{"id":45976,"date":"2023-02-24T16:50:00","date_gmt":"2023-02-24T19:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=45976"},"modified":"2023-05-09T15:57:23","modified_gmt":"2023-05-09T18:57:23","slug":"nao-existe-muita-agua-para-pouca-cidade-o-que-existe-e-falta-de-acao-de-longo-prazo-diz-greenpeace-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/nao-existe-muita-agua-para-pouca-cidade-o-que-existe-e-falta-de-acao-de-longo-prazo-diz-greenpeace-brasil\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o existe muita \u00e1gua para pouca cidade. O que existe \u00e9 falta de a\u00e7\u00e3o de longo prazo\u201d, diz Greenpeace Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>O poder p\u00fablico deve preparar as cidades contra eventos extremos e parar de agir apenas na trag\u00e9dia<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-46070\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-2046x1366.jpg 2046w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/04\/04076a59-crs0138-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Trabalho da Defesa Civil junto com os moradores em S\u00e3o Sebasti\u00e3o | Mar Franz \/ Greenpeace Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n<p><strong>S\u00e3o Paulo, 24 de fevereiro de 2023 &#8211; <\/strong>No \u00faltimo domingo (19), fortes chuvas causaram uma trag\u00e9dia no litoral norte de S\u00e3o Paulo, com \u00f3bitos, deslizamentos de encostas, alagamentos, perdas materiais e centenas de pessoas desabrigadas. Segundo dados divulgados pela Defesa Civil nesta sexta-feira, foram contabilizadas 53 mortes, mas os n\u00fameros seguem em an\u00e1lise, com risco de subnotifica\u00e7\u00e3o. Apesar da visita do governo federal na regi\u00e3o, a sua colabora\u00e7\u00e3o com o governo estadual e prefeituras, e do an\u00fancio de medidas, como o repasse de R$ 7 milh\u00f5es para a\u00e7\u00f5es de defesa em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, \u00e9 urgente que os governos preparem as cidades contra eventos extremos mais regulares e parem de culpabilizar as chuvas pelas trag\u00e9dias.<\/p>\n\n<p>Ainda que o acumulado de chuvas no per\u00edodo tenha sido o mais alto da hist\u00f3ria na regi\u00e3o, com 640mm de chuva em apenas 24 horas, conforme os dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), n\u00e3o \u00e9 correto culpabilizar o fen\u00f4meno natural pela trag\u00e9dia. Os eventos extremos desta magnitude s\u00e3o mais frequentes&nbsp; devido ao aquecimento global, e o poder p\u00fablico al\u00e9m de tomar medidas para o cortar da emiss\u00e3o, deveria ter pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes com participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es mais impactadas na elabora\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o e monitoramento para preven\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o. Inclusive o Cemaden alertou as cidades do perigo de chuva dois dias antes.<\/p>\n\n<p>Para Rodrigo Jesus, porta-voz de Clima e Justi\u00e7a do Greenpeace Brasil, as cat\u00e1strofes atuais s\u00e3o reflexo de um modelo de urbaniza\u00e7\u00e3o historicamente excludente e escancaram a urg\u00eancia do poder p\u00fablico priorizar a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 c\u00edclico, racista e intencional a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o a cat\u00e1strofes e adapta\u00e7\u00e3o de cidades com o hist\u00f3rico de fortes chuvas no pa\u00eds. O Brasil ainda <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/quem-mais-sofre-as-consequencias-da-crise-do-clima-nas-cidades\/\">reproduz um retrato colonial<\/a> e sist\u00eamico da falta de acesso e infraestrutura destinada ao povo perif\u00e9rico, negro e pobre. Ao inv\u00e9s de aprofundar e investir em medidas de adapta\u00e7\u00e3o para assegurar vidas a m\u00e9dio e longo prazo, o poder p\u00fablico continua apostando apenas em a\u00e7\u00f5es de resposta r\u00e1pida no momento em que a cat\u00e1strofe apresenta danos humanos\u201d, ressalta Jesus.<\/p>\n\n<p><strong>Trag\u00e9dias marcam a hist\u00f3ria do pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n<p>Segundo dados do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas), nos \u00faltimos 35 anos foram registradas no Brasil, pelo menos, 4.219 mortes causadas pelas fortes chuvas em detrimento da falta de planejamento, infraestrutura e pol\u00edticas adequadas contra eventos extremos. Petr\u00f3polis (RJ), Recife (PE) e Araraquara (SP), recentemente, s\u00e3o apenas algumas das cidades que tiveram suas hist\u00f3rias marcadas por cat\u00e1strofes que poderiam ter sido evitadas. Dados levantados pela CNM (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios), em conjunto com Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional, no ano passado, mostram que o n\u00famero de mortes causadas pelas chuvas, e pela falta de infraestrutura no pa\u00eds em 2022 foi a maior nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u00e9 v\u00edtima de um evento extremo acompanhado pela neglig\u00eancia do poder p\u00fablico. Em 2014, a cidade recebeu 179mm de chuva em apenas dez horas, bloqueando trechos da Rodovia Rio-Santos, provocando deslizamentos, alagamentos e isolando praias do munic\u00edpio. Nove anos depois, a cidade ainda n\u00e3o conta com infraestrutura adequada para a popula\u00e7\u00e3o, especialmente a parcela que vive em \u00e1reas de risco.