{"id":4414,"date":"2017-02-09T15:16:09","date_gmt":"2017-02-09T18:16:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=4414"},"modified":"2019-11-06T05:21:05","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:05","slug":"hidreletricas-na-amazonia-uma-ameaca-para-o-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/hidreletricas-na-amazonia-uma-ameaca-para-o-clima\/","title":{"rendered":"Hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia: uma amea\u00e7a para o clima"},"content":{"rendered":"<div class=\"leader\">\n<h4>A aposta do governo brasileiro nas hidrel\u00e9tricas com grandes reservat\u00f3rios na Amaz\u00f4nia representa um passo atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o aos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris<\/h4>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"events-box small-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div id=\"attachment_4415\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4415\" class=\"wp-image-4415 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/0cc18753-gp0stppcz_medium_res-1024x683.jpg\" alt=\"Canteiro da constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu, em 2014 .\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/0cc18753-gp0stppcz_medium_res-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/0cc18753-gp0stppcz_medium_res-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/0cc18753-gp0stppcz_medium_res-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/0cc18753-gp0stppcz_medium_res-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/08\/0cc18753-gp0stppcz_medium_res.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-4415\" class=\"wp-caption-text\">Canteiro da constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu, em 2014 .<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O governo brasileiro indica querer voltar a construir hidrel\u00e9tricas com grandes reservat\u00f3rios, conforme an\u00fancio de setembro do ano passado da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (ANEEL). No entanto, para Philip Fearnside, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), este an\u00fancio vai completamente contra os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar o Acordo de Paris para o clima \u2013 o documento da ONU que pretende barrar o aquecimento global e que j\u00e1 virou lei no Brasil.<\/p>\n<p>O Acordo prev\u00ea que pa\u00edses do mundo todo se comprometam a evitar as\u00a0emiss\u00f5es de gases que agravam o efeito estufa. A meta \u00e9 n\u00e3o deixar que o aquecimento da Terra chegue perto de 2\u00a0\u00b0C\u00a0\u2013 e que, preferencialmente, nem chegue aos 1,5\u00a0\u00b0C. Superar esse 1,5\u00a0\u00b0C\u00a0significaria trazer riscos graves para as popula\u00e7\u00f5es e para a biodiversidade do planeta.<\/p>\n<p>Em artigo publicado na\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.theglobalist.com\/dams-climate-change-global-warming-brazil-paris-agreement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Globalist<\/a><\/em>, no fim de janeiro, Fearnside, que recebeu o Pr\u00eamio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), em 2007, afirma que a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia, principalmente com grandes reservat\u00f3rios, causa um grande fluxo de emiss\u00e3o do metano (CH<sub>4<\/sub>).<\/p>\n<p>A emiss\u00e3o de metano fica concentrada nos primeiros anos ap\u00f3s o enchimento do reservat\u00f3rio, assim, a maior parte do impacto ambiental dessas hidrel\u00e9tricas ocorre nesse per\u00edodo, quando as \u00e1rvores da floresta morrem e o carbono nas folhas e no solo \u00e9 transformado em metano no fundo do reservat\u00f3rio.\u00a0Portanto, esta emiss\u00e3o agrava ainda mais o impacto das barragens sobre o Acordo de Paris porque o impacto deste g\u00e1s est\u00e1 concentrado justamente na janela de tempo necess\u00e1ria para atingir a meta. Como explica Fearnside, emiss\u00f5es evitadas 80, 90 ou 100 anos no futuro n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o relevantes quanto as emiss\u00f5es dos pr\u00f3ximos 20 anos: \u201cO Acordo de Paris mudou tudo porque o crit\u00e9rio passou a ser n\u00e3o passar de um limite \u201cbem abaixo\u201d de 2\u00ba C acima da m\u00e9dia antes da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e trabalhar na dire\u00e7\u00e3o de chegar a 1,5\u00ba C, o que significa que o que realmente conta s\u00e3o os pr\u00f3ximos 20 anos. \u00c9 uma mudan\u00e7a muito importante em termos das hidrel\u00e9tricas porque elas t\u00eam grande impacto a curto prazo\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>De acordo com o autor, cada tonelada de metano tem um impacto sobre o aquecimento global cerca de 200 vezes o de uma tonelada de CO<sub>2<\/sub>\u00a0enquanto permanece na atmosfera. O metano permanece por um tempo relativamente curto (12,4 anos em m\u00e9dia), por\u00e9m, se encaixa nesse per\u00edodo que \u00e9 o mais relevante para os compromissos assumidos com o clima.\u00a0Uma tonelada de CO<sub>2<\/sub>\u00a0tem um impacto muito mais brando que metano enquanto permanece na atmosfera, mas fica cerca de dez vezes mais tempo. Para converter metano em equivalentes de CO<sub>2<\/sub>\u00a0com uma base de 100 anos, cada tonelada de metano vale por 34 toneladas de CO<sub>2<\/sub>, mas se converter com base de 20 anos vale por 86 toneladas de CO<sub>2<\/sub>. Assim, o impacto das barragens \u00e9 muito maior se \u00e9 mesmo para cumprir com o limite de temperatura acordado em Paris.<\/p>\n<h4>Grandes reservat\u00f3rios<\/h4>\n<p>No artigo, Fearnside esclarece que, no Brasil, os planos para futuras grandes barragens est\u00e3o predominantemente na Amaz\u00f4nia, onde as emiss\u00f5es s\u00e3o mais altas do que em locais fora dos tr\u00f3picos \u00famidos devido \u00e0 alta biomassa e clima quente da Amaz\u00f4nia. As emiss\u00f5es de grandes reservat\u00f3rios s\u00e3o maiores do que as de barragens a fio d\u2019\u00e1gua, embora as barragens de fio d\u2019agua tamb\u00e9m n\u00e3o tenham emiss\u00f5es zero ou insignificantes. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso considerar os outros impactos ambientais que tamb\u00e9m s\u00e3o mais significativoss com grandes reservat\u00f3rios, incluindo deslocamento for\u00e7ado de pessoas e a perda de floresta e biodiversidade.<\/p>\n<p>O reconhecimento dos impactos das hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia, incluindo suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e seus outros impactos ambientais e sociais, \u00e9 essencial para a tomada de decis\u00f5es racionais sobre o desenvolvimento energ\u00e9tico e sobre estrat\u00e9gias para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. De acordo com o artigo, a contabilidade adequada para o impacto do aquecimento global das barragens e o metano que produzem \u00e9 necess\u00e1rio para cumprir os objetivos acordados em Paris. Para Fearnside, a mudan\u00e7a de prioridades anunciada recentemente pelo Brasil para barragens com grandes reservat\u00f3rios \u00e9 um golpe para esses esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>Veja o artigo de Philip Fearnside,\u00a0<a class=\"zoom\" href=\"http:\/\/www.theglobalist.com\/dams-climate-change-global-warming-brazil-paris-agreement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em ingl\u00eas<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aposta do governo brasileiro nas hidrel\u00e9tricas com grandes reservat\u00f3rios na Amaz\u00f4nia representa um passo atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o aos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":4415,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[6,7],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-4414","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-clima","tag-energia","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4414"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4414\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12950,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4414\/revisions\/12950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4414"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=4414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}