir? Me veio aquela preocupa\u00e7\u00e3o de ser uma pessoa do Sudeste, o quanto eu poderia estar tomando o lugar de uma pessoa do Norte, diretamente impactada por tudo o que acontece ali e que at\u00e9 ent\u00e3o parecia fazer mais sentido participar de um sobrevoo como esse.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Mas dois outros pensamentos me fizeram olhar de um jeito diferente para a experi\u00eancia. O primeiro foi quando eu soube que o <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-luta-de-quem-vive-de-perto-os-efeitos-da-crise-climatica\/\">Rui Gemaque<\/a>, do grupo de volunt\u00e1rios do Greenpeace em Bel\u00e9m, iria para o sobrevoo, e ele \u00e9 uma pessoa da floresta, ou seja, mais diretamente impactada. E outro pensamento foi quando me dei conta do quanto eu sofro as consequ\u00eancias tamb\u00e9m e que poderia sim ser importante ocupar esse espa\u00e7o junto com ele.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Se falta \u00e1gua todos os dias na minha casa, se o pre\u00e7o do alimento torna a vida ainda mais dura para mim e para quem est\u00e1 ao meu redor, se as pessoas que eu conhe\u00e7o est\u00e3o tendo de escolher entre pagar a conta de luz ou comprar um alimento, e tudo isso tem a ver com a crise clim\u00e1tica, a crise h\u00eddrica e com o desmatamento na Amaz\u00f4nia, ent\u00e3o \u00e9 importante eu estar l\u00e1. Eu n\u00e3o s\u00f3 estou no lugar das pessoas mais impactadas por todo esse ciclo de destrui\u00e7\u00e3o, como fa\u00e7o parte do grupo que precisa ter espa\u00e7o de voz garantido na constru\u00e7\u00e3o dos caminhos que falam sobre as solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o enfrentamento das <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mudancas-climaticas-se-somam-a-outras-crises-no-brasil-e-aumentam-muros-da-desigualdade\/\">diversas crises que enfrentamos<\/a>.<\/p>\n\n<p>Alguns momentos me impactaram muito durante esse sobrevoo. Um deles foi quando eu vi os ramais, os caminhos feitos na floresta para a entrada dos maquin\u00e1rios necess\u00e1rios para a derrubada das \u00e1rvores, mas que a gente s\u00f3 consegue ver de cima. Foi uma evid\u00eancia n\u00edtida da ilegalidade, do crime que acontece na floresta. E outro foi o momento em que a gente passou por uma \u00e1rea que demarcava bem fortemente a divis\u00e3o entre a conserva\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o. Entre a floresta como deveria ser, e como ela n\u00e3o deveria estar, queimada, derrubada.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Como ativista que mora e atua nas periferias levando a pauta clim\u00e1tica para o dia a dia das pessoas, com certeza esse foi um marco na minha trajet\u00f3ria como agente de transforma\u00e7\u00e3o da realidade.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Quando eu e a Bruna, que n\u00e3o est\u00e1 mais com a gente no projeto, resolvemos dar o pontap\u00e9 inicial para o<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/projetoraizes.gpbr\/?hl=pt\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/projetoraizes.gpbr\/?hl=pt\"> Projeto Ra\u00edzes<\/a>, n\u00f3s entendemos que era muito importante levar essa pauta para o territ\u00f3rio onde a gente mora. N\u00f3s costum\u00e1vamos pegar o transporte p\u00fablico para regi\u00f5es muito distantes, levando cerca de uma hora e meia, duas horas para chegar e fazer uma a\u00e7\u00e3o em defesa da pauta socioambiental na Avenida Paulista ou uma limpeza de praia, por exemplo, enquanto que ali na nossa comunidade a gente convive diariamente com o desafio de acesso a saneamento b\u00e1sico, destina\u00e7\u00e3o de lixo, vidas amea\u00e7adas pelas fortes chuvas, entre uma s\u00e9rie de outros problemas. E a\u00ed n\u00f3s nos demos conta de que est\u00e1vamos reproduzindo uma l\u00f3gica que nos distanciava do grupo das pessoas mais atingidas.\u00a0<\/p>\n\n<p>Essa oportunidade de testemunhar o desmatamento na Amaz\u00f4nia, apesar de tr\u00e1gica, n\u00e3o s\u00f3 vai me ajudar a fazer conex\u00f5es de uma nova forma com as pessoas de S\u00e3o Paulo, especialmente nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos, como j\u00e1 transformou rela\u00e7\u00f5es no meu pr\u00f3prio conv\u00edvio familiar.