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>O que devemos esperar (e cobrar) do poder p\u00fablico&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n<p>Os governos federal, estadual e municipal t\u00eam acompanhado de perto a situa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, mas \u00e9 necess\u00e1rio que as promessas e reuni\u00f5es se convertam em a\u00e7\u00f5es concretas e urgentes. Dentre as pol\u00edticas p\u00fablicas para \u00e1reas de risco j\u00e1 mapeadas, destacam-se a instala\u00e7\u00e3o de sistemas de alertas, como sirenes; a\u00e7\u00f5es de regulariza\u00e7\u00e3o e ordenamento de constru\u00e7\u00e3o e moradia em \u00e1reas de risco; estabelecimento de centro de monitoramento e instala\u00e7\u00e3o de novas esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas para controle de poss\u00edveis epis\u00f3dios extremos; desenvolvimento de planos de adapta\u00e7\u00e3o de cidades com uma lente de justi\u00e7a clim\u00e1tica e alinhamento com plano diretor dos munic\u00edpios, caso existentes. Considerando metas claras, or\u00e7amento, revis\u00e3o anual com participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, treinamento das popula\u00e7\u00f5es sobre riscos e atua\u00e7\u00e3o em momentos de crise.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Temos um Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o mas ele tem ciclos de vig\u00eancia e \u00faltimo ano do ciclo encerrou em 2016, e n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es precisas e dispon\u00edveis sobre a sua avalia\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente que sua revis\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o efetiva seja realizada o quanto antes e que garanta a inclus\u00e3o da Justi\u00e7a Clim\u00e1tica como elemento central.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cAl\u00e9m de&nbsp; estar desatualizado e n\u00e3o ser efetivo, o plano \u00e9 focado em a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o para reduzir a vulnerabilidade de setores econ\u00f4micos e n\u00e3o h\u00e1 sequer uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra justi\u00e7a no seu extenso conte\u00fado. Povos e popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade s\u00e3o um cap\u00edtulo, e n\u00e3o um eixo central e transversal como deveriam ser. Ou seja, o plano vigente no Brasil busca apenas adaptar as vulnerabilidades dos setores da economia brasileira, da ind\u00fastria e do capital, deixando para tr\u00e1s as pessoas vulnerabilizadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d, ressalta Rodrigo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Essas s\u00e3o algumas a\u00e7\u00f5es que garantem, de certa forma, a seguran\u00e7a de toda popula\u00e7\u00e3o e um planejamento de longo prazo, sem culpabilizar o grande volume de chuvas. \u201cO grande volume de \u00e1gua n\u00e3o justifica enchentes e deslizamentos de encostas que levam pessoas \u00e0 morte. N\u00e3o existe \u2018muita \u00e1gua para pouca cidade\u2019, mas existe sim falta de medidas de preven\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o eficazes, al\u00e9m da falta de comprometimento do poder p\u00fablico. O governo precisa agir\u201d, finaliza Rodrigo.<\/p>\n\n<p><strong>Como ajudar<\/strong><\/p>\n\n<p>O Greenpeace Brasil apoia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais afetadas pelas chuvas, denunciando a situa\u00e7\u00e3o de calamidade p\u00fablica que enfrentam e colocando press\u00e3o p\u00fablica para que governos adotem medidas de preven\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o efetivas. Ao lado de parceiros locais, a organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 apoiando as fam\u00edlias impactadas, atrav\u00e9s de uma plataforma para doa\u00e7\u00e3o em dinheiro, fazendo chegar o que precisa para as fam\u00edlias impactadas pelas chuvas.<\/p>\n\n<p><a href=\"https:\/\/doe.greenpeace.org.br\/emergencia-climatica\/p?donationType=Single&amp;appeal=18965&amp;entrypoint=blog&amp;_ga=2.67573525.583609242.1673379727-884565736.1654686005\">Saiba mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, 24 de fevereiro de 2023 &#8211; No \u00faltimo domingo (19), fortes chuvas causaram uma trag\u00e9dia no litoral norte de S\u00e3o Paulo, com \u00f3bitos, deslizamentos de encostas, alagamentos, perdas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":46070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[42],"p4-page-type":[14],"class_list":["post-45976","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45976"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46071,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45976\/revisions\/46071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45976"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=45976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}