{"id":45469,"date":"2023-03-23T10:44:43","date_gmt":"2023-03-23T13:44:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=45469"},"modified":"2025-07-02T04:23:18","modified_gmt":"2025-07-02T07:23:18","slug":"quantas-gramas-de-ouro-valem-milhares-de-vidas-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/quantas-gramas-de-ouro-valem-milhares-de-vidas-indigenas\/","title":{"rendered":"Quantos gramas de ouro valem milhares de vidas ind\u00edgenas?"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Um relato de sobrevoo pelas Terras Ind\u00edgenas Munduruku e Kayap\u00f3, devastadas pelo garimpo ilegal na \u00faltima d\u00e9cada<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-1024x683.jpg\" title=\"Greenpeace Brasil sobrevoo nas Terras Ind\u00edgenas Munduruku e Kayap\u00f3.\" alt=\"Greenpeace Brasil sobrevoo nas Terras Ind\u00edgenas Munduruku e Kayap\u00f3. \" class=\"wp-image-45471\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/03\/69697f08-gp1su251-1-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Greenpeace Brasil sobrevoou nas Terras Ind\u00edgenas Munduruku e Kayap\u00f3. <div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Marcos Amend \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Ariene Susu\u00ed \u00e9 campaigner do Greenpeace. Vinda do povo Wapichana, de Roraima, Ariene nasceu na comunidade de Truar\u00fa da Cabeceira, e h\u00e1 alguns anos milita nos movimentos sociais pelos direitos dos povos ind\u00edgenas. Formada em jornalismo, ela participou, nas \u00faltimas semanas, de um sobrevoo de monitoramento sobre algumas Terras Ind\u00edgenas no sudoeste do Par\u00e1. Pedimos que ela compartilhasse conosco suas impress\u00f5es. Eis o material que ela elaborou:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><em>\u201cEra 7 da manh\u00e3 de uma quinta-feira quando come\u00e7amos a nos organizar para o sobrevoo sobre as terras ind\u00edgenas Munduruku e Kayap\u00f3.<\/em><\/p>\n\n<p><em>Eu estava muito ansiosa &#8211; foi o meu primeiro sobrevoo em territ\u00f3rios com garimpo ilegal. Quando eu era crian\u00e7a na comunidade ind\u00edgena Truaru, em Roraima, ouvia falar sobre o garimpo. Mas me parecia um assunto muito distante: ali n\u00e3o t\u00ednhamos problemas com a atividade criminosa. Mas n\u00f3s receb\u00edamos o alerta: se houvesse uma lei que abrisse os territ\u00f3rios ind\u00edgenas para a garimpagem, todos n\u00f3s ser\u00edamos afetados. Anos se passaram e ent\u00e3o ouvi novamente, dentro do movimento ind\u00edgena, que v\u00e1rios parentes de outras regi\u00f5es estavam sendo duramente atingidos por essa pr\u00e1tica ilegal.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p><em>Em v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es que participei a problem\u00e1tica do garimpo era colocada. V\u00e1rias lideran\u00e7as falaram o quanto o garimpo avan\u00e7ava em seus territ\u00f3rios, trazendo destrui\u00e7\u00e3o e problemas sociais. Mas eu mesma ainda n\u00e3o tinha uma ideia clara do tamanho dos preju\u00edzos.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p><em>Sa\u00edmos de Manaus (AM) e seguimos at\u00e9 o territ\u00f3rio Munduruku. Por volta das 11 da manh\u00e3,&nbsp; come\u00e7amos a sobrevoar os primeiros pontos abertos de garimpo ilegal. Ao olhar o estrago l\u00e1 embaixo, s\u00f3 pude refletir sobre as vidas que estavam sendo afetadas naquele espa\u00e7o. Naquele momento, comecei a lembrar da fala dos meus l\u00edderes: \u201co homem n\u00e3o ind\u00edgena, eles v\u00eam e destroem tudo em nome do dinheiro\u201d. Meu pai mesmo dizia que o ouro s\u00f3 traz destrui\u00e7\u00e3o por onde passa.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p><em>Comecei a lembrar de uma outra conversa que tive no Acampamento Terra livre (ATL) em 2022, com D\u00e1rio Kopenawa &#8211; uma das maiores lideran\u00e7as ind\u00edgenas do Brasil. Ele dizia que seu povo, os Yanomami, n\u00e3o sabiam mais o que fazer. Eles j\u00e1 tinham&nbsp; ido em todas as inst\u00e2ncias do poder p\u00fablico. No entanto, o seu territ\u00f3rio continuava sendo invadido e a busca pelo ouro s\u00f3 aumentava. O que ficava para tr\u00e1s, dizia ele, era s\u00f3 devasta\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as e contamina\u00e7\u00e3o dos rios. Para n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, o territ\u00f3rio \u00e9 sagrado: t\u00eam seres vis\u00edveis e invis\u00edveis vivendo naquele espa\u00e7o, por meio de uma conex\u00e3o ancestral.