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Enquanto eu voltava de Porto Velho para S\u00e3o Paulo, me perguntava: como eu fa\u00e7o para levar para as outras pessoas essa vis\u00e3o que esse sobrevoo me trouxe? Como eu levo isso daqui para as crian\u00e7as dos bairros perif\u00e9ricos? Como eu levo isso daqui para os idosos? Como eu fa\u00e7o o meu pai acreditar nisso? Porque o meu pai n\u00e3o \u00e9 uma pessoa extremamente politizada. Ele tem cr\u00edticas ao sistema como um todo, tem ressalvas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pauta ambiental. E a\u00ed eu mostrei para ele as fotos e v\u00eddeos que fiz durante o sobrevoo e ele falou: nossa, voc\u00ea viu de perto mesmo?! Isso realmente est\u00e1 acontecendo?! Ent\u00e3o ele quis entender mais, me perguntou como isso impacta as nossas vidas e eu, do meu jeitinho, do jeitinho que ele podia entender, me abri para essa conversa.<\/p>\n\n<p>N\u00f3s falamos sobre os eventos extremos, sobre as fortes chuvas que amea\u00e7am a vida de quem a gente convive t\u00e3o de perto, como familiares que inclusive tivemos que socorrer no \u00faltimo ver\u00e3o porque tiveram suas casas atingidas pelas fortes chuvas. Conversamos sobre a seca, que \u00e9 algo que faz muito sentido para o meu pai, uma vez que ele \u00e9 do Cear\u00e1 e viveu isso bem de perto no passado, sobre a conex\u00e3o com a natureza &#8211;\u00a0 que \u00e9 muito importante para ele tamb\u00e9m, sobre a fuma\u00e7a que chegou em S\u00e3o Paulo em 2019 e o porqu\u00ea de bairros como Perdizes e aqueles pr\u00f3ximos \u00e0 avenida Paulista (bairros da cidade de S\u00e3o Paulo repletos de morros, por\u00e9m ocupados principalmente por moradores das classes m\u00e9dia e alta) estarem mais protegidos das chuvas, enchentes e deslizamentos do que o bairro onde a gente vive. Ou seja, falamos inclusive de justi\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n<p>Foi isso que a experi\u00eancia me trouxe. Essa abertura. Para o meu pai, foi muito importante a filha dele ter estado l\u00e1, pois \u00e9 uma pessoa em quem ele confia. E a partir da\u00ed eu abri possibilidades de um novo tipo de conversa n\u00e3o s\u00f3 com ele, mas com toda a minha fam\u00edlia e todas as pessoas com quem vou estar daqui em diante.<\/p>\n\n<p>A Ana que chegou em Porto Velho chegou ansiosa e com um pouco de medo. A Ana que saiu de Porto Velho aterrissou em S\u00e3o Paulo com a agenda de trabalho pronta para ser colocada em pr\u00e1tica e com grandes ambi\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a. Atuando aqui onde eu moro, eu acredito que posso mudar aqui e mudar l\u00e1 (na Amaz\u00f4nia) tamb\u00e9m. Essa n\u00e3o foi uma experi\u00eancia para ficar s\u00f3 em uma pessoa, foi uma experi\u00eancia para o todo. Eu e o Rui (Gemaque) vivemos realidades muito diferentes, mas que n\u00e3o deixam de estar conectadas, e hoje podemos pensar juntos em como mudar o atual cen\u00e1rio que nos amea\u00e7a.\u00a0<\/p>\n\n<p>Eu acredito muito na transforma\u00e7\u00e3o local e que a partir do local se muda o todo. Se a gente trabalhar com v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es locais, a gente daqui a pouco muda o mundo\u201d.<\/p>\n\n<p>Veja o v\u00eddeo resultado do sobrevoo:<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/kO388XfaN4Y\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"kO388XfaN4Y\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A frase \u00e9 da ativista e volunt\u00e1ria do Greenpeace, que sobrevoou \u00e1reas de desmatamento na Amaz\u00f4nia, uma experi\u00eancia que fortaleceu sua luta por justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":43454,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"not set","p4_local_project":"not set","p4_basket_name":"not set","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-43453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43453"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43453\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58548,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43453\/revisions\/58548"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43453"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=43453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}