{"id":46542,"date":"2023-05-29T15:27:11","date_gmt":"2023-05-29T18:27:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=46542"},"modified":"2023-06-01T15:39:36","modified_gmt":"2023-06-01T18:39:36","slug":"1-ano-da-maior-tragedia-socioambiental-do-seculo-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/1-ano-da-maior-tragedia-socioambiental-do-seculo-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Um ano da maior trag\u00e9dia socioambiental do s\u00e9culo em Pernambuco"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O ato \u201c1 Ano de Luto, 1 Ano de Luta\u201d reuniu coletivos em mem\u00f3ria das v\u00edtimas e cobrou pol\u00edticas p\u00fablicas. Volunt\u00e1rios do Greenpeace no Recife apoiaram a mobiliza\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/05\/b052881c-gp0stwhgy_web_size.jpg\" title=\"Pessoas segurando banners em recife com dizeres &quot;pelas v\u00edtimas das chuvas de 2022&quot;\" alt=\"Pessoas segurando banners em recife com dizeres &quot;pelas v\u00edtimas das chuvas de 2022&quot;\" class=\"wp-image-46544\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/05\/b052881c-gp0stwhgy_web_size.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/05\/b052881c-gp0stwhgy_web_size-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/05\/b052881c-gp0stwhgy_web_size-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/05\/b052881c-gp0stwhgy_web_size-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption><div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Joyce Diva \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Quando o inverno come\u00e7a no Recife, a gente j\u00e1 espera a chegada das not\u00edcias ruins. Todo ano a \u201cVeneza Brasileira\u201d, estampa manchetes sobre desastres socioambientais. Em 2019, foi a primeira cidade do Pa\u00eds a reconhecer o <strong>estado de emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Banhada por tr\u00eas bacias hidrogr\u00e1ficas (Capibaribe, Beberibe e Tejipi\u00f3) e cortada por 99 canais, Recife \u00e9, segundo o IPCC, a cidade mais vulner\u00e1vel do Brasil \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel m\u00e9dio dos oceanos. E a 16\u00b0 do mundo. Mas n\u00e3o s\u00e3o as fragilidades naturais do territ\u00f3rio que explicam as trag\u00e9dias, do contr\u00e1rio todos os endere\u00e7os seriam afetados de forma parecida. O problema mora no longo processo de marginaliza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Segundo o Boletim Desigualdade nas Metr\u00f3poles, <strong>o Grande Recife tem 52% da popula\u00e7\u00e3o vivendo abaixo da linha de pobreza ou extrema pobreza<\/strong>. \u00c9 o maior percentual do Pa\u00eds entre as regi\u00f5es metropolitanas. Na capital, cerca de 55% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra, mas, de acordo com o estudo<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/quem-mais-sofre-as-consequencias-da-crise-do-clima-nas-cidades\/\"> Injusti\u00e7a Socioambiental e Racismo Ambiental<\/a>, feito pelo Instituto P\u00f3lis, essa taxa sobe para 59% nos locais onde h\u00e1 risco de inunda\u00e7\u00e3o, chegando a 68% no de deslizamento.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Quando cerca de 200 mm de acumulado de chuva ca\u00edram rapidamente naquele <strong>28 de maio de 2022<\/strong>, as comunidades despossu\u00eddas de infraestrutura urbana, majoritariamente negras, j\u00e1 estavam marcadas a sofrer. Naquela ocasi\u00e3o, o c\u00e9u ficaria cinza tamb\u00e9m nos dias seguintes, deixando uma multid\u00e3o em alerta. <strong>O medo, a lama e o luto se misturavam.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n<p>No Estado de Pernambuco, cerca de 128 mil tiveram que sair de suas casas tempor\u00e1ria ou permanentemente. 140 pessoas morreram, sendo 135 dentro da regi\u00e3o metropolitana, e a maioria por deslizamentos de terra, nos morros que cercam as plan\u00edcies.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Depois do <strong>maior desastre do s\u00e9culo 21 ocorrido em Pernambuco, pouco foi feito referente \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/strong> para quem mora pr\u00f3ximo de cursos d\u2019\u00e1gua e encostas \u00edngremes. O \u201caux\u00edlio das chuvas\u201d dado pelo Estado e munic\u00edpios foi insuficiente para reconstruir a vida e reparar d\u00e9cadas de descaso, obrigando muita gente a voltar para \u00e1reas de risco por n\u00e3o ter para onde ir.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Para n\u00e3o deixar com que a mem\u00f3ria se perca, e fazer dela luta constante, o ato <strong>\u201c1 Ano de Luto, 1 Ano de Luta\u201d<\/strong> aconteceu no Recife neste dia 28 de maio de 2023. Ele contou com a participa\u00e7\u00e3o de diversos coletivos da sociedade civil com o objetivo de lembrar as v\u00edtimas das inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos de terra, tendo por foco pautar a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica p\u00fablica de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica para o Estado de Pernambuco.\u00a0<\/p>\n\n<p>Com o aquecimento do Oceano Atl\u00e2ntico, <strong>a tend\u00eancia \u00e9 que as chuvas concentradas se tornem cada vez mais frequentes no litoral nordestino<\/strong>, onde se encontra o Grande Recife. O ato deste domingo ocupou as ruas, tamb\u00e9m, para mostrar a urg\u00eancia dessa pauta para a sociedade. O percurso contou com momentos de fala de pessoas atingidas pela trag\u00e9dia, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e organiza\u00e7\u00f5es que colaboraram com a\u00e7\u00f5es efetivas na ajuda dos territ\u00f3rios atingidos. Por fim, nas diversas manifesta\u00e7\u00f5es do ato foi ressaltado a import\u00e2ncia de cobrar a\u00e7\u00f5es estruturantes do poder p\u00fablico para a real constru\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia urbana na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife.&nbsp;<\/p>\n\n<p class=\"has-grey-100-color has-green-800-background-color has-text-color has-background\"><strong>Basta de Trag\u00e9dias quando as chuvas chegam.    <\/strong>                                           Todos os anos, fam\u00edlias que moram em \u00e1reas mais suscet\u00edveis a desastres quando as chuvas chegam perdem seus parentes, casas e pertences. Esse problema \u00e9 hist\u00f3rico no Brasil e acontece porque n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o a cat\u00e1strofes. O governo federal precisa urgentemente revisar e colocar em pr\u00e1tica o <strong>Plano Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o<\/strong> (PNA), com participa\u00e7\u00e3o das pessoas mais impactadas. O PNA \u00e9 uma ferramenta para orientar que prefeituras, governos estaduais e o governo federal trabalhem de forma integrada, cada um com seus pap\u00e9is e responsabilidades pela adapta\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de risco. Ajude a pressionar por pol\u00edticas p\u00fablicas: <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/basta-de-tragedias-quando-as-chuvas-chegam\/\"><strong>Basta de trag\u00e9dias quando as chuvas chegam.<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> O ato \u201c1 Ano de Luto, 1 Ano de Luta\u201d reuniu coletivos em mem\u00f3ria das v\u00edtimas e para cobrar por pol\u00edticas p\u00fablicas. Volunt\u00e1rios do Greenpeace no Recife apoiaram a mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":46544,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-46542","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46542"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46627,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46542\/revisions\/46627"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46542"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=46542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}