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p><em>No primeiro momento, ao sobrevoar o territ\u00f3rio Munduruku, n\u00e3o tive muitas rea\u00e7\u00f5es. Mas no dia seguinte, quando sobrevoamos a Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, meus olhos se encheram de l\u00e1grimas. A vis\u00e3o foi devastadora. O que eu via parecia uma cidade feita de lama e destro\u00e7os. Naquele momento eu me perguntava: \u201cser\u00e1 que ainda \u00e9 poss\u00edvel fazer algo?\u201d<\/em><\/p>\n\n<p><em>\u00c0 medida que avan\u00e7\u00e1vamos, a esperan\u00e7a ia indo embora. Por\u00e9m, me recordei das lideran\u00e7as, que sempre disseram para os da minha gera\u00e7\u00e3o: \u201cMorrer se for preciso, mas desistir jamais! Territ\u00f3rio \u00e9 nossa m\u00e3e! Ningu\u00e9m vende, machuca ou destr\u00f3i a nossa m\u00e3e!\u201d Mas lembrei tamb\u00e9m que, sozinhos, n\u00f3s n\u00e3o seremos capazes de acabar com o garimpo ilegal, tamanha a propor\u00e7\u00e3o que este problema tomou dentro dos nossos territ\u00f3rios.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p><em>Fiquei em choque por horas. Ali sim pude entender a dor dos meus parentes: como lutar contra todo um sistema bilion\u00e1rio? A luta \u00e9 muito desigual. Nos locais onde ele acontece, o garimpo ilegal est\u00e1 afetando a vida de diversas pessoas e trazendo muitos preju\u00edzos para a sociobiodiversidade. A sociedade precisa entender o que acontece hoje dentro dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. As joias brilhantes e as pedras preciosas que as pessoas usam saem de um lama\u00e7al que engole e consome as almas de milhares de ind\u00edgenas.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p><em>O ouro \u00e9 banhado de sangue ind\u00edgena. O Brasil nasceu do genoc\u00eddio dos nossos ancestrais; e o mercado do ouro tamb\u00e9m se sustenta pela mesma l\u00f3gica. A cada segundo que passa, mais vidas est\u00e3o sendo perdidas para o garimpo ilegal: quantas gramas de ouro valem uma vida ind\u00edgena?<\/em><\/p>\n\n<p><em>Ao sobrevoar os dois territ\u00f3rios, minha sensa\u00e7\u00e3o foi de profunda tristeza. Pelo que j\u00e1 vi e ouvi sobre o assunto, n\u00e3o h\u00e1 como defender o garimpo em nenhuma circunst\u00e2ncia. N\u00e3o h\u00e1 como promovermos desenvolvimento baseado na pr\u00e1tica de um crime t\u00e3o perverso. Podemos at\u00e9 pensar que ele talvez funcione por um tempo, mas ele n\u00e3o funciona. N\u00e3o h\u00e1 como trocar a vida dos povos ind\u00edgenas pelo ouro. A floresta em p\u00e9 \u00e9 mais valiosa do que ela derrubada. Precisamos pensar em outros modelos econ\u00f4micos, principalmente modelos que cuidem e conservem a vida.\u201d<\/em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Quer ajuda na luta contra o garimpo ilegal? Colabore com o nosso abaixo-assinado que pede a retirada dos garimpeiros de dentro dos territ\u00f3rios origin\u00e1rios.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button aligncenter is-style-cta\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/amazonia-livre-de-garimpo\/\">Participar do abaixo-assinado<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um relato de sobrevoo pelas Terras Ind\u00edgenas Munduruku e Kayap\u00f3, devastadas pelo garimpo ilegal na \u00faltima d\u00e9cada<\/p>\n","protected":false},"author":100,"featured_media":45471,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[43,60],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-45469","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","tag-povos-e-territorios","tag-garimpo","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/100"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45469"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45469\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58529,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45469\/revisions\/58529"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45469"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=45469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}